Paris vs Nova York

Uma pitada de ironia e bom humor para retratar duas grandes cidades.

Nunca ninguém antes pensou em comparar duas metrópoles tão marcantes e únicas como Nova York e Paris, cada uma marcada por ícones fortes e caracterizados com muita personalidade, fazendo-as únicas e deleite de todo turista. O designer e diretor de arte Vahram Muratyan encontrou uma forma criativa e divertida de mostrar os aspectos cotidianos ao brincar com as duas cidades fazendo uma viagem pelas peculiaridades e marcando o comportamento dos parisienses e nova-iorquinos.

“Paris versus New York – A Tally of Two Cities”, que virou blog (www.parisvsnyc.blogspot.com) e livro estão recheadas de boas ilustrações que por si só são uma viagem pelas cidades e suas características que as tornam tão diferentes e antagônicas e ao mesmo tempo, ambas essenciais para o viajante.

As artes não costumam ser autoexplicativas, o que acaba exigindo algum conhecimento sobre aspectos das cidades. Para quem não as conhece, cada ilustração vira uma “city-tour” sobre a cultura e pelo dia-a-dia de cada cidade.

Bon voyage / Have a nice trip

Ale Ravagnani

Tiradentes. Êta trem bão, sô!

Tiradentes e suas ladeiras

Rua vista da Igreja Matriz

Cair da noite

Rua típica da cidade

Nenhuma outra cidade do interior do Brasil, conseguiu aliar características tão bacanas quanto a pequena Tiradentes, no interior de Minas Gerais. Motivos de sobra para atrair visitantes de todos os gostos.
Agora que as chuvas passaram e tudo volta ao normal, quem não conhece esta jóia da arquitetura barroca, vai se encantar.
Tenho muitos motivos para convencer a qualquer um e vou listar o que pra mim é de mais evidente, mas sempre digo que cada pessoa faz suas próprias descobertas ao viajar, e com certeza outros atrativos surgirão quando você for a Tiradentes.

1. Arquitetura colonial intacta

Matriz de Santo Antônio

Matriz de Santo Antônio

Interior de ouro da Matriz

Relógio de Sol em pedra sabão

Casario colonial típico

Chafariz de S. José

Poucas cidades do Brasil tem um patrimônio artístico tão impresssionante que se manteve ao longo dos séculos. A cidade cresceu de maneira ordenada e bem preservada. O casario colonial continua lá como foi concebido no início de 1700, graças à abundância do ouro. A Matriz de Santo Antônio construída em 1710 é a segunda igreja com mais ouro do Brasil e o órgão de tubos de 1788 é considerado um dos mais importantes do mundo e acontecem recitais às sextas-feiras à noite para ajudar você a voltar no tempo.

Muitas outras igrejas, também históricas, estão pela cidade inteira, e outros marcos históricos como o Chafariz de São José, o calçamento original, museus e monumentos estão ao seu alcance bastando uma simples caminhada pela cidade. Uma curiosidade é que a Rede Globo e muitos diretores de cinema utilizam a cidade como um cenário a céu aberto e fazem dela uma locação autêntica de época. Nenhuma outra cidade foi tão filmada, talvez graças ao bom estado de preservação, à fiação subterrânea dos postes que não deturpa o visual ou ao simples motivo de que passear por Tiradentes é quase que viver em outra época.

2. Uma região que respira arte

Atelier em Bichinho

Artesão de pedra sabão

Loja em Tiradentes

Arte em tecido

Flores de metal e sucata

Diferença no detalhe

Cerâmica do Vale do Jequitinhonha

Prepare-se para entrar nas lojas de móveis, antiguidades e visitar os ateliers de arte. São muitos e estão por todos os lados. No centro histórico bons ateliers que produzem arte como bordados, esculturas em madeira, estanho e pedra sabão e bons móveis dominam o comércio. No início da cidade, antes de acabar a estrada, boas opções de antiquários e fabricantes de móveis estão nos dois lados da via.

– Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

A vila de Bichinho, a poucos quilômetros de Tiradentes, sofreu uma completa mudança depois que a Oficina de Agosto, do artista plástico Toti chegou e começou a desenvolver os habitantes locais para criar um artesanato mais elaborado e criativo. Dezenas de outros ateliers surgiram e deram uma cara de Vila Madalena (bairro paulistano com muitos artistas, galerias e lojas criativas) para o sertão de Minas, mudando completamente o que é produzido e agregando valor e personalidade ao local. Hoje são dezenas e pequenos ateliers e lojas onde é fácil passar o dia visitando e se inspirando.

