Paris vs Nova York

Uma pitada de ironia e bom humor para retratar duas grandes cidades.

Nunca ninguém antes pensou em comparar duas metrópoles tão marcantes e únicas como Nova York e Paris, cada uma marcada por ícones fortes e caracterizados com muita personalidade, fazendo-as únicas e deleite de todo turista. O designer e diretor de arte Vahram Muratyan encontrou uma forma criativa e divertida de mostrar os aspectos cotidianos ao brincar com as duas cidades fazendo uma viagem pelas peculiaridades e marcando o comportamento dos parisienses e nova-iorquinos.

“Paris versus New York – A Tally of Two Cities”, que virou blog (www.parisvsnyc.blogspot.com) e livro estão recheadas de boas ilustrações que por si só são uma viagem pelas cidades e suas características que as tornam tão diferentes e antagônicas e ao mesmo tempo, ambas essenciais para o viajante.

As artes não costumam ser autoexplicativas, o que acaba exigindo algum conhecimento sobre aspectos das cidades. Para quem não as conhece, cada ilustração vira uma “city-tour” sobre a cultura e pelo dia-a-dia de cada cidade.

Bon voyage / Have a nice trip

Ale Ravagnani

Onde é o quente do momento pra se ir no mundo

Os guias de viagem Lonely Planet, meu fiel escudeiro em muitas de minhas andanças pelo mundo, lança todos os anos o guia Best in Travel. São as melhores tendências, destinos, viagens e experiências que se pode encontrar no momento. Essas listas de destinos podem ser uma ótima ajuda se por acaso baixar aquela dúvida em escolher dentre tantos lugares no mundo. O Guia leva em conta uma série de fatores todos os anos ao eleger seus destinos favoritos, e aqui, junto com eles, elejo os meus também. Já estive em alguns destes lugares, e outros ainda são planos. Ah, e o Brasil este ano está no topo da lista e foi eleito um dos 10 melhores países para se conhecer.

A seguir algumas das listas que devem nos inspirar ao escolher onde ir.

TOP 10 – PAÍSES

Albânia
Brasil
Cabo Verde
Panamá
Bulgária
Vanuatu
Itália
Tanzânia
Síria
Japão

Zanzibar, Tanzânia

Monte Kilimanjaro, Tanzânia

Se eu fosse escolher um destes destinos para ir amanhã, a Tanzânia estaria no topo da minha lista. Imagina que num único lugar se encontra o Monte Kilimanjaro, as águas azuis da costa no Oceano Índico de Zanzibar e o parque de Serengueti com sua fauna sem igual no mundo e um dos safaris mais selvagens e excitentes que se pode fazer.

TOP 10 – REGIÕES

Sinai, Egito
Istria, Croacia
Ilhas Marquesas, Polinésia Francesa
Capadócia, Turquia
Ilhas Shetland, Escócia
Grande Barreira de Corais, Austrália
Costa Oeste, Estados Unidos (de Los Angeles a Seattle)
Patagônia Chilena
Ilhas Gili, Indonésia
Westfjords, Islândia

Capadócia, Turquia

Islândia

Aqui o páreo é duro para se escolher somente um destino. Minha dúvida seria entre optar pela região da Capadócia na Turquia, com suas impressionantes formações rochosas, seus hotéis-cavernas e os passeios de balão ou a Croácia, grande destino do turismo mundial atual, que mistura cidades medievais à beira de um mar translúcido ou os fiordes e geleiras da Islândia com suas imensas massas de gelo e muita vida selvagem em plena Europa, apesar de estar bastante isolada numa ilha.

TOP 10 – CIDADES

Nova York, estados Unidos
Tânger, Marrocos
Tel Aviv, Israel
Wellington, Nova Zelândia
Valência, Espanha
Iquitos, Peru
Ghent, Bélgica
Delhi, Índia
Newcastle, Austrália
Chiang Mai, Tailândia

Tânger, Marrocos

Chiang Mai, Tailândia

O Marrocos é uma grande experência que deve ser vivida devagar para conseguir assimilar tantas informações e novas sensações, e Tânger é o lugar para vivenciar o estilo marroquino, ainda mais se você ficar hospedado num hotel-Kasbah, que é definitivamente uma volta ao tempo.
Wellington na Nova Zelândia é a Inglaterra em plena Oceania, com cultura local mas com tempero inglês. E se a distância não for problema, a região de Chiang Mai na Tailândia convida para um safári no lombo de elefantes pelas montanhas mais altas do país, com uma vegetação estonteante, entremeada por muitos templos para sua viagem ser repleta de relaxamento e cultura zen.

TOP 10 – MELHORES CUSTO-BENEFÍCIO

Bangladesh
Nicarágua, América Central
Washington, Estados Unidos
Paris, França
Namíbia, sul da África
Argentina
Nápoles, Itália
Filipinas
Ucrânia
Síria

Deserto da Namíbia

Filipinas

Invista no que lhe parece o menos óbvio possível. Lembre-se que quanto mais somos jovem, mais fácil encaramos alguma falta de conforto e lugares com menos estruturas para receber o turista. A Namíbia não se encaixa tão bem nestas descrições, já que o país se estruturou bastante para o turismo, comparado a meu ver com sua vizinha África do Sul, apesar de toda a rusticidade das paisagens. Vá logo porque ainda não foi descoberto pelo mundo. As Filipinas é outro destino fora do grande circuito, mas cheio de surpresas. Praias e mais praias de areias tão brancas e imaculadas que vai ser difícil encontrar igual, e por fim a Síria guarda muita história apesar de ter vivido um regime pouco ortodoxo e bastante repressivo. Você vai encontrar muita história, uma comida extraordinária e um povo amistoso.

Ale Ravagnani

Mônaco e Èze, entre o mar e as montanhas

O famoso principado de Mônaco e sua pequena vizinha medieval de Èze, são duas jóias do Sul da França, situadas entre a cidade de Nice e a fronteira com a Itália.

Obra do artista Anish Kapoor, praça do Cassino de Mônaco

Jardins do Cassino de Mônaco

Jardins do Cassino

Cassino de Mônaco

Restaurante de Alain Ducasse em Mônaco

Ruas de Mônaco

Ruas de Mônaco

Praça do Fort Antoine

Fort Antoine

Vista do porto de Mônaco

Um bom começo é dirigir pelas ruas de Mônaco e passar por onde segue o percurso do circuito mais famoso da Fórmula 1, ir de cima a baixo e perceber que a cidade está construída em penhascos e logo abaixo um mar de iates e transatlânticos no mais luxuoso porto de todos os mares. O que mais se percebe é que por onde quer que se ande, tudo está impecável, desde os jardins com suas fontes, passando pela arquitetura e limpeza da cidade. Restaurantes com os chefs mais estrelados do mundo e o cassino símbolo da cidade fazem dela a casa de muitos abonados das mais diversas nacionalidades, inclusive de alguns brasileiros. Tudo parece imaculado, mas ao mesmo tempo distantante dos simples mortais, turistas que passam o dia fotografando e voltando para sua jornada de viajante.

