Natureza de sobra no norte da Califórnia

Se você estiver em São Francisco, que tal conhecer os arredores da cidade e investir mais alguns dias num dos lugares mais bonitos dos Estados Unidos? Não acredito que você vai voar 14 horas do Brasil e não vai aproveitar mais esse pedaço da Califórnia. Comece bem pertinho de São Francisco. Atravesse a ponte Golden Gate e vá conhecer Sausalito (um táxi da Union Square até lá dá uns US$ 35 ida) e passe umas horinhas pelas lojas, almoce à beira mar comendo frutos do mar e beba uma boa garrafa de vinho branco da região do Napa Valley ou Sonoma. Vale ir só pra fazer isso, ver a cidade de longe, mas com uma visão que não seria possível de outra maneira e voltar. Se estiver sol, melhor ainda, senão espere o tempo firmar para ir.

Sausalito

Sausalito

Em direção ao estado de Nevada, alguns parques nacionais merecem cada curva da estrada até chegar. Primeiro reserve dois dias para o Yosemite National Park, um bonito parque com muitas montanhas e picos de granito, marco mundial para muitos alpinistas ou turistas que preferem a vista de baixo mesmo. Além disso, cachoeiras no verão e ursos ocasionais para os sortudos. No inverno o visual muda radicalmente e o parque fica coberto de branco. Outra região bacana onde no inverno é uma badalada estação de esqui é o Lake Tahoe, bem na divisa com Nevada. Se esquiar não for sua praia, o verão é a estação ideal com muita natureza pela frente.

Yosemite National Park

Yosemite National Park

Yosemite National Park

Lodge no Yosemite

Depois as opções mais urbanas vão aumentando conforme você desce, mas já que falamos em vinho, antes vá um pouco para o norte e ainda próximo a São Francisco e conheça a região do Napa. O vinho da Califórnia vem sendo reconhecido mundialmente e é uma delicia ir parando pelas vinícolas e descobrir o que cada uma tem de melhor. Vá no estilo do filme Sideways e esteja preparado para muitas boas surpresas, pare nas cidadezinhas, curta o dia visitando os vinhedos e faça muitas degustações e à noite jante em lugares surpreendentes, inclusive o 3 estrelas Michelin, The French Laundry, que fica na cidade de Yountville. Uma das vinícolas mais famosas é a Robert Mondavi, mas as pequenas tem um charme bem especial e são menos industrializadas, apesar da visita ser muito instrutiva, onde começamos pelos vinhedos, depois passamos pelos processos do vinho, visitamos as adegas e terminamos na melhor parte, que é a degustação, porque ninguém é de ferro. Tente marcar com alguma antecedência um passeio de balão para sobrevoar os campos, mas confirme um dia antes porque o tempo pode trazer uma surpresa e o balão não levantar voo como foi em nosso caso.

Vinícola Robert Mondavi, Napa Valley

Vinícola Robert Mondavi, Napa Valley

Vinhedos no Napa Valley

Pinot Noir na Robert Mondavi

Descendo para o sul em direção a Los Angeles, 3 cidades são muito especiais no caminho, e ainda ficam próximas a São Francisco. Santa Barbara é uma antiga missão espanhola e hoje transborda em charme e é inevitável pensar como deve ser gostoso morar num lugar daqueles. Tudo é perfeito, os jardins das casas, a limpeza das ruas, a educação das pessoas. Escolha um hotel charmosinho, dos menores possíveis e faça uma lua de mel lá. Continuando, pare em Monterrey e visite o maior aquário da américa. Se for no meio do ano, é a melhor época para avistar baleias e vários barcos partem em direção a elas para você conhecer esse “bichinho” mais de perto. É avistar baleia ou ter seu dinheiro de volta. Posso garantir que quando visitei a Califórnia pela primeira vez há muitos anos atrás, eu não me decepcionei e várias saltaram bem na frente do nosso barco. E a última parada (se você quiser, senão continue até LA) é a cidade de Carmel, outra cidadezinha da classificação das mais charmosas do mundo, que também fica à beira mar e que merece a continuação da lua de mel. De dia um visual de tirar o fôlego pela estrada que vai margeando a costa, a número 1 e de noite gastronomia e a tranquilidade que o corpo precisa para se recuperar das ladeiras de S. Francisco. Ale Ravagnani

