Nova Zelândia. Aqui se vive de adrenalina

Como um país tão pequeno, rodeado pela natureza e isolado na Oceania pode ter tanta vocação para a adrenalina? Talvez pra quebrar a monotonia ou simplesmente pra dizer para o resto do mundo, “Ei, eu existo”, mas o mais importante é que eles conseguiram. Ou talvez seja uma estratégia de posicionamento de algum marqueteiro em encontrar sua real vocação. E eles conseguiram e chamaram a atenção de corajosos do mundo inteiro que sonharam em experimentar tudo aquilo e mais um pouco. Ou até mesmo os jovens de espírito como eu, que em férias no país vizinho da Austrália, terra dos kiwis, do Senhor dos Anéis, do time de rugby All Blacks e de tantas outras coisas diferentes, voltamos no tempo e na nossa idade. A Nova Zelândia é dividida entre a ilha do Norte e a ilha do Sul, e de norte a sul a adrenalina está por toda parte. Qualquer viagem ao país começa na capital Auckland e subir na torre mais alta do país, a Sky Tower, já dá frio na barriga e a vista da cidade é de tirar o fôlego. A região de Taupo e suas montanhas é o lugar ideal para paragliding, asa delta, paraquedismo e tudo mais que voa. Pertinho dali, em Rotorua, uma das cidades com maior atividade vulcânica do país, denuncia onde estamos antes mesmo de chegar. O cheiro de enxofre no ar está por toda parte e caminhar pelas passarelas no meio de lagoas termais, piscinas de lama borbulhantes, geysers e mini-vulcões indicam que logo ali embaixo da terra alguma coisa está acontecendo.

Preparação do Balão, Ilha do Sul

Nosso balão no ar na visão de outro balão

Lake Matheson e o Mount Cook ao fundo

Mas pé na estrada que ainda tem chão. Chegando em Christchurch, cidade típica da colonização inglesa já na ilha do Sul, começamos de um jeito mais light, com um passeio de balão para ver os Alpes do Sul onde fica maior montanha do país, a Mount Cook, com quase 4 mil metros de altura. Tudo depende do clima, do vento e da previsão na manhã da partida e uma confirmação por telefone é que vai definir a saída ainda na madrugada. Chegando ao lugar, com o balão na caçamba do carro, ajudamos na montagem e um pequeno balão meteorológico define pra que lado seguir, ou melhor, pra que lado o vento vai nos levar. Todos sobem no cesto de vime rapidamente pra não ficar pra trás e uma vez lá em cima, tudo vai ficando pequeno lá embaixo e o silêncio impera, só quebrado pelo barulho do ar quente enchendo o balão ou por um telefone celular que de repente toca lá nas alturas. No alto não percebemos a velocidade do vento e quando estamos descendo e vamos nos aproximando do chão é que vemos a real velocidade e ao tocar no solo, que em nosso caso tinham muitas pedras, deu o tom radical do passeio com o cesto virando e terminando nosso voo de maneira repentina e engraçada, com os 5 passageiros e o piloto deitados no chão. Mas valeu cada segundo e cada centavo da viagem.

Bungy Jump na ponte Kawarau, Queenstown

Cidade de Queenstown, Ilha do Sul

A parada seguinte foi a cidade de Queenstown, a principal meca dos esportes radicais do país. O início da experiência foi conhecer o primeiro bungy jump do mundo na ponte Kawarau, criado em 1988 por A J Hackett. Fui o último louco do dia a me atirar da ponte e mesmo sem coragem resolvi me desafiar. Quase desisti depois de tudo acertado, mas o meu instrutor disse que daquele ponto não tinha mais volta. Olhei pra frente, respirei fundo e fui. Acho que só voltei a respirar quando senti a corda se esticando nos meus tornozelos e vi que não afundei no rio semi-congelado. Um pequeno barco me resgatou e me deixou na margem e quase sem força pra subir de volta e com as pernas bambas, estava vivenciando o poder da descarga de adrenalina no corpo. Vale lembrar que a altura deste bungy jump “tem só” 43 metros de altura, e hoje em dia o mais alto tem 143 metros de altura!

