Paris vs Nova York

Uma pitada de ironia e bom humor para retratar duas grandes cidades.

Nunca ninguém antes pensou em comparar duas metrópoles tão marcantes e únicas como Nova York e Paris, cada uma marcada por ícones fortes e caracterizados com muita personalidade, fazendo-as únicas e deleite de todo turista. O designer e diretor de arte Vahram Muratyan encontrou uma forma criativa e divertida de mostrar os aspectos cotidianos ao brincar com as duas cidades fazendo uma viagem pelas peculiaridades e marcando o comportamento dos parisienses e nova-iorquinos.

“Paris versus New York – A Tally of Two Cities”, que virou blog (www.parisvsnyc.blogspot.com) e livro estão recheadas de boas ilustrações que por si só são uma viagem pelas cidades e suas características que as tornam tão diferentes e antagônicas e ao mesmo tempo, ambas essenciais para o viajante.

As artes não costumam ser autoexplicativas, o que acaba exigindo algum conhecimento sobre aspectos das cidades. Para quem não as conhece, cada ilustração vira uma “city-tour” sobre a cultura e pelo dia-a-dia de cada cidade.

Bon voyage / Have a nice trip

Ale Ravagnani

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São Paulo vista num voo panorâmico ou dos edifícios mais altos da cidade


Região do bairro do Sumaré e da Paulista

Edifício Itália no centro de São Paulo

Quase não conseguimos mais perceber a cidade. Seja pela pressa por que passamos por ela, seja pela alta concentração de tudo, de pessoas, carros, concreto e a dificuldade de separar o joio do trigo, a bagunça da boa arquitetura. Tudo é superlativo numa das maiores metrópoles do mundo e na maior cidade brasileira. Do alto conseguimos prestar atenção em detalhes que nosso dia a dia não permite, e melhor, o ângulo é único.

Se você não tiver oportunidade de fazer um voo panorâmico pela cidade, alguns outros pontos podem ajudar a ter aquela visão de tirar o fôlego, e ver aquele mar de prédios de cima e longe da multidão. No alto do 41º andar do Edifício Itália ou a 165 metros do chão, no centro da cidade, um jantar no Terraço Itália vale pela vista e hoje em dia também pela comida que recentemente foi renovada pelo chef italiano Samuele Oliva (ex-chef do restaurante Piselli). Outro lugar que vale tanto pela vista quanto pela refeição é o Arola Vintetres, do estrelado chef catalão Sergi Arola, que fica no alto do Hotel Tivoli Mofarrej, na região da Av. Paulista. Nesse caso a experiência gastronômica é tão elevada que quase se esquece de olhar pela janela para admirar os prédios da Paulista. E uma última opção, mas numa escala menor porém não menos bonita, o alto do Hotel Unique abriga um restaurante aberto também para quem não está hospedado, o Skye. Almoçar ou jantar à beira da piscina vermelha do hotel e emoldurado pela vista do Jardim Europa, um dos bairros residenciais mais arborizados de São Paulo, apresenta uma cidade numa escala muito mais acessível e menos agressiva. Seja qual for suas escolhas, São Paulo combina com uma boa refeição. Escolha pelos dois, começe com o voo e termine com um bom jantar.

Bairro do Brooklin e região da Berrini

Ponte Estaiada e o Rio Pinheiros

Shopping Market Place e Morumbi

Estação Elevatória no Rio Pinheiros

Esporte Clube Pinheiros

Ponte do Morumbi e ciclofaixa do Rio Pinheiros

Bairro do Morumbi

Auditório do Parque do Ibirapuera

Estádio e clube do Palmeiras

Igreja

Viaduto do Chá no Vale do Anhangabaú

Carga e Descarga

Tenda do Cirque du Soleil no Parque Villa Lobos

Rotatória

Playcenter

Auditório do Anhembi

Ale Ravagnani

Apple sem Steve Jobs e a maçã da 5ª avenida seguindo reluzente

Apple Store na 5ª Avenida em Nova York

Todo mundo sabe que o mundo não será o mesmo sem o fundador da Apple, a empresa de tecnologia que revolucionou o mundo.
No último dia 05 de outubro estava em Nova York e poucas horas depois da triste notícia ao passar em frente à Apple na 5ª Avenida, onde ficava aquele cubo majestoso na entrada da loja, percebi que a repercussão sobre a morte de Steve Jobs já estava ali demonstrada por seus inúmeros fans. Manifestações de carinho explícitas e mensagens do mundo inteiro de milhares de pessoas estava ali representando um pouco do que Jobs significou para esta geração e que provavelmente continuará influenciando outras.

