Torres del Paine. Onde as torres tocam o céu

O parque nacional de Torres del Paine, no extremo da Patagônia chilena e reserva da Biosfera pela Unesco, com certeza é uma das grandes paisagens da Terra. Seu ecossistema único no meio da desértica Patagônia possui um microclima que nos presenteia com espécies só ali encontradas, montanhas altíssimas, geleiras e vida animal abundante. Isso tudo com uma ótima infra-estrutura de transporte, hotéis e excelentes guias. O início dessa viagem se dá depois de um voo de 4 horas de Santiago a Punta Arenas, cidade mais extrema do Chile. Aproveite para ver o Estreito de Magalhães e mesmo navegar por ele até a pinguineira de Isla Madalegna, que depois de uma viagem de barco de 2 horas, nos deparamos com milhares desses bichinhos engraçados, barulhentos e mal cheirosos (mas isso você tenta ignorar). A época ideal da viagem é o verão, que vai de dezembro a março, e mesmo assim espere encontrar frio razoável mas suportável, vento e quem sabe até mesmo um pouco de neve dependendo da altitude que você estiver. De volta à cidade de Punta Arenas, vale a pena dar uma volta pela cidade com suas casinhas coloridas, visitar o Museu Salesiano, que nos conta muita história da região, da fauna e da flora e escolher um dos bons restaurantes que servem frutos do mar, especialmente a centolla, caranguejo desajeitado e gigante da região e os peixes das águas geladas. Deixe o cordeiro para depois para não enjoar, pois este será o prato principal daqui pra frente. Mas se prepare que o tempo pode virar a qualquer momento e o vento gelado que vem direto da Antárctica te pegar de jeito.

Punta Arenas e o Estreito de Magalhães

Casa em Punta Arenas, Patagônia chilena

Pinguineira Isla Madalegna, Estreito de Magalhães

O parque, destino de nossa viagem, ainda está a 400 km de distância. Para deixar a viagem menos cansativa, prepare-se para parar e ficar um dia em Puerto Natales, pequena cidade pesqueira, à beira de um fiorde e encravada no meio das montanhas. Uma maneira pra lá de diferente de continuar a viagem é seguir de barco a partir da cidade. Primeiro toma-se um pequeno barco, porém com parte coberta e algum conforto passando por diversos glaciares como o Serrano e o Balmaceda e lagos cobertos de icebergs que dão show para qualquer aprendiz de fotógrafo. Quando se está mais próximo do parque, trocamos de barco para um bote chamado zodiac e começamos a sentir a verdadeira natureza selvagem da Patagônia navegando pelo Rio Serrano. Sabe quando a viagem até o lugar é o passeio? Neste caso isso é verdade.

Glaciar Serrano, Puerto Natales

Torres del Paine é enorme e provavelmente seu hotel providenciará os passeios com transporte e guias. Na primeira vez que estivemos lá, ficamos na Hosteria Grey, bem em frente ao lago Grey e à geleira de mesmo nome que fica ao longe. Quase não a notamos, mas quando vemos os icebergs chegando relativamente perto das margens do lago, nos damos conta de onde estamos. Na última vez ficamos no Hotel Las Torres, bastante confortável e profissional, com uma localização boa, mas não tão impressionante quanto o Grey. Quando se caminha o dia inteiro em uma região com clima hostil, escolha um lugar para ficar com um mínimo de conforto. Uma boa noite de sono é garantia de um dia com energia e disposição. Alguns hotéis do parque envelheceram e é bom checar as condições antes de reservar. Para o primeiro dia, faça um tour chamado Full Paine, que dá um giro completo de reconhecimento pelo parque, passando por diversos lagos cor azul, verde, cinza e mais tantas outras cores, cachoeiras cristalinas (Salto Grande, Salto Chico e Saltos del Paine), mirantes, o Maciço Paine, com mais de 3.000 metros de altura, e muita vida animal com condores (a maior ave existente com evergadura que pode chegar a 3 metros), ñandu (um tipo avestruz local), huemul (espécie de alce que está em perigo de extinção), guanacos, o temido e arredio puma, além de muitas espécies de aves. Se der tempo, vale a pena pegar o barco para visitar o Glaciar Grey e fechar o dia em grande estilo. Este é o dia de reconhecimento da região e daqui em diante, as expedições poderão ser mais específicas para partes do parque e muitas caminhadas com diferentes níveis de dificuldades. As opções são infinitas e a cada hora do dia, dependendo da luz, as torres del Paine vão mudando de cor e ao entardecer estão avermelhadas refletindo a luz do sol. Uma coisa é certa, você não vai enjoar desse cenário. Tente ficar alguns dias no parque para que seu contato com esta natureza formidável não seja superficial, mas programe-se já que os hotéis lotam com meses de antecedência. Cada parte em que se caminha é uma surpresa, as flores estão em seu auge, os animais com seus filhotes recém nascidos e o dia é longo o suficiente para você ter a luz do dia a seu favor. Anoitece muito tarde no verão só pra gente aproveitar muito mais. Mas ainda tem muito mais da Patagônia. Logo vou falar da parte que está na Argentina e suas geleiras incríveis já que a região merece muitas e muitas viagens. Ale ravagnani

Maquete de Torres del Paine, Hotel Las Torres

Torres del Paine

Whisky com gelo milenar, Glaciar Grey

Saltos del Paine

Cavalos do Hotel Las Torres

Lupinos, flor da Patagônia

Papoulas, Torres del Paine

Ponte estreita, caminho do hotel Las Torres

Achados de viagem

Tem gente que só viaja pra comprar. Eu viajo para conhecer, mas não resisto a um achado de alguma preciosidade, algo que representa o local, que é especial e não vou encontrar em mais nenhum outro lugar. Na volta, o objeto acaba sendo um elo entre a viagem e nossa vida terrena, e quase me transporto quando penso na história daquilo, volto a viajar novamente e o efeito é ainda mais forte que o de olhar uma fotografia. É trazer um pedacinho da viagem e do país comigo. Ale Ravagnani

Guias de lugares que já fui ou que ainda irei

Coleção de fósforos

Boneco de madeira de Burma

Luminária loja do MOMA, NY

Mão linhas da vida, mercado Camden Town, Londres

Trena da história da arte, Museu Reina Sofia, Madri

Enfeites vintage da cozinha, Centro Pompideau, Paris

Coleção de Flip Books

Azeite trufado da França

Cestaria da Amazônia, Pará

Toy Art, Malba, Buenos Aires

Escultura de madeira, Camboja

Quadro da Oficina de Agosto, Tiradentes

Cerâmica do Panamá

Pôster de filme do Jacques Tati, Paris

Chapéu de Londres

Esculturas em metal, México

Personagens Tim Burton, NY

Casal de ratos, Dublin

Carneiros da Patagônia, Argentina

Maple Syrup, Canadá

Escultura de papel, Montmartre, Paris

Fitas do Bonfim, Salvador

Kiwi, Nova Zelândia

Girafa, África do Sul

Pratos da Associação da Boa Lembrança, Gramado, RS

 

Você re(conhece) São Paulo?

