Paris vs Nova York

Uma pitada de ironia e bom humor para retratar duas grandes cidades.

Nunca ninguém antes pensou em comparar duas metrópoles tão marcantes e únicas como Nova York e Paris, cada uma marcada por ícones fortes e caracterizados com muita personalidade, fazendo-as únicas e deleite de todo turista. O designer e diretor de arte Vahram Muratyan encontrou uma forma criativa e divertida de mostrar os aspectos cotidianos ao brincar com as duas cidades fazendo uma viagem pelas peculiaridades e marcando o comportamento dos parisienses e nova-iorquinos.

“Paris versus New York – A Tally of Two Cities”, que virou blog (www.parisvsnyc.blogspot.com) e livro estão recheadas de boas ilustrações que por si só são uma viagem pelas cidades e suas características que as tornam tão diferentes e antagônicas e ao mesmo tempo, ambas essenciais para o viajante.

As artes não costumam ser autoexplicativas, o que acaba exigindo algum conhecimento sobre aspectos das cidades. Para quem não as conhece, cada ilustração vira uma “city-tour” sobre a cultura e pelo dia-a-dia de cada cidade.

Bon voyage / Have a nice trip

Ale Ravagnani

Tiradentes. Êta trem bão, sô!

Tiradentes e suas ladeiras

Rua vista da Igreja Matriz

Cair da noite

Rua típica da cidade

Nenhuma outra cidade do interior do Brasil, conseguiu aliar características tão bacanas quanto a pequena Tiradentes, no interior de Minas Gerais. Motivos de sobra para atrair visitantes de todos os gostos.
Agora que as chuvas passaram e tudo volta ao normal, quem não conhece esta jóia da arquitetura barroca, vai se encantar.
Tenho muitos motivos para convencer a qualquer um e vou listar o que pra mim é de mais evidente, mas sempre digo que cada pessoa faz suas próprias descobertas ao viajar, e com certeza outros atrativos surgirão quando você for a Tiradentes.

1. Arquitetura colonial intacta

Matriz de Santo Antônio

Matriz de Santo Antônio

Interior de ouro da Matriz

Relógio de Sol em pedra sabão

Casario colonial típico

Chafariz de S. José

Poucas cidades do Brasil tem um patrimônio artístico tão impresssionante que se manteve ao longo dos séculos. A cidade cresceu de maneira ordenada e bem preservada. O casario colonial continua lá como foi concebido no início de 1700, graças à abundância do ouro. A Matriz de Santo Antônio construída em 1710 é a segunda igreja com mais ouro do Brasil e o órgão de tubos de 1788 é considerado um dos mais importantes do mundo e acontecem recitais às sextas-feiras à noite para ajudar você a voltar no tempo.

Muitas outras igrejas, também históricas, estão pela cidade inteira, e outros marcos históricos como o Chafariz de São José, o calçamento original, museus e monumentos estão ao seu alcance bastando uma simples caminhada pela cidade. Uma curiosidade é que a Rede Globo e muitos diretores de cinema utilizam a cidade como um cenário a céu aberto e fazem dela uma locação autêntica de época. Nenhuma outra cidade foi tão filmada, talvez graças ao bom estado de preservação, à fiação subterrânea dos postes que não deturpa o visual ou ao simples motivo de que passear por Tiradentes é quase que viver em outra época.

2. Uma região que respira arte

Atelier em Bichinho

Artesão de pedra sabão

Loja em Tiradentes

Arte em tecido

Flores de metal e sucata

Diferença no detalhe

Cerâmica do Vale do Jequitinhonha

Prepare-se para entrar nas lojas de móveis, antiguidades e visitar os ateliers de arte. São muitos e estão por todos os lados. No centro histórico bons ateliers que produzem arte como bordados, esculturas em madeira, estanho e pedra sabão e bons móveis dominam o comércio. No início da cidade, antes de acabar a estrada, boas opções de antiquários e fabricantes de móveis estão nos dois lados da via.

– Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

A vila de Bichinho, a poucos quilômetros de Tiradentes, sofreu uma completa mudança depois que a Oficina de Agosto, do artista plástico Toti chegou e começou a desenvolver os habitantes locais para criar um artesanato mais elaborado e criativo. Dezenas de outros ateliers surgiram e deram uma cara de Vila Madalena (bairro paulistano com muitos artistas, galerias e lojas criativas) para o sertão de Minas, mudando completamente o que é produzido e agregando valor e personalidade ao local. Hoje são dezenas e pequenos ateliers e lojas onde é fácil passar o dia visitando e se inspirando.

Outras cidades vizinhas se especializaram em ramos diversos e oferecem o que de melhor se produz na região.

– Resende Costa

Esta pequena cidade tem o tear como sua melhor expressão, com uma grande produção de tapetes, cortinas e tudo mais que se pode se fazer em tecido de tear.

– Coronel Xavier Chaves

O Engenho Boa Vista é considerado o mais antigo em atividade no Brasil e produz boa cachaça. Além disso, se você procura esculturas ou objetos utilitários em pedra sabão, está no lugar certo, mesmo que seja somente para apreciar o trabalho dos artesãos.

– São João del Rei

Igreja projetada por Aleijadinho

Rua das Casas Tortas, S. João del Rei

Aqui a atração não é somente o artesanato, mas se esta for sua intenção, procure pelos produtores de estanho. São vários fabricantes e estes possuem lojas de fábrica. Mas não deixe de visitar o casario barroco e seus antigos solares, como o dos Neves, as igrejas que o Aleijadinho projetou e caminhar pela rua das Casas Tortas.

3. Ótima gastronomia

A simpatia da Chef Beth Beltrão, Viradas do Largo

Não é só pelo Festival Gastronômico que acontece todo mês de agosto, que a fama de se comer bem em Tiradentes correu por aí. Além da maravilhosa comida mineira como o excelente Viradas do Largo comandado pela super chef Beth Beltrão, mas também pela diversidade da culinária local. Cuidado com os preços altos e muitas vezes é obrigatório fazer reserva para jantar, mas alguns italianos chamam a atenção como a Trattoria Via Destra, a pizza do Atrás da Matriz é bem gostosa para os domingos, o restaurante Tragaluz e sua comida mais elaborada surpreende na apresentação, cenário e a comida é de qualidade e o Theatro da Villa principalmente pelos altos preços, apesar de ter uma culinária bastante inspirada. Mas no fim da viagem, percebemos que todos os caminhos nos levavam à Beth. Obrigado pelo carinho e amor com que você faz seus banquetes.

4. Atrativos para todas as idades

Maria Fumaça saindo de Tiradentes

Como antigamente...

Museu do automóvel

Não é só para os mais velhos que Tiradentes costuma ser atrativa. Uma autêntica Maria Fumaça, numa rota que liga a cidade até São João del Rei, parte aos finais de semana numa volta ao tempo do pouco que sobrou do transporte ferroviário no Brasil. A viagem na composição puxada pela locomotiva construída na Filadélfia tem um ar de antigamente e nos dá a oportunidade e viver algo em esquecimento por aqui. Mas outros atrativos não faltam, como diversos cavalos que puxam charretes pelo centro histórico, um tour noturno patrocinado pelo Museu do Automóvel perto de Bichinho, o Festival de Cinema de Tiradentes que acontece em janeiro ou simplesmente o não fazer nada e aquela preguiça de depois do almoço que este tipo de lugar convida. Não que o tutu de feijão não tenha parte da culpa…

5. Natureza privilegiada

Vista da Serra de São José

Vista da cidade do Morro da Igreja S. Francisco de Paula

Natureza até na cidade

A Serra de São José domina a paisagem e o paredão de mais de mil metros de altura emoldura a cidade e dá uma vasta opção de passeios ecológicos e caminhadas. No caminho, uma vegetação bastante rica e cachoeiras para se refrescar. Sem contar com trechos da antiga Calçada do Ouro, onde os escravos passavam com os carregamentos de ouro. Os passeios são mais apropriados para serem feitos com guias locais e podem ser feitos a pé ou de Land Rover por outras trilhas.

6. Excelente infraestrutura

Hotel Solar da Ponte

Pousada Lis Bleu

As pousadas surgiram por todos os lados e para todos os bolsos. Você tem a opção de ficar no majestoso Solar da Ponte, um dos casarões mais bonitos de Tiradentes, onde é servido um autêntico chá inglês com sotaque mineiro todas as tardes ou ainda ficar com muito conforto em lugares menos ostensivos como a novíssima Pousada Lis Bleu, que um casal de paulistanos montaram a cerca de um ano com muito bom gosto e romantismo. Os quartos ficam espalhados pelo terreno, em pequenos conjuntos com bastante privacidade, o café da manhã é indescritível e um queijo da Serra da Canastra está à disposição para ser derretido na chapa do fogão à lenha que está sempre à postos. Além disso, sucos naturais, bolos, pães, tudo super caseiro e com gostinho de Minas. Se sobrar tempo, aproveite a pequena piscina e a sauna localizados na parte mais alta da pousada e com uma linda vista de toda a Serra e parte da cidade.

Nos finais de semana o apito da Maria Fumaça soa logo abaixo, já que estamos vizinhos da antiga estação de trem.

Êta trem bão, sô!

Ale Ravagnani

Brasil. A 31ª “marca” mais forte do mundo

Parece estranho, mas sim, os países são avaliados como marcas e acaba de sair o ranking da FutureBrand, que avaliou a força da “marca” de 113 nações do mundo, o Country Brand Index (CBI), e o Brasil ficou em 31º colocado, ou seja, o nome Brasil mundo afora e o que ele significa para as pessoas está representado nesta avaliação e no incrível crescimento de 10 posições em apenas um ano desde a última avaliação.

Diversos fatores são analisados, entre eles a qualidade de vida no país, facilidade para geração de novos negócios, consciência ambiental, cultura, liberdade política, sistema jurídico, liberdade de expressão e o turismo, no qual o Brasil aparece como o segundo País com as melhores praias, perdendo somente para a Austrália, e como o terceiro no ranking de vida noturna, atrás de Estados Unidos e Grã-Bretanha.

Entre os Brics, a liderança é da Índia, que fica com a 29º posição, mas o relatório afirma que “o Brasil é a estrela em ascensão do grupo”. Sediar grandes eventos como Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, além do crescimento da economia, explicam a performance do Brasil.

Na América Latina, o único país à frente do Brasil é a Costa Rica, que ocupa a 24ª posição.
E as marcas-país mais fortes do mundo são o Canadá, Suíça, Nova Zelândia, Japão, Austrália, Estados Unidos, Suécia, Finlândia, França e Itália que ocupam as 10 primeiras posições no ranking feito através de entrevistas realizadas em julho de de 2011 com 3,5 mil turistas e empresários, além de dados de 102 especialistas e 14 pesquisas de mercado.