Outras cidades vizinhas se especializaram em ramos diversos e oferecem o que de melhor se produz na região.

– Resende Costa

Esta pequena cidade tem o tear como sua melhor expressão, com uma grande produção de tapetes, cortinas e tudo mais que se pode se fazer em tecido de tear.

– Coronel Xavier Chaves

O Engenho Boa Vista é considerado o mais antigo em atividade no Brasil e produz boa cachaça. Além disso, se você procura esculturas ou objetos utilitários em pedra sabão, está no lugar certo, mesmo que seja somente para apreciar o trabalho dos artesãos.

– São João del Rei

Igreja projetada por Aleijadinho

Rua das Casas Tortas, S. João del Rei

Aqui a atração não é somente o artesanato, mas se esta for sua intenção, procure pelos produtores de estanho. São vários fabricantes e estes possuem lojas de fábrica. Mas não deixe de visitar o casario barroco e seus antigos solares, como o dos Neves, as igrejas que o Aleijadinho projetou e caminhar pela rua das Casas Tortas.

3. Ótima gastronomia

A simpatia da Chef Beth Beltrão, Viradas do Largo

Não é só pelo Festival Gastronômico que acontece todo mês de agosto, que a fama de se comer bem em Tiradentes correu por aí. Além da maravilhosa comida mineira como o excelente Viradas do Largo comandado pela super chef Beth Beltrão, mas também pela diversidade da culinária local. Cuidado com os preços altos e muitas vezes é obrigatório fazer reserva para jantar, mas alguns italianos chamam a atenção como a Trattoria Via Destra, a pizza do Atrás da Matriz é bem gostosa para os domingos, o restaurante Tragaluz e sua comida mais elaborada surpreende na apresentação, cenário e a comida é de qualidade e o Theatro da Villa principalmente pelos altos preços, apesar de ter uma culinária bastante inspirada. Mas no fim da viagem, percebemos que todos os caminhos nos levavam à Beth. Obrigado pelo carinho e amor com que você faz seus banquetes.

4. Atrativos para todas as idades

Maria Fumaça saindo de Tiradentes

Como antigamente...

Museu do automóvel

Não é só para os mais velhos que Tiradentes costuma ser atrativa. Uma autêntica Maria Fumaça, numa rota que liga a cidade até São João del Rei, parte aos finais de semana numa volta ao tempo do pouco que sobrou do transporte ferroviário no Brasil. A viagem na composição puxada pela locomotiva construída na Filadélfia tem um ar de antigamente e nos dá a oportunidade e viver algo em esquecimento por aqui. Mas outros atrativos não faltam, como diversos cavalos que puxam charretes pelo centro histórico, um tour noturno patrocinado pelo Museu do Automóvel perto de Bichinho, o Festival de Cinema de Tiradentes que acontece em janeiro ou simplesmente o não fazer nada e aquela preguiça de depois do almoço que este tipo de lugar convida. Não que o tutu de feijão não tenha parte da culpa…

5. Natureza privilegiada

Vista da Serra de São José

Vista da cidade do Morro da Igreja S. Francisco de Paula

Natureza até na cidade

A Serra de São José domina a paisagem e o paredão de mais de mil metros de altura emoldura a cidade e dá uma vasta opção de passeios ecológicos e caminhadas. No caminho, uma vegetação bastante rica e cachoeiras para se refrescar. Sem contar com trechos da antiga Calçada do Ouro, onde os escravos passavam com os carregamentos de ouro. Os passeios são mais apropriados para serem feitos com guias locais e podem ser feitos a pé ou de Land Rover por outras trilhas.