Ponte Estaiada

Este é um ponto de vista que dificilmente temos da cidade. O máximo que vemos é quando pousamos em Congonhas, que dependendo do lado da pista, sobrevoamos por alguns minutos essa megalópole impossível de se conhecer por completo. Recentemente tive a oportunidade de fazer um trabalho na agência que literalmente nos deu asas, ou melhor, hélices. Brifei meu amigo e fotógrafo Thomas Susemihl e lá fomos nós atrás de nossa grande foto da campanha, a Ponte Estaiada no Brooklin vista de cima. Provavelmente ela está virando um ícone e um marco moderno de São Paulo, mas até chegar lá do Campo de Marte, descobri que são muitas as referências que se perdem no meio da selva de pedras. A cidade tem muitas belezas, mas ao mesmo tempo ela cresce tanto que o concreto acaba engolindo tudo, quase como uma grande onda. Deveriam existir muitos mirantes e pontos de observação, porque somente de cima conseguimos enxergar o que há muito nem percebemos mais. A lista é grande, passando pelo Masp, Avenida Paulista, Anhembi, Praça da Sé, Edifício Copan, Memorial da América Latina, Jóquei Clube, Cidade Universitária, Estádio do Pacaembu, Parque do Ibirapuera, e ainda tem muito mais. Agora eu recomendo para qualquer pessoa, seja turista ou nativo, invista num voo e ganhe asas você também. Imagens: Ale Ravagnani

 

Thomas Susemihl, e nosso helicóptero

Trens na Barra Funda

Raia olímpica da USP

Jóquei Clube

Hípica Paulista, Brooklin

Aeroporto de Congonhas

Shopping Morumbi

Catedral Ortodoxa, Paraíso

Praça e Catedral da Sé

Edifício Copan

Santa Casa

Estádio do Pacaembú

Cemitério da Consolação

Ginásio do Ibirapuera

Parque do Ibirapuera

Obelisco e Oca, Ibirapuera

Avenida Paulista

Avenida Paulista

Masp, Avenida Paulista

Capela

Memorial da América Latina

Telhado do Anhembi

Riviera Maia: Cancún ou Playa del Carmen?

Este post é dedicado a nossos queridos amigos Martha e Edu, que quando moravam no México, nos receberam e apresentaram o país com tanto carinho. O país é tão rico e diverso, que vou escrever várias vezes sobre ele. Vou falar sobre a capital, a culinária, cidades históricas, a arte dos muralistas e por aí vai. Mas hoje volto para o Caribe e faço uma comparação entre a famosa Cancún e sua vizinha menor, porém internacional, Playa del Carmen. Claro que vai do gosto do freguês. Cancún é de impressionar por toda infra estrutura que foi construída e atendimento profissional, porém Playa, apesar de já ter crescido bastante, tem um perfil diferente da sua vizinha. É bem menos “aparecida” e muito mais low profile, além de não ostentar, mas sem deixar de lado o charme. Mas uma coisa que é exatamente a mesma nos dois lugares é a cor do mar de cair o queixo. Parece que jogaram tinta para chegar no Pantone exato azul-do-caribe. Mas seja qual for sua praia, a diversão é garantida em qualquer lugar.

CANCÚN

• Grandes hotéis de rede all inclusive
• Muitos americanos e brasileiros em excursão
• Para se andar de carro
• Voos diretos sem grandes deslocamentos
• Vida noturna com shows internacionais e bares animados
• Restaurantes de cadeia americanos
• Fazer compras em shopping center
• Visitar Playa del Carmen que está a apenas 45 minutos
• Pegar piscina no hotel

PLAYA DEL CARMEN

• Pequenos hotéis de charme e pousadas
Mosquito Blue – mosquitoblue.com e Deseo – hoteldeseo.com são ótimas opções
• Viajante independente, principalmente europeus
• Para andar a pé
• Voo direto para Cancún e de lá transfer de hora em hora para Playa
• Vida noturna com restaurantes aconchegantes e bares transados
• Fazer compras e garimpar barganhas nas lojinhas da charmosa 5ª Avenida
• Visitar as ruínas Maias de Tulun que está a apenas 45 minutos
• Pegar mar que parece uma piscina

Playa del Carmen, Riviera Maia

Los Voladores

Quer mais um ótimo motivo pra ir? O Real está bem valorizado por lá, o que torna os preços mais acessíveis. Aliás, onde é que não está vantajoso para um brasileiro viajar? Só mesmo aqui no Brasil que é comum viajar aqui e pagar mais caro do que no exterior. Ah, importante, ainda estamos na temporada de furacões. Vá depois de outubro, que está logo aí e dá tempo de você se programar. Ale Ravagnani

 

 

 

Ruínas de Tulun, Riviera Maia

São Francisco Xavier é fim de semana garantido

Pousada A Rosa e o Rei

Pousada A Rosa e o Rei

Agora com o final do inverno, a charmosa São Francisco Xavier volta a ter sua tranquilidade habitual, sem contar que fica muito mais fácil conseguir reserva naquela pousadinha escolhida a dedo e pagando menos por isso. É a típica viagem de fim de semana em que esquecemos de tudo, até mesmo da senha do computador. A impressão é a de estar muito longe, mesmo estando a duas horas de São Paulo, na Serra da Mantiqueira. Vá para namorar e lavar a alma na natureza. Uma pousada que te ajuda a relaxar é A Rosa e o Rei, e garanto que você vai mesmo se sentir um rei. Ofurô na varanda, vista para o vale ou para a cachoeira, alimentação balanceada, taichi-chuan de manhã e uma fogueira para esquentar a noite. Se estiver sol e calor suficiente pra quebrar o gelo das cachoeiras, procure uma perto da sua pousada (ou na própria), respire fundo e enfrente, porque no verão ou no inverno, a água sempre é fria. Quer sair e passear gostoso pela cidade? Vá ao Photozofia Bar, onde de dia é um gostoso café e à noite quase que vira uma balada, com música boa ao vivo com jazz, blues e MPB e um movimentado bar. A decoração é incrível e um ótimo programa para uma noite na serra.

