Ushuaia, a era do gelo e a cidade do fim do mundo

Tipos de pinguins da Patagônia e da Antarctica

Qual é a sensação de se chegar no fim do mundo? É achar que dali em diante não tem mais nada? Nos esquecemos que a terra é redonda e que isto é um simples ponto de vista. Mas a cidade de Ushuaia localizada no extremo da Patagônia Argentina e da América do Sul, exibe este título e se gaba disso sempre que pode. Como não poderia deixar de ser, talvez por resquícios da antiga briga fronteiriça com o Chile, cada um dos países defende sua cidade como a mais ao sul do mundo. O Chile diz que Puerto Willians é sua resposta e que fica mais ao sul, e realmente é. Mas a Argentina defende Ushuaia para o título dizendo que a cidade chilena é uma simples base naval. De longe e de dentro de um barco, pude notar que Puerto Willians realmente é diminuta e que raramente deve atrair algum visitante. A verdade é que ambas as cidades são praticamente a última povoação da América do Sul antes de chegar à Antarctica. Elas ficam quase uma em frente à outra, situadas na Terra do Fogo com o Canal de Beagle separando-as e fazendo a estratégica ligação entre o Oceano Atlântico e o Pacífico.

Ushuaia e seu aeroporto vistos de cima

Puerto Willians no Chile e o Canal de Beagle

E é justamente a localização de Ushuaia que traz tanta mística e lendas sobre ela. As águas frias atraem uma diversificada fauna com aves como cormorões, pinguins, lobos marinhos e a apreciada centolla, um caranguejo gigante que é uma das grandes estrelas dos cardápios patagônicos. Além dela, que você não vai enjoar mesmo se comer todos os dias, intercale com a fantástica merluza negra (nada a ver com a nossa daqui) e bom apetite! Antes agende um passeio de barco na região do porto e zarpe no horário da tarde para avistar a vida marinha e o Farol do Fim do Mundo, com opção de descer na ilha dos pinguins. Mas o motivo do horário é que na volta, já bem no fim da tarde, o por do sol é um presente com cores que só existem ali.

Porto de Ushuaia

Endurance de 1912 que levou Shackleton à Antarctica

Farol do Fim do Mundo

Ilha dos pinguins no Canal de Beagle

Pinguins no Canal de Beagle

Em Ushuaia opte por um hotel confortável à beira do Beagle e relaxe. Mesmo se você optar por um mais afastado do centro da cidade, o visual compensa. Se der sorte com o tempo, como foi em minha viagem com meu pai, o sol mostra que a natureza está ali bastante intocada e a exploração ainda não está massificada. Se sua viagem for no inverno, siga em frente se você realmente viajar para esquiar, mas não espere grandes infra-estruturas como as estações de esqui mais centrais da Argentina ou do Chile. Gorro, cachecol, luvas e casaco corta-vento tem que fazer parte de sua viagem em qualquer época do ano e prepare-se que o tempo muda sem avisar. Outro atrativo é o Parque Nacional da Terra do Fogo, que você pode fazer em um tour ou então combinar com um motorista de taxi para passar algumas horas ali com você. O início pode ser pelo Trem do Fim do Mundo, uma pequena locomotiva a vapor que passa por um trecho do parque e depois a viagem continua por terra, parando em mirantes e fazendo pequenas caminhadas. Um dos principais atrativos ficam por conta dos castores que foram introduzidos na região por um descuido e hoje fazem barragens imensas, cortando árvores e desviando rios para melhor abrigar sua ninhada e descendentes. Apesar de destruírem a natureza, é uma atração pra nós turistas.