6. Excelente infraestrutura

Hotel Solar da Ponte

Pousada Lis Bleu

As pousadas surgiram por todos os lados e para todos os bolsos. Você tem a opção de ficar no majestoso Solar da Ponte, um dos casarões mais bonitos de Tiradentes, onde é servido um autêntico chá inglês com sotaque mineiro todas as tardes ou ainda ficar com muito conforto em lugares menos ostensivos como a novíssima Pousada Lis Bleu, que um casal de paulistanos montaram a cerca de um ano com muito bom gosto e romantismo. Os quartos ficam espalhados pelo terreno, em pequenos conjuntos com bastante privacidade, o café da manhã é indescritível e um queijo da Serra da Canastra está à disposição para ser derretido na chapa do fogão à lenha que está sempre à postos. Além disso, sucos naturais, bolos, pães, tudo super caseiro e com gostinho de Minas. Se sobrar tempo, aproveite a pequena piscina e a sauna localizados na parte mais alta da pousada e com uma linda vista de toda a Serra e parte da cidade.

Nos finais de semana o apito da Maria Fumaça soa logo abaixo, já que estamos vizinhos da antiga estação de trem.

Êta trem bão, sô!

Ale Ravagnani

São Paulo vista num voo panorâmico ou dos edifícios mais altos da cidade


Região do bairro do Sumaré e da Paulista

Edifício Itália no centro de São Paulo

Quase não conseguimos mais perceber a cidade. Seja pela pressa por que passamos por ela, seja pela alta concentração de tudo, de pessoas, carros, concreto e a dificuldade de separar o joio do trigo, a bagunça da boa arquitetura. Tudo é superlativo numa das maiores metrópoles do mundo e na maior cidade brasileira. Do alto conseguimos prestar atenção em detalhes que nosso dia a dia não permite, e melhor, o ângulo é único.

Se você não tiver oportunidade de fazer um voo panorâmico pela cidade, alguns outros pontos podem ajudar a ter aquela visão de tirar o fôlego, e ver aquele mar de prédios de cima e longe da multidão. No alto do 41º andar do Edifício Itália ou a 165 metros do chão, no centro da cidade, um jantar no Terraço Itália vale pela vista e hoje em dia também pela comida que recentemente foi renovada pelo chef italiano Samuele Oliva (ex-chef do restaurante Piselli). Outro lugar que vale tanto pela vista quanto pela refeição é o Arola Vintetres, do estrelado chef catalão Sergi Arola, que fica no alto do Hotel Tivoli Mofarrej, na região da Av. Paulista. Nesse caso a experiência gastronômica é tão elevada que quase se esquece de olhar pela janela para admirar os prédios da Paulista. E uma última opção, mas numa escala menor porém não menos bonita, o alto do Hotel Unique abriga um restaurante aberto também para quem não está hospedado, o Skye. Almoçar ou jantar à beira da piscina vermelha do hotel e emoldurado pela vista do Jardim Europa, um dos bairros residenciais mais arborizados de São Paulo, apresenta uma cidade numa escala muito mais acessível e menos agressiva. Seja qual for suas escolhas, São Paulo combina com uma boa refeição. Escolha pelos dois, começe com o voo e termine com um bom jantar.

Bairro do Brooklin e região da Berrini

Ponte Estaiada e o Rio Pinheiros

Shopping Market Place e Morumbi

Estação Elevatória no Rio Pinheiros

Esporte Clube Pinheiros

Ponte do Morumbi e ciclofaixa do Rio Pinheiros

Bairro do Morumbi

Auditório do Parque do Ibirapuera

Estádio e clube do Palmeiras

Igreja

Viaduto do Chá no Vale do Anhangabaú

Carga e Descarga

Tenda do Cirque du Soleil no Parque Villa Lobos

Rotatória

Playcenter

Auditório do Anhembi

Ale Ravagnani

Visitar Boston é matar as saudades da Inglaterra

A cidade de Boston, localizada no estado de Massachusetts na costa oeste americana, vem sendo negligenciada pelos turistas a muito tempo. Talvez seja pela proximidade com Nova York e suas inúmeras atrações, mas este não deveria ser o motivo de ser deixada tão de lado. Principalmente depois de passar pela sua vizinha Nova York, Boston acaba sendo o lugar ideal para para aquela descompressão de cidade grande, para sentir como é bom estar num lugar com alta qualidade de vida, onde as pessoas caminham sem pressa pelas ruas e o almoço não é um simples sanduíche comido em pé. Recentemente um enorme projeto urbano chamado de “Big Dig” colocou diversas vias expressas para debaixo da terra. Antes cortavam a cidade deixando-a pouco amigável, agora todo o trânsito pesado desapareceu de nossos olhos e depois de 12 anos de obras, entregou uma cidade muito mais amigável para o pedestre.