Photozofia Bar, São Francisco Xavier

Para comprar, a cerâmica se destaca em São Xico (para os íntimos). A Vera da Oficina Vagalume tem peças exclusivas e faz uma cerâmica feita a mão bastante moderna e atual. Depois deste fim de semana em que comemorei meu aniversário lá, voltei um ano mais velho, mas com o corpo e a mente renovados que pareciam por anos. Ale Ravagnani

 

 

 

 

 

Cerâmica da Oficina Vagalume

Vista em São Xico

 

Paraty é para todos

Quando pensamos em Paraty, a primeira coisa que vem à cabeça é o casario colonial e aquelas ruas de pedras difíceis de caminhar. Não que isso não seja verdade. A história está mesmo lá, impregnando cada esquina, igreja e principalmente os moradores que guardam e passam adiante o que ouviu da mãe, do avô, da vizinha e foi passando adiante. A cidade é linda, cenográfica, mas de noite fica ainda mais mágica, iluminada por lampiões, sem a luz fria que impregnou nossas vidas e tirou as nuances das cores, chapando tudo que vemos. Portanto, deixe a cidade para a noite. O dia é do mar e das ilhas, para se descobrir de barco.

Barco no porto de Paraty

Graças aos nossos queridos amigos e velejadores Guilherme e Kátia, tivemos o privilégio de fazer várias descobertas pela Baía de Ilha Grande. O Bistrô nos leva ao final do dia a uma praia que nunca vimos antes, num azul de mar idem, e aí vem a revelação que seu nome não foi em vão. Depois de um dia no mar, a fome é implacável e as panelas começam a fumegar com o talento digno de um chef de cozinha chamado Guilherme. Mas não quero restringir a viagem de ninguém. Quantas e quantas vezes eu e a Carol chegamos no porto logo cedinho e negociamos com algum barqueiro nosso passeio do dia. O valor é pelo tempo que se fica fora, mas vale cada centavo. O barco não tem luxo, mas o suficiente para nos deixar felizes. Sempre tem espreguiçadeiras para esperar a chegada de alguma parada, um isopor que ele providencia cheio de gelo pra garantir a cerveja e nada mais. Só o vento e o barulhinho do motor, que é amenizado com nosso iPod e nossas trilhas prediletas. Não importam as paradas, mas com certeza serão muitas. Lembre da Ilha do Mantimento, da Bexiga, do Cedro, do Algodão, da Cotia, que é super abrigada e segura para ancorar. Bateu aquela fome? O barqueiro (ou seus amigos velejadores) te levam para um ótimo restaurante, o Hiltinho da Ilha do Algodão. A matriz fica em Paraty, mas comer com esta vista, não tem preço. Peça o camarão casadinho e divirta-se.

Vista do Hiltinho da Ilha, Paraty

Ostras a domicílio, Ilha da Cotia

Hora de voltar pra cidade (nada de viajar até lá só pra passar o dia e voltar), e curtir a noite, mas como ainda é fim do dia, um grande programa é degustar a melhor cachaça da cidade, a Maria Izabel. O sítio, que fica à beira mar e a poucos quilômetros de Paraty, já é um programa e tanto e ainda com a degustação da própria Maria Izabel, o programa se torna imperdível e único. Eleja o motorista da vez e é hora de voltar. Já é quase noite, mas todas as lojinhas e ateliers ficam abertos até tarde, e fazer a siesta caminhando, é o melhor programa de todos.

Cachaça Maria Izabel, sítio Santo Antônio

Pra comer são muitas as opções, mas prefira os frutos do mar. O gostoso Thai Brasil é uma boa opção e eles maneram na pimenta. As pousadas também são muitas, e algumas delas estão se renovando, como a Pousada da Marquesa (prefira os quartos que não dão para a praça por causa do barulho), a Arte Urquijo que é super tranquila e tem muito charme, ou se orçamento não for problema, opte pelo design único da Casa Turquesa. Já deixe o programa combinado para o dia seguinte com o barqueiro. Vem aí mais um grande dia pela frente na cidade de tantos estrangeiros que vem ao Brasil, da Flip, de Amyr Klink, minha, sua e de todos nós. Ale Ravagnani

 

 

 

 

 

Paraty, RJ

Hora de voltar e curtir Paraty

 

Londres, a cidade menos óbvia do mundo

Um roteiro por Londres é tarefa quase impossível de se resumir. Tem tanto pra se ver e se fazer, que gostaria de me desculpar pela superficialidade das dicas que estou escrevendo. Se a ideia for mesmo ir para lá, não deixem de ler 1.000 Things to do in London, publicação editada pela Time Out. Este é outro bom resumo do que a cidade tem.

Abbey Road, Londres

Tate Modern. O museu é fantástico e fica na frente da ponte de pedestres Millenium Bridge no Tâmisa. O prédio era uma antiga usina de energia, austero e gigantesco, todo de tijolo que o escritório de arquitetura Herzog & de Meuron reformou e transformou em museu. O melhor da arte contemporânea do mundo está ali. Vá pela arte, pela arquitetura, pelo pé direito interno impressionante, pela vista da cidade do café, pela loja do museu.

Exposição de Rachel Whiteread, Tate Modern

Covent Garden. Antigo mercado de flores e hoje em dia é um passeio e tanto para ver lojas criativas, ouvir música na praça central ou assistir as performances ao ar livre. Apesar de ser super turístico, tem um clima muito gostoso.

Vitrine em Covent Garden, Londres

Kings Road & Chelsea. Já no contraponto, esta rua é super badalada e não muito turística, além de estar mais na moda do que nunca. Foi aqui que a mini-saia surgiu com a Mary Quant. E Chelsea é a região dos aristocratas e um dos mais antigos bairros da cidade. Dali até o Rio Tâmisa é uma caminhada relativamente curta, e do outro lado do rio, fica colado o Battersea Park, também não muito turístico, mas muito bonito. De qualquer maneira para chegar até ele tem que atravessar uma das duas pontes, ambas bacanas. Mas voltando à Kings Road, vale pelas lojas dos designers de moda e pra ver também qual é a última moda, ou o que ainda as pessoas irão usar, pelos cafés e restaurantes da moda, para ver vitrine bonita e lojas caras. Eu morei em Chelsea anos atrás… Cada esquina tem uma história e uma lembrança pra mim.

Passeio pelo Tâmisa. Se pegar um dia gostoso (it means, sem muita chuva), vale dar uma volta pelo rio. Os barcos saem de South Bank e vão até Greenwich. Neste pequeno vilarejo histórico fica o barco Cutty Sark, além de um túnel de pedestres antigo sob o Tâmisa. O barco passa perto da barreira que controla as marés e também é o marco do meridiano de Greenwich. O clima da cidadezinha é como se voltasse há séculos.