Ao redor do tapume que agora cobre o futuro novo cubo da Apple e que dá acesso à loja subterrânea, mensagens em papéis coloridos quebram o outrora cinza de pessoas anônimas e que foram influenciadas pelo recriador da tecnologia.

A espera do que virá no futuro sem Steve Jobs, turistas visitam a loja como se fosse um novo monumento em Nova York, concorrendo com o MoMA ou até mesmo a Estátua da Liberdade. Um novo projeto do famoso cubo de vidro da fachada ainda não revela sua nova configuração, mas já é anunciado que ele passará das atuais 90 placas de vidro para apenas 15, com certeza mais um traço do desejo e do perfeccionismo de seu fundador.

E a tristeza fica para todos que admiravam este gênio e que não vivem sem seus legados para a nossa geração.

Mensagens para Steve Jobs

Carinho e bom humor dos fans

Aglomeração para fotografar e entrar na loja

Devoção

Último adeus

Design em todos os aspectos

Futuro cubo que passa de 90 a 15 painéis de vidro

A maçã na big apple

Homenagem na agência Ogilvy & Mather em Nova York

Meus colegas da Ogilvy em Nova York fizeram no escritório uma homenagem a Steve Jobs.

“It`s not just what it looks like and feels like. Design is how it works.”

Ale Ravagnani

Londres, suas ruas e sua personalidade

Londres se conhece caminhando por suas ruas. Não é preciso muito mais para dizer que se conhece bem a cidade, porque sua verdadeira alma é formada por quem as habita, tal diversidade se encontra pela frente. Andar por suas ruas é voltar ao tempo, e ao mesmo tempo, pode ser um adiantar dos ponteiros do relógio, é ir para a Índia, para a Turquia, é visitar o Nepal, e dar a volta ao mundo em poucos passos. É pensar que a cidade recebe a todos de braços abertos e os respeita como são.

A sensação de liberdade que se tem em Londres é única e em nenhuma outra metrópole do mundo você se sente tão cidadão do mundo, de um novo mundo que só Londres sabe receber e aceitar. E, o mais importante, poucos são os bairros dos guetos ou das minorias. As pessoas se mesclam umas às outras, o que torna a paisagem urbana única e diferenciada, seja onde você estiver. Não tem barreira religiosa, de raça ou de opção sexual. A coexistência é uma realidade num mundo em que muito frequentemente se questionam as fronteiras e barreiras impostas por onde nascemos, nos restringindo onde não escolhemos que ali seriam nossas casas. Mas aqui isto não vem ao caso.

Isto não vem de hoje. Os ingleses foram grandes desbravadores dos chamados  velho e novo mundo. Chegaram na África, Índia, China, Austrália, entre muitos outros países, e agora é a vez de retribuir, de ter um olhar diferente com os entrangeiros. E pensar que quase um terço da população é formada por gente de fora, só se atesta o que nossos olhos constatam caminhando pela cidade.

Este foi o resumo de três lindos dias do verão de Londres que gostaria de compartilhar com vocês.

Vergonha de que?

Posando na Tower Bridge

Free Tibet

Se sentindo em casa

Estátua humana

Thank you my lady

Transporte alternativo

Semana de Wimbledon na Tate Modern

Elegância inglesa

Dia do rosa

Pra onde ele foi?

Tâmisa e a Tower Bridge

O último dos moicanos em Camden Town

Trabalho de cachorro

Pausa para o descanso

Quebrando a monotonia

Picadilly Circus

Soho Square

Vergonha de que 2?

Oxford Street

Domingo em Covent Garden

Uma moeda por um abraço

Berimbau

Mordida dos peixinhos em Camden Town

Domingo de sol em Camden Lock

Voltando no tempo em Covent Garden

Ale Ravagnani

Barcelona se renova todos os dias

Domo de vitral em edifício de Barcelona

Detalhe nas ruas

Se não fossem por seus arquitetos-artistas, Barcelona não seria a mesma hoje em dia. Sua paisagem arquitetônica atual transformou a cidade, trazendo uma mescla única entre o moderno e o antigo, o novo e o tradicional. Considero a cidade de Barcelona, situada na região da Catalunha na Espanha, um museu a céu aberto. Sempre me inspira andar por cidades onde a preocupação estética é realmente levada a sério. Aqui a arquitetura é pensada para melhorar a vida de seus habitantes e uma verdadeira inspiração para a vida.