Longfellow Bridge no Charles River

O frio não espanta os esportes náuticos

Ponte antiga de Boston

Aportando na cidade

Não encare uma visita a Boston apenas como viagem de um dia, aquele típico bate e volta. Seja generoso e se puder não pense duas vezes em reservar uma semana inteira. Além de conhecer a cidade e um pouco do estado, conhecer sua redondeza e os estados vizinhos do Maine, Connecticut, New Hampshire e Rhode Island, especialmente se a época do ano for o outono, será uma viagem inesquecível. As folhas das árvores ficam amarelas e depois vermelhas cor de fogo completam um visual deslumbrante. Ali por perto ficam as famosas e ricas Cape Cod e Martha’s Vineyard, cidades aristocráticas a beira mar, Salem, que ficou famosa por suas histórias de bruxas no século XVII, entre muitos outros lugares especiais que fazem da região da Nova Inglaterra uma das mais bonitas dos Estados Unidos, com uma perfeita harmonia entre cidades históricas e natureza. Aliás, foi em Boston onde muito da história dos pioneiros que chegaram ao país começou. Fundada em 1630 pelos ingleses, também está ali perto na cidade de Cambridge a primeira universidade americana, Harvard e o M.I.T, considerado uma das melhores escolas de tecnologia do mundo.

Boston Old City Hall

Quincy Market

Quincy Market

Trinity Church

Jardim público de Boston

Faneuil Hall

Jardins de Boston

Em Boston, caminhando pela Freedom Trail você vai curtir o passado da cidade. O Museum of Fine Arts (MFA) e sua vasta coleção de arte, que passa por diversos períodos e estilos, prova que ali não faltam boas referências da história da arte também. Suas compras também não irão ficar nada a dever à vizinha famosa de Nova York, e ao invés de encontrar lojas e ruas congestionadas, aqui tudo parece ser mais civilizado e tranquilo. Na Newbury Street, além de arquitetura inglesa com seus prédios de tijolinho e uma bela rua arborizada, você encontra um comércio de primeira, passando por todas as marcas disputadas em toda cidade grande a achados fashions mais descolados. Termine com uma bela cerveja e boa conversa em um dos famosos pubs irlandeses. Boa cerveja local não falta para abastecer as torneiras. E como prato principal, procure um dos muitos restaurantes especializados na iguaria local, a lagosta. Além de deliciosa, não se acanhe com o medo que daria para quebrá-la. Pedindo com jeitinho para o garçon, eles dão um jeito na casca que num piscar de olhos já era. Bom apetite!

Influência inglesa na arquitetura

Prédio típico

Contrastes

Inspiração da era industrial

Bairro residencial

Encontrando espaço

Área revitalizada de Boston Harbor

Vista do Top of the Hub na Prudential Tower

Repondo as energias

Ale Ravagnani

Eu e o cozinheiro. Uma história no Camboja

Esta é uma história improvável para os dias de hoje, mas que aconteceu há 16 anos, num dos países mais isolados do mundo (pelo menos naqueles tempos). Até parece mentira, mas aconteceu e é esse tipo de coisa que acontece quando se viaja, é que faz um certo lugar ficar marcado para sempre em nossa memória.

Uma viagem é feita por vários aspectos, são os lugares que visitamos, o povo local, coisas inusitadas que vemos e claro, a comida do lugar, que também diz muito a respeito daquela cultura, os hábitos, clima e mais um pouco.

Era uma noite quente e úmida numa cidadezinha do interior do Camboja chamada Siem Reap. Um vilarejo que fica à beira do Rio Mekong, um dos maiores rios do mundo e também porta de entrada dos magníficos templos de Angkor, construídos a partir do século IX. Cheguei na cidade já no fim do dia vindo de Phnom Penh, a capital do país, num voo da Royal Air Cambodia que parecia saído da União Soviética pós Guerra e pós tudo, um Tupolev sujo, mal cuidado, mas o pior mesmo era quando estava no ar, parecia que não ia conseguir chegar a lugar algum e a turbulência do clima tropical era brutal e não ajudava em nada.