Canal de Beagle perto de Ushuaia

Osso de baleia em restaurante de Ushuaia

Praia em Ushuaia e o Chile ao fundo

Hotel Los Cauquenes, Ushuaia

Casa em Ushuaia

Castoreiras, Parque Nac. Terra do Fogo

Trem do fim do mundo

Mas como esta viagem teve um gostinho especial para mim, em que minha companhia foi ninguém menos que meu pai, optamos por dividí-la em duas partes, o extremo sul que acabei de contar e a região das geleiras, um pouquinho mais ao norte e na fronteira com o Chile e que eu já havia visitado algumas vezes. Ali fica localizado o Campo de Gelo Sul, a maior massa de gelo das Américas e resquício verdadeiro da era do gelo e do que sobrou das glaciações. A partir da cidade de El Calafate (não quero ser repetitivo, portanto veja o post “Patagônia Argentina é logo ali” no blog), e acessível tanto de carro quanto de barco às imensas geleiras e paisagens brancas. Mas desta vez, para mim a novidade nesta viagem foi o Glaciar Upsala, um dos maiores do Parque Los Glaciares, região que concentra grande parte das geleiras na Argentina. Hoje em dia o imenso glaciar está com o acesso mais difícil. O braço do Lago Argentino, onde se chegava de catamarã, está bloqueado por imensos icebergs que não deixam mais os barcos chegarem nem perto de sua base. O caminho ficou mais longe porém muito mais divertido. O barco chega até a Estância Cristina, uma antiga fazenda de ingleses produtores de ovelhas, de lá jipes 4×4 estão esperando para te levar numa sacolejante viagem montanha acima até não haver mais trilhas para carros. A partir daí você está por si próprio e uma caminhada relativamente fácil te leva até a mais bonita de todas as vistas, que se dá para o imenso Glaciar Upsala. É de tirar o fôlego se deparar com tanto contraste e beleza, mas compensa cada tranco no jipe ou escorregada na trilha. Vá com muita expectativa e volte ainda assim surpreendido. Já o famoso Glaciar Perito Moreno é mais fácil de chegar e conhecê-lo, e ainda assim é extremamente belo e parte imperdível da viagem à região. A cidade de El Calafate, base para esta parte da Patagônia, é muito bem organizada e tem toda a infra-estrutura e conforto para o viajante. Aqui o prato principal é o cordeiro patagônico feito no fogo de chão e sempre de comer de joelhos. Só assim pra recuperar seu fôlego e se preparar para mais um novo dia de aventuras que nunca mais sairão de suas memórias. Ale Ravagnani

Icebergs no Lago Argentino

Chegada à Estância Cristina

Trekking para o Glaciar Upsala

Trekking Glaciar Upsala

Glaciar Upsala visto do alto na Estância Cristina

Glaciar Upsala

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Praia dos Carneiros é a praia mais perfeita da nossa costa

A uma hora e meio do Recife no município de Tamandaré, esta espetacular praia de Pernambuco é uma preciosidade do nosso litoral e pronta para ser descoberta por muitos. Até a pouco tempo, a praia pertencia a uma única família e pouquíssimas pousadas dividiam os 5 km de areias brancas entre a praia e o Rio Formoso que se juntam confundindo água doce ou salgada. A procura foi aumentando, as pousadas se profissionalizando e ficando mais transadas e aos poucos chamava a atenção dos investidores. Um grande condomínio de luxo, financiado por um grupo espanhol, já está sendo construído no pedaço da praia de rio e planos de alguns resorts já estão no papel, portanto corra antes que o paraíso não seja mais só seu.

Nascer do sol em Carneiros

Dia cheio na praia, perto do Pontal

Piscina natural em frente à pousada Pontal dos Carneiros

Imagine uma imensa fazenda de coqueiros margeando uma praia inteira para nos dar a sombra perfeita. Somado a isso, curvas sinuosas quebram a monotonia da paisagem, piscinas naturais que dependendo da maré chamam para um banho em diferentes horas do dia e um rio perfeito de águas claras que se confundem com o mar tranquilo. É a soma disso tudo que faz da Praia dos Carneiros um dos lugares mais perfeitos do Brasil. Caminhar pelas areias brancas e se deparar com uma pequena igrejinha à beira mar, emoldurada pelos coqueiros e pela água azul, é um cenário mais que perfeito. A Capela de S. Benedito do XVIII está ali pra gente não esquecer que o lugar tem um toque divino.