Baia dos Porcos e Morro Dois Irmãos em Fernando de Noronha

Fernando de Noronha ajuda à ótima classificação do Brasil no quesito praias

Porto de St. Antônio em Noronha no pôr do sol

Porto de St. Antônio e Morro do Pico ao fundo

Morro do Pico, cartão postal de Noronha

Praia do Cachorro na Vila dos Remédios, Noronha

Praia da Cacimba do Padre, Noronha

Lagarto que compõe a fauna da ilha

Morro do Pico em Fernando de Noronha

Ale Ravagnani

Halloween, Dia de los Muertos ou Dia das Bruxas. É hoje!

Seja onde for, hoje é dia 31 de Outubro e dia de comemorar o Halloween nos Estados Unidos ou o Dia dos Mortos no México no dia 02 de novembro. No Brasil as escolas de inglês acabaram aderindo às brincadeiras da comemoração e pouco lembram do Feriado de Finados que vem 3 dias depois. Mas é no México que as tradições falam mais alto e a população comemora festejando nos feriados, com comidas típicas, muitas flores, caveiras, doces e acredite se quiser, alegria. Trick or treating? Ale Ravagnani

Artesanato típico feito com recortes de papel no México

Vitrine de loja na Cidade do México

Oferendas no bairro de San Angel, Cidade do México

Típico Dia de los Muertos, México

Dia de los Muertos, San Angel

Mais oferendas ao dia dos mortos no México

Sábado de novembro no mercado de San Angel

Doces em formato de caveira, México

Quer ser enterrado vivo? Aqui você pode

A morte virou arte pop

Rua "enfeitada" na Cidade do México

Decoração do restaurante mexicano temporário A Casa dos Cariris, São Paulo

Dean & Deluca no bairro do Soho, Nova York

Oferta de abóboras para Halloween em Boston

Estoque para o Halloween, Boston

31 de outubro, Halloween

Eu e o cozinheiro. Uma história no Camboja

Esta é uma história improvável para os dias de hoje, mas que aconteceu há 16 anos, num dos países mais isolados do mundo (pelo menos naqueles tempos). Até parece mentira, mas aconteceu e é esse tipo de coisa que acontece quando se viaja, é que faz um certo lugar ficar marcado para sempre em nossa memória.

Uma viagem é feita por vários aspectos, são os lugares que visitamos, o povo local, coisas inusitadas que vemos e claro, a comida do lugar, que também diz muito a respeito daquela cultura, os hábitos, clima e mais um pouco.

Era uma noite quente e úmida numa cidadezinha do interior do Camboja chamada Siem Reap. Um vilarejo que fica à beira do Rio Mekong, um dos maiores rios do mundo e também porta de entrada dos magníficos templos de Angkor, construídos a partir do século IX. Cheguei na cidade já no fim do dia vindo de Phnom Penh, a capital do país, num voo da Royal Air Cambodia que parecia saído da União Soviética pós Guerra e pós tudo, um Tupolev sujo, mal cuidado, mas o pior mesmo era quando estava no ar, parecia que não ia conseguir chegar a lugar algum e a turbulência do clima tropical era brutal e não ajudava em nada.

Ainda por cima, na minha estada anterior em Bangkok, um tanque de Guerra praticamente havia me atropelado por dentro. Estava passando mal do estômago de verdade, onde credito essa intempérie à minha curiosidade pela magnífica culinária tailandesa e às quantidades cavalares de pimenta que meu corpo recebeu.

Superei a viagem sem muita coisa no estômago pra passar mal e cheguei são e salvo no Camboja, meio que de ressaca e felizmente recuperado dos problemas estomacais recentes. Como dizem que tenho estômago de avestruz, e tenho mesmo, fui para meu pequeno e singelo hotel, situado numa das poucas ruas da cidade, com pouca iluminação que era provida por geradores e que ficava oscilando o tempo todo dando um clima de fim de mundo. Tomei banho, o que não ajudou muito a refrescar e saí em busca de algum lugar para comer. Tudo estava vazio, pouquíssimos turistas à vista e o brasileiro curioso e destemido caminhando sem direção. Encontrei um lugar que me parecia apresentável e sentei numa mesa de canto. Eu era o único cliente da noite no lugar durante minha refeição inteira, e olha que ela não durou pouco.

Um garçom muito atencioso tentava me explicar o que era cada prato, mas o entendimento ali não foi fácil. Na dúvida, pedi vários pratos, em parte por não querer arriscar e comer algo que poderia não descer bem, e talvez mais provavelmente por querer repor o tempo perdido pela noite anterior e pelo dia inteiro onde não foi possível comer absolutamente nada, a não ser muita água para minha re-hidratação.

Depois de alguma espera começaram a chegar os pratos. A apresentação estava boa, mas os sabores eram simplesmente sensacionais. Chegou de tudo, carne de vaca ao molho que parecia de ostras servido com vegetais, todos ao dente e numa cor sem igual, tudo super fresco, frango com leite de coco e mais algumas coisas que meu paladar não conseguiu identificar, peixe cozido e frito vindos diretamente do Rio Mekong, mas super bem preparados, camarões, e mais alguma coisa que não sei bem o que poderia ser, mas acredito que era uma iguaria local super apreciada, cobra… Experimentei, mas eu não tinha estômago para arriscar tanto e parei na primeira garfada. Depois de mais de hora nesta refeição silenciosa, com os dois garçons do lugar me admirando de queixo caído, um deles veio me dizer que o chef do restaurante gostaria de me conhecer. Foi uma surpresa e tanto e claro que começamos uma conversa de doido, um tentando se fazer compreender como podia, eu no inglês e ele no francês. Depois de 15 minutos de conversa boa, ele me disse que estava fechando seu restaurante e perguntou se eu gostaria de conhecer a cidade. Ressabiado como todo bom brasileiro escaldado, subi em sua motoca, na verdade uma mobilete tão antiga quanto o avião que me levou até ali, e saímos pelas ruas mal iluminadas da cidade.

Passamos por bares ainda mais escuros, por ruelas, pelos poucos bairros, por muitas ruas esburacadas e tantas outras de chão batido, parávamos quando ele encontrava algum conhecido, me contou sobre sua vida e sua família, e depois ao fim de nosso tour, paramos num bar para tomar uma autêntica cerveja cambojana, a Angkor Beer, que tive a capacidade de trazer uma long neck da viagem como souvenir. Já bem tarde ele me deixou em meu hotel e este encontro improvável com este simpático cozinheiro foi uma ótima oportunidade de conhecer um pouco mais da cultura desse povo amistoso e hospitaleiro, que sofreu nas mãos de regimes repressores e cruéis e que mesmo assim está aberto para conhecer o que vem de fora e quem pode trazer um pouco de informação de outras culturas.

No dia seguinte logo cedo os templos de Angkor me esperavam, mas aí é outra história que já foi postada aqui no O Mundo é Meu Vizinho.

Ale Ravagnani

Onde é o quente do momento pra se ir no mundo

Os guias de viagem Lonely Planet, meu fiel escudeiro em muitas de minhas andanças pelo mundo, lança todos os anos o guia Best in Travel. São as melhores tendências, destinos, viagens e experiências que se pode encontrar no momento. Essas listas de destinos podem ser uma ótima ajuda se por acaso baixar aquela dúvida em escolher dentre tantos lugares no mundo. O Guia leva em conta uma série de fatores todos os anos ao eleger seus destinos favoritos, e aqui, junto com eles, elejo os meus também. Já estive em alguns destes lugares, e outros ainda são planos. Ah, e o Brasil este ano está no topo da lista e foi eleito um dos 10 melhores países para se conhecer.

A seguir algumas das listas que devem nos inspirar ao escolher onde ir.

TOP 10 – PAÍSES

Albânia
Brasil
Cabo Verde
Panamá
Bulgária
Vanuatu
Itália
Tanzânia
Síria
Japão

Zanzibar, Tanzânia

Monte Kilimanjaro, Tanzânia

Se eu fosse escolher um destes destinos para ir amanhã, a Tanzânia estaria no topo da minha lista. Imagina que num único lugar se encontra o Monte Kilimanjaro, as águas azuis da costa no Oceano Índico de Zanzibar e o parque de Serengueti com sua fauna sem igual no mundo e um dos safaris mais selvagens e excitentes que se pode fazer.

TOP 10 – REGIÕES

Sinai, Egito
Istria, Croacia
Ilhas Marquesas, Polinésia Francesa
Capadócia, Turquia
Ilhas Shetland, Escócia
Grande Barreira de Corais, Austrália
Costa Oeste, Estados Unidos (de Los Angeles a Seattle)
Patagônia Chilena
Ilhas Gili, Indonésia
Westfjords, Islândia

Capadócia, Turquia

Islândia

Aqui o páreo é duro para se escolher somente um destino. Minha dúvida seria entre optar pela região da Capadócia na Turquia, com suas impressionantes formações rochosas, seus hotéis-cavernas e os passeios de balão ou a Croácia, grande destino do turismo mundial atual, que mistura cidades medievais à beira de um mar translúcido ou os fiordes e geleiras da Islândia com suas imensas massas de gelo e muita vida selvagem em plena Europa, apesar de estar bastante isolada numa ilha.

TOP 10 – CIDADES

Nova York, estados Unidos
Tânger, Marrocos
Tel Aviv, Israel
Wellington, Nova Zelândia
Valência, Espanha
Iquitos, Peru
Ghent, Bélgica
Delhi, Índia
Newcastle, Austrália
Chiang Mai, Tailândia

Tânger, Marrocos

Chiang Mai, Tailândia

O Marrocos é uma grande experência que deve ser vivida devagar para conseguir assimilar tantas informações e novas sensações, e Tânger é o lugar para vivenciar o estilo marroquino, ainda mais se você ficar hospedado num hotel-Kasbah, que é definitivamente uma volta ao tempo.
Wellington na Nova Zelândia é a Inglaterra em plena Oceania, com cultura local mas com tempero inglês. E se a distância não for problema, a região de Chiang Mai na Tailândia convida para um safári no lombo de elefantes pelas montanhas mais altas do país, com uma vegetação estonteante, entremeada por muitos templos para sua viagem ser repleta de relaxamento e cultura zen.

TOP 10 – MELHORES CUSTO-BENEFÍCIO

Bangladesh
Nicarágua, América Central
Washington, Estados Unidos
Paris, França
Namíbia, sul da África
Argentina
Nápoles, Itália
Filipinas
Ucrânia
Síria

Deserto da Namíbia

Filipinas

Invista no que lhe parece o menos óbvio possível. Lembre-se que quanto mais somos jovem, mais fácil encaramos alguma falta de conforto e lugares com menos estruturas para receber o turista. A Namíbia não se encaixa tão bem nestas descrições, já que o país se estruturou bastante para o turismo, comparado a meu ver com sua vizinha África do Sul, apesar de toda a rusticidade das paisagens. Vá logo porque ainda não foi descoberto pelo mundo. As Filipinas é outro destino fora do grande circuito, mas cheio de surpresas. Praias e mais praias de areias tão brancas e imaculadas que vai ser difícil encontrar igual, e por fim a Síria guarda muita história apesar de ter vivido um regime pouco ortodoxo e bastante repressivo. Você vai encontrar muita história, uma comida extraordinária e um povo amistoso.