London Bridge

Saatchi Gallery. É a grande galeria para se ver arte contemporânea inglesa. O dono, Charles Saatchi, dono da rede mundial de agências de publicidade Saatchi & Saatchi e marido da cozinheira da TV Nigella é um dos maiores colecionadores e mecenas das arte. Vale ir para saber o que está rolando em tendências criativas e de vanguarda. Fica no início da Kings Road, perto do metrô Sloane Square em Chelsea.

Jardim de Rosas da Rainha Elisabeth – Regents Park. Este parque é um dos maiores de Londres, mas chegue pelo portão de entrada próximo aos jardins de rosas. São centenas de milhares de flores, de todas as cores possíveis e inimagináveis e a época em que elas florem é no verão. Os ingleses são famosos pelos jardins, mas este impressiona mais do que todos.

Regent`s Park, Londres

Freud Museum. Esta é a última casa que Freud morou e que foi transformada em museu. O lindo divã está lá, mas não se pode sentar ou deitar nele… uma pena. Fica no norte de Londres.

Kew Gardens. Apesar de ser um pouco distante, não deixe de visitar o Jardim Botânico Real de Londres. Os jardins são impecáveis, e as estufas de vidro lindas de morrer. Tem várias esculturas espalhadas, e muito para se ver e fazer.

Museu Britânico. Este é o mais famoso museu de Londres, mas apesar de ser óbvio para estar nesta lista de passeios, está aqui só para lembrar que é lá, numa ala construída especialmente para a obra, que estão as frisas do Partenon de Atenas. A Grécia está em negociações pela devolução há anos, mas vai ser difícil a Inglaterra ceder. Na exposição das frisas no museu, que é aquela parte toda esculpida que fica (ou melhor, ficava) na parte de cima do monumento, foi colocado exatamente na posição que ficava lá na Grécia.

Mercados de rua. Há muitos espalhados pela cidade, mas alguns são tão famosos que é difícil deixar de ir. Não vá necessariamente para comprar, mas para olhar o tanto de bugiganga e coisas inusitadas que tem por ali, além de poder encontrar com os mais exóticos ingleses do mundo. É divertido e tem que ir de cabeça aberta. Alguns que recomendo é o Portobello Market, no Bairro de Notting Hill, para ver a parte das antiguidades no sábado e o mercado de Camden Town e Camden Lock aos sábados ou domingos, que tem várias áreas com coisas diferentes. Antigamente era tomado pelos punks, hoje só existem alguns para se tirar foto e dar boas risadas. www.streetsensation.co.uk/markets.htm

Portobello Road, Londres

Portobello Road, Londres

E para muito mais da programação cultural, artística e gastronômica, a primeira coisa que faço quando chego em Londres é comprar a revista semanal Time Out, que tem tudo e mais um pouco do que você vai precisar. http://www.timeout.com/london. Ale Ravagnani

Verão no Sul da França

Há alguns anos passo uma semana no fim de junho no Festival de Publicidade de Cannes. O tempo é corrido pra conseguir acompanhar a maratona do festival, com dezenas de palestras, workshops, e tentar ver o máximo de cases possíveis. Nunca consegui fazer uma viagem completa pela região e acabo passeando no dia seguinte do final do evento, cada ano conhecendo uma ou duas cidades ali por perto. E a cada ano vejo que estou subestimando o sul da França e a Provence, região que respira arte e criatividade, seja pelos artistas que ali viveram ou pelo festival mais criativo do mundo. Vejam este breve roteiro que poderia ser realizado em um semana de um verão inesquecível e pra lá de chique.

NICE. É a cidade de chegada ao Sul da França. Ali fica o principal aeroporto, então é mais fácil começar a viagem por Nice. A cidade é bonita e fácil de se conhecer. Vale a pena passar algumas horas em dois grandes museus, o dedicado a Marc Chagall e o ao Matisse. Além disso, vale conferir a bonita arquitetura da cidade, os antigos palacetes, casarões e passear a beira mar. www.musee-matisse-nice.org / http://www.musee-chagall.fr

Vitral e piano pintados por Chagall, Nice

Museu Matisse, Nice

CANNES. É a cidade do Festival de Cinema mais charmoso do mundo, e a cidade da badalação do verão francês. Todo o jet set aporta seu iate e fica circulando pela avenida principal, a Croisette. Entre restaurantes com varandas e lojas de grife, um mar muito gostoso, mas disputado a tapas.

Cannes

Loja de queijos, Cannes

MÔNACO. Um clássico da Riviera e a curta distância de Nice e de Cannes. É para passar poucas horas, mas vale parar para ver o visual num dia de céu azul, fotografar o cassino e voltar para sua cidade de apoio que pode estar ali ao lado.

EZE. Micro cidade medieval pendurada numa montanha e com uma vista maravilhosa do Mediterrâneo. Construída no século 12, possui ruínas de castelo, construções de pedra e bonitos jardins.

ANTIBES. Cidade à beira mar, mas com uma parte antiga que fica no alto. Possui o museu Picasso, que ali morou parte de sua vida. www.antibes-juanlespins.com/eng/culture/musees/picasso

ST. TROPEZ. Não é só a fama que a mantém sempre disputada. Seu litoral é muito bonito, a cidade charmosa e a badalação rola solta, mas é cara e bastante elitizada.

AIX EN PROVENCE. É a capital histórica da Provence e tem charme de sobra. Conhecida pelas fontes que estão por todos os lados, é a cidade onde Cézanne morou e fez muitas de suas obras. Aix tem ótimos restaurantes e gastronomia, hotéis charmosos e tranquilidade para relaxar e curtir a vida. www.atelier-cezanne.com/aix-en-provence

SAINT PAUL DE VENCE. A pequena Saint Paul é o lugar para se voltar no tempo, para acaminhar pelas ruelas e imaginar que há centenas de anos estava praticamente como nos dias de hoje. Se verba não for problema, não deixe de ir ao restaurante La Colombe d`Or, onde a decoração conta com obras de arte de Picasso, Matisse, Alexander Calder, entre outras.

St. Paul de Vence

GRASSE. Cidade da perfumaria francesa. O mítico Channel nº5 foi criado lá. Além da história do perfume, Grasse tem uma rica arquitetura medieval que impressiona. Ale Ravagnani

Parede em Grasse

 

Museus-experiência: Ilha de Alcatraz, Museu Guinness e Auschwitz-Birkenau

Muito se fala em experiência de marca com o consumidor. Acredito que esta mesma visão meio marqueteada também tenha chegado ao turismo. Quantos lugares são “embalados” de tal jeito que a experiência vivida acaba se tornando inesquecível. A Disney com certeza é uma delas, mas aqui vou contar três momentos de viagens que marcaram para sempre com grandes experiências que recriaram a história do lugar de tal maneira que se tornou inesquecível para mim.