Entrada da Vila de Èze

Èze nas montanhas

Arredores de Èze

Praça e fonte em Èze

A noite caiu em Èze

Igreja Notre Dame de l’Assomption, Èze

Èze no topo da colina

Ruelas de Èze

Muros medievais de Èze

Mirante da Igreja

Contrastes

Pedra sobre pedra

A noite de Èze

Menos de 5 quilômetros de Mônaco, se chega à pequena vila medieval de Èze, situada na Riviera Francesa e apesar de colada na sua vizinha rica, deixa a badalação e ostentação de lado para nos fazer voltar o tempo de milhares de anos de sua história. Perder-se por suas vielas e de repente se deparar com hora de frente para o mar, distante algumas centenas de metros dali, hora para as montanhas, onde estão os Alpes Marítimos que se debruçam praticamente sobre o Mediterrâneo, é colirio para os olhos na certa. Apesar de seu reduzido tamanho, guarda algumas pequenas jóias, como a Igreja Notre Dame de l’Assomption construída em 1764, a Capela de la Sainte Croix, de 1306 e o Jardim Botânico d`Èze com suas vistas panorâmicas bem nos penhascos. Além disso, uma das mais antigas fábricas de perfume da França está ali, a Fragonard. Não deixe de visitar e provar os aromas típicos do Sul da França e da Provence, que está logo ali, como a lavanda, flor de laranjeira e a verbena.

Mas não vá embora antes que a noite caia e uma outra cidade tome seu lugar. Grande parte dos turistas vão embora e a cidade está ali para ser descoberta através de sua iluminação amarelada e vielas escondidas. Você está praticamente num cenário de filme de época, distante de qualquer referência das cidades atuais, e se possível passe a noite ali e faça da viagem uma segunda lua de mel. Apesar de poucas opções para jantar, vai ser fácil encontrar um lugar que vai ficar para sempre na sua memória e entrar na lista dos mais inesquecíveis. Não sei se pelo clima do lugar, pelo cenário, pela oferta dos ingredientes frescos franceses, pelo vinho maravilhoso, pela noite de verão, pela companhia ou se pela soma disto tudo e mais um pouco.

Ale Ravagnani

 

Dia de Feira na França

Toda boa refeição na França começa na feira.

Marché Forville em Cannes, sul da França

Do mar para a mesa, Cannes

Ladurée e o macaron de flor de laranjeira

A tradição da gastronomia francesa vem de muito, muito tempo. Os chefs são considerados estrelas desde os tempos do grande cozinheiro Antoine Carême que viveu no século XVIII, no auge da Revolução Francesa e ficou conhecido como o “chef dos reis e o rei dos chefs”. Em sua vida, serviu Napoleão e depois de sua queda, Carême foi para Londres e trabalhou como chef de cuisine para o Príncipe Regente, George IV. Retornando ao continente, serviu ao Czar Alexander I em São Petersburgo, antes de retornar à Paris, onde trabalhou como chef para o banqueiro James Mayer Rothschild. Ele é lembrado como o fundador do conceito de alta gastronomia.

O grande chef Antoine Carême

Criações de Carême

Mas o que desde aqueles tempos era falado? Que toda grande gastronomia começa com bons ingredientes, e isso na França é da mais pura verdade e importância. Um dia num mercado francês, é uma viagem pela gastronomia, com os ingredientes mais bonitos que se pode encontrar, tudo muito fresco e vindo direto do produtor. É colírio para os olhos, de quem gosta de cozinhar ou somente para aqueles que apreciam uma boa refeição e sabem como é importante a base de tudo. Mas olhando toda a variedade e qualidade dos produtos, percebemos a herança que o povo francês carrega. É quase uma devoção ir ao mercado e escolher o que de mais fresco chegou para ser servido à noite em casa. E não estamos somente das grandes cidades. Praticamente qualquer cidade francesa tem sua feira livre onde todos os dias os ingredientes para uma grande refeição os esperam para irem para a panela. São tantas variedades, tantos cogumelos diferentes, trufas negras, tomates dos mais diversos tipos e cores, queijos e até uma simples abobrinha em flor se torna uma iguaria aos olhos de quem gosta de comer bem. E isso na França é levado tão a sério que faz parte da identidade nacional. E pela culinária se começa e se encerra uma grande viagem pelo ícone mundial da boa comida, seja ela feita pelas criações de um grande chef com estrelas Michelin ou por uma simples dona de casa que vem seguindo receitas que passaram de geração em geração. Bon appétit!

Ale Ravagnani

Londres, suas ruas e sua personalidade

Londres se conhece caminhando por suas ruas. Não é preciso muito mais para dizer que se conhece bem a cidade, porque sua verdadeira alma é formada por quem as habita, tal diversidade se encontra pela frente. Andar por suas ruas é voltar ao tempo, e ao mesmo tempo, pode ser um adiantar dos ponteiros do relógio, é ir para a Índia, para a Turquia, é visitar o Nepal, e dar a volta ao mundo em poucos passos. É pensar que a cidade recebe a todos de braços abertos e os respeita como são.

A sensação de liberdade que se tem em Londres é única e em nenhuma outra metrópole do mundo você se sente tão cidadão do mundo, de um novo mundo que só Londres sabe receber e aceitar. E, o mais importante, poucos são os bairros dos guetos ou das minorias. As pessoas se mesclam umas às outras, o que torna a paisagem urbana única e diferenciada, seja onde você estiver. Não tem barreira religiosa, de raça ou de opção sexual. A coexistência é uma realidade num mundo em que muito frequentemente se questionam as fronteiras e barreiras impostas por onde nascemos, nos restringindo onde não escolhemos que ali seriam nossas casas. Mas aqui isto não vem ao caso.

Isto não vem de hoje. Os ingleses foram grandes desbravadores dos chamados  velho e novo mundo. Chegaram na África, Índia, China, Austrália, entre muitos outros países, e agora é a vez de retribuir, de ter um olhar diferente com os entrangeiros. E pensar que quase um terço da população é formada por gente de fora, só se atesta o que nossos olhos constatam caminhando pela cidade.

Este foi o resumo de três lindos dias do verão de Londres que gostaria de compartilhar com vocês.

Vergonha de que?

Posando na Tower Bridge

Free Tibet

Se sentindo em casa

Estátua humana

Thank you my lady

Transporte alternativo

Semana de Wimbledon na Tate Modern

Elegância inglesa

Dia do rosa

Pra onde ele foi?

Tâmisa e a Tower Bridge

O último dos moicanos em Camden Town

Trabalho de cachorro

Pausa para o descanso

Quebrando a monotonia

Picadilly Circus

Soho Square

Vergonha de que 2?