Sagrada Família em construção há mais de 100 anos

Sagrada Família, Gaudí

O onipresente Antoni Gaudí teve a cidade onde viveu e trabalhou como grande fonte de inspiração. Desde a inacabada Sagrada Família, que teve o início de sua construção em 1882 e que está prevista para acabar em 2020, ao fabuloso Parque Güell, que representa o máximo do modernismo catalão e foi construído entre 1900 e 1914. Tudo exprime a arte do mestre Gaudí. O Parque fica numa área alta de Barcelona, com vista para toda a cidade com o mar ao fundo, e isto é só o pano de fundo. É no próprio parque que estão suas atrações. Densamente construído, apesar de se denominar um “parque”, cada detalhe tem algo de extraordinário, os mosaicos que de perto são cacos de azulejos, visto de longe são harmônicos e de uma beleza extrema. As construções são curvilíneas antes mesmo das formas orgânicas estarem tão na moda.

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Mas Gaudí não parou por aí. Também projetou diversas casas e edifícios como a Casa Milà ou La Pedrera em 1905. O edifício não possui qualquer linha reta, parecendo ondas ou dunas de areia, nada mais apropriado para uma cidade à beira mar. As chaminés que saem de seu telhado também são peculiares como todo o conjunto. A Casa Batlló foi uma reforma que Gaudí realizou no edifício de 1875 e é conhecida como A Casa dos Ossos, devido ao formato dos balcões exteriores que se assemelham a um crânio e ossos.

Casa Milà, Gaudí

Casa Milà, Gaudí

Casa Milà, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Mas muitos outros grandes arquitetos contribuíram para a cidade. O Palácio da Música Catalã é um auditório construído em 1905 e junto com seus fantásticos vitrais, é uma obra-prima do modernismo catalão. O Teleférico de Montjuic foi construído para a Exposição Universal em 1929, e estende-se sobre o Porto antigo, e vai da Torre de San Sebastián em Barceloneta até Miramar, para o castelo no topo de Montjuic. A viagem chega a uma altura de cerca de 70 metros, e há pontos de vista do porto e da cidade que são deslumbrantes.

Palácio da Música Catalã

Teleférico de Montjuic

Além destes ícones, mais recentemente Barcelona passou por uma nova onda de transformação. Nos Jogos Olímpicos de 82 o Palau Sant Jordi ou  Palácio dos Esportes foi construído por Arata Isozaki, a Torre de Collserola por Norman Foster e a Torre de Monjuic por Santiago Calatrava. No período pós olímpico, a cidade ainda ganhou o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA) de Richard Meier, a Torre Agbar de Jean Nouvel, a Torre do Triângulo Ferroviário (La Sagrera) de Frank Gehry e o Edifício Fórum de Jacques Herzog e Pierre de Meuron. Todos os principais arquitetos da atualidade estão com obras espalhadas pela cidade, todos disputando para exporem o melhor de sua arte nesta galeria a céu aberto que é Barcelona.

A conclusão que chego é que Barcelona se renova a cada ano, com ou sem crise, e isto só atrai ainda novas ondas de turistas que não param de chegar à cidade e a ajudar renovar a economia espanhola.

Torre de Monjuic, Parque Olímpico

Parque Olímpico

Para se ver do alto

Parque Joan Miró

Ale Ravagnani

Rio de Janeiro. Aproveite antes da turma chegar

Vista do Forte de Copacabana

O Rio tem tudo para ser uma das grandes estrelas mundiais do turismo e que agora, pós nominação para as Olimpíadas em 2016 e final da Copa do Mundo em 2014, os olhos se voltarão para ela e o mundo poderá redescobrí-la. Já era tempo para isso acontecer! Como um dos cenários mais espetaculares da terra atraia menos turistas se comparado com outras cidades de porte similar ou até mesmo menor? O Rio não deixa nada a dever a Barcelona na Espanha, Cancun no México, Dubai nos Emirados Árabes e Istambul na Turquia, todas cidades também banhadas pelo mar e com suas dinâmicas ligadas diretamente com a água E todos os 4 destinos citados recebem um número de turistas maior que a nossa tão querida cidade maravilhosa e nenhuma é tão completa ou possui tantos atrativos como aqui.