A Ilha de Alcatraz na baía de São Francisco não é só uma vista bonita da Golden Gate e da cidade. Vai muito além disso. Partindo de barco do pier em São Francisco, chega-se à ilha que foi uma prisão de 1934 a 1963 e que por ali passaram criminososo famosos como Al Capone. A visita se dá em parte através de um sistema de áudio, bem corriqueiro na maioria dos museus, mas ali feito de maneira diferente. A gravação que ouvimos quando paramos em cada cela e apertamos o número referência é a voz dos presos verdadeiros, que viveram seus dias ali ou então de carcereiros que trabalharam em Alcatraz, contando a história e detalhes de cada pedaço da prisão, coisas que somente eles saberiam dizer. Ao mesmo tempo que é fascinante, é de arrepiar até o último fio de cabelo.

Ilha de Alcatraz, São Francisco

Ilha de Alcatraz e seus ex-detentos-guias

O Museu Guinness em Dublin na Irlanda, é uma ode à cerveja escura mais famosa do mundo e que tem adoradores em todos os lugares. O museu foi construído numa antiga e histórica fábrica da cerveja, anexa à fábrica moderna e atual. O tour pelo prédio passa por todos os processos de fabricação, andar por andar, com os equipamentos originais e a reconstrução com gravações em áudio-visual. Dos ingredientes à história, indo dos equipamentos à fabricação, chegando na marca, embalagens e a premiada publicidade da Guinness. No final do tour, chega-se a um bar envidraçado no último andar da cervejaria e com um visual 360º de Dublin. E a degustação do melhor pint de Guinness de sua vida vindo direto do encanamento da fábrica está incluso no preço do ingresso.

Museu Guinness

Exposição da publicidade da Guinness

Auschwitz-Birkenau próximo a Cracóvia na Polônia é o registro real das barbaridades do holocausto ocorrido pelos nazistas. Não existe experiência mais dolorosa e dramática. A visita começa na própria van que nos leva da cidade até os campos de concentração. Nossa guia conta que faz isso para ninguém esquecer o que seus familiares passaram ali. Ao chegar, um filme no museu nos situa e na sequência, ninguém mais consegue abrir a boca. O silêncio e a emoção domina a todos e quando chegamos aos fornos, câmera de gás ou ao famoso portão que os trens chegavam com os judeus, fica difícil continuar e seguir em frente. Respiramos fundo e damos conta da importância do local continuar existindo. Ale Ravagnani

Sob o sol da Toscana

A Itália por si só já desperta em nosso imaginário associações maravilhosas. A região da Toscana concentra o que de melhor essas referências representam. Para mim, as melhores paisagens, e o melhor da história, arte, cultura, culinária, vinho e muito mais, estão concentrados ali. A partir de Firenze, começa nossa rota da cultura pela Itália. Grandes museus e igrejas (que também podem ser chamadas de museus) estão em todas as cidades e tudo respira arte. Grande parte do que foi criado pelos mestres italianos, está ali. Firenze concentra Michelangelo`s como o Davi na Galleria dell`Accademia, O Nascimento de Vênus de Botticelli e a Anunciação de Leonardo da Vinci, ambos na fantástica Gallerie Uffizi, Os Portões do Paraíso no Batistério, o Duomo de Brunelleschi, entre tanta obra de arte tão maravilhosa. A cidade cresceu bastante nos últimos anos e está muito movimentada. Quando você cansar do barulho das motonetas que ficam pra lá e pra cá pelas ruelas, é hora de voltar ao tempo e sair pelas redondezas. No caminho, campos de girassóis, oliveiras e ciprestes enfileirados são colírio para os olhos. Chegando em Siena, terra do vinho Chianti, vá direto para a praça central da cidade, a Piazza del Campo. É lá que acontece em julho e agosto a corrida de cavalos Palio de Siena, que há centenas de anos para a cidade, e tudo fica enfeitado com as cores e bandeiras dos bairros que competem na corrida. Aliás, o nome da cidade vem da cor de siena, que predomina em todas as construções, nada difere ou contrasta na paisagem. De lá, a próxima parada é San Gimignano e suas 14 torres que são símbolo da cidade. Um dia foram 72 torres-casa e representavam o poder e riqueza das famílias. Subindo na Torre Grossa, com mais de 50 metros de altura, se tem a noção da beleza do lugar. Na sequência, a pequena cidade medieval de Volterra merece mais que uma visita rápida. À noite parecemos voltar ao tempo percorrendo a cidade murada iluminada por lampiões. Apesar de não ser tão famosa quanto suas vizinhas, deve ser visitada e de preferência, passar ao menos uma noite, para sentir o clima mágico do lugar. De passagem, são muitas as cidades que temos vontade de conhecer, o difícil é escolher. Viajando de carro facilita muito e para mim é de longe a melhor maneira de ver o máximo da região e com bastante liberdade. Montalcino, terra do famoso vinho Brunello e Montepulciano, ambas pequenas cidades muradas devem estar em seu caminho também. O roteiro termina com mais paradas em Lucca e Pisa, só para termos a certeza de que a torre ainda está lá de pé. Pelo menos por enquanto. Ale Ravagnani

Toscana, Itália

Toscana, Itália

 

Camboja. Muita história longe das guerras

Pense num dos países mais longínquos da terra, chamado Camboja, e faça suas associações. Qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça? Você pensou em pobreza? Guerra? Grupos guerrilheiros? Doenças? Com certeza, o país já passou por tudo isso, entre outras coisas, mas felizmente, vem superando na medida de suas possibilidades, grande parte dos graves problemas que já o afetaram um dia. Apesar de tudo que o povo passou, a segurança e a paz prevalecem. Além de ter uma população amistosa, é seguro viajar, embora se tenha a sensação de estar chegando ao fim do mundo. Um fato curioso que exemplifica muito bem isso se passou durante um jantar na cidade de Siem Reap. Depois de muito tempo de viagem pela Ásia, eu estava sem ter uma refeição decente há algum tempo. Após um excelente jantar, num pequeno restaurante escolhido pela sorte, e depois de pedir várias pequenas porções e provar e aprovar 100% do que me foi servido, o chef surpreso com o ocidental comilão, foi à mesa me conhecer e acabamos a noite batendo papo e tomando um drinque em um bar da cidade. Hoje, o Camboja está se tornando um dos destinos mais interessantes do mundo para visitar e nos mostra outra face que, certamente nos agrada muito mais. Hotéis de primeira estão chegando, a exemplo da badalada rede Aman Resorts, que já se instalou com seu Amansara perto dos templos de Angkor. A culinária cambojana, que antes era considerada somente mais uma dentre tantas na Ásia, recentemente vem se tornando o hit do momento, e alguns críticos como o da Condé Nast, acreditam que fará frente à já consolidada e apreciada comida tailandesa. Talvez seja uma herança que os franceses deixaram com sua colonização, quando formaram até 1953 a Indochina francesa, junto com o Laos e o Vietnã, tendo a astúcia de transformar a mistura de influências numa embalagem gourmet e saborosa.