Oxford Street

Domingo em Covent Garden

Uma moeda por um abraço

Berimbau

Mordida dos peixinhos em Camden Town

Domingo de sol em Camden Lock

Voltando no tempo em Covent Garden

Ale Ravagnani

Feliz Dia dos Namorados

Praia do Amor na Pipa, Rio Grande do Norte

São Francisco, Califórnia

Fonte da artista Niki de Saint Phalle, Centro George Pompidou, Paris

Union Square em São Francisco, California

Jardins de rosas do Regent`s Park, Londres

Balcão da Julieta do Romeu, Verona, Itália

Barcelona se renova todos os dias

Domo de vitral em edifício de Barcelona

Detalhe nas ruas

Se não fossem por seus arquitetos-artistas, Barcelona não seria a mesma hoje em dia. Sua paisagem arquitetônica atual transformou a cidade, trazendo uma mescla única entre o moderno e o antigo, o novo e o tradicional. Considero a cidade de Barcelona, situada na região da Catalunha na Espanha, um museu a céu aberto. Sempre me inspira andar por cidades onde a preocupação estética é realmente levada a sério. Aqui a arquitetura é pensada para melhorar a vida de seus habitantes e uma verdadeira inspiração para a vida.

Sagrada Família em construção há mais de 100 anos

Sagrada Família, Gaudí

O onipresente Antoni Gaudí teve a cidade onde viveu e trabalhou como grande fonte de inspiração. Desde a inacabada Sagrada Família, que teve o início de sua construção em 1882 e que está prevista para acabar em 2020, ao fabuloso Parque Güell, que representa o máximo do modernismo catalão e foi construído entre 1900 e 1914. Tudo exprime a arte do mestre Gaudí. O Parque fica numa área alta de Barcelona, com vista para toda a cidade com o mar ao fundo, e isto é só o pano de fundo. É no próprio parque que estão suas atrações. Densamente construído, apesar de se denominar um “parque”, cada detalhe tem algo de extraordinário, os mosaicos que de perto são cacos de azulejos, visto de longe são harmônicos e de uma beleza extrema. As construções são curvilíneas antes mesmo das formas orgânicas estarem tão na moda.

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Mas Gaudí não parou por aí. Também projetou diversas casas e edifícios como a Casa Milà ou La Pedrera em 1905. O edifício não possui qualquer linha reta, parecendo ondas ou dunas de areia, nada mais apropriado para uma cidade à beira mar. As chaminés que saem de seu telhado também são peculiares como todo o conjunto. A Casa Batlló foi uma reforma que Gaudí realizou no edifício de 1875 e é conhecida como A Casa dos Ossos, devido ao formato dos balcões exteriores que se assemelham a um crânio e ossos.

Casa Milà, Gaudí

Casa Milà, Gaudí

Casa Milà, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Mas muitos outros grandes arquitetos contribuíram para a cidade. O Palácio da Música Catalã é um auditório construído em 1905 e junto com seus fantásticos vitrais, é uma obra-prima do modernismo catalão. O Teleférico de Montjuic foi construído para a Exposição Universal em 1929, e estende-se sobre o Porto antigo, e vai da Torre de San Sebastián em Barceloneta até Miramar, para o castelo no topo de Montjuic. A viagem chega a uma altura de cerca de 70 metros, e há pontos de vista do porto e da cidade que são deslumbrantes.

Palácio da Música Catalã

Teleférico de Montjuic

Além destes ícones, mais recentemente Barcelona passou por uma nova onda de transformação. Nos Jogos Olímpicos de 82 o Palau Sant Jordi ou  Palácio dos Esportes foi construído por Arata Isozaki, a Torre de Collserola por Norman Foster e a Torre de Monjuic por Santiago Calatrava. No período pós olímpico, a cidade ainda ganhou o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA) de Richard Meier, a Torre Agbar de Jean Nouvel, a Torre do Triângulo Ferroviário (La Sagrera) de Frank Gehry e o Edifício Fórum de Jacques Herzog e Pierre de Meuron. Todos os principais arquitetos da atualidade estão com obras espalhadas pela cidade, todos disputando para exporem o melhor de sua arte nesta galeria a céu aberto que é Barcelona.

A conclusão que chego é que Barcelona se renova a cada ano, com ou sem crise, e isto só atrai ainda novas ondas de turistas que não param de chegar à cidade e a ajudar renovar a economia espanhola.

Torre de Monjuic, Parque Olímpico

Parque Olímpico

Para se ver do alto

Parque Joan Miró

Ale Ravagnani

Andaluzia é iluminada

Cerâmicas com influências árabes

Acredito que a mistura transforma os lugares e as pessoas ainda mais especiais, cheios de referências, contrastes ou até mesmo contradições, mas que os torna verdadeiramente ricos e diferenciados. A região da Andaluzia na Espanha tem este pressuposto desde seus primórdios, com tantas influências, principalmente a dos mouros, mas sem esquecer que antes romanos, vândalos e visigodos passaram por ali. Em 711 A.C. os árabes invadiram a região, um domínio que durou oito séculos e deixou marcas na população e na cultura da Andaluzia. Estabeleceram um Emirado com capital em Córdoba, que se tornou independente de Damasco no ano de 929. Este período foi de grande prosperidade, mas após muitos séculos, em 1609, os Mouros foram totalmente expulsos da Península Ibérica. Seu nome provém de Al-Andalus, nome que os muçulmanos davam à Península no século VIII. Encurtando um pouco a história, ainda veio a Guerra Civil Espanhola que deixou profundas marcas por todo o país e o implacável General Franco, como tantos outros mundo afora e que deixam um legado questionável. Hoje encontramos um país moderno, apesar da recente crise não ter sido fácil por lá, a história está toda ali para ser descoberta. As cidades de Sevilha, Córdoba, Málaga e Granada são jóias da arquitetura e uma viagem pela região é uma aula in-loco de arte, cultura e história.

Parte moderna de Sevilha

Catedral de Santa Maria de Sevilha

Torre da Giralda

Parte antiga de Sevilha

Praça de Espanha, Sevilha

Sevilha é uma cidade vibrante, com vida independente do turismo, mas ao mesmo tempo cheia de atrações. Em 1992 se realizou a Exposição Universal de Sevilha e grandes monumentos revitalizaram a cidade em sua história atual. A Catedral de Santa Maria de Sevilha, onde sua torre é conhecida como Giralda, é a maior do mundo e uma jóia do gótico e do barroco, além de ter sido eleita Patrimônio da Humanidade em 1987. Na época era a torre também era a mais alta do mundo com 97,5 metros. Começou a ser construída no século XII, onde surgiu a partir de uma mesquita, enquanto o restante superior da catedral foi construída no século XVI na época cristã.

Mesquita de Córdoba da janela do hotel

Mesquita de Córdoba

Mesquita de Córdoba

Mesquita de Córdoba

Alcázar dos Reyes Cristianos, Córdoba

Alcázar dos Reyes Cristianos, Córdoba

Grande Mesquita, Córdoba

Córdoba, pequena jóia que deve ser descoberta devagar para sentir a presença do tempo e se perder por suas vielas à noite, é pura magia. Também foi uma cidade romana e na Idade Média capital do califado islâmico. A cidade antiga apresenta uma impressionante arquitetura, tendo a Grande Mesquita como destaque imperdível. No século X, Córdoba era provavelmente a cidade mais populosa do mundo e hoje conta com quase 350 mil habitantes, número proporcional infinitamente inferior ao de seu passado. Imperdível também são os jardins do Alcázar dos Reyes Cristianos, com suas fontes enfileiradas e jardins ornamentais, refúgio certeiro para os implacáveis dias de verão da região.