Ale Ravagnani

Dia de Feira na França

Toda boa refeição na França começa na feira.

Marché Forville em Cannes, sul da França

Do mar para a mesa, Cannes

Ladurée e o macaron de flor de laranjeira

A tradição da gastronomia francesa vem de muito, muito tempo. Os chefs são considerados estrelas desde os tempos do grande cozinheiro Antoine Carême que viveu no século XVIII, no auge da Revolução Francesa e ficou conhecido como o “chef dos reis e o rei dos chefs”. Em sua vida, serviu Napoleão e depois de sua queda, Carême foi para Londres e trabalhou como chef de cuisine para o Príncipe Regente, George IV. Retornando ao continente, serviu ao Czar Alexander I em São Petersburgo, antes de retornar à Paris, onde trabalhou como chef para o banqueiro James Mayer Rothschild. Ele é lembrado como o fundador do conceito de alta gastronomia.

O grande chef Antoine Carême

Criações de Carême

Mas o que desde aqueles tempos era falado? Que toda grande gastronomia começa com bons ingredientes, e isso na França é da mais pura verdade e importância. Um dia num mercado francês, é uma viagem pela gastronomia, com os ingredientes mais bonitos que se pode encontrar, tudo muito fresco e vindo direto do produtor. É colírio para os olhos, de quem gosta de cozinhar ou somente para aqueles que apreciam uma boa refeição e sabem como é importante a base de tudo. Mas olhando toda a variedade e qualidade dos produtos, percebemos a herança que o povo francês carrega. É quase uma devoção ir ao mercado e escolher o que de mais fresco chegou para ser servido à noite em casa. E não estamos somente das grandes cidades. Praticamente qualquer cidade francesa tem sua feira livre onde todos os dias os ingredientes para uma grande refeição os esperam para irem para a panela. São tantas variedades, tantos cogumelos diferentes, trufas negras, tomates dos mais diversos tipos e cores, queijos e até uma simples abobrinha em flor se torna uma iguaria aos olhos de quem gosta de comer bem. E isso na França é levado tão a sério que faz parte da identidade nacional. E pela culinária se começa e se encerra uma grande viagem pelo ícone mundial da boa comida, seja ela feita pelas criações de um grande chef com estrelas Michelin ou por uma simples dona de casa que vem seguindo receitas que passaram de geração em geração. Bon appétit!

Ale Ravagnani

Oscar Niemeyer deixa Curitiba ainda mais bonita

Museu do Olho - MON em Curitiba

Curitiba vem ao longo dos anos se tornando mais do que uma cidade com índices invejáveis em civilidade e qualidade de vida. Desde quando o prefeito Jaime Lerner estava na ativa, revolucionando e trazendo soluções para a cidade, o urbanismo é assunto levado muito a sério na cidade.

Em 2002, quando o Museu Oscar Niemeyer – MON, vulgo Museu do Olho, projetado por Oscar Niemeyer foi inaugurado, este olhar para o futuro volta a pairar na cidade. Além de ser uma obra realmente diferenciada do arquiteto, trouxe mais personalidade para Curitiba e ajudou grandes exposições terem uma casa à altura de seus artistas. Localizado no Centro Cívico de Curitiba, tendo ao fundo o Bosque do Papa, o traço do mestre está ali mais do que presente.

Lateral do prédio de Oscar Niemeyer

Desafiando a lei da gravidade

Descobrindo Niemeyer em cada detalhe

Estive dezenas de vezes na cidade, mas sempre à trabalho, e para mim a viagem não estava completa se no caminho aeroporto-agência-cliente-aeroporto, ao menos eu não colocasse meus olhos neste olho que estava sempre onipresente. Algumas vezes tive a felicidade de ver grandes exposições, como a dos grafiteiros Os Gêmeos e a do escultor inglês Henry Moore, guiado pelo criativo e meu amigo Eto Bastos, além da equipe de criação da agência em ótimos momentos de descompressão. Finalmente os grandes artistas tem a melhor moldura que eles poderiam imaginar em Curitiba.

Qualquer semelhança com Brasilia não é mera coincidência

Interior do Olho e os desenhos do arquiteto

Se estiver pela cidade, não deixe de ver por nada.
Até o dia 14 de agosto, está em cartaz no MON a exposição Dores da Colômbia do maior artista do país, Fernando Botero. São 67 obras, incluindo 6 aquarelas, 36 desenhos e 25 pinturas, produzidas entre 1999 e 2004.

Retrospectiva dos Gêmeos realizada no MON

Os Gêmeos brincando com as proporções

Exposição do Botero em Curitiba - foto por Gerson Klaina

Ale Ravagnani

Andaluzia é iluminada

Cerâmicas com influências árabes

Acredito que a mistura transforma os lugares e as pessoas ainda mais especiais, cheios de referências, contrastes ou até mesmo contradições, mas que os torna verdadeiramente ricos e diferenciados. A região da Andaluzia na Espanha tem este pressuposto desde seus primórdios, com tantas influências, principalmente a dos mouros, mas sem esquecer que antes romanos, vândalos e visigodos passaram por ali. Em 711 A.C. os árabes invadiram a região, um domínio que durou oito séculos e deixou marcas na população e na cultura da Andaluzia. Estabeleceram um Emirado com capital em Córdoba, que se tornou independente de Damasco no ano de 929. Este período foi de grande prosperidade, mas após muitos séculos, em 1609, os Mouros foram totalmente expulsos da Península Ibérica. Seu nome provém de Al-Andalus, nome que os muçulmanos davam à Península no século VIII. Encurtando um pouco a história, ainda veio a Guerra Civil Espanhola que deixou profundas marcas por todo o país e o implacável General Franco, como tantos outros mundo afora e que deixam um legado questionável. Hoje encontramos um país moderno, apesar da recente crise não ter sido fácil por lá, a história está toda ali para ser descoberta. As cidades de Sevilha, Córdoba, Málaga e Granada são jóias da arquitetura e uma viagem pela região é uma aula in-loco de arte, cultura e história.

Parte moderna de Sevilha

Catedral de Santa Maria de Sevilha

Torre da Giralda

Parte antiga de Sevilha

Praça de Espanha, Sevilha

Sevilha é uma cidade vibrante, com vida independente do turismo, mas ao mesmo tempo cheia de atrações. Em 1992 se realizou a Exposição Universal de Sevilha e grandes monumentos revitalizaram a cidade em sua história atual. A Catedral de Santa Maria de Sevilha, onde sua torre é conhecida como Giralda, é a maior do mundo e uma jóia do gótico e do barroco, além de ter sido eleita Patrimônio da Humanidade em 1987. Na época era a torre também era a mais alta do mundo com 97,5 metros. Começou a ser construída no século XII, onde surgiu a partir de uma mesquita, enquanto o restante superior da catedral foi construída no século XVI na época cristã.

Mesquita de Córdoba da janela do hotel

Mesquita de Córdoba

Mesquita de Córdoba

Mesquita de Córdoba

Alcázar dos Reyes Cristianos, Córdoba

Alcázar dos Reyes Cristianos, Córdoba

Grande Mesquita, Córdoba

Córdoba, pequena jóia que deve ser descoberta devagar para sentir a presença do tempo e se perder por suas vielas à noite, é pura magia. Também foi uma cidade romana e na Idade Média capital do califado islâmico. A cidade antiga apresenta uma impressionante arquitetura, tendo a Grande Mesquita como destaque imperdível. No século X, Córdoba era provavelmente a cidade mais populosa do mundo e hoje conta com quase 350 mil habitantes, número proporcional infinitamente inferior ao de seu passado. Imperdível também são os jardins do Alcázar dos Reyes Cristianos, com suas fontes enfileiradas e jardins ornamentais, refúgio certeiro para os implacáveis dias de verão da região.

Alhambra, Granada

Alhambra, Granada

Alhambra, Granada

Vista de Granada do alto do Alhambra

Alhambra

Alhambra

Alhambra

Alhambra

Alhambra

Granada, cidade toda branca situada aos pés da Sierra Nevada, é a porta de entrada a um dos maiores monumentos de toda a Espanha, Alhambra, que significa Castelo Vermelho em árabe. Antiga fortaleza e palácio, foi um complexo de fortificações dos monarcas islâmicos de Granada e também declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Construído a partir do século XI com influências muçulmadas, judaicas e cristãs é um dos monumentos mais emblemáticos do mundo e um dos mais visitados da Espanha. Merece horas e horas a fio de contemplações, assim como a exuberante vista do alto de suas colinas, local estratégico de guarda e de indiscutível beleza. A cidade de Granada fica a seus pés e dali de cima do Alhambra, o que os olhos avistarem, nunca mais sairá de sua cabeça.

Cores da Andaluzia

Relíquia Andaluz

Ale Ravagnani

Alter do Chão. A praia mais bonita do Brasil fica num rio

Num país com 8.000 kilômetros de costa, dizer que a praia mais bonita do Brasil fica num rio no meio da Amazônia é quase uma ironia. Não qu eu não seja fã de nossos praias, de norte a sul, só as favoritas não cabem nas duas mãos. São muitas top ten e quase sempre bastante distintas, ou seja, tem praia pra tudo quanto é gosto. Porém, o jornal britânico The Guardian, elegeu a praia de Alter do Chão situada na beira do Rio Tapajós na parte amazônica do Pará, como a mais bonita do Brasil e uma das dez praias mais bonitas do mundo.

Lago Verde no Rio Tapajós

Vila de Alter do Chão

Estive neste paraíso de água doce por uma semana, e não tinha a menor vontade de ir embora. Distante 30 Km de Santarém, a vila de Alter fica na margem direita do imenso Rio Tapajós, que é quase um mar de tão imenso e suas praias se formam após a época das chuvas, que vai de janeiro a maio. Entre os meses de setembro a janeiro, as praias de areia super brancas são formadas nas margens do rio. Além das belas praias, no período das cheias (que vai de março a agosto), podemos avistar a Vitória-Régia, uma das maiores plantas aquáticas do mundo. No período das águas baixas (que vai de setembro a fevereiro) as revoadas dos passáros são de perder o fôlego.

Ilha do Amor ainda submersa na cheia

Vista para o Rio Tapajós no Morro da Piroca

Muitas vezes chamada de Caribe brasileiro, ajuda a compor sua beleza a impressionante localização da praia, onde as águas do Tapajós formam o Lago Verde ou Lago dos Muiraquitãs. Seu cartão postal é a Ilha do Amor, onde se chega em meros 5 minutos de catraia, barquinhos equivalentes à nossos taxis, que se pode tomar no centrinho da Vila. Ao chegar na ilha, escolha o quiosque que achar mais agradável, peça seu peixe (pode ser um Pirarucu, Tucunaré ou a fantástica costela de Tambaqui) e combine o horário que deseja almoçar. Aí é só relaxar na praia, mergulhar ou alugar um caiaque para remar pelo Lago Verde. Vida difícil, não é? Quer ver tudo por outro ângulo? Então suba até o Morro da Piroca e depois de um pequeno trekking veja a grandiosidade do Tapajós visto do alto. Outros passeios imperdíveis são pela Floresta Nacional do Tapajós, a Flona, uma reserva florestal de 600 mil hectares repleta de florestas primárias, praias, comunidades e igarapés. A experiência de navegar num pequeno barco passando pelo Rio Amazonas parece completamente for a de cogitação, mas ali é possível. Além de encontrar uma fauna e flora únicas, chegamos na Comunidade Urucureá no Rio Arapiuns, famosa pelo colorido artesanato de palha. O almoço vinha do próprio rio que os barqueiros pescavam e assavam, e para dormir, nada mais que uma rede pendurada no barco. Não era preciso nada mais.