Fox Glaciar visto do alto

Chegada do helicóptero no Fox Glaciar

Trekking no Fox Glaciar

Cavernas no gelo

No dia seguinte foi a hora de conhecer um dos glaciares do país, mas de maneira diferente. Subimos num helicóptero e rumamos à montanha. Lá, antes de pousar, nossa guia pula com o aparelho ainda no ar e faz sulcos no gelo para dar maior aderência para não patinar no pouso. Depois de alguns minutos finalmente pousamos, mas o helicóptero ainda derrapa consideravelmente. Nosso trekking no alto do Glaciar Fox começa e com um grupo de 9 pessoas atravessamos fendas enormes, passamos por cavernas de um gelo azul sem igual e vamos tentando manter o equilíbrio de marinheiros de primeira viagem sobre o gelo espesso de milhares de anos. Graças aos sapatos com grampões, nossos sticks para caminhada e de vez em quando o apoio de uma corda, subimos montanha acima nessa aventura pelo gelo. Do alto, vemos o mar que está a poucos quilômetros. Esse é um dos poucos glaciares que está praticamente ao nível do mar. Na volta, nossa guia chama o helicóptero pelo rádio, apesar da comunicação ser difícil e quase já sem luz do dia, ele nos resgata e nos leva de volta sãos e salvos ao pequeno vilarejo.

Jet Boat no rio Shotover, Queenstown

Dia seguinte, nova aventura. Andar nos rios de água de degelo em grande velocidade com barcos de alta propulsão chamado Jet Boat é uma das maiores aventuras de Queenstown. O grande barato são as finas que nosso piloto tirava dos paredões do canyon no rio Shotover ou sem medo passa por cima de bancos de areia e galhos secos. Quando víamos o sinal que o piloto fazia com as mãos, atenção redobrada e os braços colavam para se segurar e se apoiar porque cavalo de pau e um giro de 360º vinham pela frente. É quase uma montanha russa sem trilhos ou rota definida num dos rios de cor azul esverdeado mais bonito que eu já vi. No extremo sul da ilha, os fiordes de Milford Sound em Te Anau chamam para uma exploração de barco ou para caminhadas com um cenário deslumbrante com cachoeiras altíssimas e uma das maravilhas da natureza do mundo. Pra quem ainda tiver fôlego, novos esportes estão sempre surgindo. Basta você descobrir qual é o seu. Se você não for tão radical, vá para a Nova Zelândia assim mesmo. A beleza natural do país é tão linda e as cidades tão acolhedoras, e a infra estrutura do país tão perfeita, que agradam a gregos, troianos, radicais ou sedentários. Ale Ravagnani

Anúncios

Praia do Forte. Onde a Bahia não ouve Axé

Por do sol no Farol

Este pedaço do litoral norte da Bahia, a 55 Km do aeroporto de Salvador, é um trecho pra lá de privilegiado do Brasil. Não estou sendo preconceituoso com o gosto musical de ninguém, mas quem busca um pouco de sossego, praia bonita e conforto, veio ao lugar certo. Acredito que esta seja a praia da nossa costa que conseguiu crescer e melhor se organizar. Chega-se ao ponto de nos perguntarmos se estamos mesmo na Bahia, ou em Ilha Bela, Búzios ou Paraty, famosas praias do Brasil com excelente infra-estrutura e organização. Além disso tudo, o litoral da região da Praia do Forte é privilegiado em belezas naturais e tem praia para todos os gostos. Para os surfistas, tem onda de sobra, mas pra lá da barreira de corais, para as famílias as piscinas naturais que se formam na maré baixa é melhor que qualquer piscina de hotel e pra quem procura sossego, também encontra. Basta caminhar pra baixo ou pra cima da vila que logo vai encontrar seu pedaço de areia deserta. Além disso, agrega o charme da vila, com ótimas opções em gastronomia ou para um simples expresso ou sorvete. Passear pela ruela principal depois da praia é o passeio predileto de 9 entre 10 pessoas. Além de um projeto urbanístico que limita as contruções a uma altura de dois andares, lojinhas de todos os tipos, onde a grande maioria é de bom gosto, chamam para a caminhada antes ou depois do jantar.