Alhambra, Granada

Alhambra, Granada

Alhambra, Granada

Vista de Granada do alto do Alhambra

Alhambra

Alhambra

Alhambra

Alhambra

Alhambra

Granada, cidade toda branca situada aos pés da Sierra Nevada, é a porta de entrada a um dos maiores monumentos de toda a Espanha, Alhambra, que significa Castelo Vermelho em árabe. Antiga fortaleza e palácio, foi um complexo de fortificações dos monarcas islâmicos de Granada e também declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Construído a partir do século XI com influências muçulmadas, judaicas e cristãs é um dos monumentos mais emblemáticos do mundo e um dos mais visitados da Espanha. Merece horas e horas a fio de contemplações, assim como a exuberante vista do alto de suas colinas, local estratégico de guarda e de indiscutível beleza. A cidade de Granada fica a seus pés e dali de cima do Alhambra, o que os olhos avistarem, nunca mais sairá de sua cabeça.

Cores da Andaluzia

Relíquia Andaluz

Ale Ravagnani

Bruges, a Veneza do norte no país do Tintin

As aventuras de Tintin

Mistura de Amsterdam com Veneza, a pequena cidade medieval de Bruges tem personalidade de sobra para ser única apesar da semelhança. A primeira impressão é que se está numa cidade de conto de fadas, com canais emoldurando casas cheias de flores e sacadas à beira do nível d`água. E ao anoitecer você se dá conta que aquilo saiu mesmo de um livro ou de um quadro de Van Eyck, um dos mais importantes pintores flamencos. Chegar é muito fácil. Se estiver em Paris, o trajeto até Bruxelas é de quase 1h30, ou seja, menos do que muitas vezes ficamos parados no trânsito. E claro sem falar que se sai do centro e se chega no centro da outra cidade, sem trânsito ou espera. Depois é só tomar um trem de Bruxelas e em pouco menos de 1 hora se chega a este sonho do norte da Europa.

Vista de cima do Beffroi de Bruges

Um dos muitos canais da cidade

Portão da cidade

As janelas viram vitrines

Oficialmente a cidade foi fundada em 1.128, mas uma história de séculos antes disso com passagens de Vikings, romanos e francos colocaram esta pequena cidade belga no mapa das grandes rotas. Hoje a cidade está na mira do turismo mundial, mas isso não quer dizer que seja uma cidade óbvia ou esteja saturada. É só sair caminhando e descobrir com seus próprios olhos, sem necessidade de mapa muito detalhado ou aqueles guias com bandeirinhas. Outra boa maneira é alugar uma bicicleta para fazer como os locais. Quando cansar embarque nos barcos pelos canais para ter um outro ponto de vista do lugar. E se ainda quiser mais diversidade, carruagens e seus cavalos estão à sua espera estacionandos na Grote Markt.

Grote Markt

Torre Beffroi com 83 metros = 366 degraus

Além de um visual impressionante e de muita caminhada, a recompensa vem nas calorias. Começe com uma boa cerveja belga ou até mesmo visitando uma cervejaria artesanal. Só para você ter uma ideia, são 780 rótulos “nacionais” produzidos num país do tamanho do estado de Alagoas. Depois escolha uma brasserie e invista nos pescados e frutos do mar, especialidade local que acompanha batatas em algumas de suas muitas receitas (aliás, dizem que a batata frita foi inventada pelos belgas), e o prato local mexilhões (moules) com fritas é de comer de joelhos. Para sobremesa, não vão faltar excelentes opções de chocolate belga, o rei dos reis dos chocolates mundiais. Pra mim desbanca até mesmo os suíços.

Carruagens na Grote Markt

Típica arquitetura flamenca

Casa de 1669

Ruas de água, mas não é enchente

Agora é hora de começar tudo de novo para voltar a queimar as novas calorias adquiridas e ótimos museus (o Groeningemuseum tem pinturas imperdíveis), igrejas que são verdadeiras obras de arte e diversos edifícios estão ali para serem descobertos, sem muita ordem ou rotas pré-definidas. É só olhar, achar interessante e se aventurar. Bruges é assim, cada um percorre no seu tempo e vontade própria. Basta se deixar levar para descobrir, como nas aventuras de Tintin pelo mundo.

Passeio pelos canais

Aqui a vida passa mais devagar

Escultura ao ar livre na beira do canal

Mais um portão da cidade

Conto de fadas

Ale Ravagnani

Hoje em dia a viagem também é digital

Esses são meus aplicativos de viagem favoritos que estão no meu iPhone. Num simples piscar de olhos, posso consultar e continuar viajando onde quer que eu esteja. Muitos destes aplicativos estão em sites na internet também, mas nada como a facilidade de estarem no seu bolso (ou bolsa) a qualquer hora do dia, pronto pra te ajudar no seu smartphone. Espero que possam facilitar suas viagens também.

American Airlines
Como acumulo milhas pelo AAdvantage, este aplicativo pode ser útil na sua busca por voos ou na simples consulta de suas milhas. Muitas companhias aéreas já possuem aplicativos para smartphones, então fique de olho no que você precisa.

Currency
Quer comparar os preços que você está pagando em outro país e converter em poucos segundos para a moeda do seu país? Este é o lugar.

Feriados 2011
Só pra você lembrar que no ano que vem temos pelo menos 12 bons motivos para programar uma viagem.

Fotopedia – Heritage
Todos os 3.000 lugares catalogados pela Unesco, os World Heritage Sites, estão aqui ao seu alcance com imagens e descritivos destas maravilhas do mundo. No Brasil, 16 lugares receberam tal honoraria, como a cidade de Brasília, Ouro Preto, Salvador e São Luís do Maranhão.

Foursquare
É um serviço de geolocalização que permite que você indique aonde está através de um aplicativo no seu celular. Ao entrar, já aparece a lista de lugares cadastrados ao seu redor e você indica o lugar em que chegou, aí escolhe se vai avisar seus amigos e se quer se esse check-in apareça no seu Facebook ou Twitter. Você pode compartilhar sua localização e seus check-ins com seus amigos para eles saberem que você está por perto, ver o review de outras pessoas que passaram pelo local, pode consultar lugares que estão perto de você ou de repente aproveitar de alguma promoção relâmpago que cafés e restaurantes do mundo estão começando a fazer. Não é necessariamente um aplicativo para ser usado somente quando se está viajando, mas vai ser divertido perceber como o mundo está conectado e ficou muito menor.

Frommer`s
Este é um dos maiores guias de turismo do mundo, com centenas de livros de todos os continentes do mundo. No aplicativo, ao invés de apenas mostrar os guias das cidades, usaram muito bem os recursos que a tecnologia pode trazer, como por exemplo conversor de moeda, calculadora de gorjeta, tradutor de fuso horário, lista para facilitar a arrumação das malas, ferramenta para criação de cartões postais, quizz games, além claro dos guias de viagem.

Google Earth
Temos que reconhecer que há alguns anos, quando surgiu este programa do Google em que foi mapeado o mundo com fotos de satélite para qualquer um acessar, que foi uma grande revolução e fez bastante barulho na internet. Agora no seu smartphone a diferença é pela mobilidade. Em qualquer lugar em que se esteja, estando perdido ou não, você se localiza e o Google Earth te guia para onde você precisar.