Uma observação: o restaurante mais badalado do Brasil, o D.O.M., é considerado o sétimo melhor do mundo e grande parte dos ingredientes de seus deliciosos e intrigantes pratos vem do Pará.

Por do sol privilegiado visto de Alter do Chão

Passeio em barco Amazônico

Nossa casa por 2 dias no Rio Jari

Projeto peixe-boi

Projeto peixe-boi

Em Santarém, cidade no meio do estado do Pará e equidistante de Manaus e Belém, não deixe de ver o encontro das águas do transparente Rio Tapajós com o barrento Rio Amazonas, que devido às suas diferentes densidades e velocidades das águas, fluem lado a lado sem se misturarem. Se sua escala da viagem for a cidade de Belém, não pense duas vezes em optar por parar ali e curtir alguns dias. Seja pelos contrastes, pela culinária, pelo Mercado Ver o Peso ou por tantos outros bons motivos desta bela cidade. Mas isto já é outra história que depois eu conto aqui.

Visão de camarote

Descobrindo o Mercado Ver o Peso, Belém

Mercado Ver o Peso, Belém

Ale Ravagnani

Praia dos Carneiros é a praia mais perfeita da nossa costa

A uma hora e meio do Recife no município de Tamandaré, esta espetacular praia de Pernambuco é uma preciosidade do nosso litoral e pronta para ser descoberta por muitos. Até a pouco tempo, a praia pertencia a uma única família e pouquíssimas pousadas dividiam os 5 km de areias brancas entre a praia e o Rio Formoso que se juntam confundindo água doce ou salgada. A procura foi aumentando, as pousadas se profissionalizando e ficando mais transadas e aos poucos chamava a atenção dos investidores. Um grande condomínio de luxo, financiado por um grupo espanhol, já está sendo construído no pedaço da praia de rio e planos de alguns resorts já estão no papel, portanto corra antes que o paraíso não seja mais só seu.

Nascer do sol em Carneiros

Dia cheio na praia, perto do Pontal

Piscina natural em frente à pousada Pontal dos Carneiros

Imagine uma imensa fazenda de coqueiros margeando uma praia inteira para nos dar a sombra perfeita. Somado a isso, curvas sinuosas quebram a monotonia da paisagem, piscinas naturais que dependendo da maré chamam para um banho em diferentes horas do dia e um rio perfeito de águas claras que se confundem com o mar tranquilo. É a soma disso tudo que faz da Praia dos Carneiros um dos lugares mais perfeitos do Brasil. Caminhar pelas areias brancas e se deparar com uma pequena igrejinha à beira mar, emoldurada pelos coqueiros e pela água azul, é um cenário mais que perfeito. A Capela de S. Benedito do XVIII está ali pra gente não esquecer que o lugar tem um toque divino.

Capela de S. Benedito

Praia em frente ao Sítio da Prainha

Transporte na praia

Preparado para o sol

O maior luxo por lá é poder desfrutar de cenário tão privilegiado. A maioria das pousadas tem um grande jardim gramado na frente da praia com espreguiçadeiras, redes, sombra e água fresca. Durante o dia quando se cansar da areia, a pousada é o refúgio perfeito. De noite, o restaurante Beijupirá, na altura do Pontal, é a melhor pedida e opção imperdível para peixes e frutos do mar. Este é uma filial da matriz de Porto de Galinhas e a bem sucedida grife está se expandindo. No final do ano passado chegou a Fernando de Noronha junto com sua ótima pousada. Dependendo da época, não deixe de reservar e vá sem pressa curtir o paraíso gastronômico de Carneiros.  Mas antes de voltar para seu bangalô, fuja das luzes da pousada e olhe para cima. Um céu infinito de estrelas te presenteia com uma noite que não se vê mais por aí. Aproveitem enquanto esse pedacinho do paraíso pode quase ser só seu.

Bangalôs da pousada Pontal dos Carneiros

Restaurante Beijupirá

Restaurante Beijupirá

Pousadas recomendadas:
Pontal dos Carneiros
– excelente localização próxima das piscinas naturais e possui charmosos bangalôs. O ponto baixo são os preços mais salgados. Sítio da Prainha – pousada bastante confortável mas sem luxo. Fica um pouco mais distante, porém num ponto tranquilo da parte de rio da praia. Tem uma piscina gostosa e um jardim de frente para o mar. Ale Ravagnani

Piso de mosaico da Capela

Painel do ceramista Brennand no aeroporto do Recife

Por do sol inesquecível em Carneiros

Araxá é pra se desconectar

Cúpula de vitral das Termas de Araxá

Atrium central das Termas

A antiga cidade mineira de Araxá, terra da Dona Beja, imortalizada em minissérie na TV e estrelada por Maitê Proença, foi palco também de muita história, glamour e ficou no imaginário de tantas outras que ouvimos. Sabe-se que Beja tornou-se uma cortesã cercada de luxo e escravos além de ter sido uma negociante poderosa e respeitada na cidade. A história conta que ela tinha o costume de tomar banho em uma fonte próxima a Araxá, cujas águas seriam o segredo de sua beleza. A história antiga vem dos anos de 1800, quando a cidade estava se formando e a história se desenhando em seus casarões centenários, alguns deles preservados até os dias de hoje, como por exemplo a casa da Dona Beja que foi transformado em museu em 1965 por Assis Chateubriand e vale a pena ser visitado. Uma segunda retomada foi quando o governo de Getúlio Vargas, em um acesso de megalomania, inaugurou em 1944 o Grande Hotel e Termas de Araxá. E grande não era força de expressão. Projetado pelo arquiteto campineiro Luis Signorelli, em estilo “missões”, a monumental obra teve início em 1938 e concluída em 1945, meses antes da deposição de Vargas. Para a construção, foram recrutados os mais renomados engenheiros, técnicos, artistas plásticos e especialistas em hidrologia do Brasil, da Alemanha e da Itália, num total de 3.000 trabalhadores.

Vista do lago e do Grande Hotel de Araxá

Mirante da fonte Dona Beja

Fonte Dona Beja

Interior da Fonte Dona Beja

Hoje em dia, continua um grande hotel. Em 2007, depois de 8 anos fechado e de R$ 60 milhões investidos, reabriu em grande estilo e totalmente restaurado. Seus antigos salões, antes muitos deles voltados para o jogo já que ali funcionava um cassino, agora abrigam restaurantes com lustres de cristal da Boêmia, Scotch bar em estilo inglês, salões de baile, cine-teatro, salões de jogos, salas de leitura, e muitas outras em 33 mil metros quadrados de área construída. O acabamento continua impecável como antes, e para se ter uma ideia, mármore de Carrara é o piso de todas as dependências. Os lagos e os jardins também são luxuriantes e a natureza reina como a maior obra de arte nas áreas externas. O projeto paisagístico é de ninguém menos que Burle Marx. A grande vedete ainda hoje e que nos desconecta da vida terrena e insana que levamos, são as termas. Poderíamos chamar de spa ou até mesmo terapia da alma, mas o que sei é que voltei de lá muito mais leve (claro que não pelas boas e fartas refeições), mas pelo nível de relaxamento que o hotel nos propõe. São salas de banho dos mais variados tipos, massagens relaxantes, tratamentos diversos, duchas, saunas, e mais uma infinita lista de opções que nos transportam para um outro mundo, o mundo que não existe mais na cidade grande em que vivemos. Tudo isso emoldurado numa arquitetura impecável e estonteante, num ambiente sereno e de paz total. É só se deixar levar e lavar a alma para encarar mais um ano pela frente.

Sala de leitura do Grande Hotel

Scotch Bar do Grande Hotel

Detalhe dos salões

Detalhe dos jardins

O projeto arquitetônico das Termas do Grande Hotel recebe a presença do número “oito” que representa os ensinamentos do Buda, o número do infinito, que pode ser visto representado em todos os ambientes: são oito entradas de banho, oito afrescos, oito vitrais na cúpula central, oito painéis, oito colunas e oito pontas na mandala, que hoje em dia todas as tardes recebe uma cantora recitando mantras para colocar todos em outra sintonia.

“Uma semana em Araxá, um ano de vida a mais”, era um dos slogans vigentes na época do apogeu da estância.

Entrada das Termas

Atrium central das Termas

Piscina emanatória

Relaxando nas Termas

Água por todos os lados

Piscina emanatória

Detalhe do atrium

Banho de lama? Esse eu não encarei

Detalhe do atrium

Como chegar: Araxá fica a 375 km de Belo Horizonte, a 581 km de São Paulo, a 650 km de Brasília e a 797 km do Rio. A rodovia BR-262 liga o município à capital do Estado, Vitória (ES) e Corumbá (MT) e a MG-428 liga Araxá à divisa com o Estado de São Paulo. Com a reinauguração do aeroporto de Araxá, a 4 km do centro, é possível chegar ao município de avião. Há companhias aéreas que têm vôos regulares para a cidade.

Museu Dona Beja

Museu Dona Beja

A dieta começa na 2ªf

O que visitar:
– Museu Dona Beja, praça Coronel Adolfo, 98
– Museu Calmon Barreto (rua Franklin de Castro, 160), que reúne várias telas e esculturas do artista plástico contemporâneo nascido em Araxá e ex-diretor da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro
– Igreja de São Sebastião, capela em estilo colonial construída em 1820, que abriga também o museu sacro (av. Vereador João Sena, s/n)
Onde ficar: Além do Tauá Grande Hotel Termas de Araxá (www.taua.com.br/araxa), algumas pousadas podem ser uma boa opção mais low profile.
O que comprar: doces caseiros, cachaça, sabonetes terapêuticos e artesanato em geral

Ale Ravagnani

Descobri que o México fica a 15 minutos de casa

É certo que para se conhecer bem um país, nada melhor do que passar pela culinária, e quando pensamos na comida mexicana aqui em terra brasilis é que percebemos que não temos nenhum grande representante, ou melhor, não tínhamos. O casal de mexicanos Lourdes e Felipe reinventaram o que podemos chamar de restaurante. Apelidaram a casa onde moram de A Casa dos Cariris e, de vez em quando, abrem mediante reserva para simples mortais apreciadores de boas histórias e culinária. Nossos queridos amigos Martha e Eduardo nos presentearam numa dessas raras ocasiões em que um banquete original mexicano foi servido. Claro que eles foram um dos primeiros a descobrirem este lugar mágico. Agora, quando as saudades dos tempos de Cidade do México bate, eles respondem o convite no mesmo dia pra garantir seu lugar na casa da Babete, ou melhor, na casa da Lourdes e confirmam: culinária autêntica ou é nos Cariris ou está a 10 horas de voo de São Paulo.