Capela de S. Benedito

Praia em frente ao Sítio da Prainha

Transporte na praia

Preparado para o sol

O maior luxo por lá é poder desfrutar de cenário tão privilegiado. A maioria das pousadas tem um grande jardim gramado na frente da praia com espreguiçadeiras, redes, sombra e água fresca. Durante o dia quando se cansar da areia, a pousada é o refúgio perfeito. De noite, o restaurante Beijupirá, na altura do Pontal, é a melhor pedida e opção imperdível para peixes e frutos do mar. Este é uma filial da matriz de Porto de Galinhas e a bem sucedida grife está se expandindo. No final do ano passado chegou a Fernando de Noronha junto com sua ótima pousada. Dependendo da época, não deixe de reservar e vá sem pressa curtir o paraíso gastronômico de Carneiros.  Mas antes de voltar para seu bangalô, fuja das luzes da pousada e olhe para cima. Um céu infinito de estrelas te presenteia com uma noite que não se vê mais por aí. Aproveitem enquanto esse pedacinho do paraíso pode quase ser só seu.

Bangalôs da pousada Pontal dos Carneiros

Restaurante Beijupirá

Restaurante Beijupirá

Pousadas recomendadas:
Pontal dos Carneiros
– excelente localização próxima das piscinas naturais e possui charmosos bangalôs. O ponto baixo são os preços mais salgados. Sítio da Prainha – pousada bastante confortável mas sem luxo. Fica um pouco mais distante, porém num ponto tranquilo da parte de rio da praia. Tem uma piscina gostosa e um jardim de frente para o mar. Ale Ravagnani

Piso de mosaico da Capela

Painel do ceramista Brennand no aeroporto do Recife

Por do sol inesquecível em Carneiros

Conservatória e a Ponte dos Arcos, RJ

O interior do Rio de Janeiro pode trazer boas surpresas pra quem gosta de natureza e ao mesmo tempo de história. Há poucos meses, ao participar da campanha de meu cliente Nextel, tive a grata surpresa ao me deparar com esta locação para as fotos que é a cidade de Conservatória, distrito do município de Valença. Passando por Barra do Piraí e pela região de muitas fazendas do ciclo do café chega-se a este pequeno lugarejo, conhecida como a cidade das serestas. A grande descoberta é encontrar uma ponte de pedra com seus arcos simétricos e que nos faz voltar ao tempo em séculos. Se não fosse a vegetação tropical, juramos que estaríamos em alguma parte da Europa com sua construção medieval. Em nenhum outro lugar do Brasil existe outra ponte como esta e é fácil criar em nossas cabeças lendas e imaginações. A ponte, inaugurada em 1884, possui 100 metros de comprimento, 12 de altura e 4 de largura e foi construída de pedra, cal e óleo de baleia. Ela se encontra encaixada numa fenda na montanha que esconde essa pequena maravilha da arquitetura, esquecida e preservada no interior fluminense, que servia para o escoamento da produção de café. Não perca também um giro pelas fazendas históricas que compõem diversas localidades centenárias de Conservatória, como a Fazenda Veneza, Fazenda Juréa, Fazenda Florença, Fazenda São Lourenço, Fazenda São José, Fazenda Paraíso, São Pedro dos Rochedos, São Fernando, Santa Bárbara, São Marcelo. Para ficar, a Pousada do Ariel é uma ótima opção. Apesar de ficar bem perto do centro, a impressão é que se está no meio da serra, com direito a macacos e tucanos espalhados pelas árvores. O próprio Ariel prepara uma excelente comida e a pousada além de ter conforto, é muito aconchegante. O site www.conservatoria.com.br é bem completo e conta a história do lugar. Ale Ravagnani

Patagônia Argentina é logo ali. E você, não vai?

Trânsito típico da Patagônia

Mais uma vez vou falar sobre um dos lugares mais fascinantes da terra, e só de pensar que o país é nosso vizinho, já dá vontade de voltar. Estive lá em 3 oportunidades e todas foram fascinantes, vi coisas diferentes e posso afirmar que voltaria ainda outras vezes. Antigamente eu não queria voltar para um mesmo lugar mais de uma vez, mas depois quando você começa a ficar mais seletivo é que se percebe que voltar para um lugar que se gostou muito, é voltar para fazer novas descobertas e redescobrir o lugar, e quando falo de um lugar como o sul da Patagônia, bem na pontinha da América do Sul, sempre haverão surpresas, novos caminhos e descobertas. Diferente de Torres del Paine no Chile, aqui saímos na vantagem pela facilidade de chegar. De Buenos Aires ou Santiago, pega-se um voo direto para El Calafate, cidadezinha muito agradável e base para muitas explorações.