GPS Weather
Este aplicativo localiza automaticamente onde você se encontra e te dá a previsão do tempo para 3 dias, temperatura, condições meteorológicas completas e te ajuda a programar se você fica ou parte para o próximo destino da viagem.

Guia Quatro Rodas – 1001 Lugares
A intenção deste aplicativo não é entrar nos detalhes dos lugares, mas sim abranger o maior número de cidades, bares, restaurantes, pontos turísticos, locais para fazer compras e curiosidades norte a sul e leste a oeste do Brasil.

GuidePal – London
Este guia da cidade de Londres foi construído com informações e dicas dos próprios viajantes. Além disso, está conectado às principais redes sociais e antecipa uma tendência cada vez mais presente na web. Também usa realidade aumentada para trazer interação em tempo real com o local em que está sendo visitado. Na seção “Famous Profiles”, traz moradores ilustres da cidade como Kate Moss, Hugh Grant, Amy Winehouse, entre outros, e sua relação com a cidade.

Hotels Near Me
Foi viajar e não fez reserva de hotéis ou simplesmente está na estrada e precisa descansar, este App pode te ajudar no momento certo. Ele localiza onde você está via GPS e te mostra num raio de quilômetros todos os hotéis que estão ao seu redor.

Kayak
Consulta rápida e fácil de hotéis pelo mundo, voos e aluguel de carro mundo afora. Possui interface prática, bem resolvida e user friendly. Sou fã da busca de hotéis.

Lonely Planet
Criado em 1973 por Tony Wheeler, este foi meu guia de viagens predileto durante muito tempo. Além de trazer dicas acessíveis, porém pouco óbvias, mapearam quase todos os confins do mundo. No App mobile, a seção “When to go” se destaca pela facilidade para você se programar. Mês a mês as atrações do lugar aparecem com todas as dicas necessaries para a escolha da melhor época para ir a cada lugar.

NYC Way
Simplesmente tudo que você precisa (e que não precisa) de Nova York. Você vai encontrar de hotéis a tours, shows, teatros, compras, itinerários, tempo, estacionamentos, museus, dicas de outros viajantes e até mesmo acesso às imagens das câmeras que mostram o trânsito nas ruas.

Paris à Pied
Descobrir Paris tem que ser caminhando e o guia “Paris a Pé”, ajuda você a otimizar seu tempo. As principais categorias são Jardins, Museus, Igrejas e Mercados, mas muito mais está ali para você não perder nada dessa cidade maravilhosa.

Self-Guided Walking Tours – Rio de Janeiro
Dentre outras cidades, a cidade maravilhosa também foi mapeada para ajudar a você programar suas andanças pela cidade. Acho isso o máximo, num mundo tão dependente do carro em que vivemos. O App separa as caminhadas por bairros ou temas, como arquitetura, praia, vida noturna, etc. Além do número de paradas, ele indica quantas horas e kms duram os tours, além de trazer um descritivo do que se está vendo. Também existe para a cidade de São Paulo.

TAM Mobile
Por enquanto está em fase de testes, mas logo mais seu check-in pela TAM poderá ser feito pelo celular. Somente alguns voos com destino a Ribeirão Preto e S. José do Rio Preto podem usar o serviço, mas como um viajante frequente, espero que logo mais eu possa ganhar alguns minutos extras no check-in.

tb: – Buenos Aires
Um dos aplicativos de viagem mais bonito que eu já vi, com direção de arte impecável e lindas imagens, até mesmo para a tela restrita do celular. O conteúdo editorial é bastante sofisticado, priorizando os melhores lugares da cidade de Buenos Aires.

Trailhead – The North Face
A famosa marca de roupas e acessórios para esportes de aventura, adorada por 10 entre 10 viajantes, criou um aplicativo muito acertivo para seu público alvo. Ele localiza via GPS sua localização e te dá todas as trilhas disponíveis para você sair caminhando. Também pode-se fazer a busca pelos locais desejados para programar sua viagem com antecêdencia.

Translate
Morrer de fome ninguém morre quando está viajando, mas é muito mais divertido tentar falar a língua local do que sempre apelar para o inglês ou espanhol nas suas viagens. Este aplicativo pode te tirar até mesmo de enrrascadas em países como Albânia, Ucrânia ou Vietnam, além de dezenas de outros lugares nem tão complicados. Importante dizer é que o bom e velho português está ali pra te ajudar.

Trip Advisor
Se você está buscando um lugar, hotel ou restaurante, mas quer saber a opinião dos outros, veio ao lugar certo. São milhões de lugares cadastrados no Brasil e no mundo para você ver a pontuação que outros viajantes que já passaram por lá antes de você deixaram. Vale muito a pena antes de decidir sobre um hotel ou de marcar aquele restaurante que você não tem certeza se vale mesmo a pena cacifar.

Veja Comer e Beber
O famoso e conceituado guia gastronômico das principais regiões do Brasil agora está no seu celular e você pode consultar pelo tipo de comida ou o bairro em que deseja jantar.

Atlas 2010
Apesar da tela do celular ser pequena demais para o mundo, quebra o galho quando queremos lembrar qual é a capital da Mongólia ou onde mesmo fica o Lesotho.

World Lens – Rough Guides
Outro famoso guia de viagem, mas nesta versão trazendo um album de viagens inusitado pelos lugares mais inóspitos do mundo. As imagens são lindas e o olhar inusitado revela o objetivo de seus guias.

Wi-Fi Finder
Quer aproveitar todas as dicas acima sem ir a falência com seu pacote de dados? Este aplicativo ajuda a localizar todos os hot spots abertos na sua vizinhança para você se conectar fora do seu quarto de hotel.

Ale Ravagnani

Viajando com o mestre Henri Cartier-Bresson

O que faz uma imagem ser tão especial e única? Talvez o olhar de um grande fotógrafo, um observador do cotidiano que observa as coisas mais banais e corriqueiras e as transforma em algo único registrando para sempre aquele momento que ficou congelado no tempo. Muito acontece bem debaixo de nosso nariz, mas será que sempre percebemos? Notamos as coisas mais sutis, ou melhor, tiramos delas o que de mais bonito tem o ser humano? Cartier-Bresson foi um grande observador da vida, filtrando pelas lentes de sua velha Leica e que nos presenteia com um olhar imaculado do mundo, onde o ser humano é o centro de tudo, trazendo sua máxima emoção, com as ruas, cidades e o mundo emoldurando e trazendo o mais belo pano de fundo já imaginado. Este magnífico fotógrafo francês trouxe emoção e comove até hoje pela simplicidade do instantâneo. Não tem pose e nem refação. Ou ele conseguia no momento exato ou partia para a próxima foto. Viajando mundo afora e cobrindo fatos importantes como a Guerra Civil chinesa, o funeral do Gandhi na Índia ou a União Soviética pós-guerra, além de inúmeros outros países pelos quais viajou e fez seu registro. E pensar que ele consegue passar tanta expressão, vivacidade e calor humano usando apenas uma cor em suas fotografias. Um pouco antes de parar de fotografar começou a voltar para uma antiga paixão que é o desenho e a pintura, a fim de continuar retratando, mas desta vez com seus pincéis e seu talento nas artes. Talvez com esta frase de Bresson a gente entenda um pouco seu espírito e sua arte, que extrapola qualquer fronteira artística.