Enquanto ela fica na cozinha aberta e praticamente junta da sala e das mesas dos comensais, Felipe passa pelas mesas, puxa conversa, conta histórias e nos entretém. Descobrimos que além de artista plástico (www.ehrenberg.art.br), seu filho é um famoso produtor de cinema… mas isso são outras histórias. A da vez é a comida, mas um bom contexto dá outro gostinho à refeição. Desde a entrada na casa amarela, nos damos conta que estamos em território mexicano. Tudo, absolutamente tudo vem de lá. Muita cor, caveiras, e todas as referências pop e artísticas desse rico país estão ali. Cada centímetro é uma lembrança e conta histórias, as pimentas estão espalhadas por todos os lados, secando ou decorando, e a arte e a inspiração dominam os ambientes. O início do banquete foi pelas bebidas. Mulheres nas margaritas e os homens na mistura total, como todo bom mexicano. Começamos com uma michelada, mistura de cerveja com limão, gelo e sal na borda, servido num grande caneco e junto, tequila Don Julio que acompanha sangrita, um pequeno suco de tomate meio adocicado. Junto a isso, como cortesia da casa, uma pequena cumbuca de barro com mezcal, uma bebida feita de agave e que o teor alcólico chega a 52,5%. Só de molhar o lábio parece que já entrou na corrente sanguínea.

Depois dos aperitivos, pra quem escolheu o menu 1, o rico “Arroz moreno”, que lembra de leve o nosso Carreteiro, iniciou o banquete. Para o prato principal, o “Bacalhau de Natal”, em lascas e servido com com um bolo de milho que traz um equilíbrio entre doce e salgado único e percebemos que um foi feito para o outro. Foi de comer de joelhos. Pra quem não tem medo de arriscar a ideia era encarar o “Mole Negro”, prato à base de frango preparado com dezenas de especiarias, à base de cacau e bastante chili. Na Cidade do México, experimentei esta iguaria, mas em outra versão, o “Mole Poblano” no restaurante La Valentina e este não deixou nada a dever, apesar do Felipe dizer que esta versão do prato da região de Oaxaca é completamente diferente das outras. Muitas risadas fecharam essa noite deliciosa em comemoração do meu aniversário. Agora, depois desta noite na Casa dos Cariris, ansiosos esperamos nossa próxima viagem ao México, que fica logo ali em Pinheiros. Ale Ravagnani

Conservatória e a Ponte dos Arcos, RJ

O interior do Rio de Janeiro pode trazer boas surpresas pra quem gosta de natureza e ao mesmo tempo de história. Há poucos meses, ao participar da campanha de meu cliente Nextel, tive a grata surpresa ao me deparar com esta locação para as fotos que é a cidade de Conservatória, distrito do município de Valença. Passando por Barra do Piraí e pela região de muitas fazendas do ciclo do café chega-se a este pequeno lugarejo, conhecida como a cidade das serestas. A grande descoberta é encontrar uma ponte de pedra com seus arcos simétricos e que nos faz voltar ao tempo em séculos. Se não fosse a vegetação tropical, juramos que estaríamos em alguma parte da Europa com sua construção medieval. Em nenhum outro lugar do Brasil existe outra ponte como esta e é fácil criar em nossas cabeças lendas e imaginações. A ponte, inaugurada em 1884, possui 100 metros de comprimento, 12 de altura e 4 de largura e foi construída de pedra, cal e óleo de baleia. Ela se encontra encaixada numa fenda na montanha que esconde essa pequena maravilha da arquitetura, esquecida e preservada no interior fluminense, que servia para o escoamento da produção de café. Não perca também um giro pelas fazendas históricas que compõem diversas localidades centenárias de Conservatória, como a Fazenda Veneza, Fazenda Juréa, Fazenda Florença, Fazenda São Lourenço, Fazenda São José, Fazenda Paraíso, São Pedro dos Rochedos, São Fernando, Santa Bárbara, São Marcelo. Para ficar, a Pousada do Ariel é uma ótima opção. Apesar de ficar bem perto do centro, a impressão é que se está no meio da serra, com direito a macacos e tucanos espalhados pelas árvores. O próprio Ariel prepara uma excelente comida e a pousada além de ter conforto, é muito aconchegante. O site www.conservatoria.com.br é bem completo e conta a história do lugar. Ale Ravagnani

Patagônia Argentina é logo ali. E você, não vai?

Trânsito típico da Patagônia

Mais uma vez vou falar sobre um dos lugares mais fascinantes da terra, e só de pensar que o país é nosso vizinho, já dá vontade de voltar. Estive lá em 3 oportunidades e todas foram fascinantes, vi coisas diferentes e posso afirmar que voltaria ainda outras vezes. Antigamente eu não queria voltar para um mesmo lugar mais de uma vez, mas depois quando você começa a ficar mais seletivo é que se percebe que voltar para um lugar que se gostou muito, é voltar para fazer novas descobertas e redescobrir o lugar, e quando falo de um lugar como o sul da Patagônia, bem na pontinha da América do Sul, sempre haverão surpresas, novos caminhos e descobertas. Diferente de Torres del Paine no Chile, aqui saímos na vantagem pela facilidade de chegar. De Buenos Aires ou Santiago, pega-se um voo direto para El Calafate, cidadezinha muito agradável e base para muitas explorações.

Navegação no Lago Argentino

Côndor, a maior ave da terra

Canal bloqueado por icebergs

Língua de gelo do Glaciar Spegazzini

Gelo à vista!

Paredão de gelo do Perito Moreno

"Caverna" no Perito Moreno

A maior de todas as aventuras é o Parque Los Glaciares e a geleira monumental Perito Moreno. Ela é tão grande e o paredão de gelo que se forma na beira do lago tão alto, que parecemos ínfimos nessa maravilha da natureza. Se está derretendo, provavelmente sim. Não é à toa que muito frequentemente ouvimos estrondos do gelo que vão se desprendendo e caem no lago formando ondas bastante altas. Em aproximadamente 1 hora, numa viagem por uma boa estrada, se chega ao glaciar e as opções dos passeios são muitas. Pelas passarelas, que ficam em uma península bem em frente, se tem uma visão privilegiada em diversos pontos e podemos visitá-la caminhando em terreno firme. Também se pode caminhar sobre o glaciar, munido de grampões e guia especializado. Saindo de barco de El Calafate, também se chega no mesmo lugar, mas por uma viagem pelo Lago Argentino e seu azul quase irreal. No percurso, montanhas dos dois lados e a passagem pelo canal dos icebergs, com suas inúmeras formas, tamanhos e cores até chegar Glaciar Spegazzini e no Onelli, menores que o Perito, mas também impressionantes. A empresa operadora do barco também prometeu parada no Glaciar Upsala, outro gigante do gelo, mas o caminho estava praticamente fechado pelos icebergs e foi impossível chegar perto. Vimos só mesmo de longe e aí acreditamos no aquecimento global e seus efeitos imediatos. Apesar da viagem ser longa, é uma experiência inesquecível e o barco, aliás muito confortável, passa praticamente raspando pelo gelo. A disputa no deck para fotografar é grande, mas você vai ficar tão hipnotizado pela paisagem surreal que nem vai ligar. De volta a El Calafate, invista numa boa churrascaria para provar muita carne argentina e o verdadeiro cordeiro patagônico. Diferente do Chile ou das cidades costeiras, aqui o forte são as carnes. A Casimiro Biguá não nos decepcionou e nossas noites eram a base de um bom Malbec para esquentar as noites frias do curto verão patagônico. Ou seja, pense bem no mês de sua viagem. Para dormir na cidade, são inúmeras as opções, desde hotéis a pequenas hospedarias. Nas duas vezes que estivemos na cidade, optamos pelos chalés Santa Mônica Aparts. Fica bem localizado, perto de tudo e os chalés no estilo “log house” são um charme.

Chegada em El Chaltén

Fitz Roy no meio das nuvens

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Se você está buscando um visual ainda mais selvagem e realmente isolado do mundo, siga para El Chaltén para ver uma das montanhas mais impressionantes da região. O Fitz Roy é quase um prêmio para trekkers e andarilhos do mundo inteiro que escolhem para suas caminhadas de dias no meio da natureza selvagem. O visual das montanhas é bastante parecido com o de Torres del Paine, com formações pontiagudas e algumas geleiras penduradas nas entranhas de seus picos rochosos. O pequeno vilarejo de Chaltén é bem simpatico, mas a impressão é que se chegou no fim do mundo. Muitas vezes a simples tarefa de andar é quase impossível, dada a velocidade do vento. Além de muita caminhada no meio da natureza, o Lago Viedma e a geleira de mesmo nome está ali não muito distante. Chegando no porto, toma-se uma embarcação de menor porte que em El Calafate para chegar na beira do glaciar. Até pensei que seria mais do mesmo, o mesmo tipo de formação das outras geleiras, mas apesar dela não ser muito grande, pelo menos a parte que está acessível aos nossos olhos, o contraste com o azul da água, a coloração do gelo e o tom amarronzado único das pedras transforma o momento numa viagem inesquecível. Pode se preparar para chacoalhar no barco e sentir a força do vento, mas não vai dar pra se arrepender.

Paisagem de El Chaltén

Fim do dia no Lago Argentino

A minha viagem termina por aqui, mas já está na cabeça novas andanças, desta vez chegando até Ushuaia. Também está na pauta a viagem que fiz para a Patagônia mais central, tanto no Chile quanto na Argentina. Essa viagem começa em Bariloche, desce até onde ainda existe Estrada, cruzamos a cordilheira dos Andes para entrar no Chile e subimos até Puerto Montt. Tudo isso de carro pela Carretera Austral. Mas isso é uma outra história que depois eu conto. Ale Ravagnani

Nova Zelândia. Aqui se vive de adrenalina

Como um país tão pequeno, rodeado pela natureza e isolado na Oceania pode ter tanta vocação para a adrenalina? Talvez pra quebrar a monotonia ou simplesmente pra dizer para o resto do mundo, “Ei, eu existo”, mas o mais importante é que eles conseguiram. Ou talvez seja uma estratégia de posicionamento de algum marqueteiro em encontrar sua real vocação. E eles conseguiram e chamaram a atenção de corajosos do mundo inteiro que sonharam em experimentar tudo aquilo e mais um pouco. Ou até mesmo os jovens de espírito como eu, que em férias no país vizinho da Austrália, terra dos kiwis, do Senhor dos Anéis, do time de rugby All Blacks e de tantas outras coisas diferentes, voltamos no tempo e na nossa idade. A Nova Zelândia é dividida entre a ilha do Norte e a ilha do Sul, e de norte a sul a adrenalina está por toda parte. Qualquer viagem ao país começa na capital Auckland e subir na torre mais alta do país, a Sky Tower, já dá frio na barriga e a vista da cidade é de tirar o fôlego. A região de Taupo e suas montanhas é o lugar ideal para paragliding, asa delta, paraquedismo e tudo mais que voa. Pertinho dali, em Rotorua, uma das cidades com maior atividade vulcânica do país, denuncia onde estamos antes mesmo de chegar. O cheiro de enxofre no ar está por toda parte e caminhar pelas passarelas no meio de lagoas termais, piscinas de lama borbulhantes, geysers e mini-vulcões indicam que logo ali embaixo da terra alguma coisa está acontecendo.