Chegada no Lake Tahoe

Lake Tahoe

Lake Tahoe

Lago congelado próximo ao Lake Tahoe

I left my heart in San Francisco

Ponte Golden Gate no por do sol

A Califórnia é um dos poucos lugares do mundo que transpiram liberdade e irreverência, as pessoas são mais leves, todo mundo parece estar de bem com a vida. Não sei se é a luz da cidade, ou se somos nós que enxergamos com outros olhos, mas que é diferente, isso eu não tenho dúvida. São Francisco são várias cidades em uma só. Pode ser dinâmica e movimentada com seus escritórios e toda a influência do Vale do Silício que traz para ela um ar de tecnologia e dinamismo. Aliás, em qualquer café ou restaurante que se entra, a internet é gratuita e grande parte das pessoas estão conectadas, inclusive eu que não perdia a oportunidade de ver meus emails na hora do almoço. Outro lado marcante da cidade são as compras, para deleite dos brasileiros que não perde uma boa oportunidade. A região da Union Square é super agitada e todas as lojas do mundo estão por ali. Mas vale ir lá também pela praça que é uma delícia e os prédios emolduram os quatro lados num conjunto arquitetônico que mistura o antigo e o moderno de maneira especial. Não há como não perceber turistas e locais fazendo da praça seu restaurante na hora do almoço. Mas já que você está ali perto, aproveite pra dar uma caminhada até a filial do MOMA, o Museu de Arte Moderna. O acervo é um dos melhores dos Estados Unidos, tem um café bem gostoso e claro, como estamos falando de compras em tempos de dólar baixo, a loja do museu é irresistível. Você vai encontrar livros e objetos de arte da mais alta qualidade e criatividade que não encontraria em nenhum outro lugar. O prédio do museu foi projetado por um arquiteto suíço chamado Mario Botta e é um dos marcos da cidade, mas para você ter a melhor visão dele, ande em direção ao Yerba Buena Gardens, que com mais distância o domo fica mais visível e as fotos ainda melhores. Aproveite os jardins e se jogue na grama ouvindo o barulho da água das fontes e a tranquilidade do lugar. O complexo também concentra outros museus menores que valem a pena.

"Heart Parade" na Union Square

San Francisco MOMA

Interior do Museu de Arte Moderna

Tai Chi no Yerba Buena Gardens

Agora é hora de se misturar com multidões de turistas e ver o lado mais turístico da cidade, mas já que somos turistas, que mal tem nisso? O destino é o Fisherman`s Wharf e o Pier 39. Mais lojas, restaurantes, cafés, mágicos, estátuas humanas, leões marinhos e uma vista linda da Baía de São Francisco fazem o lugar ter a fórmula completa para algumas horas serem gastas por ali. Já dá pra ver um pouquinho da ponte Golden Gate bem de longe, mas esta é a próxima parada. Se possível alugue uma bicicleta em um dos muitos lugares disponíveis da cidade, atravesse os 2,7 km pedalando na ponte mais famosa e bonita do mundo e volte de barco. É só embarcar com a magrela que está tudo bem, assim você tem duas visões distintas da ponte que não é dourada, apesar do nome. Se não enjoar de andar de barco, recomendo tomar outro até a Ilha de Alcatraz, onde funcionou o presídio e hoje é um museu. Já escrevi sobre ele no Blog e recomendo muito a visita.

Região do Fisherman`s Wharf

Pescador e Ilha de Alcatraz ao fundo

Ponte Golden Gate

Mas São Francisco ainda tem mais pra se ver. Vá ao bairro Haight-Ashbury e conheça a antiga rua hippie Haight Street. Alguns ainda dão as caras por lá, mas como ela foi um ícone nos anos 60, é divertido andar por ali. Repare na arquitetura vitoriana das casas que estão por todos os lados é dá um charme todo especial na cidade. Com certeza você vai passar por várias ladeiras, que é outro marco, mas aí espero que você esteja dirigindo, porque a pé ninguém aguenta. Chegue até Russian Hill e passe pela Lombard Street, a rua com mais curvas que existe. Este trecho pitoresco é de apenas um quarteirão que rendem boas fotos. Suba a pé e desça de carro. Na vizinhança ao lado, em Telegraph Hill fica a torre art deco de 64 metros Coit Tower e, se você estiver bem de fôlego, suba a pé para ter uma linda vista da cidade. E não podia me esquecer de falar sobre o meio de transporte imperdível que são os bondinhos e um deles pode te levar da badalada Market Street que fica próxima a Union Square até a parte de cima da Lombard. Recupere o fôlego, deixe o preconceito de lado e passeie pelo Castro, o bairro gay da cidade mais liberal do mundo e veja como realmente ali as coisas acontecem de maneira diferente e a liberdade de expressão fala mais alto. Depois de andar tanto na cidade das ladeiras, termine no Golden Gate Park, que é uma enorme área verde da cidade, cheio de atrações mas sem dúvida muito relaxante. Ale Ravagnani

Coit Tower em Telegraph Hill

 