“Eu nunca me interessei no processo da fotografia, nunca, nunca. Desde o começo. Para mim, fotografar com uma câmera pequena como a Leica é como um desenho instatâneo.” Henri Cartier-Bresson, 1908 – 2004   Ale Ravagnani

Achados de viagem

Tem gente que só viaja pra comprar. Eu viajo para conhecer, mas não resisto a um achado de alguma preciosidade, algo que representa o local, que é especial e não vou encontrar em mais nenhum outro lugar. Na volta, o objeto acaba sendo um elo entre a viagem e nossa vida terrena, e quase me transporto quando penso na história daquilo, volto a viajar novamente e o efeito é ainda mais forte que o de olhar uma fotografia. É trazer um pedacinho da viagem e do país comigo. Ale Ravagnani

Guias de lugares que já fui ou que ainda irei

Coleção de fósforos

Boneco de madeira de Burma

Luminária loja do MOMA, NY

Mão linhas da vida, mercado Camden Town, Londres

Trena da história da arte, Museu Reina Sofia, Madri

Enfeites vintage da cozinha, Centro Pompideau, Paris

Coleção de Flip Books

Azeite trufado da França

Cestaria da Amazônia, Pará

Toy Art, Malba, Buenos Aires

Escultura de madeira, Camboja

Quadro da Oficina de Agosto, Tiradentes

Cerâmica do Panamá

Pôster de filme do Jacques Tati, Paris

Chapéu de Londres

Esculturas em metal, México

Personagens Tim Burton, NY

Casal de ratos, Dublin

Carneiros da Patagônia, Argentina

Maple Syrup, Canadá

Escultura de papel, Montmartre, Paris

Fitas do Bonfim, Salvador

Kiwi, Nova Zelândia

Girafa, África do Sul

Pratos da Associação da Boa Lembrança, Gramado, RS

 

Londres, a cidade menos óbvia do mundo

Um roteiro por Londres é tarefa quase impossível de se resumir. Tem tanto pra se ver e se fazer, que gostaria de me desculpar pela superficialidade das dicas que estou escrevendo. Se a ideia for mesmo ir para lá, não deixem de ler 1.000 Things to do in London, publicação editada pela Time Out. Este é outro bom resumo do que a cidade tem.

Abbey Road, Londres

Tate Modern. O museu é fantástico e fica na frente da ponte de pedestres Millenium Bridge no Tâmisa. O prédio era uma antiga usina de energia, austero e gigantesco, todo de tijolo que o escritório de arquitetura Herzog & de Meuron reformou e transformou em museu. O melhor da arte contemporânea do mundo está ali. Vá pela arte, pela arquitetura, pelo pé direito interno impressionante, pela vista da cidade do café, pela loja do museu.

Exposição de Rachel Whiteread, Tate Modern

Covent Garden. Antigo mercado de flores e hoje em dia é um passeio e tanto para ver lojas criativas, ouvir música na praça central ou assistir as performances ao ar livre. Apesar de ser super turístico, tem um clima muito gostoso.

Vitrine em Covent Garden, Londres

Kings Road & Chelsea. Já no contraponto, esta rua é super badalada e não muito turística, além de estar mais na moda do que nunca. Foi aqui que a mini-saia surgiu com a Mary Quant. E Chelsea é a região dos aristocratas e um dos mais antigos bairros da cidade. Dali até o Rio Tâmisa é uma caminhada relativamente curta, e do outro lado do rio, fica colado o Battersea Park, também não muito turístico, mas muito bonito. De qualquer maneira para chegar até ele tem que atravessar uma das duas pontes, ambas bacanas. Mas voltando à Kings Road, vale pelas lojas dos designers de moda e pra ver também qual é a última moda, ou o que ainda as pessoas irão usar, pelos cafés e restaurantes da moda, para ver vitrine bonita e lojas caras. Eu morei em Chelsea anos atrás… Cada esquina tem uma história e uma lembrança pra mim.

Passeio pelo Tâmisa. Se pegar um dia gostoso (it means, sem muita chuva), vale dar uma volta pelo rio. Os barcos saem de South Bank e vão até Greenwich. Neste pequeno vilarejo histórico fica o barco Cutty Sark, além de um túnel de pedestres antigo sob o Tâmisa. O barco passa perto da barreira que controla as marés e também é o marco do meridiano de Greenwich. O clima da cidadezinha é como se voltasse há séculos.

London Bridge

Saatchi Gallery. É a grande galeria para se ver arte contemporânea inglesa. O dono, Charles Saatchi, dono da rede mundial de agências de publicidade Saatchi & Saatchi e marido da cozinheira da TV Nigella é um dos maiores colecionadores e mecenas das arte. Vale ir para saber o que está rolando em tendências criativas e de vanguarda. Fica no início da Kings Road, perto do metrô Sloane Square em Chelsea.

Jardim de Rosas da Rainha Elisabeth – Regents Park. Este parque é um dos maiores de Londres, mas chegue pelo portão de entrada próximo aos jardins de rosas. São centenas de milhares de flores, de todas as cores possíveis e inimagináveis e a época em que elas florem é no verão. Os ingleses são famosos pelos jardins, mas este impressiona mais do que todos.

Regent`s Park, Londres

Freud Museum. Esta é a última casa que Freud morou e que foi transformada em museu. O lindo divã está lá, mas não se pode sentar ou deitar nele… uma pena. Fica no norte de Londres.

Kew Gardens. Apesar de ser um pouco distante, não deixe de visitar o Jardim Botânico Real de Londres. Os jardins são impecáveis, e as estufas de vidro lindas de morrer. Tem várias esculturas espalhadas, e muito para se ver e fazer.

Museu Britânico. Este é o mais famoso museu de Londres, mas apesar de ser óbvio para estar nesta lista de passeios, está aqui só para lembrar que é lá, numa ala construída especialmente para a obra, que estão as frisas do Partenon de Atenas. A Grécia está em negociações pela devolução há anos, mas vai ser difícil a Inglaterra ceder. Na exposição das frisas no museu, que é aquela parte toda esculpida que fica (ou melhor, ficava) na parte de cima do monumento, foi colocado exatamente na posição que ficava lá na Grécia.