Preparação do Balão, Ilha do Sul

Nosso balão no ar na visão de outro balão

Lake Matheson e o Mount Cook ao fundo

Mas pé na estrada que ainda tem chão. Chegando em Christchurch, cidade típica da colonização inglesa já na ilha do Sul, começamos de um jeito mais light, com um passeio de balão para ver os Alpes do Sul onde fica maior montanha do país, a Mount Cook, com quase 4 mil metros de altura. Tudo depende do clima, do vento e da previsão na manhã da partida e uma confirmação por telefone é que vai definir a saída ainda na madrugada. Chegando ao lugar, com o balão na caçamba do carro, ajudamos na montagem e um pequeno balão meteorológico define pra que lado seguir, ou melhor, pra que lado o vento vai nos levar. Todos sobem no cesto de vime rapidamente pra não ficar pra trás e uma vez lá em cima, tudo vai ficando pequeno lá embaixo e o silêncio impera, só quebrado pelo barulho do ar quente enchendo o balão ou por um telefone celular que de repente toca lá nas alturas. No alto não percebemos a velocidade do vento e quando estamos descendo e vamos nos aproximando do chão é que vemos a real velocidade e ao tocar no solo, que em nosso caso tinham muitas pedras, deu o tom radical do passeio com o cesto virando e terminando nosso voo de maneira repentina e engraçada, com os 5 passageiros e o piloto deitados no chão. Mas valeu cada segundo e cada centavo da viagem.

Bungy Jump na ponte Kawarau, Queenstown

Cidade de Queenstown, Ilha do Sul

A parada seguinte foi a cidade de Queenstown, a principal meca dos esportes radicais do país. O início da experiência foi conhecer o primeiro bungy jump do mundo na ponte Kawarau, criado em 1988 por A J Hackett. Fui o último louco do dia a me atirar da ponte e mesmo sem coragem resolvi me desafiar. Quase desisti depois de tudo acertado, mas o meu instrutor disse que daquele ponto não tinha mais volta. Olhei pra frente, respirei fundo e fui. Acho que só voltei a respirar quando senti a corda se esticando nos meus tornozelos e vi que não afundei no rio semi-congelado. Um pequeno barco me resgatou e me deixou na margem e quase sem força pra subir de volta e com as pernas bambas, estava vivenciando o poder da descarga de adrenalina no corpo. Vale lembrar que a altura deste bungy jump “tem só” 43 metros de altura, e hoje em dia o mais alto tem 143 metros de altura!

Fox Glaciar visto do alto

Chegada do helicóptero no Fox Glaciar

Trekking no Fox Glaciar

Cavernas no gelo

No dia seguinte foi a hora de conhecer um dos glaciares do país, mas de maneira diferente. Subimos num helicóptero e rumamos à montanha. Lá, antes de pousar, nossa guia pula com o aparelho ainda no ar e faz sulcos no gelo para dar maior aderência para não patinar no pouso. Depois de alguns minutos finalmente pousamos, mas o helicóptero ainda derrapa consideravelmente. Nosso trekking no alto do Glaciar Fox começa e com um grupo de 9 pessoas atravessamos fendas enormes, passamos por cavernas de um gelo azul sem igual e vamos tentando manter o equilíbrio de marinheiros de primeira viagem sobre o gelo espesso de milhares de anos. Graças aos sapatos com grampões, nossos sticks para caminhada e de vez em quando o apoio de uma corda, subimos montanha acima nessa aventura pelo gelo. Do alto, vemos o mar que está a poucos quilômetros. Esse é um dos poucos glaciares que está praticamente ao nível do mar. Na volta, nossa guia chama o helicóptero pelo rádio, apesar da comunicação ser difícil e quase já sem luz do dia, ele nos resgata e nos leva de volta sãos e salvos ao pequeno vilarejo.

Jet Boat no rio Shotover, Queenstown

Dia seguinte, nova aventura. Andar nos rios de água de degelo em grande velocidade com barcos de alta propulsão chamado Jet Boat é uma das maiores aventuras de Queenstown. O grande barato são as finas que nosso piloto tirava dos paredões do canyon no rio Shotover ou sem medo passa por cima de bancos de areia e galhos secos. Quando víamos o sinal que o piloto fazia com as mãos, atenção redobrada e os braços colavam para se segurar e se apoiar porque cavalo de pau e um giro de 360º vinham pela frente. É quase uma montanha russa sem trilhos ou rota definida num dos rios de cor azul esverdeado mais bonito que eu já vi. No extremo sul da ilha, os fiordes de Milford Sound em Te Anau chamam para uma exploração de barco ou para caminhadas com um cenário deslumbrante com cachoeiras altíssimas e uma das maravilhas da natureza do mundo. Pra quem ainda tiver fôlego, novos esportes estão sempre surgindo. Basta você descobrir qual é o seu. Se você não for tão radical, vá para a Nova Zelândia assim mesmo. A beleza natural do país é tão linda e as cidades tão acolhedoras, e a infra estrutura do país tão perfeita, que agradam a gregos, troianos, radicais ou sedentários. Ale Ravagnani

Rota Ecológica de Alagoas

Praia de Japaratinga vista da Pousada do Alto

Pousada do Alto, Japaratinga

Pousada do Alto, Japaratinga

O trecho do litoral alagoano, que fica entre Maragogi e Barra de Santo Antônio ainda é uma parte do litoral do Brasil que não sofreu o boom imobiliário e nem a onda de resorts que vem sendo erguidos por toda a orla do Nordeste. Praias e mais praias desertas e inexploradas, com apenas uma ou outra pousada e poucas casas emolduram um mar azul esverdeado que mesmo num dia nublado é claro e imaculado. São cerca de 40 km de praias que devem ser descobertas dirigindo e parando naquela que mais lhe agradar. A vontade acaba sendo em escolher uma das excelentes pousadas e ficar por ali relaxando sem a menor pressa. A nossa escolhida foi a bela Pousada do Alto, que claro, fica no alto de uma montanha-falésia à beira da praia de Japaratinga, e que é infinitamente mais bela de cima do que de baixo. A vista é de perder o fôlego, e o conforto da pousada convida para relaxar à beira da piscina de fundo infinito com a melhor vista do nosso litoral e quem sabe do mundo! Exageros à parte, vá ver de perto a Praia da Lage, que tem aquela forma quando imaginamos uma praia perfeita, além de formar uma baía linda, os coqueiros emolduram um mar de cor única. Para se hospedar por ali, a Aldeia Beijupirá é uma excelente opção, com conforto, charme e o restaurante Beijupirá, que também é aberto a não-hóspedes e já provou que sabe fazer culinária de primeira com um toque de nordeste também em Porto de Galinhas e na Praia dos Carneiros no litoral de Pernambuco.

Praia da Lage

Outra praia para se ver e ficar, é a Praia do Toque, também pouco explorada e como a maior parte deste pedacinho de paraíso, vem crescendo pouco, mas com muito charme. Vários estrangeiros vem investindo em hotelaria, mas sem os grandes grupos que acabam fechando a praia inteira e fazendo ali seu quintal particular. A Pousada do Toque é uma das mais bonitas do Brasil, mas prepare o bolso, já a Pousada do Caju, a Amendoeira e a Côté Sud também são excelentes e mais acessíveis. Se não estiver hospedado numa delas, comer o bacalhau no Caju é um programão depois de um dia de sol. Os portugueses que tocam a pousada trouxeram o melhor da terrinha pra gente. Outra praia muito gostosa é São Miguel dos Milagres. Ela surge quase que como uma miragem e caminhar por ali, passando de praia em praia, é uma benção para os olhos e para a alma, quase um milagre de nosso litoral já tão movimentado. Mais alguns passeios que devem ser feitos são as piscinas naturais, que estão nas praias do Toque, Patacho, Japaratinga e Porto da Rua e também visitar Tatuamunha e subir o rio para ver os peixes-bois que vivem no mangue. Além dos bichinhos que são uma grande atração, o por do sol é lindo.

Visual de Japaratinga

Farol em Porto de Pedras

O inglês reinventado da balsa

Varal

Parque Yellowstone. O Zé Colméia mora aqui

Juro que desta vez vou tentar falar menos e mostrar mais. O parque Yellowstone dispensa muito blá blá blá para descrevê-lo. Basta ver as imagens para se dar conta disso. As cores parecem que foram mexidas no photoshop de tão fortes e improváveis que são. É uma região de extremos dos Estados Unidos, começando pela localização no estado de Wyoming, lá em cima quase no Canadá e fronteira com Montana, Utah e Idaho.

Jackson, Wyoming. De volta ao velho oeste

Entrada do parque nacional Grand Teton, Wyoming

As grand tetons, do parque de mesmo nome criado em 1929

Cuidado com os ursos!

Bald Eagle, águia símbolo do país

Vista do Jackson Lake, Grand Teton

Tudo começa na cidade de Jackson, no verão porta de entrada dos parques e no inverno uma das melhores neves para esquiar. Dirija do aeroporto de Salt Lake City, sim a cidade além de ser famosa pelos mormons, fica à beira de um grande lago de sal, e pare por uma ou duas noites em Jackson para conhecer o Parque Grand Teton com suas montanhas altíssimas e visual deslumbrante. Por ser vizinho do Yellowstone, não perca de jeito algum e faça a escala. Chegando ao 1º parque nacional americano, criado em 1872, você está entrando em outro mundo e irá ver o que nunca pensou existir na terra, ou melhor, que está ainda se formando. Seja pelos contrastes de quente e frio ou da terra em constante ebulição numa área de intensa atividade vulcânica. Tudo ferve logo ali pertinho da gente e do lado de fora, mesmo no verão, o frio é de rachar. E dizem este ser o maior vulcão ativo da terra! Geysers por todos os lados jorram água fervendo há muitos metros de altura, piscinas que brotam da terra com cores impensáveis, canyons com tonalidades que vão do branco, passando por amarelo, vermelho e marrom, cachoeiras altíssimas, vida animal abundante (dizem até que o urso Zé Colméia mora ali, apesar de não ter topado com ele) e uma estrutura com tudo que precisamos para uma viagem memorável. Prepare a retina, a câmera fotográfica e o corpo, já que se chega a todos os lugares de carro, mas sempre uma caminhada nos espera pela frente, sem contar a altitude que já sentimos de leve em nosso fôlego. O programa noturno no parque é descansar pra começar um novo dia de descobertas, mas sem antes provar a ótima truta dos rios gelados da região e um céu com tantas estrelas que não vimos há muito tempo. E isso é só um pouquinho do que tem por lá. Ale Ravagnani, com a colaboração de Rino e Marcio