Vista do Jardim Botânico

Palmeiras Imperiais do Jardim Botânico

O Rio é para se ir sempre, mesmo que somente em um fim de semana. Entre na rotina dos cariocas pra sentir a verdadeira vibração, compre biscoito Globo na praia, caminhe no calçadão pela manhã, ande de bicicleta na Lagoa, tome café da manhã na filial da tradicional Confeitaria Colombo no Forte de Copacabana, passe em alguma das muitas frutarias e peça seu suco feito na hora, nunca pule o happy hour (pode ser no Braca ou em muitos outros), e repita isso todos os dias que você será eternamente mais feliz e muito menos estressado. Se ainda der tempo, aproveite que domingo tem menos trânsito e dirija atá Grumari para tomar a melhor caipirinha de tangerina do mundo e comer uma moqueca no meio de muita vegetação e com vista de perder o fôlego para a Barra de Guaratiba. Procure pelo restaurante da Tia Pamira ou do Bira. Aproveite a viagem e visite o sítio onde viveu o maior paisagista brasileiro, Roberto Burle Marx.

Se bater preguiça de ir longe, o caminho te leva para as ladeiras de Santa Teresa, a Montmartre carioca. A impressão é que se voltou no tempo e o clima bucólico só é quebrado quando se olha para uma das melhores vistas do Rio de Janeiro. O exclusivo Hotel Santa Teresa montado num casarão de 1850 tem um ótimo restaurante, o Térèze, pra se apreciar o clima, o visual e uma culinária de primeira. Procure saber a história do local, que foi o antigo Hotel dos Descasados, além do que os funcionários já irão falar da passagem de Amy Winehouse pelo local. Ou você pode optar pelo restaurante Aprazível, que faz juz ao nome e fica ali pertinho. Em Santa Teresa se encontra o museu Chácara do Céu, onde arte, história e natureza convivem em harmonia. No interior da casa modernista você poderá ver obras de Matisse, Dalí, Miró, Picasso, Debret, Portinari e Di Cavalcanti.

Diversidade no calçadão de Copacabana

Mas o Rio tem muito além das grandes atrações turísticas que todos saber de cor e não preciso escrever aqui. O Jardim Botânico é o grande quintal dos cariocas e andar por seus jardins luxuriantes recupera qualquer mortal de um dia estressante. Repare que pelas árvores centenárias encontram-se macaquinhos, tucanos e muitas outras aves tropicais. Ali perto fica o Parque Lage, que é ótimo para um café da manhã no fim de semana ou quando se tem um pouco mais de tempo pra curtir sem pressa.

Piscina do Copacabana Palace

Vista do Hotel Fasano no entardecer

Porém seu tour ainda não terminou. Caminhar pela orla pode render um dia espetacular. Do calçadão de Copacabana, passando pelo lindo visual do Arpoador, depois Ipanema e finalmente Leblon. Aí entre para o bairro, passeie pela Dias Ferreira e suas charmosas livrarias, tenha uma refeição balanceada, porém muito saborosa no Celeiro ou na filial carioca do paulistano e contemporâneo Carlota e chegue até a Lagoa para terminar de fazer a digestão. Na volta, o happy hour pode ser no badalado hotel Fasano que fica de frente para o mar no metro quadrado mais caro do Brasil. A vista compensa o preço dos drinks ou então rume para a beira da piscina do Copacabana Palace, outra alternativa também classuda. E mesmo que você não esteja hospedado em nenhum desses lugares, termine sua viagem em grande estilo, porque o Rio compensa qualquer extravagância e muitas e muitas idas para viver como um bom carioca da gema.

Os famosos biscoitos de polvilho Globo nas versões doce ou salgado

Ale Ravagnani

Nova York, um lugar que respira arte

Chrysler Building

Algumas cidades do mundo respiram arte até pelos poros. Londres, Paris, Berlin, Chicago, mas nenhuma outra conseguiu democratizar o acesso de maneira tão intensa quanto Nova York. Quando digo arte, não estou falando somente a que está dentro dos museus, aquela dos grandes acervos e das grandes instituições que montam exposições e retrospectivas dos grandes mestres da arte. Nova York transpira arte e ela também está nas ruas e acessível a todos, mesmo aqueles que não estão dispostos a pagar US$ 15 para entrar num museu. É fácil estar em contato com a arte na cidade e acabamos esbarrando em arte pelas ruas e as vitrines das lojas a cada troca de coleção ou em datas comemorativas dão um banho criativo. Um tour só olhando a parte de fora das lojas e magazines já inspira e mostra que a criatividade está ali para todos e percebemos que na era digital das compras on-line, andar pelas ruas ganha um diferencial e alegra as caminhadas. Alguns ótimos exemplos são as vitrines da Bergdorf  Goodman, Tiffany`s, Saks Fifth Avenue, Barneys, entre muitas outras.