Mercados de rua. Há muitos espalhados pela cidade, mas alguns são tão famosos que é difícil deixar de ir. Não vá necessariamente para comprar, mas para olhar o tanto de bugiganga e coisas inusitadas que tem por ali, além de poder encontrar com os mais exóticos ingleses do mundo. É divertido e tem que ir de cabeça aberta. Alguns que recomendo é o Portobello Market, no Bairro de Notting Hill, para ver a parte das antiguidades no sábado e o mercado de Camden Town e Camden Lock aos sábados ou domingos, que tem várias áreas com coisas diferentes. Antigamente era tomado pelos punks, hoje só existem alguns para se tirar foto e dar boas risadas. www.streetsensation.co.uk/markets.htm

Portobello Road, Londres

Portobello Road, Londres

E para muito mais da programação cultural, artística e gastronômica, a primeira coisa que faço quando chego em Londres é comprar a revista semanal Time Out, que tem tudo e mais um pouco do que você vai precisar. http://www.timeout.com/london. Ale Ravagnani

Verão no Sul da França

Há alguns anos passo uma semana no fim de junho no Festival de Publicidade de Cannes. O tempo é corrido pra conseguir acompanhar a maratona do festival, com dezenas de palestras, workshops, e tentar ver o máximo de cases possíveis. Nunca consegui fazer uma viagem completa pela região e acabo passeando no dia seguinte do final do evento, cada ano conhecendo uma ou duas cidades ali por perto. E a cada ano vejo que estou subestimando o sul da França e a Provence, região que respira arte e criatividade, seja pelos artistas que ali viveram ou pelo festival mais criativo do mundo. Vejam este breve roteiro que poderia ser realizado em um semana de um verão inesquecível e pra lá de chique.

NICE. É a cidade de chegada ao Sul da França. Ali fica o principal aeroporto, então é mais fácil começar a viagem por Nice. A cidade é bonita e fácil de se conhecer. Vale a pena passar algumas horas em dois grandes museus, o dedicado a Marc Chagall e o ao Matisse. Além disso, vale conferir a bonita arquitetura da cidade, os antigos palacetes, casarões e passear a beira mar. www.musee-matisse-nice.org / http://www.musee-chagall.fr

Vitral e piano pintados por Chagall, Nice

Museu Matisse, Nice

CANNES. É a cidade do Festival de Cinema mais charmoso do mundo, e a cidade da badalação do verão francês. Todo o jet set aporta seu iate e fica circulando pela avenida principal, a Croisette. Entre restaurantes com varandas e lojas de grife, um mar muito gostoso, mas disputado a tapas.

Cannes

Loja de queijos, Cannes

MÔNACO. Um clássico da Riviera e a curta distância de Nice e de Cannes. É para passar poucas horas, mas vale parar para ver o visual num dia de céu azul, fotografar o cassino e voltar para sua cidade de apoio que pode estar ali ao lado.

EZE. Micro cidade medieval pendurada numa montanha e com uma vista maravilhosa do Mediterrâneo. Construída no século 12, possui ruínas de castelo, construções de pedra e bonitos jardins.

ANTIBES. Cidade à beira mar, mas com uma parte antiga que fica no alto. Possui o museu Picasso, que ali morou parte de sua vida. www.antibes-juanlespins.com/eng/culture/musees/picasso

ST. TROPEZ. Não é só a fama que a mantém sempre disputada. Seu litoral é muito bonito, a cidade charmosa e a badalação rola solta, mas é cara e bastante elitizada.

AIX EN PROVENCE. É a capital histórica da Provence e tem charme de sobra. Conhecida pelas fontes que estão por todos os lados, é a cidade onde Cézanne morou e fez muitas de suas obras. Aix tem ótimos restaurantes e gastronomia, hotéis charmosos e tranquilidade para relaxar e curtir a vida. www.atelier-cezanne.com/aix-en-provence

SAINT PAUL DE VENCE. A pequena Saint Paul é o lugar para se voltar no tempo, para acaminhar pelas ruelas e imaginar que há centenas de anos estava praticamente como nos dias de hoje. Se verba não for problema, não deixe de ir ao restaurante La Colombe d`Or, onde a decoração conta com obras de arte de Picasso, Matisse, Alexander Calder, entre outras.

St. Paul de Vence

GRASSE. Cidade da perfumaria francesa. O mítico Channel nº5 foi criado lá. Além da história do perfume, Grasse tem uma rica arquitetura medieval que impressiona. Ale Ravagnani

Parede em Grasse

 

Museus-experiência: Ilha de Alcatraz, Museu Guinness e Auschwitz-Birkenau

Muito se fala em experiência de marca com o consumidor. Acredito que esta mesma visão meio marqueteada também tenha chegado ao turismo. Quantos lugares são “embalados” de tal jeito que a experiência vivida acaba se tornando inesquecível. A Disney com certeza é uma delas, mas aqui vou contar três momentos de viagens que marcaram para sempre com grandes experiências que recriaram a história do lugar de tal maneira que se tornou inesquecível para mim.

A Ilha de Alcatraz na baía de São Francisco não é só uma vista bonita da Golden Gate e da cidade. Vai muito além disso. Partindo de barco do pier em São Francisco, chega-se à ilha que foi uma prisão de 1934 a 1963 e que por ali passaram criminososo famosos como Al Capone. A visita se dá em parte através de um sistema de áudio, bem corriqueiro na maioria dos museus, mas ali feito de maneira diferente. A gravação que ouvimos quando paramos em cada cela e apertamos o número referência é a voz dos presos verdadeiros, que viveram seus dias ali ou então de carcereiros que trabalharam em Alcatraz, contando a história e detalhes de cada pedaço da prisão, coisas que somente eles saberiam dizer. Ao mesmo tempo que é fascinante, é de arrepiar até o último fio de cabelo.

Ilha de Alcatraz, São Francisco

Ilha de Alcatraz e seus ex-detentos-guias

O Museu Guinness em Dublin na Irlanda, é uma ode à cerveja escura mais famosa do mundo e que tem adoradores em todos os lugares. O museu foi construído numa antiga e histórica fábrica da cerveja, anexa à fábrica moderna e atual. O tour pelo prédio passa por todos os processos de fabricação, andar por andar, com os equipamentos originais e a reconstrução com gravações em áudio-visual. Dos ingredientes à história, indo dos equipamentos à fabricação, chegando na marca, embalagens e a premiada publicidade da Guinness. No final do tour, chega-se a um bar envidraçado no último andar da cervejaria e com um visual 360º de Dublin. E a degustação do melhor pint de Guinness de sua vida vindo direto do encanamento da fábrica está incluso no preço do ingresso.

Museu Guinness

Exposição da publicidade da Guinness

Auschwitz-Birkenau próximo a Cracóvia na Polônia é o registro real das barbaridades do holocausto ocorrido pelos nazistas. Não existe experiência mais dolorosa e dramática. A visita começa na própria van que nos leva da cidade até os campos de concentração. Nossa guia conta que faz isso para ninguém esquecer o que seus familiares passaram ali. Ao chegar, um filme no museu nos situa e na sequência, ninguém mais consegue abrir a boca. O silêncio e a emoção domina a todos e quando chegamos aos fornos, câmera de gás ou ao famoso portão que os trens chegavam com os judeus, fica difícil continuar e seguir em frente. Respiramos fundo e damos conta da importância do local continuar existindo. Ale Ravagnani