Entrada oeste de Yellowstone no estado de Montana

Congestionamento de bisões

O geyser Old Faithful entrando em ação de hora em hora

Cromatic pools, Yellowstone

Mammoth Hot Springs Terraces, Yellowstone

Atividade termal e o lago Yellowstone ao fundo

Lower Falls, Grand Canyon do Yellowstone

Grand Prismatic Spring, Yellowstone

Grand Prismatic Spring, Yellowstone

Great Fountain Geyser, Yellowstone

Mule Deer, Yellowstone

Norris Geyser Basin, Yellowstone

Cromatic Pools, Yellowstone

Cromatic Pools, Yellowstone

Great Fountain Geyser, Yellowstone

Cromatic Pools, Yellowstone

Bull Elk, lago Yellowstone

Lower Geyser Basin, Yellowstone

Pronghorn, Yellowstone

Steamboat Point, Yellowstone

Transporte coletivo no parque

Torres del Paine. Onde as torres tocam o céu

O parque nacional de Torres del Paine, no extremo da Patagônia chilena e reserva da Biosfera pela Unesco, com certeza é uma das grandes paisagens da Terra. Seu ecossistema único no meio da desértica Patagônia possui um microclima que nos presenteia com espécies só ali encontradas, montanhas altíssimas, geleiras e vida animal abundante. Isso tudo com uma ótima infra-estrutura de transporte, hotéis e excelentes guias. O início dessa viagem se dá depois de um voo de 4 horas de Santiago a Punta Arenas, cidade mais extrema do Chile. Aproveite para ver o Estreito de Magalhães e mesmo navegar por ele até a pinguineira de Isla Madalegna, que depois de uma viagem de barco de 2 horas, nos deparamos com milhares desses bichinhos engraçados, barulhentos e mal cheirosos (mas isso você tenta ignorar). A época ideal da viagem é o verão, que vai de dezembro a março, e mesmo assim espere encontrar frio razoável mas suportável, vento e quem sabe até mesmo um pouco de neve dependendo da altitude que você estiver. De volta à cidade de Punta Arenas, vale a pena dar uma volta pela cidade com suas casinhas coloridas, visitar o Museu Salesiano, que nos conta muita história da região, da fauna e da flora e escolher um dos bons restaurantes que servem frutos do mar, especialmente a centolla, caranguejo desajeitado e gigante da região e os peixes das águas geladas. Deixe o cordeiro para depois para não enjoar, pois este será o prato principal daqui pra frente. Mas se prepare que o tempo pode virar a qualquer momento e o vento gelado que vem direto da Antárctica te pegar de jeito.

Punta Arenas e o Estreito de Magalhães

Casa em Punta Arenas, Patagônia chilena

Pinguineira Isla Madalegna, Estreito de Magalhães

O parque, destino de nossa viagem, ainda está a 400 km de distância. Para deixar a viagem menos cansativa, prepare-se para parar e ficar um dia em Puerto Natales, pequena cidade pesqueira, à beira de um fiorde e encravada no meio das montanhas. Uma maneira pra lá de diferente de continuar a viagem é seguir de barco a partir da cidade. Primeiro toma-se um pequeno barco, porém com parte coberta e algum conforto passando por diversos glaciares como o Serrano e o Balmaceda e lagos cobertos de icebergs que dão show para qualquer aprendiz de fotógrafo. Quando se está mais próximo do parque, trocamos de barco para um bote chamado zodiac e começamos a sentir a verdadeira natureza selvagem da Patagônia navegando pelo Rio Serrano. Sabe quando a viagem até o lugar é o passeio? Neste caso isso é verdade.

Glaciar Serrano, Puerto Natales

Torres del Paine é enorme e provavelmente seu hotel providenciará os passeios com transporte e guias. Na primeira vez que estivemos lá, ficamos na Hosteria Grey, bem em frente ao lago Grey e à geleira de mesmo nome que fica ao longe. Quase não a notamos, mas quando vemos os icebergs chegando relativamente perto das margens do lago, nos damos conta de onde estamos. Na última vez ficamos no Hotel Las Torres, bastante confortável e profissional, com uma localização boa, mas não tão impressionante quanto o Grey. Quando se caminha o dia inteiro em uma região com clima hostil, escolha um lugar para ficar com um mínimo de conforto. Uma boa noite de sono é garantia de um dia com energia e disposição. Alguns hotéis do parque envelheceram e é bom checar as condições antes de reservar. Para o primeiro dia, faça um tour chamado Full Paine, que dá um giro completo de reconhecimento pelo parque, passando por diversos lagos cor azul, verde, cinza e mais tantas outras cores, cachoeiras cristalinas (Salto Grande, Salto Chico e Saltos del Paine), mirantes, o Maciço Paine, com mais de 3.000 metros de altura, e muita vida animal com condores (a maior ave existente com evergadura que pode chegar a 3 metros), ñandu (um tipo avestruz local), huemul (espécie de alce que está em perigo de extinção), guanacos, o temido e arredio puma, além de muitas espécies de aves. Se der tempo, vale a pena pegar o barco para visitar o Glaciar Grey e fechar o dia em grande estilo. Este é o dia de reconhecimento da região e daqui em diante, as expedições poderão ser mais específicas para partes do parque e muitas caminhadas com diferentes níveis de dificuldades. As opções são infinitas e a cada hora do dia, dependendo da luz, as torres del Paine vão mudando de cor e ao entardecer estão avermelhadas refletindo a luz do sol. Uma coisa é certa, você não vai enjoar desse cenário. Tente ficar alguns dias no parque para que seu contato com esta natureza formidável não seja superficial, mas programe-se já que os hotéis lotam com meses de antecedência. Cada parte em que se caminha é uma surpresa, as flores estão em seu auge, os animais com seus filhotes recém nascidos e o dia é longo o suficiente para você ter a luz do dia a seu favor. Anoitece muito tarde no verão só pra gente aproveitar muito mais. Mas ainda tem muito mais da Patagônia. Logo vou falar da parte que está na Argentina e suas geleiras incríveis já que a região merece muitas e muitas viagens. Ale ravagnani

Maquete de Torres del Paine, Hotel Las Torres

Torres del Paine

Whisky com gelo milenar, Glaciar Grey

Saltos del Paine

Cavalos do Hotel Las Torres

Lupinos, flor da Patagônia

Papoulas, Torres del Paine

Ponte estreita, caminho do hotel Las Torres

Museus-experiência: Ilha de Alcatraz, Museu Guinness e Auschwitz-Birkenau

Muito se fala em experiência de marca com o consumidor. Acredito que esta mesma visão meio marqueteada também tenha chegado ao turismo. Quantos lugares são “embalados” de tal jeito que a experiência vivida acaba se tornando inesquecível. A Disney com certeza é uma delas, mas aqui vou contar três momentos de viagens que marcaram para sempre com grandes experiências que recriaram a história do lugar de tal maneira que se tornou inesquecível para mim.

A Ilha de Alcatraz na baía de São Francisco não é só uma vista bonita da Golden Gate e da cidade. Vai muito além disso. Partindo de barco do pier em São Francisco, chega-se à ilha que foi uma prisão de 1934 a 1963 e que por ali passaram criminososo famosos como Al Capone. A visita se dá em parte através de um sistema de áudio, bem corriqueiro na maioria dos museus, mas ali feito de maneira diferente. A gravação que ouvimos quando paramos em cada cela e apertamos o número referência é a voz dos presos verdadeiros, que viveram seus dias ali ou então de carcereiros que trabalharam em Alcatraz, contando a história e detalhes de cada pedaço da prisão, coisas que somente eles saberiam dizer. Ao mesmo tempo que é fascinante, é de arrepiar até o último fio de cabelo.

Ilha de Alcatraz, São Francisco

Ilha de Alcatraz e seus ex-detentos-guias

O Museu Guinness em Dublin na Irlanda, é uma ode à cerveja escura mais famosa do mundo e que tem adoradores em todos os lugares. O museu foi construído numa antiga e histórica fábrica da cerveja, anexa à fábrica moderna e atual. O tour pelo prédio passa por todos os processos de fabricação, andar por andar, com os equipamentos originais e a reconstrução com gravações em áudio-visual. Dos ingredientes à história, indo dos equipamentos à fabricação, chegando na marca, embalagens e a premiada publicidade da Guinness. No final do tour, chega-se a um bar envidraçado no último andar da cervejaria e com um visual 360º de Dublin. E a degustação do melhor pint de Guinness de sua vida vindo direto do encanamento da fábrica está incluso no preço do ingresso.

Museu Guinness

Exposição da publicidade da Guinness

Auschwitz-Birkenau próximo a Cracóvia na Polônia é o registro real das barbaridades do holocausto ocorrido pelos nazistas. Não existe experiência mais dolorosa e dramática. A visita começa na própria van que nos leva da cidade até os campos de concentração. Nossa guia conta que faz isso para ninguém esquecer o que seus familiares passaram ali. Ao chegar, um filme no museu nos situa e na sequência, ninguém mais consegue abrir a boca. O silêncio e a emoção domina a todos e quando chegamos aos fornos, câmera de gás ou ao famoso portão que os trens chegavam com os judeus, fica difícil continuar e seguir em frente. Respiramos fundo e damos conta da importância do local continuar existindo. Ale Ravagnani

Camboja. Muita história longe das guerras

Pense num dos países mais longínquos da terra, chamado Camboja, e faça suas associações. Qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça? Você pensou em pobreza? Guerra? Grupos guerrilheiros? Doenças? Com certeza, o país já passou por tudo isso, entre outras coisas, mas felizmente, vem superando na medida de suas possibilidades, grande parte dos graves problemas que já o afetaram um dia. Apesar de tudo que o povo passou, a segurança e a paz prevalecem. Além de ter uma população amistosa, é seguro viajar, embora se tenha a sensação de estar chegando ao fim do mundo. Um fato curioso que exemplifica muito bem isso se passou durante um jantar na cidade de Siem Reap. Depois de muito tempo de viagem pela Ásia, eu estava sem ter uma refeição decente há algum tempo. Após um excelente jantar, num pequeno restaurante escolhido pela sorte, e depois de pedir várias pequenas porções e provar e aprovar 100% do que me foi servido, o chef surpreso com o ocidental comilão, foi à mesa me conhecer e acabamos a noite batendo papo e tomando um drinque em um bar da cidade. Hoje, o Camboja está se tornando um dos destinos mais interessantes do mundo para visitar e nos mostra outra face que, certamente nos agrada muito mais. Hotéis de primeira estão chegando, a exemplo da badalada rede Aman Resorts, que já se instalou com seu Amansara perto dos templos de Angkor. A culinária cambojana, que antes era considerada somente mais uma dentre tantas na Ásia, recentemente vem se tornando o hit do momento, e alguns críticos como o da Condé Nast, acreditam que fará frente à já consolidada e apreciada comida tailandesa. Talvez seja uma herança que os franceses deixaram com sua colonização, quando formaram até 1953 a Indochina francesa, junto com o Laos e o Vietnã, tendo a astúcia de transformar a mistura de influências numa embalagem gourmet e saborosa.