E, por falar nos franceses, o principal destino de todos que visitam esse país, e o meu inclusive, é um lugar no meio do Camboja chamado Angkor. Na época em que o destemido explorador francês Henri Mouhot redescobriu em 1858 os templos de Angkor no meio da selva cambojana no Sudeste Asiático e os tornou conhecidos mundialmente, acredito que tenha tido a mesma sensação que temos nos dias de hoje, 150 anos depois, quando os visitamos. A chegada à Siem Reap, porta de entrada dos templos, é feita diretamente de Bangkok, capital da Tailândia, ou passando pela capital do Camboja, Phnom Penh. De lá, toma-se outro voo para Siem Reap, e desse pequeno vilarejo, todos os caminhos levam a Angkor. São centenas de templos espalhados por uma área de mais de 400 km2. Mas isso não é motivo para desanimar, já que os principais, que considero imperdíveis, estão a uma distância relativamente próxima uns dos outros. A cada nova descoberta há um deslumbramento e não é à toa que o Angkor é denominado patrimônio da humanidade pela Unesco desde 1992. Imagine que entre os séculos IX e XV houve uma civilização que construiu um império com um sistema único no meio da selva. O tempo foi passando e sucessivas gerações iam tomando conta do império e agregando ora influências hindus, ora budistas, e hoje o que se vê são deusas no meio de estátuas com feições de Buda, formando um sincretismo único no mundo.
Angkor Wat, dedicado ao deus hindu Vishnu, e o principal de todos os templos do império Khmer, é considerado o maior templo religioso do mundo e foi concebido como se fosse um modelo do Universo. Os sistemas de reservatórios de água, além do propósito de irrigação, representavam simbolicamente o oceano, e o templo, que ficava ao meio, era a montanha central. Caminhando ao seu redor, temos um pouco da noção do que foi aquilo tudo, da imensidão e dos detalhes pensados. Em cada pedaço de pedra, se vê algo esculpido. Em cada parte da estrutura, é possível vislumbrar uma engenharia e grandiosidade únicas e surpreendentes até para os dias atuais. Um senso estético elevado aos mais ricos detalhes imaginados. Outro templo não menos impressionante é o Bayon, com suas centenas de figuras de rostos, que enigmaticamente, parecem estar sempre nos observando, suas dançarinas, apsarás e alguns números fabulosos. Foram 30 anos de construção, 360 mil trabalhadores, 6 mil artesãos e 40 mil elefantes: tudo para levantar o que vemos ainda de pé 500 anos depois. Sigo para o próximo templo e então percebo o que a ação do tempo pode fazer. Ta Prohm parece ter sido abandonado, assim como foi o desaparecimento da civilização Khmer. Árvores com centenas de anos estão emaranhadas nas pedras, abrindo espaço para suas raízes tocarem o solo, parecendo cera derretida “escorrendo” paredes abaixo. É tão impressionante quanto o mais preservado dos templos de Angkor e por isso serviu de cenário para o filme Tomb Raider. Muito acertadamente, meu guia local me levou ao templo logo cedo, horário em que não havia nenhum turista nem qualquer referência de que estávamos no século XXI, e não mais na Idade Média. Paramos para um piquenique no meio das ruínas, e meu guia começou a contar um pouco sobre sua vida. Na década de 70, seu pai era professor universitário e foi preso e dado como desaparecido. Sabe-se que foi capturado, torturado e executado pelo exército comunista Khmer Vermelho, do general Pol Pot, pelo simples fato de ter cultura, saber ler, escrever e transmitir isso à família e a seus alunos. Bastou esse motivo para metade da população do país ter sido dizimada nos anos de 1970. Seguindo os caminhos do pai, meu guia fazia esse trabalho para ajudar em seu orçamento e estava começando sua promissora carreira de professor de História, a fim de disseminar o que lhe foi transmitido e interrompido bruscamente.

Num mundo em que descobrir um lugar pouco divulgado pela mídia é um presente raro que todo viajante deveria se dar, independentemente da distância ou dificuldade para se chegar, deve-se focar no que vai encontrar e descobrir. Assim como o destemido francês no século passado, ainda podemos ter a sensação de algo realmente novo para nossos olhos tão cheios de referências. Parece que uma nova dimensão se abre e nos damos conta de que o mundo não é tão pequeno assim, que ainda não vimos tudo o que precisa ser visto ou que ainda vale a pena pegar um avião, voar mais de 24 horas e se deparar com o impensável. Ale Ravagnani

Templo de Angkor Wat

Templo de Angkor Wat

Templo de Bayon

Templo de Bayon

Casa-barco - Lago Tonle Sap

Templo de Ta Prohm

 

Atacama. Direção de arte no deserto

O deserto mais seco e mais belo do mundo fica no norte do Chile, próximo da fronteira com Bolívia e Argentina. Pra chegar até lá, não é tão difícil assim, e deve ser por este motivo que os brasileiros estão indo pra lá aos montes, mas mesmo assim longe de ser um destino popular ou muito explorado. Tenho certeza que é a propaganda boca a boca que está funcionando. Só eu já fui 3 vezes, e acho que ainda quero mais. Obviedade ou falta de originalidade na escolha das minhas férias? Muito pelo contrário, é a busca pela paz e por um estado de espírito único, a natureza selvagem em sua melhor forma, apesar de estarmos num deserto. Da última vez, fui só eu e meu pai que estava fazendo 70 anos. Minha esposa preocupada por ele com a altitude elevada de San Pedro de Atacama, mas ainda fomos além. Nosso meio de locomoção era uma bicicleta e nosso espírito era de descobertas e redescobertas juntos. O dia era bastante cheio, desde cedo passando por tudo que eu já havia visto com a Carol, mas guiando quem sempre me guiou. O ar é tão puro, a luz tem outra cor, uma incidência diferente, tudo é claro, limpo, apesar da poeira do lugar. O contraste me impressiona. É calor de dia e muito frio à noite ou quando estamos em maior altitude, vulcões por todos os lados, geysers jorrando água fervendo, lagunas em pleno altiplânico, salares brancos como a neve, mas feitos de puro sal, paisagens que parecem Marte, ruínas Incas, um céu coberto de estrelas que acreditamos estar iluminado. E além disso tudo um vilarejo simpático, parado no tempo, mas ao mesmo tempo fervendo como uma torre de Babel com todas as línguas do mundo se encontrando para um jantar à beira da fogueira, e uma taça de um bom Carmenére. Ale Ravagnani

