Sabores que valem uma viagem

Mexilhões com batatas fritas

Como um bom garfo, muitas de minhas memórias de viagens são gustativas. Ficaram numa boa mesa de restaurante ou numa simples refeição de rua. Um sabor marca pra sempre o lugar onde você está, a companhia, as histórias, a cidade. Quero dividir algumas lembranças que nunca mais saíram da minha cabeça, por mais trivial ou sofisticado que sejam. Aliás, uma ótima maneira de se viajar, é experimentando o que o povo local come. O chef-viajante Anthony Bourdain que diga! Ale Ravagnani

Moules com Fritas servido na panela no mercado das pulgas em Paris (Puces de Saint Ouen)

Hot Dog de rua em Nova York (mas prefira o kosher, que parece mais limpinho)

Ostras na beira da lagoa de Knysna perto da Cidade do Cabo

Bolinho de Polvo comido em pé nas ruas de Tóquio

– Qualquer refeição com frutos do mar, legumes e “pouca pimenta” (que já é muita) em Bangkok

– Picnic com pão, presunto parma e um pedaço de parmesão com uma taça de vinho na região do Brunello di Montalcino na Toscana

Centolla (caranguejo gigante) no sul do Chile

Cordeiro na brasa na Patagônia argentina ou chilena

Cerejas no verão na Espanha ou onde você encontrar na Europa (pelo tamanho e pelo preço de dar raiva)

Pastel de Belém saído do forno quentinho ao lado do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa

– Qualquer pedaço de torta em qualquer esquina de Viena

– Escolher um restaurante estrelado em Londres (se sobrar algumas Libras) no último dia de viagem

Pato no Tucupi do restaurante Lá em Casa em Belém

Frutos do Mar grelhados com frutas (também grelhadas) no Cruzeiro do Pescador na Praia da Pipa

Feijão cozido devagarinho no fogão a lenha do sítio do meu pai

– Qualquer comida de mãe na volta da viagem

Achados de Dublin

Vista da fábrica da Guinness

A Irlanda não entra muito no roteiro dos brasileiros na Europa por puro desconhecimento. Quer ver paisagens de cair o queixo e fechar com uma noite super boêmia e divertida na cidade? Seu próximo destino pode ser a terra de Oscar Wilde, Samuel Beckett, Bernard Shaw, James Joyce, Yeats entre outros. Ale Ravagnani

"Poeta" de rua

Balada no campo

Um dia perfeito em Noronha

 

Baía dos Porcos e Morro Dois Irmãos

O conforto chegou à ilha. Agora as opções de hospedagem são muitas e para todos os bolsos. As famosas pousadas improvisadas nas casas dos ilhéus agora não são mais tão improvisadas assim. Passaram a ter chuveiro quente, ar condicionado, cama bacana e até um certo charme. E por outro lado, a ex-pousada do Luciano Huck, a Maravilha, subiu o padrão geral e “incentivou” várias pousadas a reformar e melhorar também. Apesar do valor médio ter subido, o conforto subiu ainda mais. Sou fã da Pousada do Vale e acho que o custo x benefício é dos melhores em Noronha. Tem charme, conforto, fica bem localizada, kit completo para praia, com cadeiras, guarda-sol, toalhas, sem falar da atenção e da receptividade com que nos recebem. Já fiquei lá duas vezes e com certeza volto. Só espero que logo!

O dia perfeito em Fernando de Noronha começa cedo (pelo menos para as férias).

– 8h30. Tomamos um café da manhã reforçado para aguentar um dia de muito sol e mar. Tapioca, sucos naturais com frutas do pomar da pousada, queijos, frios, bolos… e eu vou parando por aí.

– 9h30. Começamos o dia na Praia do Boldró. Apesar de não ser considerada a número 1 da ilha, pra mim é a mais gostosa de todas, não tem muvuca, é ótima para caminhar e no lado esquerdo da praia formam umas piscinas naturais que na verdade são aquários em que a gente pode entrar e nadar com os peixinhos coloridos. Com snorkel e máscara vimos até um polvo nas pedras.

– 12h. Rumamos para o Porto para fazer um passeio de barco pela ilha. O barco passa por várias praias, encontramos muitos golfinhos pelo caminho e um dos pontos altos é a passagem pelo morro Dois Irmãos, Baía dos Porcos e a parada no Sancho. Esta última só se chega de barco como fizemos ou descendo uma escadaria encravada nas rochas. Vale a pena chegar na praia mais bonita do Brasil de qualquer uma das maneira.

– 16h. De volta, pegamos novamente nosso bugue alugado (e detonado como a maioria) e vamos para a Praia da Conceição, considerada a mais urbana da ilha, apesar de ser bem tranquila e linda de morrer. Ao invés de ficar estirados na areia, resolvemos dar um tempo pra pele e ficamos no Bar Duda Rei, o único da praia e considerada a cerveja mais gelada da ilha e talvez do mundo! Mesmo numa mesinha de plástico e pé na areia, a impressão de estar no paraíso continua firme. E entre um gole e outro, uma parada para mergulho. Digno de rei!

– 17h30. O por do sol está chegando e voltamos ao porto para este momento quase religioso de Noronha em dia de céu aberto. O lugar escolhido é o Mergulhão, um bar-restaurante recém aberto no estilo lounge com música boa, decoração bacana e uma das melhores vistas da ilha para o fim do dia alaranjado. Como ele fica meio no alto, a localização é estratégica.

– 18h30. Partimos dali e andamos 500 metros para a famosa igrejinha. No outro lado da ilha, o chamado Mar de Fora (voltado para a África), a lua cheia estava nascendo. Poucos minutos depois de ver o sol se pondo no Mar de Dentro (que é voltado para o continente e que fica a 350 km dali) logo abaixo do porto e emoldurado pelos barquinhos e pelo Morro do Pico, a lua nascia gigante, iluminando o mar e fechando o dia.

– 19h. Hora de voltar pro nosso bangalow, descansar um pouquinho, mas não muito e se preparar para sair.

– 20h. Começa a palestra do Ibama no Projeto Tamar, que todas as noites, biólogos muito bem instruídos e treinados, falam sobre um tema da natureza da ilha em cada noite. Pode ser sobre tubarões, tartarugas, golfinhos, mas sempre vale a pena ter a impressão de fazer parte do National Geographic Channel ao vivo. Todos os turistas se encontram ali, seja para ver o bem montado museu, tomar um expresso ou comprar camisetas na lojinha depois das palestras.

– 21h30. A fome já apertou e jantar um peixe do dia ou frutos do mar no Cacimba Bistrô, cai como uma benção. E o vinho branco geladinho só ajuda a embalar aquele soninho e dormirmos como anjo para nos preparar para o próximo dia perfeito em Noronha. Ale Ravagnani