Navegação no Lago Argentino

Côndor, a maior ave da terra

Canal bloqueado por icebergs

Língua de gelo do Glaciar Spegazzini

Gelo à vista!

Paredão de gelo do Perito Moreno

"Caverna" no Perito Moreno

A maior de todas as aventuras é o Parque Los Glaciares e a geleira monumental Perito Moreno. Ela é tão grande e o paredão de gelo que se forma na beira do lago tão alto, que parecemos ínfimos nessa maravilha da natureza. Se está derretendo, provavelmente sim. Não é à toa que muito frequentemente ouvimos estrondos do gelo que vão se desprendendo e caem no lago formando ondas bastante altas. Em aproximadamente 1 hora, numa viagem por uma boa estrada, se chega ao glaciar e as opções dos passeios são muitas. Pelas passarelas, que ficam em uma península bem em frente, se tem uma visão privilegiada em diversos pontos e podemos visitá-la caminhando em terreno firme. Também se pode caminhar sobre o glaciar, munido de grampões e guia especializado. Saindo de barco de El Calafate, também se chega no mesmo lugar, mas por uma viagem pelo Lago Argentino e seu azul quase irreal. No percurso, montanhas dos dois lados e a passagem pelo canal dos icebergs, com suas inúmeras formas, tamanhos e cores até chegar Glaciar Spegazzini e no Onelli, menores que o Perito, mas também impressionantes. A empresa operadora do barco também prometeu parada no Glaciar Upsala, outro gigante do gelo, mas o caminho estava praticamente fechado pelos icebergs e foi impossível chegar perto. Vimos só mesmo de longe e aí acreditamos no aquecimento global e seus efeitos imediatos. Apesar da viagem ser longa, é uma experiência inesquecível e o barco, aliás muito confortável, passa praticamente raspando pelo gelo. A disputa no deck para fotografar é grande, mas você vai ficar tão hipnotizado pela paisagem surreal que nem vai ligar. De volta a El Calafate, invista numa boa churrascaria para provar muita carne argentina e o verdadeiro cordeiro patagônico. Diferente do Chile ou das cidades costeiras, aqui o forte são as carnes. A Casimiro Biguá não nos decepcionou e nossas noites eram a base de um bom Malbec para esquentar as noites frias do curto verão patagônico. Ou seja, pense bem no mês de sua viagem. Para dormir na cidade, são inúmeras as opções, desde hotéis a pequenas hospedarias. Nas duas vezes que estivemos na cidade, optamos pelos chalés Santa Mônica Aparts. Fica bem localizado, perto de tudo e os chalés no estilo “log house” são um charme.

Chegada em El Chaltén

Fitz Roy no meio das nuvens

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Se você está buscando um visual ainda mais selvagem e realmente isolado do mundo, siga para El Chaltén para ver uma das montanhas mais impressionantes da região. O Fitz Roy é quase um prêmio para trekkers e andarilhos do mundo inteiro que escolhem para suas caminhadas de dias no meio da natureza selvagem. O visual das montanhas é bastante parecido com o de Torres del Paine, com formações pontiagudas e algumas geleiras penduradas nas entranhas de seus picos rochosos. O pequeno vilarejo de Chaltén é bem simpatico, mas a impressão é que se chegou no fim do mundo. Muitas vezes a simples tarefa de andar é quase impossível, dada a velocidade do vento. Além de muita caminhada no meio da natureza, o Lago Viedma e a geleira de mesmo nome está ali não muito distante. Chegando no porto, toma-se uma embarcação de menor porte que em El Calafate para chegar na beira do glaciar. Até pensei que seria mais do mesmo, o mesmo tipo de formação das outras geleiras, mas apesar dela não ser muito grande, pelo menos a parte que está acessível aos nossos olhos, o contraste com o azul da água, a coloração do gelo e o tom amarronzado único das pedras transforma o momento numa viagem inesquecível. Pode se preparar para chacoalhar no barco e sentir a força do vento, mas não vai dar pra se arrepender.

