Museus-experiência: Ilha de Alcatraz, Museu Guinness e Auschwitz-Birkenau

Muito se fala em experiência de marca com o consumidor. Acredito que esta mesma visão meio marqueteada também tenha chegado ao turismo. Quantos lugares são “embalados” de tal jeito que a experiência vivida acaba se tornando inesquecível. A Disney com certeza é uma delas, mas aqui vou contar três momentos de viagens que marcaram para sempre com grandes experiências que recriaram a história do lugar de tal maneira que se tornou inesquecível para mim.

A Ilha de Alcatraz na baía de São Francisco não é só uma vista bonita da Golden Gate e da cidade. Vai muito além disso. Partindo de barco do pier em São Francisco, chega-se à ilha que foi uma prisão de 1934 a 1963 e que por ali passaram criminososo famosos como Al Capone. A visita se dá em parte através de um sistema de áudio, bem corriqueiro na maioria dos museus, mas ali feito de maneira diferente. A gravação que ouvimos quando paramos em cada cela e apertamos o número referência é a voz dos presos verdadeiros, que viveram seus dias ali ou então de carcereiros que trabalharam em Alcatraz, contando a história e detalhes de cada pedaço da prisão, coisas que somente eles saberiam dizer. Ao mesmo tempo que é fascinante, é de arrepiar até o último fio de cabelo.

Ilha de Alcatraz, São Francisco

Ilha de Alcatraz e seus ex-detentos-guias

O Museu Guinness em Dublin na Irlanda, é uma ode à cerveja escura mais famosa do mundo e que tem adoradores em todos os lugares. O museu foi construído numa antiga e histórica fábrica da cerveja, anexa à fábrica moderna e atual. O tour pelo prédio passa por todos os processos de fabricação, andar por andar, com os equipamentos originais e a reconstrução com gravações em áudio-visual. Dos ingredientes à história, indo dos equipamentos à fabricação, chegando na marca, embalagens e a premiada publicidade da Guinness. No final do tour, chega-se a um bar envidraçado no último andar da cervejaria e com um visual 360º de Dublin. E a degustação do melhor pint de Guinness de sua vida vindo direto do encanamento da fábrica está incluso no preço do ingresso.

Museu Guinness

Exposição da publicidade da Guinness

Auschwitz-Birkenau próximo a Cracóvia na Polônia é o registro real das barbaridades do holocausto ocorrido pelos nazistas. Não existe experiência mais dolorosa e dramática. A visita começa na própria van que nos leva da cidade até os campos de concentração. Nossa guia conta que faz isso para ninguém esquecer o que seus familiares passaram ali. Ao chegar, um filme no museu nos situa e na sequência, ninguém mais consegue abrir a boca. O silêncio e a emoção domina a todos e quando chegamos aos fornos, câmera de gás ou ao famoso portão que os trens chegavam com os judeus, fica difícil continuar e seguir em frente. Respiramos fundo e damos conta da importância do local continuar existindo. Ale Ravagnani

Sob o sol da Toscana

A Itália por si só já desperta em nosso imaginário associações maravilhosas. A região da Toscana concentra o que de melhor essas referências representam. Para mim, as melhores paisagens, e o melhor da história, arte, cultura, culinária, vinho e muito mais, estão concentrados ali. A partir de Firenze, começa nossa rota da cultura pela Itália. Grandes museus e igrejas (que também podem ser chamadas de museus) estão em todas as cidades e tudo respira arte. Grande parte do que foi criado pelos mestres italianos, está ali. Firenze concentra Michelangelo`s como o Davi na Galleria dell`Accademia, O Nascimento de Vênus de Botticelli e a Anunciação de Leonardo da Vinci, ambos na fantástica Gallerie Uffizi, Os Portões do Paraíso no Batistério, o Duomo de Brunelleschi, entre tanta obra de arte tão maravilhosa. A cidade cresceu bastante nos últimos anos e está muito movimentada. Quando você cansar do barulho das motonetas que ficam pra lá e pra cá pelas ruelas, é hora de voltar ao tempo e sair pelas redondezas. No caminho, campos de girassóis, oliveiras e ciprestes enfileirados são colírio para os olhos. Chegando em Siena, terra do vinho Chianti, vá direto para a praça central da cidade, a Piazza del Campo. É lá que acontece em julho e agosto a corrida de cavalos Palio de Siena, que há centenas de anos para a cidade, e tudo fica enfeitado com as cores e bandeiras dos bairros que competem na corrida. Aliás, o nome da cidade vem da cor de siena, que predomina em todas as construções, nada difere ou contrasta na paisagem. De lá, a próxima parada é San Gimignano e suas 14 torres que são símbolo da cidade. Um dia foram 72 torres-casa e representavam o poder e riqueza das famílias. Subindo na Torre Grossa, com mais de 50 metros de altura, se tem a noção da beleza do lugar. Na sequência, a pequena cidade medieval de Volterra merece mais que uma visita rápida. À noite parecemos voltar ao tempo percorrendo a cidade murada iluminada por lampiões. Apesar de não ser tão famosa quanto suas vizinhas, deve ser visitada e de preferência, passar ao menos uma noite, para sentir o clima mágico do lugar. De passagem, são muitas as cidades que temos vontade de conhecer, o difícil é escolher. Viajando de carro facilita muito e para mim é de longe a melhor maneira de ver o máximo da região e com bastante liberdade. Montalcino, terra do famoso vinho Brunello e Montepulciano, ambas pequenas cidades muradas devem estar em seu caminho também. O roteiro termina com mais paradas em Lucca e Pisa, só para termos a certeza de que a torre ainda está lá de pé. Pelo menos por enquanto. Ale Ravagnani

Toscana, Itália

Toscana, Itália