 

Laguna Ceja e Vulcão Licancabur

Geysers del Tatio

Ojos del Salar

Salar do Atacama

Llamas posando para a foto

Vale da Lua e Vulcão Licancabur

San Pedro de Atacama

 

 

 

Bons destinos para usar suas milhas

Vila de Alter do Chão, Santarém

A primeira coisa que pensamos quando conseguimos acumular milhas para trocar por viagens é emendar aquele feriado em Nova York, passar o Ano Novo em Buenos Aires, ou quem sabe fazer umas comprinhas em Miami. Sem gastar com a passagem, vai sair baratinho… Mas quem disse que conseguimos marcar assim tão fácil cidades tão concorridas? Ou que esses são os melhores lugares para torrar suas milhas? Como essas cidades são servidas por muitas opções de voo, sempre aparecem boas promoções com hotel e aéreo, e que muitas vezes ao fazer as contas, vemos que não vale a pena viajar com as milhas. Minhas melhores viagens usando milhas foram os lugares mais distantes, consequentemente com passagens mais caras. Ir à Patagônia chilena por exemplo, é um bom negócio. Voar São Paulo-Santiago-Puerto Montt-Punta Arenas e voltar com apenas 20.000 milhas, vale muito a pena. Vale cacifar um hotel melhor no parque Torres del Paine economizando com o aéreo. No Brasil, explorar o norte do país, que é bem pouco requisitado, pode ser outra boa opção. Belém e Alter do Chão, perto de Santarém no Pará, são lugares com voos nem tão frequentes e portanto preços mais elevados. Se você nunca ouviu falar de Alter, uma das praias mais bonitas do mundo e segundo o jornal inglês The Guardian, a mais bonita do Brasil, pense logo em ir para lá, antes que o turismo de massa descubra este paraíso à beira do Rio Tapajós. Quando as chuvas param, praias de areia branquinha começam a aparecer e quase acreditamos que o Brasil tem seu Caribe. É uma paisagem de tirar o fôlego e ainda sem muita infra-estrutura, mas mesmo assim somos compensados pelas paisagens da Amazônia. Na América do Norte, procure por lugares que não estão no topo da nossa lista de opções de viagens. Chicago, Vancouver ou até mesmo o Alasca são destinos pouco óbvios, mas cheio de histórias e muita natureza que sempre nos parecem fora de nossas opções quando pensamos em viajar para os Estados Unidos ou Canadá, e apesar da distância do Brasil, o número de milhas é o mesmo que um voo para o México ou Miami. Ale Ravagnani

Sabores que valem uma viagem

Mexilhões com batatas fritas

Como um bom garfo, muitas de minhas memórias de viagens são gustativas. Ficaram numa boa mesa de restaurante ou numa simples refeição de rua. Um sabor marca pra sempre o lugar onde você está, a companhia, as histórias, a cidade. Quero dividir algumas lembranças que nunca mais saíram da minha cabeça, por mais trivial ou sofisticado que sejam. Aliás, uma ótima maneira de se viajar, é experimentando o que o povo local come. O chef-viajante Anthony Bourdain que diga! Ale Ravagnani

Moules com Fritas servido na panela no mercado das pulgas em Paris (Puces de Saint Ouen)

Hot Dog de rua em Nova York (mas prefira o kosher, que parece mais limpinho)

Ostras na beira da lagoa de Knysna perto da Cidade do Cabo

Bolinho de Polvo comido em pé nas ruas de Tóquio

– Qualquer refeição com frutos do mar, legumes e “pouca pimenta” (que já é muita) em Bangkok

– Picnic com pão, presunto parma e um pedaço de parmesão com uma taça de vinho na região do Brunello di Montalcino na Toscana

Centolla (caranguejo gigante) no sul do Chile

Cordeiro na brasa na Patagônia argentina ou chilena

Cerejas no verão na Espanha ou onde você encontrar na Europa (pelo tamanho e pelo preço de dar raiva)

Pastel de Belém saído do forno quentinho ao lado do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa

– Qualquer pedaço de torta em qualquer esquina de Viena

– Escolher um restaurante estrelado em Londres (se sobrar algumas Libras) no último dia de viagem

Pato no Tucupi do restaurante Lá em Casa em Belém

Frutos do Mar grelhados com frutas (também grelhadas) no Cruzeiro do Pescador na Praia da Pipa

Feijão cozido devagarinho no fogão a lenha do sítio do meu pai

– Qualquer comida de mãe na volta da viagem

Achados de Dublin

Vista da fábrica da Guinness

A Irlanda não entra muito no roteiro dos brasileiros na Europa por puro desconhecimento. Quer ver paisagens de cair o queixo e fechar com uma noite super boêmia e divertida na cidade? Seu próximo destino pode ser a terra de Oscar Wilde, Samuel Beckett, Bernard Shaw, James Joyce, Yeats entre outros. Ale Ravagnani

"Poeta" de rua

Balada no campo

Um dia perfeito em Noronha

 

Baía dos Porcos e Morro Dois Irmãos

O conforto chegou à ilha. Agora as opções de hospedagem são muitas e para todos os bolsos. As famosas pousadas improvisadas nas casas dos ilhéus agora não são mais tão improvisadas assim. Passaram a ter chuveiro quente, ar condicionado, cama bacana e até um certo charme. E por outro lado, a ex-pousada do Luciano Huck, a Maravilha, subiu o padrão geral e “incentivou” várias pousadas a reformar e melhorar também. Apesar do valor médio ter subido, o conforto subiu ainda mais. Sou fã da Pousada do Vale e acho que o custo x benefício é dos melhores em Noronha. Tem charme, conforto, fica bem localizada, kit completo para praia, com cadeiras, guarda-sol, toalhas, sem falar da atenção e da receptividade com que nos recebem. Já fiquei lá duas vezes e com certeza volto. Só espero que logo!

O dia perfeito em Fernando de Noronha começa cedo (pelo menos para as férias).

– 8h30. Tomamos um café da manhã reforçado para aguentar um dia de muito sol e mar. Tapioca, sucos naturais com frutas do pomar da pousada, queijos, frios, bolos… e eu vou parando por aí.

– 9h30. Começamos o dia na Praia do Boldró. Apesar de não ser considerada a número 1 da ilha, pra mim é a mais gostosa de todas, não tem muvuca, é ótima para caminhar e no lado esquerdo da praia formam umas piscinas naturais que na verdade são aquários em que a gente pode entrar e nadar com os peixinhos coloridos. Com snorkel e máscara vimos até um polvo nas pedras.