Manobra do bondinho na Market Street

Skyline de São Francisco

A cidade vista da Coit Tower

Mural interno na Coit Tower

Barcos no Pier

Escultura na cidade

Área interna no MOMA

A irreverência da Califórnia

O colorido da arte

Show aéreo no Fisherman`s Wharf, Columbus Day

Congestionamento no Moscone Center

Museu Yerba Buena

Pose no Jardim Japonês, Golden Gate Park

Viajando com o mestre Henri Cartier-Bresson

O que faz uma imagem ser tão especial e única? Talvez o olhar de um grande fotógrafo, um observador do cotidiano que observa as coisas mais banais e corriqueiras e as transforma em algo único registrando para sempre aquele momento que ficou congelado no tempo. Muito acontece bem debaixo de nosso nariz, mas será que sempre percebemos? Notamos as coisas mais sutis, ou melhor, tiramos delas o que de mais bonito tem o ser humano? Cartier-Bresson foi um grande observador da vida, filtrando pelas lentes de sua velha Leica e que nos presenteia com um olhar imaculado do mundo, onde o ser humano é o centro de tudo, trazendo sua máxima emoção, com as ruas, cidades e o mundo emoldurando e trazendo o mais belo pano de fundo já imaginado. Este magnífico fotógrafo francês trouxe emoção e comove até hoje pela simplicidade do instantâneo. Não tem pose e nem refação. Ou ele conseguia no momento exato ou partia para a próxima foto. Viajando mundo afora e cobrindo fatos importantes como a Guerra Civil chinesa, o funeral do Gandhi na Índia ou a União Soviética pós-guerra, além de inúmeros outros países pelos quais viajou e fez seu registro. E pensar que ele consegue passar tanta expressão, vivacidade e calor humano usando apenas uma cor em suas fotografias. Um pouco antes de parar de fotografar começou a voltar para uma antiga paixão que é o desenho e a pintura, a fim de continuar retratando, mas desta vez com seus pincéis e seu talento nas artes. Talvez com esta frase de Bresson a gente entenda um pouco seu espírito e sua arte, que extrapola qualquer fronteira artística.

“Eu nunca me interessei no processo da fotografia, nunca, nunca. Desde o começo. Para mim, fotografar com uma câmera pequena como a Leica é como um desenho instatâneo.” Henri Cartier-Bresson, 1908 – 2004   Ale Ravagnani

Rota Ecológica de Alagoas

Praia de Japaratinga vista da Pousada do Alto

Pousada do Alto, Japaratinga

Pousada do Alto, Japaratinga

O trecho do litoral alagoano, que fica entre Maragogi e Barra de Santo Antônio ainda é uma parte do litoral do Brasil que não sofreu o boom imobiliário e nem a onda de resorts que vem sendo erguidos por toda a orla do Nordeste. Praias e mais praias desertas e inexploradas, com apenas uma ou outra pousada e poucas casas emolduram um mar azul esverdeado que mesmo num dia nublado é claro e imaculado. São cerca de 40 km de praias que devem ser descobertas dirigindo e parando naquela que mais lhe agradar. A vontade acaba sendo em escolher uma das excelentes pousadas e ficar por ali relaxando sem a menor pressa. A nossa escolhida foi a bela Pousada do Alto, que claro, fica no alto de uma montanha-falésia à beira da praia de Japaratinga, e que é infinitamente mais bela de cima do que de baixo. A vista é de perder o fôlego, e o conforto da pousada convida para relaxar à beira da piscina de fundo infinito com a melhor vista do nosso litoral e quem sabe do mundo! Exageros à parte, vá ver de perto a Praia da Lage, que tem aquela forma quando imaginamos uma praia perfeita, além de formar uma baía linda, os coqueiros emolduram um mar de cor única. Para se hospedar por ali, a Aldeia Beijupirá é uma excelente opção, com conforto, charme e o restaurante Beijupirá, que também é aberto a não-hóspedes e já provou que sabe fazer culinária de primeira com um toque de nordeste também em Porto de Galinhas e na Praia dos Carneiros no litoral de Pernambuco.

Praia da Lage

Outra praia para se ver e ficar, é a Praia do Toque, também pouco explorada e como a maior parte deste pedacinho de paraíso, vem crescendo pouco, mas com muito charme. Vários estrangeiros vem investindo em hotelaria, mas sem os grandes grupos que acabam fechando a praia inteira e fazendo ali seu quintal particular. A Pousada do Toque é uma das mais bonitas do Brasil, mas prepare o bolso, já a Pousada do Caju, a Amendoeira e a Côté Sud também são excelentes e mais acessíveis. Se não estiver hospedado numa delas, comer o bacalhau no Caju é um programão depois de um dia de sol. Os portugueses que tocam a pousada trouxeram o melhor da terrinha pra gente. Outra praia muito gostosa é São Miguel dos Milagres. Ela surge quase que como uma miragem e caminhar por ali, passando de praia em praia, é uma benção para os olhos e para a alma, quase um milagre de nosso litoral já tão movimentado. Mais alguns passeios que devem ser feitos são as piscinas naturais, que estão nas praias do Toque, Patacho, Japaratinga e Porto da Rua e também visitar Tatuamunha e subir o rio para ver os peixes-bois que vivem no mangue. Além dos bichinhos que são uma grande atração, o por do sol é lindo.

Visual de Japaratinga

Farol em Porto de Pedras

O inglês reinventado da balsa

Varal