Paisagem de El Chaltén

Fim do dia no Lago Argentino

A minha viagem termina por aqui, mas já está na cabeça novas andanças, desta vez chegando até Ushuaia. Também está na pauta a viagem que fiz para a Patagônia mais central, tanto no Chile quanto na Argentina. Essa viagem começa em Bariloche, desce até onde ainda existe Estrada, cruzamos a cordilheira dos Andes para entrar no Chile e subimos até Puerto Montt. Tudo isso de carro pela Carretera Austral. Mas isso é uma outra história que depois eu conto. Ale Ravagnani

Nova Zelândia. Aqui se vive de adrenalina

Como um país tão pequeno, rodeado pela natureza e isolado na Oceania pode ter tanta vocação para a adrenalina? Talvez pra quebrar a monotonia ou simplesmente pra dizer para o resto do mundo, “Ei, eu existo”, mas o mais importante é que eles conseguiram. Ou talvez seja uma estratégia de posicionamento de algum marqueteiro em encontrar sua real vocação. E eles conseguiram e chamaram a atenção de corajosos do mundo inteiro que sonharam em experimentar tudo aquilo e mais um pouco. Ou até mesmo os jovens de espírito como eu, que em férias no país vizinho da Austrália, terra dos kiwis, do Senhor dos Anéis, do time de rugby All Blacks e de tantas outras coisas diferentes, voltamos no tempo e na nossa idade. A Nova Zelândia é dividida entre a ilha do Norte e a ilha do Sul, e de norte a sul a adrenalina está por toda parte. Qualquer viagem ao país começa na capital Auckland e subir na torre mais alta do país, a Sky Tower, já dá frio na barriga e a vista da cidade é de tirar o fôlego. A região de Taupo e suas montanhas é o lugar ideal para paragliding, asa delta, paraquedismo e tudo mais que voa. Pertinho dali, em Rotorua, uma das cidades com maior atividade vulcânica do país, denuncia onde estamos antes mesmo de chegar. O cheiro de enxofre no ar está por toda parte e caminhar pelas passarelas no meio de lagoas termais, piscinas de lama borbulhantes, geysers e mini-vulcões indicam que logo ali embaixo da terra alguma coisa está acontecendo.

Preparação do Balão, Ilha do Sul

Nosso balão no ar na visão de outro balão

Lake Matheson e o Mount Cook ao fundo

Mas pé na estrada que ainda tem chão. Chegando em Christchurch, cidade típica da colonização inglesa já na ilha do Sul, começamos de um jeito mais light, com um passeio de balão para ver os Alpes do Sul onde fica maior montanha do país, a Mount Cook, com quase 4 mil metros de altura. Tudo depende do clima, do vento e da previsão na manhã da partida e uma confirmação por telefone é que vai definir a saída ainda na madrugada. Chegando ao lugar, com o balão na caçamba do carro, ajudamos na montagem e um pequeno balão meteorológico define pra que lado seguir, ou melhor, pra que lado o vento vai nos levar. Todos sobem no cesto de vime rapidamente pra não ficar pra trás e uma vez lá em cima, tudo vai ficando pequeno lá embaixo e o silêncio impera, só quebrado pelo barulho do ar quente enchendo o balão ou por um telefone celular que de repente toca lá nas alturas. No alto não percebemos a velocidade do vento e quando estamos descendo e vamos nos aproximando do chão é que vemos a real velocidade e ao tocar no solo, que em nosso caso tinham muitas pedras, deu o tom radical do passeio com o cesto virando e terminando nosso voo de maneira repentina e engraçada, com os 5 passageiros e o piloto deitados no chão. Mas valeu cada segundo e cada centavo da viagem.

Bungy Jump na ponte Kawarau, Queenstown

Cidade de Queenstown, Ilha do Sul

A parada seguinte foi a cidade de Queenstown, a principal meca dos esportes radicais do país. O início da experiência foi conhecer o primeiro bungy jump do mundo na ponte Kawarau, criado em 1988 por A J Hackett. Fui o último louco do dia a me atirar da ponte e mesmo sem coragem resolvi me desafiar. Quase desisti depois de tudo acertado, mas o meu instrutor disse que daquele ponto não tinha mais volta. Olhei pra frente, respirei fundo e fui. Acho que só voltei a respirar quando senti a corda se esticando nos meus tornozelos e vi que não afundei no rio semi-congelado. Um pequeno barco me resgatou e me deixou na margem e quase sem força pra subir de volta e com as pernas bambas, estava vivenciando o poder da descarga de adrenalina no corpo. Vale lembrar que a altura deste bungy jump “tem só” 43 metros de altura, e hoje em dia o mais alto tem 143 metros de altura!