E, por falar nos franceses, o principal destino de todos que visitam esse país, e o meu inclusive, é um lugar no meio do Camboja chamado Angkor. Na época em que o destemido explorador francês Henri Mouhot redescobriu em 1858 os templos de Angkor no meio da selva cambojana no Sudeste Asiático e os tornou conhecidos mundialmente, acredito que tenha tido a mesma sensação que temos nos dias de hoje, 150 anos depois, quando os visitamos. A chegada à Siem Reap, porta de entrada dos templos, é feita diretamente de Bangkok, capital da Tailândia, ou passando pela capital do Camboja, Phnom Penh. De lá, toma-se outro voo para Siem Reap, e desse pequeno vilarejo, todos os caminhos levam a Angkor. São centenas de templos espalhados por uma área de mais de 400 km2. Mas isso não é motivo para desanimar, já que os principais, que considero imperdíveis, estão a uma distância relativamente próxima uns dos outros. A cada nova descoberta há um deslumbramento e não é à toa que o Angkor é denominado patrimônio da humanidade pela Unesco desde 1992. Imagine que entre os séculos IX e XV houve uma civilização que construiu um império com um sistema único no meio da selva. O tempo foi passando e sucessivas gerações iam tomando conta do império e agregando ora influências hindus, ora budistas, e hoje o que se vê são deusas no meio de estátuas com feições de Buda, formando um sincretismo único no mundo.
Angkor Wat, dedicado ao deus hindu Vishnu, e o principal de todos os templos do império Khmer, é considerado o maior templo religioso do mundo e foi concebido como se fosse um modelo do Universo. Os sistemas de reservatórios de água, além do propósito de irrigação, representavam simbolicamente o oceano, e o templo, que ficava ao meio, era a montanha central. Caminhando ao seu redor, temos um pouco da noção do que foi aquilo tudo, da imensidão e dos detalhes pensados. Em cada pedaço de pedra, se vê algo esculpido. Em cada parte da estrutura, é possível vislumbrar uma engenharia e grandiosidade únicas e surpreendentes até para os dias atuais. Um senso estético elevado aos mais ricos detalhes imaginados. Outro templo não menos impressionante é o Bayon, com suas centenas de figuras de rostos, que enigmaticamente, parecem estar sempre nos observando, suas dançarinas, apsarás e alguns números fabulosos. Foram 30 anos de construção, 360 mil trabalhadores, 6 mil artesãos e 40 mil elefantes: tudo para levantar o que vemos ainda de pé 500 anos depois. Sigo para o próximo templo e então percebo o que a ação do tempo pode fazer. Ta Prohm parece ter sido abandonado, assim como foi o desaparecimento da civilização Khmer. Árvores com centenas de anos estão emaranhadas nas pedras, abrindo espaço para suas raízes tocarem o solo, parecendo cera derretida “escorrendo” paredes abaixo. É tão impressionante quanto o mais preservado dos templos de Angkor e por isso serviu de cenário para o filme Tomb Raider. Muito acertadamente, meu guia local me levou ao templo logo cedo, horário em que não havia nenhum turista nem qualquer referência de que estávamos no século XXI, e não mais na Idade Média. Paramos para um piquenique no meio das ruínas, e meu guia começou a contar um pouco sobre sua vida. Na década de 70, seu pai era professor universitário e foi preso e dado como desaparecido. Sabe-se que foi capturado, torturado e executado pelo exército comunista Khmer Vermelho, do general Pol Pot, pelo simples fato de ter cultura, saber ler, escrever e transmitir isso à família e a seus alunos. Bastou esse motivo para metade da população do país ter sido dizimada nos anos de 1970. Seguindo os caminhos do pai, meu guia fazia esse trabalho para ajudar em seu orçamento e estava começando sua promissora carreira de professor de História, a fim de disseminar o que lhe foi transmitido e interrompido bruscamente.

Num mundo em que descobrir um lugar pouco divulgado pela mídia é um presente raro que todo viajante deveria se dar, independentemente da distância ou dificuldade para se chegar, deve-se focar no que vai encontrar e descobrir. Assim como o destemido francês no século passado, ainda podemos ter a sensação de algo realmente novo para nossos olhos tão cheios de referências. Parece que uma nova dimensão se abre e nos damos conta de que o mundo não é tão pequeno assim, que ainda não vimos tudo o que precisa ser visto ou que ainda vale a pena pegar um avião, voar mais de 24 horas e se deparar com o impensável. Ale Ravagnani

Templo de Angkor Wat

Templo de Angkor Wat

Templo de Bayon

Templo de Bayon

Casa-barco - Lago Tonle Sap

Templo de Ta Prohm

 

Atacama. Direção de arte no deserto

O deserto mais seco e mais belo do mundo fica no norte do Chile, próximo da fronteira com Bolívia e Argentina. Pra chegar até lá, não é tão difícil assim, e deve ser por este motivo que os brasileiros estão indo pra lá aos montes, mas mesmo assim longe de ser um destino popular ou muito explorado. Tenho certeza que é a propaganda boca a boca que está funcionando. Só eu já fui 3 vezes, e acho que ainda quero mais. Obviedade ou falta de originalidade na escolha das minhas férias? Muito pelo contrário, é a busca pela paz e por um estado de espírito único, a natureza selvagem em sua melhor forma, apesar de estarmos num deserto. Da última vez, fui só eu e meu pai que estava fazendo 70 anos. Minha esposa preocupada por ele com a altitude elevada de San Pedro de Atacama, mas ainda fomos além. Nosso meio de locomoção era uma bicicleta e nosso espírito era de descobertas e redescobertas juntos. O dia era bastante cheio, desde cedo passando por tudo que eu já havia visto com a Carol, mas guiando quem sempre me guiou. O ar é tão puro, a luz tem outra cor, uma incidência diferente, tudo é claro, limpo, apesar da poeira do lugar. O contraste me impressiona. É calor de dia e muito frio à noite ou quando estamos em maior altitude, vulcões por todos os lados, geysers jorrando água fervendo, lagunas em pleno altiplânico, salares brancos como a neve, mas feitos de puro sal, paisagens que parecem Marte, ruínas Incas, um céu coberto de estrelas que acreditamos estar iluminado. E além disso tudo um vilarejo simpático, parado no tempo, mas ao mesmo tempo fervendo como uma torre de Babel com todas as línguas do mundo se encontrando para um jantar à beira da fogueira, e uma taça de um bom Carmenére. Ale Ravagnani

 

Laguna Ceja e Vulcão Licancabur

Geysers del Tatio

Ojos del Salar

Salar do Atacama

Llamas posando para a foto

Vale da Lua e Vulcão Licancabur

San Pedro de Atacama

 

 

 

Um dia perfeito em Noronha

 

Baía dos Porcos e Morro Dois Irmãos

O conforto chegou à ilha. Agora as opções de hospedagem são muitas e para todos os bolsos. As famosas pousadas improvisadas nas casas dos ilhéus agora não são mais tão improvisadas assim. Passaram a ter chuveiro quente, ar condicionado, cama bacana e até um certo charme. E por outro lado, a ex-pousada do Luciano Huck, a Maravilha, subiu o padrão geral e “incentivou” várias pousadas a reformar e melhorar também. Apesar do valor médio ter subido, o conforto subiu ainda mais. Sou fã da Pousada do Vale e acho que o custo x benefício é dos melhores em Noronha. Tem charme, conforto, fica bem localizada, kit completo para praia, com cadeiras, guarda-sol, toalhas, sem falar da atenção e da receptividade com que nos recebem. Já fiquei lá duas vezes e com certeza volto. Só espero que logo!

O dia perfeito em Fernando de Noronha começa cedo (pelo menos para as férias).

– 8h30. Tomamos um café da manhã reforçado para aguentar um dia de muito sol e mar. Tapioca, sucos naturais com frutas do pomar da pousada, queijos, frios, bolos… e eu vou parando por aí.

– 9h30. Começamos o dia na Praia do Boldró. Apesar de não ser considerada a número 1 da ilha, pra mim é a mais gostosa de todas, não tem muvuca, é ótima para caminhar e no lado esquerdo da praia formam umas piscinas naturais que na verdade são aquários em que a gente pode entrar e nadar com os peixinhos coloridos. Com snorkel e máscara vimos até um polvo nas pedras.

– 12h. Rumamos para o Porto para fazer um passeio de barco pela ilha. O barco passa por várias praias, encontramos muitos golfinhos pelo caminho e um dos pontos altos é a passagem pelo morro Dois Irmãos, Baía dos Porcos e a parada no Sancho. Esta última só se chega de barco como fizemos ou descendo uma escadaria encravada nas rochas. Vale a pena chegar na praia mais bonita do Brasil de qualquer uma das maneira.

– 16h. De volta, pegamos novamente nosso bugue alugado (e detonado como a maioria) e vamos para a Praia da Conceição, considerada a mais urbana da ilha, apesar de ser bem tranquila e linda de morrer. Ao invés de ficar estirados na areia, resolvemos dar um tempo pra pele e ficamos no Bar Duda Rei, o único da praia e considerada a cerveja mais gelada da ilha e talvez do mundo! Mesmo numa mesinha de plástico e pé na areia, a impressão de estar no paraíso continua firme. E entre um gole e outro, uma parada para mergulho. Digno de rei!

– 17h30. O por do sol está chegando e voltamos ao porto para este momento quase religioso de Noronha em dia de céu aberto. O lugar escolhido é o Mergulhão, um bar-restaurante recém aberto no estilo lounge com música boa, decoração bacana e uma das melhores vistas da ilha para o fim do dia alaranjado. Como ele fica meio no alto, a localização é estratégica.

– 18h30. Partimos dali e andamos 500 metros para a famosa igrejinha. No outro lado da ilha, o chamado Mar de Fora (voltado para a África), a lua cheia estava nascendo. Poucos minutos depois de ver o sol se pondo no Mar de Dentro (que é voltado para o continente e que fica a 350 km dali) logo abaixo do porto e emoldurado pelos barquinhos e pelo Morro do Pico, a lua nascia gigante, iluminando o mar e fechando o dia.

– 19h. Hora de voltar pro nosso bangalow, descansar um pouquinho, mas não muito e se preparar para sair.

– 20h. Começa a palestra do Ibama no Projeto Tamar, que todas as noites, biólogos muito bem instruídos e treinados, falam sobre um tema da natureza da ilha em cada noite. Pode ser sobre tubarões, tartarugas, golfinhos, mas sempre vale a pena ter a impressão de fazer parte do National Geographic Channel ao vivo. Todos os turistas se encontram ali, seja para ver o bem montado museu, tomar um expresso ou comprar camisetas na lojinha depois das palestras.

– 21h30. A fome já apertou e jantar um peixe do dia ou frutos do mar no Cacimba Bistrô, cai como uma benção. E o vinho branco geladinho só ajuda a embalar aquele soninho e dormirmos como anjo para nos preparar para o próximo dia perfeito em Noronha. Ale Ravagnani