Igrejinha da Vila à beira-mar

Praia do Forte na maré baixa

Vendedora de cocada

Piscinas naturais

Praia de rio ao lado do EcoResort

Rua principal da Vila

Bike-Riquixá, o meio de transporte local

Mas a Praia do Forte tem uma herança na conservação do meio ambiente que começou na época que o então EcoResort foi instalado pelo paulista Klaus Peters na década de 80 (hoje da rede portuguesa Tivoli) quando ainda mal se falava em consciência ecológica, e isto pode ser notado na visita ao Projeto Tamar, onde se conhece um pouco mais sobre a preservação das tartarugas marinhas da região. A base da vila foi a primeira do Brasil e hoje eles já bateram o número de 10 milhões de tartarugas devolvidas ao mar. Além de ver os bichos de perto, a lojinha é também uma grande atração e para aquela fome de larica-fim-de-tarde-pós-praia, o Bar do Souza com seus bolinhos de peixes são imperdíveis. Com certeza irão entrar para minha lista de comidas de viagens inesquecíveis. A vista do bar no Tamar é linda, com os barquinhos emoldurando o melhor pôr do sol do local e o farol ao lado que em poucas horas começará sua jornada. Se este Souza estiver muito disputado não tem problema porque no fim da Vila tem outro com direito a saguis pelas árvores durante o dia e música ao vivo à noite. Além do Tamar, o Projeto Baleia Jubarte é outro importante centro de pesquisa e de preservação ambiental.

Projeto Tamar e suas bases

Projeto Tamar

Tanque com tartarugas no Tamar

Bolinho de peixe do Bar do Souza no Tamar

A Praia do Forte ainda tem mais. Sei que é difícil deixar um dia de sol pra ficar fora da praia, mas o Castelo Garcia D`Ávila também tem uma das melhores vistas, e melhor, da Praia do Forte. No fim da Vila você pode pegar um tuc-tuc no melhor estilo sudeste asiático pra te levar até lá em 10 minutos mas segure firme que os motoristas são pé de chumbo. Ele foi construído em 1551 e foi a primeira construção portuguesa de grande porte do Brasil e a única das Américas com características medievais. Suas janelas (ou pelo menos o que um dia foram) rendem ótimas fotos, emoldurando vistas lindas e o passeio trazem um lado histórico à sua viagem a uma das melhores praias do Brasil. Ale Ravagnani

Castelo Garcia D`Ávila

Picnic no Castelo Garcia D`Ávila

Vista do Castelo para a Praia do Forte

Preparação para a pescaria

O Farol da Praia do Forte

Pra ficar:

– Pousada Farol das Tartarugas. Uma das únicas pé na areia e uma boa opção. Os chalés são ótimos e espaçosos mas a piscina fica meio muvucada.
– Pousada Refúgio da Vila. Tem arquitetura bacana e esbanja charme, mas não tem a praia aos seus pés.

Pra comer e beber:

– Bar do Souza do Tamar ou da Vila. O forte do cardápio são os frutos do mar, mas o bolinho de peixe com cerveja ultra gelada… sem palavras
– Terreiro da Bahia. Suas ótimas moquecas e é considerado o melhor restaurante da Praia do Forte
– Bistrô Gourmet. Tem um cardápio reduzido, mas aprovado
– Tango Café. As sobremesas são excelentes e serve um expresso bem tirado
– Casa da Farinha. Vale enfrentar a fila na rua pra comer a tapioca mais disputada da região

Parque Yellowstone. O Zé Colméia mora aqui

Juro que desta vez vou tentar falar menos e mostrar mais. O parque Yellowstone dispensa muito blá blá blá para descrevê-lo. Basta ver as imagens para se dar conta disso. As cores parecem que foram mexidas no photoshop de tão fortes e improváveis que são. É uma região de extremos dos Estados Unidos, começando pela localização no estado de Wyoming, lá em cima quase no Canadá e fronteira com Montana, Utah e Idaho.

Jackson, Wyoming. De volta ao velho oeste

Entrada do parque nacional Grand Teton, Wyoming

As grand tetons, do parque de mesmo nome criado em 1929

Cuidado com os ursos!