Fox Glaciar visto do alto

Chegada do helicóptero no Fox Glaciar

Trekking no Fox Glaciar

Cavernas no gelo

No dia seguinte foi a hora de conhecer um dos glaciares do país, mas de maneira diferente. Subimos num helicóptero e rumamos à montanha. Lá, antes de pousar, nossa guia pula com o aparelho ainda no ar e faz sulcos no gelo para dar maior aderência para não patinar no pouso. Depois de alguns minutos finalmente pousamos, mas o helicóptero ainda derrapa consideravelmente. Nosso trekking no alto do Glaciar Fox começa e com um grupo de 9 pessoas atravessamos fendas enormes, passamos por cavernas de um gelo azul sem igual e vamos tentando manter o equilíbrio de marinheiros de primeira viagem sobre o gelo espesso de milhares de anos. Graças aos sapatos com grampões, nossos sticks para caminhada e de vez em quando o apoio de uma corda, subimos montanha acima nessa aventura pelo gelo. Do alto, vemos o mar que está a poucos quilômetros. Esse é um dos poucos glaciares que está praticamente ao nível do mar. Na volta, nossa guia chama o helicóptero pelo rádio, apesar da comunicação ser difícil e quase já sem luz do dia, ele nos resgata e nos leva de volta sãos e salvos ao pequeno vilarejo.

Jet Boat no rio Shotover, Queenstown

Dia seguinte, nova aventura. Andar nos rios de água de degelo em grande velocidade com barcos de alta propulsão chamado Jet Boat é uma das maiores aventuras de Queenstown. O grande barato são as finas que nosso piloto tirava dos paredões do canyon no rio Shotover ou sem medo passa por cima de bancos de areia e galhos secos. Quando víamos o sinal que o piloto fazia com as mãos, atenção redobrada e os braços colavam para se segurar e se apoiar porque cavalo de pau e um giro de 360º vinham pela frente. É quase uma montanha russa sem trilhos ou rota definida num dos rios de cor azul esverdeado mais bonito que eu já vi. No extremo sul da ilha, os fiordes de Milford Sound em Te Anau chamam para uma exploração de barco ou para caminhadas com um cenário deslumbrante com cachoeiras altíssimas e uma das maravilhas da natureza do mundo. Pra quem ainda tiver fôlego, novos esportes estão sempre surgindo. Basta você descobrir qual é o seu. Se você não for tão radical, vá para a Nova Zelândia assim mesmo. A beleza natural do país é tão linda e as cidades tão acolhedoras, e a infra estrutura do país tão perfeita, que agradam a gregos, troianos, radicais ou sedentários. Ale Ravagnani

Praia do Forte. Onde a Bahia não ouve Axé

Por do sol no Farol

Este pedaço do litoral norte da Bahia, a 55 Km do aeroporto de Salvador, é um trecho pra lá de privilegiado do Brasil. Não estou sendo preconceituoso com o gosto musical de ninguém, mas quem busca um pouco de sossego, praia bonita e conforto, veio ao lugar certo. Acredito que esta seja a praia da nossa costa que conseguiu crescer e melhor se organizar. Chega-se ao ponto de nos perguntarmos se estamos mesmo na Bahia, ou em Ilha Bela, Búzios ou Paraty, famosas praias do Brasil com excelente infra-estrutura e organização. Além disso tudo, o litoral da região da Praia do Forte é privilegiado em belezas naturais e tem praia para todos os gostos. Para os surfistas, tem onda de sobra, mas pra lá da barreira de corais, para as famílias as piscinas naturais que se formam na maré baixa é melhor que qualquer piscina de hotel e pra quem procura sossego, também encontra. Basta caminhar pra baixo ou pra cima da vila que logo vai encontrar seu pedaço de areia deserta. Além disso, agrega o charme da vila, com ótimas opções em gastronomia ou para um simples expresso ou sorvete. Passear pela ruela principal depois da praia é o passeio predileto de 9 entre 10 pessoas. Além de um projeto urbanístico que limita as contruções a uma altura de dois andares, lojinhas de todos os tipos, onde a grande maioria é de bom gosto, chamam para a caminhada antes ou depois do jantar.