– 12h. Rumamos para o Porto para fazer um passeio de barco pela ilha. O barco passa por várias praias, encontramos muitos golfinhos pelo caminho e um dos pontos altos é a passagem pelo morro Dois Irmãos, Baía dos Porcos e a parada no Sancho. Esta última só se chega de barco como fizemos ou descendo uma escadaria encravada nas rochas. Vale a pena chegar na praia mais bonita do Brasil de qualquer uma das maneira.

– 16h. De volta, pegamos novamente nosso bugue alugado (e detonado como a maioria) e vamos para a Praia da Conceição, considerada a mais urbana da ilha, apesar de ser bem tranquila e linda de morrer. Ao invés de ficar estirados na areia, resolvemos dar um tempo pra pele e ficamos no Bar Duda Rei, o único da praia e considerada a cerveja mais gelada da ilha e talvez do mundo! Mesmo numa mesinha de plástico e pé na areia, a impressão de estar no paraíso continua firme. E entre um gole e outro, uma parada para mergulho. Digno de rei!

– 17h30. O por do sol está chegando e voltamos ao porto para este momento quase religioso de Noronha em dia de céu aberto. O lugar escolhido é o Mergulhão, um bar-restaurante recém aberto no estilo lounge com música boa, decoração bacana e uma das melhores vistas da ilha para o fim do dia alaranjado. Como ele fica meio no alto, a localização é estratégica.

– 18h30. Partimos dali e andamos 500 metros para a famosa igrejinha. No outro lado da ilha, o chamado Mar de Fora (voltado para a África), a lua cheia estava nascendo. Poucos minutos depois de ver o sol se pondo no Mar de Dentro (que é voltado para o continente e que fica a 350 km dali) logo abaixo do porto e emoldurado pelos barquinhos e pelo Morro do Pico, a lua nascia gigante, iluminando o mar e fechando o dia.

– 19h. Hora de voltar pro nosso bangalow, descansar um pouquinho, mas não muito e se preparar para sair.

– 20h. Começa a palestra do Ibama no Projeto Tamar, que todas as noites, biólogos muito bem instruídos e treinados, falam sobre um tema da natureza da ilha em cada noite. Pode ser sobre tubarões, tartarugas, golfinhos, mas sempre vale a pena ter a impressão de fazer parte do National Geographic Channel ao vivo. Todos os turistas se encontram ali, seja para ver o bem montado museu, tomar um expresso ou comprar camisetas na lojinha depois das palestras.

– 21h30. A fome já apertou e jantar um peixe do dia ou frutos do mar no Cacimba Bistrô, cai como uma benção. E o vinho branco geladinho só ajuda a embalar aquele soninho e dormirmos como anjo para nos preparar para o próximo dia perfeito em Noronha. Ale Ravagnani

Architour em Paris

Quai Branly

Falar sobre arquitetura numa cidade como Paris, não tem como não lembrar dos clássicos, o Arco do Triunfo, Grand Palais, Louvre, Notre-Dame, e poderia continuar uma lista interminável de ícones da arquitetura. A cidade possui tantas referências, que podemos visualizar mesmo sem nunca ter ido pra lá. Mas quase que como nenhuma outra cidade européia, ela vem sabendo se reinventar e mostrar seu lado mais criativo. Paris não é uma cidade cenográfica. As pessoas vivem ali e fazem dela uma cidade dinâmica e muito atual. Mas voltando à arquitetura, novos ícones vem surgindo ao longo dos anos, se integrando à paisagem urbana e causando um gostoso e divertido contraste. La Défense é o maior centro financeiro de Paris, e começou a ser projetado na década de 70 com diversos arranha-céus, além do monumental Grande Arco, que virou ícone da arquitetura moderna, apesar de estar mais distante do alcance dos olhos dos turistas. A pirâmide do Louvre, projetada por I.M.Pei na década de 80 já é parte da cidade e do museu, além de ser bastante fotogênica. Não conseguimos mais imaginar aquela fachada sem ela, mas nem sempre foi assim e sua construção gerou bastante polêmica. Mas não para por aí. O arquiteto Jean Nouvel vem contribuindo muito para esta paisagem urbana renovada. O seu Instituto do Mundo Árabe em Saint Germain é uma obra impressionante e vale a visita, além de ter um gostoso restaurante e o mais novo museu da cidade, Quai Branly, vizinho da Torre Eiffel, também traz uma arquitetura inusitada e ares modernos à beira do Sena. Pela fila que eu peguei no dia da inauguração, deu pra sentir que já havia caído no gosto dos franceses. Ah, quase me esqueço do Centro Georges Pompidou ou Beaubourg para os íntimos, que quase nos aparece como uma miragem no antigo bairro do Marais. Várias cidades do mundo já perceberam que grandes projetos de arquitetura tem o poder de renovação de uma região ou até mesmo de uma cidade. É o que aconteceu com Bilbao e o Museu Guggenheim, com Buenos Aires e a renovação da região do Puerto Madero e estão tentando no Rio com diversos projetos que estão em andamento. Quem sabe termina antes de 2014. Ale Ravagnani

Instituto do Mundo Árabe

A viagem é sua também

A ideia desse Blog de viagens surgiu a partir do projeto que tenho de um livro de imagens de viagens. Não é um álbum de fotos, mas um registro inusitado de lugares, pessoas, achados e claro, durante diversas viagens que venho fazendo desde minha adolescência. Como o livro não sai, já que a cada plano de uma nova viagem eu penso que terei mais conteúdo e acabo adiando a publicação, vi que a saída seria escrever continuamente, quase que como um diário e sem a preocupação de ter que fazer uma compilação com começo, meio e fim. Além disso, depois de uma tarde inspiradora numa mesa de café com a Carol, minha eterna companheira nas viagens e de nossos queridos amigos Ligia, Bill e a pequena Júlia, tomei vergonha na cara com os incentivos da maior blogueira que conheço. A Ligia ( http://ligiakempfer.wordpress.com ) não precisa de razão para escrever, isso é simplesmente inerente à sua existência. E como ela escreve bem… Já no meu caso, comecei a escrever sobre viagens há alguns anos. Algum amigo ia viajar e me pedia dicas. Você já foi pra tal lugar? Me manda umas dicas que estamos indo pra lá, e aí escrevia roteiros infinitos, como se estivesse revivendo aquela viagem e, com o maior prazer do mundo, curtia o destino com o amigo, mesmo sem ir. Tem sido assim nos últimos anos, e depois de quase 50 países visitados, quero dividir com vocês essa fome de descobrir e me aproximar ainda mais do sonho de conhecer o mundo. Ale Ravagnani