Bald Eagle, águia símbolo do país

Vista do Jackson Lake, Grand Teton

Tudo começa na cidade de Jackson, no verão porta de entrada dos parques e no inverno uma das melhores neves para esquiar. Dirija do aeroporto de Salt Lake City, sim a cidade além de ser famosa pelos mormons, fica à beira de um grande lago de sal, e pare por uma ou duas noites em Jackson para conhecer o Parque Grand Teton com suas montanhas altíssimas e visual deslumbrante. Por ser vizinho do Yellowstone, não perca de jeito algum e faça a escala. Chegando ao 1º parque nacional americano, criado em 1872, você está entrando em outro mundo e irá ver o que nunca pensou existir na terra, ou melhor, que está ainda se formando. Seja pelos contrastes de quente e frio ou da terra em constante ebulição numa área de intensa atividade vulcânica. Tudo ferve logo ali pertinho da gente e do lado de fora, mesmo no verão, o frio é de rachar. E dizem este ser o maior vulcão ativo da terra! Geysers por todos os lados jorram água fervendo há muitos metros de altura, piscinas que brotam da terra com cores impensáveis, canyons com tonalidades que vão do branco, passando por amarelo, vermelho e marrom, cachoeiras altíssimas, vida animal abundante (dizem até que o urso Zé Colméia mora ali, apesar de não ter topado com ele) e uma estrutura com tudo que precisamos para uma viagem memorável. Prepare a retina, a câmera fotográfica e o corpo, já que se chega a todos os lugares de carro, mas sempre uma caminhada nos espera pela frente, sem contar a altitude que já sentimos de leve em nosso fôlego. O programa noturno no parque é descansar pra começar um novo dia de descobertas, mas sem antes provar a ótima truta dos rios gelados da região e um céu com tantas estrelas que não vimos há muito tempo. E isso é só um pouquinho do que tem por lá. Ale Ravagnani, com a colaboração de Rino e Marcio

Entrada oeste de Yellowstone no estado de Montana

Congestionamento de bisões

O geyser Old Faithful entrando em ação de hora em hora

Cromatic pools, Yellowstone

Mammoth Hot Springs Terraces, Yellowstone

Atividade termal e o lago Yellowstone ao fundo

Lower Falls, Grand Canyon do Yellowstone

Grand Prismatic Spring, Yellowstone

Grand Prismatic Spring, Yellowstone

Great Fountain Geyser, Yellowstone

Mule Deer, Yellowstone

Norris Geyser Basin, Yellowstone

Cromatic Pools, Yellowstone

Cromatic Pools, Yellowstone

Great Fountain Geyser, Yellowstone

Cromatic Pools, Yellowstone

Bull Elk, lago Yellowstone

Lower Geyser Basin, Yellowstone

Pronghorn, Yellowstone

Steamboat Point, Yellowstone

Transporte coletivo no parque

Riviera Maia: Cancún ou Playa del Carmen?

Este post é dedicado a nossos queridos amigos Martha e Edu, que quando moravam no México, nos receberam e apresentaram o país com tanto carinho. O país é tão rico e diverso, que vou escrever várias vezes sobre ele. Vou falar sobre a capital, a culinária, cidades históricas, a arte dos muralistas e por aí vai. Mas hoje volto para o Caribe e faço uma comparação entre a famosa Cancún e sua vizinha menor, porém internacional, Playa del Carmen. Claro que vai do gosto do freguês. Cancún é de impressionar por toda infra estrutura que foi construída e atendimento profissional, porém Playa, apesar de já ter crescido bastante, tem um perfil diferente da sua vizinha. É bem menos “aparecida” e muito mais low profile, além de não ostentar, mas sem deixar de lado o charme. Mas uma coisa que é exatamente a mesma nos dois lugares é a cor do mar de cair o queixo. Parece que jogaram tinta para chegar no Pantone exato azul-do-caribe. Mas seja qual for sua praia, a diversão é garantida em qualquer lugar.