Sob o sol da Toscana

A Itália por si só já desperta em nosso imaginário associações maravilhosas. A região da Toscana concentra o que de melhor essas referências representam. Para mim, as melhores paisagens, e o melhor da história, arte, cultura, culinária, vinho e muito mais, estão concentrados ali. A partir de Firenze, começa nossa rota da cultura pela Itália. Grandes museus e igrejas (que também podem ser chamadas de museus) estão em todas as cidades e tudo respira arte. Grande parte do que foi criado pelos mestres italianos, está ali. Firenze concentra Michelangelo`s como o Davi na Galleria dell`Accademia, O Nascimento de Vênus de Botticelli e a Anunciação de Leonardo da Vinci, ambos na fantástica Gallerie Uffizi, Os Portões do Paraíso no Batistério, o Duomo de Brunelleschi, entre tanta obra de arte tão maravilhosa. A cidade cresceu bastante nos últimos anos e está muito movimentada. Quando você cansar do barulho das motonetas que ficam pra lá e pra cá pelas ruelas, é hora de voltar ao tempo e sair pelas redondezas. No caminho, campos de girassóis, oliveiras e ciprestes enfileirados são colírio para os olhos. Chegando em Siena, terra do vinho Chianti, vá direto para a praça central da cidade, a Piazza del Campo. É lá que acontece em julho e agosto a corrida de cavalos Palio de Siena, que há centenas de anos para a cidade, e tudo fica enfeitado com as cores e bandeiras dos bairros que competem na corrida. Aliás, o nome da cidade vem da cor de siena, que predomina em todas as construções, nada difere ou contrasta na paisagem. De lá, a próxima parada é San Gimignano e suas 14 torres que são símbolo da cidade. Um dia foram 72 torres-casa e representavam o poder e riqueza das famílias. Subindo na Torre Grossa, com mais de 50 metros de altura, se tem a noção da beleza do lugar. Na sequência, a pequena cidade medieval de Volterra merece mais que uma visita rápida. À noite parecemos voltar ao tempo percorrendo a cidade murada iluminada por lampiões. Apesar de não ser tão famosa quanto suas vizinhas, deve ser visitada e de preferência, passar ao menos uma noite, para sentir o clima mágico do lugar. De passagem, são muitas as cidades que temos vontade de conhecer, o difícil é escolher. Viajando de carro facilita muito e para mim é de longe a melhor maneira de ver o máximo da região e com bastante liberdade. Montalcino, terra do famoso vinho Brunello e Montepulciano, ambas pequenas cidades muradas devem estar em seu caminho também. O roteiro termina com mais paradas em Lucca e Pisa, só para termos a certeza de que a torre ainda está lá de pé. Pelo menos por enquanto. Ale Ravagnani

Toscana, Itália

Toscana, Itália

 

Sabores que valem uma viagem

Mexilhões com batatas fritas

Como um bom garfo, muitas de minhas memórias de viagens são gustativas. Ficaram numa boa mesa de restaurante ou numa simples refeição de rua. Um sabor marca pra sempre o lugar onde você está, a companhia, as histórias, a cidade. Quero dividir algumas lembranças que nunca mais saíram da minha cabeça, por mais trivial ou sofisticado que sejam. Aliás, uma ótima maneira de se viajar, é experimentando o que o povo local come. O chef-viajante Anthony Bourdain que diga! Ale Ravagnani

Moules com Fritas servido na panela no mercado das pulgas em Paris (Puces de Saint Ouen)

Hot Dog de rua em Nova York (mas prefira o kosher, que parece mais limpinho)

Ostras na beira da lagoa de Knysna perto da Cidade do Cabo

Bolinho de Polvo comido em pé nas ruas de Tóquio

– Qualquer refeição com frutos do mar, legumes e “pouca pimenta” (que já é muita) em Bangkok

– Picnic com pão, presunto parma e um pedaço de parmesão com uma taça de vinho na região do Brunello di Montalcino na Toscana

Centolla (caranguejo gigante) no sul do Chile

Cordeiro na brasa na Patagônia argentina ou chilena

Cerejas no verão na Espanha ou onde você encontrar na Europa (pelo tamanho e pelo preço de dar raiva)

Pastel de Belém saído do forno quentinho ao lado do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa

– Qualquer pedaço de torta em qualquer esquina de Viena

– Escolher um restaurante estrelado em Londres (se sobrar algumas Libras) no último dia de viagem

Pato no Tucupi do restaurante Lá em Casa em Belém

Frutos do Mar grelhados com frutas (também grelhadas) no Cruzeiro do Pescador na Praia da Pipa

Feijão cozido devagarinho no fogão a lenha do sítio do meu pai

– Qualquer comida de mãe na volta da viagem

Achados de Dublin

Vista da fábrica da Guinness

A Irlanda não entra muito no roteiro dos brasileiros na Europa por puro desconhecimento. Quer ver paisagens de cair o queixo e fechar com uma noite super boêmia e divertida na cidade? Seu próximo destino pode ser a terra de Oscar Wilde, Samuel Beckett, Bernard Shaw, James Joyce, Yeats entre outros. Ale Ravagnani

"Poeta" de rua

Balada no campo

Architour em Paris

Quai Branly

Falar sobre arquitetura numa cidade como Paris, não tem como não lembrar dos clássicos, o Arco do Triunfo, Grand Palais, Louvre, Notre-Dame, e poderia continuar uma lista interminável de ícones da arquitetura. A cidade possui tantas referências, que podemos visualizar mesmo sem nunca ter ido pra lá. Mas quase que como nenhuma outra cidade européia, ela vem sabendo se reinventar e mostrar seu lado mais criativo. Paris não é uma cidade cenográfica. As pessoas vivem ali e fazem dela uma cidade dinâmica e muito atual. Mas voltando à arquitetura, novos ícones vem surgindo ao longo dos anos, se integrando à paisagem urbana e causando um gostoso e divertido contraste. La Défense é o maior centro financeiro de Paris, e começou a ser projetado na década de 70 com diversos arranha-céus, além do monumental Grande Arco, que virou ícone da arquitetura moderna, apesar de estar mais distante do alcance dos olhos dos turistas. A pirâmide do Louvre, projetada por I.M.Pei na década de 80 já é parte da cidade e do museu, além de ser bastante fotogênica. Não conseguimos mais imaginar aquela fachada sem ela, mas nem sempre foi assim e sua construção gerou bastante polêmica. Mas não para por aí. O arquiteto Jean Nouvel vem contribuindo muito para esta paisagem urbana renovada. O seu Instituto do Mundo Árabe em Saint Germain é uma obra impressionante e vale a visita, além de ter um gostoso restaurante e o mais novo museu da cidade, Quai Branly, vizinho da Torre Eiffel, também traz uma arquitetura inusitada e ares modernos à beira do Sena. Pela fila que eu peguei no dia da inauguração, deu pra sentir que já havia caído no gosto dos franceses. Ah, quase me esqueço do Centro Georges Pompidou ou Beaubourg para os íntimos, que quase nos aparece como uma miragem no antigo bairro do Marais. Várias cidades do mundo já perceberam que grandes projetos de arquitetura tem o poder de renovação de uma região ou até mesmo de uma cidade. É o que aconteceu com Bilbao e o Museu Guggenheim, com Buenos Aires e a renovação da região do Puerto Madero e estão tentando no Rio com diversos projetos que estão em andamento. Quem sabe termina antes de 2014. Ale Ravagnani

Instituto do Mundo Árabe