Tim Burton no Moma

Também costumo dizer que voltamos de Nova York com torcicolo. A arquitetura dos grandes edifícios históricos são verdadeiras aulas de equilíbrio estético. O grande movimento da arquitetura com os arranha céus começou na década de 30, e a competição era grande, e não somente pela disputa da altura, mas também pela ostentação. O Chrysler Buiding e suas gárgulas lá no alto foram a principal causa da minha dor de pescoço, e até mesmo da minha dor de cotovelo. E quando você entra na Grand Central Station e se depara com aquele gigantesco vão livre e o relógio central, ou então visita a New York Public Library não fica pasmo com todo aquele acervo histórico? Comparando com a cidade de São Paulo, onde atualmente o ápice da arquitetura são os edifícios neo clássicos sem estilos e fora de seu tempo, voltamos de viagem olhando pra baixo para nossos olhos não sofrerem com tal contraste desta pobre arquitetura e crise de identidade urbana que vivemos.

Painéis da Times Square

Mas voltando à arte, o incentivo é o que impulsiona. Além da população apreciar, isto é um legado atemporal e que ajuda a contar nossa história. A recente exposição do cineasta e artista Tim Burton no MOMA – Museu de Arte Moderna, atraiu um público imenso e foi a segunda exposição mais visitada de todos os tempos. E qual é a fórmula? O cara é bom mesmo, um verdadeiro gênio, mas trazer algo novo, com muita ideia e pensamento, foi o mix perfeito para esta explosão, além de atrair um público mais jovem. O ponto negativo foi que havia tanta gente dentro das salas (em 3 andares do museu), que foi impossível olhar com alguma atenção para as mais de 1.000 obras expostas. Mas não deixe se abalar por isto. O Guggenheim e seu prédio-arte projetado por Frank Lloyd Wright são uma das grandes atrações à beira do Central Park, assim como o Metropolitan Museum, ou Met para os novaiorquinos, o Whitney Museum e o Natural History Museum, todos ali na redondeza.
E no próprio parque, diversas esculturas estão ali para tornar nosso passeio mais cultural e provavelmente muito mais instigante. A escultura Alice no País das Maravilhas de 1959 e de 1892, a escultura também em bronze de Cristovão Colombo também é outro marco, mas essas são apenas duas das dezenas de obras que você vai encontrar caminhando.

Rockefeller Center e a escultura Atlas, 1937

Continuamos andando pelas ruas e quanto mais rumamos para o sul da ilha de Manhattan, mais a arte se torna presente e acessível. Agora nos bairros do Soho, Greenwich Village, Chelsea e Meat Packing District, além da arquitetura ser muito mais low profile, mas não menos interessante, os bairros são tomados por galerias de arte, pequenos espaços para exposições, designers de moda, ateliers e praticamente todos os tipos de comércio olhando para sua clientela com humor, irreverência e sempre trazendo algo novo e inusitado a oferecer, seja na “embalagem” ou no conteúdo. Para sociedades mais evoluídas em que o básico já está bem resolvido e a informação é democrática, essas manifestações criativas são mais aceitas e absorvidas pela sociedade.

Rodin até na calçada

Van Gogh e seus campos de milhos no Moma

E para fechar este assunto da arte, que na realidade não tem ponto final e é uma constante sempre em evolução e renovação na cidade, gostaria de deixar mais uma dica. Vá ao prédio da ONU por dois motivos, mesmo ele ficando um pouco fora de mão. O grande salão onde todos os países estão representados é um ícone e mesmo que não nos deixam sentar e admirar por muito tempo, vale para ticar da nossa lista de curiosidades. Mas para mim a grande surpresa foram mesmo as obras de arte, sejam elas peças rebuscadas que foram doados por representantes de governo de países longínquos e que ficam ali expostas ou clássicos que não deixam dúvida de seu valor artístico e nos presenteia com vitrais de Marc Chagall, painel de mosaico de Norman Rockwell ou grandes esculturas que fazem referência a um mundo mais humanizado, com menos violência e diferenças. Agora é torcer para que essas diferenças diminuam e que o entendimento da arte seja mais universal, inclusive para nós brasileiros.

Ale Ravagnani

Non Violence por Carl Fredrick Reutersward na ONU

Vitrais de Marc Chagall, ONU

Painel de mosaico de Norman Rockwell, ONU

Arte interativa na rua

Vitrine da loja Bergdorf Goodman

Quebrando a monotonia

Biscoitos da sorte viram decoração

Bom humor nas ruas

Loja da Apple, bela arquitetura e produtos