CANCÚN

• Grandes hotéis de rede all inclusive
• Muitos americanos e brasileiros em excursão
• Para se andar de carro
• Voos diretos sem grandes deslocamentos
• Vida noturna com shows internacionais e bares animados
• Restaurantes de cadeia americanos
• Fazer compras em shopping center
• Visitar Playa del Carmen que está a apenas 45 minutos
• Pegar piscina no hotel

PLAYA DEL CARMEN

• Pequenos hotéis de charme e pousadas
Mosquito Blue – mosquitoblue.com e Deseo – hoteldeseo.com são ótimas opções
• Viajante independente, principalmente europeus
• Para andar a pé
• Voo direto para Cancún e de lá transfer de hora em hora para Playa
• Vida noturna com restaurantes aconchegantes e bares transados
• Fazer compras e garimpar barganhas nas lojinhas da charmosa 5ª Avenida
• Visitar as ruínas Maias de Tulun que está a apenas 45 minutos
• Pegar mar que parece uma piscina

Playa del Carmen, Riviera Maia

Los Voladores

Quer mais um ótimo motivo pra ir? O Real está bem valorizado por lá, o que torna os preços mais acessíveis. Aliás, onde é que não está vantajoso para um brasileiro viajar? Só mesmo aqui no Brasil que é comum viajar aqui e pagar mais caro do que no exterior. Ah, importante, ainda estamos na temporada de furacões. Vá depois de outubro, que está logo aí e dá tempo de você se programar. Ale Ravagnani

 

 

 

Ruínas de Tulun, Riviera Maia

São Francisco Xavier é fim de semana garantido

Pousada A Rosa e o Rei

Pousada A Rosa e o Rei

Agora com o final do inverno, a charmosa São Francisco Xavier volta a ter sua tranquilidade habitual, sem contar que fica muito mais fácil conseguir reserva naquela pousadinha escolhida a dedo e pagando menos por isso. É a típica viagem de fim de semana em que esquecemos de tudo, até mesmo da senha do computador. A impressão é a de estar muito longe, mesmo estando a duas horas de São Paulo, na Serra da Mantiqueira. Vá para namorar e lavar a alma na natureza. Uma pousada que te ajuda a relaxar é A Rosa e o Rei, e garanto que você vai mesmo se sentir um rei. Ofurô na varanda, vista para o vale ou para a cachoeira, alimentação balanceada, taichi-chuan de manhã e uma fogueira para esquentar a noite. Se estiver sol e calor suficiente pra quebrar o gelo das cachoeiras, procure uma perto da sua pousada (ou na própria), respire fundo e enfrente, porque no verão ou no inverno, a água sempre é fria. Quer sair e passear gostoso pela cidade? Vá ao Photozofia Bar, onde de dia é um gostoso café e à noite quase que vira uma balada, com música boa ao vivo com jazz, blues e MPB e um movimentado bar. A decoração é incrível e um ótimo programa para uma noite na serra.

Photozofia Bar, São Francisco Xavier

Para comprar, a cerâmica se destaca em São Xico (para os íntimos). A Vera da Oficina Vagalume tem peças exclusivas e faz uma cerâmica feita a mão bastante moderna e atual. Depois deste fim de semana em que comemorei meu aniversário lá, voltei um ano mais velho, mas com o corpo e a mente renovados que pareciam por anos. Ale Ravagnani

 

 

 

 

 

Cerâmica da Oficina Vagalume

Vista em São Xico

 

Paraty é para todos

Quando pensamos em Paraty, a primeira coisa que vem à cabeça é o casario colonial e aquelas ruas de pedras difíceis de caminhar. Não que isso não seja verdade. A história está mesmo lá, impregnando cada esquina, igreja e principalmente os moradores que guardam e passam adiante o que ouviu da mãe, do avô, da vizinha e foi passando adiante. A cidade é linda, cenográfica, mas de noite fica ainda mais mágica, iluminada por lampiões, sem a luz fria que impregnou nossas vidas e tirou as nuances das cores, chapando tudo que vemos. Portanto, deixe a cidade para a noite. O dia é do mar e das ilhas, para se descobrir de barco.