Igrejinha da Vila à beira-mar

Praia do Forte na maré baixa

Vendedora de cocada

Piscinas naturais

Praia de rio ao lado do EcoResort

Rua principal da Vila

Bike-Riquixá, o meio de transporte local

Mas a Praia do Forte tem uma herança na conservação do meio ambiente que começou na época que o então EcoResort foi instalado pelo paulista Klaus Peters na década de 80 (hoje da rede portuguesa Tivoli) quando ainda mal se falava em consciência ecológica, e isto pode ser notado na visita ao Projeto Tamar, onde se conhece um pouco mais sobre a preservação das tartarugas marinhas da região. A base da vila foi a primeira do Brasil e hoje eles já bateram o número de 10 milhões de tartarugas devolvidas ao mar. Além de ver os bichos de perto, a lojinha é também uma grande atração e para aquela fome de larica-fim-de-tarde-pós-praia, o Bar do Souza com seus bolinhos de peixes são imperdíveis. Com certeza irão entrar para minha lista de comidas de viagens inesquecíveis. A vista do bar no Tamar é linda, com os barquinhos emoldurando o melhor pôr do sol do local e o farol ao lado que em poucas horas começará sua jornada. Se este Souza estiver muito disputado não tem problema porque no fim da Vila tem outro com direito a saguis pelas árvores durante o dia e música ao vivo à noite. Além do Tamar, o Projeto Baleia Jubarte é outro importante centro de pesquisa e de preservação ambiental.

Projeto Tamar e suas bases

Projeto Tamar

Tanque com tartarugas no Tamar

Bolinho de peixe do Bar do Souza no Tamar

A Praia do Forte ainda tem mais. Sei que é difícil deixar um dia de sol pra ficar fora da praia, mas o Castelo Garcia D`Ávila também tem uma das melhores vistas, e melhor, da Praia do Forte. No fim da Vila você pode pegar um tuc-tuc no melhor estilo sudeste asiático pra te levar até lá em 10 minutos mas segure firme que os motoristas são pé de chumbo. Ele foi construído em 1551 e foi a primeira construção portuguesa de grande porte do Brasil e a única das Américas com características medievais. Suas janelas (ou pelo menos o que um dia foram) rendem ótimas fotos, emoldurando vistas lindas e o passeio trazem um lado histórico à sua viagem a uma das melhores praias do Brasil. Ale Ravagnani

Castelo Garcia D`Ávila

Picnic no Castelo Garcia D`Ávila

Vista do Castelo para a Praia do Forte

Preparação para a pescaria

O Farol da Praia do Forte

Pra ficar:

– Pousada Farol das Tartarugas. Uma das únicas pé na areia e uma boa opção. Os chalés são ótimos e espaçosos mas a piscina fica meio muvucada.
– Pousada Refúgio da Vila. Tem arquitetura bacana e esbanja charme, mas não tem a praia aos seus pés.

Pra comer e beber:

– Bar do Souza do Tamar ou da Vila. O forte do cardápio são os frutos do mar, mas o bolinho de peixe com cerveja ultra gelada… sem palavras
– Terreiro da Bahia. Suas ótimas moquecas e é considerado o melhor restaurante da Praia do Forte
– Bistrô Gourmet. Tem um cardápio reduzido, mas aprovado
– Tango Café. As sobremesas são excelentes e serve um expresso bem tirado
– Casa da Farinha. Vale enfrentar a fila na rua pra comer a tapioca mais disputada da região

Natureza de sobra no norte da Califórnia

Se você estiver em São Francisco, que tal conhecer os arredores da cidade e investir mais alguns dias num dos lugares mais bonitos dos Estados Unidos? Não acredito que você vai voar 14 horas do Brasil e não vai aproveitar mais esse pedaço da Califórnia. Comece bem pertinho de São Francisco. Atravesse a ponte Golden Gate e vá conhecer Sausalito (um táxi da Union Square até lá dá uns US$ 35 ida) e passe umas horinhas pelas lojas, almoce à beira mar comendo frutos do mar e beba uma boa garrafa de vinho branco da região do Napa Valley ou Sonoma. Vale ir só pra fazer isso, ver a cidade de longe, mas com uma visão que não seria possível de outra maneira e voltar. Se estiver sol, melhor ainda, senão espere o tempo firmar para ir.