Barco no porto de Paraty

Graças aos nossos queridos amigos e velejadores Guilherme e Kátia, tivemos o privilégio de fazer várias descobertas pela Baía de Ilha Grande. O Bistrô nos leva ao final do dia a uma praia que nunca vimos antes, num azul de mar idem, e aí vem a revelação que seu nome não foi em vão. Depois de um dia no mar, a fome é implacável e as panelas começam a fumegar com o talento digno de um chef de cozinha chamado Guilherme. Mas não quero restringir a viagem de ninguém. Quantas e quantas vezes eu e a Carol chegamos no porto logo cedinho e negociamos com algum barqueiro nosso passeio do dia. O valor é pelo tempo que se fica fora, mas vale cada centavo. O barco não tem luxo, mas o suficiente para nos deixar felizes. Sempre tem espreguiçadeiras para esperar a chegada de alguma parada, um isopor que ele providencia cheio de gelo pra garantir a cerveja e nada mais. Só o vento e o barulhinho do motor, que é amenizado com nosso iPod e nossas trilhas prediletas. Não importam as paradas, mas com certeza serão muitas. Lembre da Ilha do Mantimento, da Bexiga, do Cedro, do Algodão, da Cotia, que é super abrigada e segura para ancorar. Bateu aquela fome? O barqueiro (ou seus amigos velejadores) te levam para um ótimo restaurante, o Hiltinho da Ilha do Algodão. A matriz fica em Paraty, mas comer com esta vista, não tem preço. Peça o camarão casadinho e divirta-se.

Vista do Hiltinho da Ilha, Paraty

Ostras a domicílio, Ilha da Cotia

Hora de voltar pra cidade (nada de viajar até lá só pra passar o dia e voltar), e curtir a noite, mas como ainda é fim do dia, um grande programa é degustar a melhor cachaça da cidade, a Maria Izabel. O sítio, que fica à beira mar e a poucos quilômetros de Paraty, já é um programa e tanto e ainda com a degustação da própria Maria Izabel, o programa se torna imperdível e único. Eleja o motorista da vez e é hora de voltar. Já é quase noite, mas todas as lojinhas e ateliers ficam abertos até tarde, e fazer a siesta caminhando, é o melhor programa de todos.

Cachaça Maria Izabel, sítio Santo Antônio

Pra comer são muitas as opções, mas prefira os frutos do mar. O gostoso Thai Brasil é uma boa opção e eles maneram na pimenta. As pousadas também são muitas, e algumas delas estão se renovando, como a Pousada da Marquesa (prefira os quartos que não dão para a praça por causa do barulho), a Arte Urquijo que é super tranquila e tem muito charme, ou se orçamento não for problema, opte pelo design único da Casa Turquesa. Já deixe o programa combinado para o dia seguinte com o barqueiro. Vem aí mais um grande dia pela frente na cidade de tantos estrangeiros que vem ao Brasil, da Flip, de Amyr Klink, minha, sua e de todos nós. Ale Ravagnani

 

 

 

 

 

Paraty, RJ

Hora de voltar e curtir Paraty

 

Londres, a cidade menos óbvia do mundo

Um roteiro por Londres é tarefa quase impossível de se resumir. Tem tanto pra se ver e se fazer, que gostaria de me desculpar pela superficialidade das dicas que estou escrevendo. Se a ideia for mesmo ir para lá, não deixem de ler 1.000 Things to do in London, publicação editada pela Time Out. Este é outro bom resumo do que a cidade tem.

Abbey Road, Londres

Tate Modern. O museu é fantástico e fica na frente da ponte de pedestres Millenium Bridge no Tâmisa. O prédio era uma antiga usina de energia, austero e gigantesco, todo de tijolo que o escritório de arquitetura Herzog & de Meuron reformou e transformou em museu. O melhor da arte contemporânea do mundo está ali. Vá pela arte, pela arquitetura, pelo pé direito interno impressionante, pela vista da cidade do café, pela loja do museu.

Exposição de Rachel Whiteread, Tate Modern

Covent Garden. Antigo mercado de flores e hoje em dia é um passeio e tanto para ver lojas criativas, ouvir música na praça central ou assistir as performances ao ar livre. Apesar de ser super turístico, tem um clima muito gostoso.

Vitrine em Covent Garden, Londres

Kings Road & Chelsea. Já no contraponto, esta rua é super badalada e não muito turística, além de estar mais na moda do que nunca. Foi aqui que a mini-saia surgiu com a Mary Quant. E Chelsea é a região dos aristocratas e um dos mais antigos bairros da cidade. Dali até o Rio Tâmisa é uma caminhada relativamente curta, e do outro lado do rio, fica colado o Battersea Park, também não muito turístico, mas muito bonito. De qualquer maneira para chegar até ele tem que atravessar uma das duas pontes, ambas bacanas. Mas voltando à Kings Road, vale pelas lojas dos designers de moda e pra ver também qual é a última moda, ou o que ainda as pessoas irão usar, pelos cafés e restaurantes da moda, para ver vitrine bonita e lojas caras. Eu morei em Chelsea anos atrás… Cada esquina tem uma história e uma lembrança pra mim.

Passeio pelo Tâmisa. Se pegar um dia gostoso (it means, sem muita chuva), vale dar uma volta pelo rio. Os barcos saem de South Bank e vão até Greenwich. Neste pequeno vilarejo histórico fica o barco Cutty Sark, além de um túnel de pedestres antigo sob o Tâmisa. O barco passa perto da barreira que controla as marés e também é o marco do meridiano de Greenwich. O clima da cidadezinha é como se voltasse há séculos.

London Bridge

Saatchi Gallery. É a grande galeria para se ver arte contemporânea inglesa. O dono, Charles Saatchi, dono da rede mundial de agências de publicidade Saatchi & Saatchi e marido da cozinheira da TV Nigella é um dos maiores colecionadores e mecenas das arte. Vale ir para saber o que está rolando em tendências criativas e de vanguarda. Fica no início da Kings Road, perto do metrô Sloane Square em Chelsea.

Jardim de Rosas da Rainha Elisabeth – Regents Park. Este parque é um dos maiores de Londres, mas chegue pelo portão de entrada próximo aos jardins de rosas. São centenas de milhares de flores, de todas as cores possíveis e inimagináveis e a época em que elas florem é no verão. Os ingleses são famosos pelos jardins, mas este impressiona mais do que todos.

Regent`s Park, Londres

Freud Museum. Esta é a última casa que Freud morou e que foi transformada em museu. O lindo divã está lá, mas não se pode sentar ou deitar nele… uma pena. Fica no norte de Londres.

Kew Gardens. Apesar de ser um pouco distante, não deixe de visitar o Jardim Botânico Real de Londres. Os jardins são impecáveis, e as estufas de vidro lindas de morrer. Tem várias esculturas espalhadas, e muito para se ver e fazer.

Museu Britânico. Este é o mais famoso museu de Londres, mas apesar de ser óbvio para estar nesta lista de passeios, está aqui só para lembrar que é lá, numa ala construída especialmente para a obra, que estão as frisas do Partenon de Atenas. A Grécia está em negociações pela devolução há anos, mas vai ser difícil a Inglaterra ceder. Na exposição das frisas no museu, que é aquela parte toda esculpida que fica (ou melhor, ficava) na parte de cima do monumento, foi colocado exatamente na posição que ficava lá na Grécia.

Mercados de rua. Há muitos espalhados pela cidade, mas alguns são tão famosos que é difícil deixar de ir. Não vá necessariamente para comprar, mas para olhar o tanto de bugiganga e coisas inusitadas que tem por ali, além de poder encontrar com os mais exóticos ingleses do mundo. É divertido e tem que ir de cabeça aberta. Alguns que recomendo é o Portobello Market, no Bairro de Notting Hill, para ver a parte das antiguidades no sábado e o mercado de Camden Town e Camden Lock aos sábados ou domingos, que tem várias áreas com coisas diferentes. Antigamente era tomado pelos punks, hoje só existem alguns para se tirar foto e dar boas risadas. www.streetsensation.co.uk/markets.htm

Portobello Road, Londres

Portobello Road, Londres

E para muito mais da programação cultural, artística e gastronômica, a primeira coisa que faço quando chego em Londres é comprar a revista semanal Time Out, que tem tudo e mais um pouco do que você vai precisar. http://www.timeout.com/london. Ale Ravagnani