Sausalito

Sausalito

Em direção ao estado de Nevada, alguns parques nacionais merecem cada curva da estrada até chegar. Primeiro reserve dois dias para o Yosemite National Park, um bonito parque com muitas montanhas e picos de granito, marco mundial para muitos alpinistas ou turistas que preferem a vista de baixo mesmo. Além disso, cachoeiras no verão e ursos ocasionais para os sortudos. No inverno o visual muda radicalmente e o parque fica coberto de branco. Outra região bacana onde no inverno é uma badalada estação de esqui é o Lake Tahoe, bem na divisa com Nevada. Se esquiar não for sua praia, o verão é a estação ideal com muita natureza pela frente.

Yosemite National Park

Yosemite National Park

Yosemite National Park

Lodge no Yosemite

Depois as opções mais urbanas vão aumentando conforme você desce, mas já que falamos em vinho, antes vá um pouco para o norte e ainda próximo a São Francisco e conheça a região do Napa. O vinho da Califórnia vem sendo reconhecido mundialmente e é uma delicia ir parando pelas vinícolas e descobrir o que cada uma tem de melhor. Vá no estilo do filme Sideways e esteja preparado para muitas boas surpresas, pare nas cidadezinhas, curta o dia visitando os vinhedos e faça muitas degustações e à noite jante em lugares surpreendentes, inclusive o 3 estrelas Michelin, The French Laundry, que fica na cidade de Yountville. Uma das vinícolas mais famosas é a Robert Mondavi, mas as pequenas tem um charme bem especial e são menos industrializadas, apesar da visita ser muito instrutiva, onde começamos pelos vinhedos, depois passamos pelos processos do vinho, visitamos as adegas e terminamos na melhor parte, que é a degustação, porque ninguém é de ferro. Tente marcar com alguma antecedência um passeio de balão para sobrevoar os campos, mas confirme um dia antes porque o tempo pode trazer uma surpresa e o balão não levantar voo como foi em nosso caso.

Vinícola Robert Mondavi, Napa Valley

Vinícola Robert Mondavi, Napa Valley

Vinhedos no Napa Valley

Pinot Noir na Robert Mondavi

Descendo para o sul em direção a Los Angeles, 3 cidades são muito especiais no caminho, e ainda ficam próximas a São Francisco. Santa Barbara é uma antiga missão espanhola e hoje transborda em charme e é inevitável pensar como deve ser gostoso morar num lugar daqueles. Tudo é perfeito, os jardins das casas, a limpeza das ruas, a educação das pessoas. Escolha um hotel charmosinho, dos menores possíveis e faça uma lua de mel lá. Continuando, pare em Monterrey e visite o maior aquário da américa. Se for no meio do ano, é a melhor época para avistar baleias e vários barcos partem em direção a elas para você conhecer esse “bichinho” mais de perto. É avistar baleia ou ter seu dinheiro de volta. Posso garantir que quando visitei a Califórnia pela primeira vez há muitos anos atrás, eu não me decepcionei e várias saltaram bem na frente do nosso barco. E a última parada (se você quiser, senão continue até LA) é a cidade de Carmel, outra cidadezinha da classificação das mais charmosas do mundo, que também fica à beira mar e que merece a continuação da lua de mel. De dia um visual de tirar o fôlego pela estrada que vai margeando a costa, a número 1 e de noite gastronomia e a tranquilidade que o corpo precisa para se recuperar das ladeiras de S. Francisco. Ale Ravagnani

Chegada no Lake Tahoe

Lake Tahoe

Lake Tahoe

Lago congelado próximo ao Lake Tahoe