Ainda por cima, na minha estada anterior em Bangkok, um tanque de Guerra praticamente havia me atropelado por dentro. Estava passando mal do estômago de verdade, onde credito essa intempérie à minha curiosidade pela magnífica culinária tailandesa e às quantidades cavalares de pimenta que meu corpo recebeu.

Superei a viagem sem muita coisa no estômago pra passar mal e cheguei são e salvo no Camboja, meio que de ressaca e felizmente recuperado dos problemas estomacais recentes. Como dizem que tenho estômago de avestruz, e tenho mesmo, fui para meu pequeno e singelo hotel, situado numa das poucas ruas da cidade, com pouca iluminação que era provida por geradores e que ficava oscilando o tempo todo dando um clima de fim de mundo. Tomei banho, o que não ajudou muito a refrescar e saí em busca de algum lugar para comer. Tudo estava vazio, pouquíssimos turistas à vista e o brasileiro curioso e destemido caminhando sem direção. Encontrei um lugar que me parecia apresentável e sentei numa mesa de canto. Eu era o único cliente da noite no lugar durante minha refeição inteira, e olha que ela não durou pouco.

Um garçom muito atencioso tentava me explicar o que era cada prato, mas o entendimento ali não foi fácil. Na dúvida, pedi vários pratos, em parte por não querer arriscar e comer algo que poderia não descer bem, e talvez mais provavelmente por querer repor o tempo perdido pela noite anterior e pelo dia inteiro onde não foi possível comer absolutamente nada, a não ser muita água para minha re-hidratação.

Depois de alguma espera começaram a chegar os pratos. A apresentação estava boa, mas os sabores eram simplesmente sensacionais. Chegou de tudo, carne de vaca ao molho que parecia de ostras servido com vegetais, todos ao dente e numa cor sem igual, tudo super fresco, frango com leite de coco e mais algumas coisas que meu paladar não conseguiu identificar, peixe cozido e frito vindos diretamente do Rio Mekong, mas super bem preparados, camarões, e mais alguma coisa que não sei bem o que poderia ser, mas acredito que era uma iguaria local super apreciada, cobra… Experimentei, mas eu não tinha estômago para arriscar tanto e parei na primeira garfada. Depois de mais de hora nesta refeição silenciosa, com os dois garçons do lugar me admirando de queixo caído, um deles veio me dizer que o chef do restaurante gostaria de me conhecer. Foi uma surpresa e tanto e claro que começamos uma conversa de doido, um tentando se fazer compreender como podia, eu no inglês e ele no francês. Depois de 15 minutos de conversa boa, ele me disse que estava fechando seu restaurante e perguntou se eu gostaria de conhecer a cidade. Ressabiado como todo bom brasileiro escaldado, subi em sua motoca, na verdade uma mobilete tão antiga quanto o avião que me levou até ali, e saímos pelas ruas mal iluminadas da cidade.

Passamos por bares ainda mais escuros, por ruelas, pelos poucos bairros, por muitas ruas esburacadas e tantas outras de chão batido, parávamos quando ele encontrava algum conhecido, me contou sobre sua vida e sua família, e depois ao fim de nosso tour, paramos num bar para tomar uma autêntica cerveja cambojana, a Angkor Beer, que tive a capacidade de trazer uma long neck da viagem como souvenir. Já bem tarde ele me deixou em meu hotel e este encontro improvável com este simpático cozinheiro foi uma ótima oportunidade de conhecer um pouco mais da cultura desse povo amistoso e hospitaleiro, que sofreu nas mãos de regimes repressores e cruéis e que mesmo assim está aberto para conhecer o que vem de fora e quem pode trazer um pouco de informação de outras culturas.

No dia seguinte logo cedo os templos de Angkor me esperavam, mas aí é outra história que já foi postada aqui no O Mundo é Meu Vizinho.

Ale Ravagnani

De volta ao tempo entre Paraty e o Rio de Janeiro

Viajar ao estado do Rio de Janeiro vai além de sol e belas paisagens, é beber da nossa história direto da fonte.

A pouco mais da metade do caminho entre São Paulo e o Rio, meio que escondida na Serra do Mar, fica a bela cidade histórica de Paraty. Fundada em 1667, a cidade passou por momentos áureos, primeiro como um grande centro produtor de cachaça, chegando a ter mais de 250 engenhos de cana de açúcar para a produção da aguardente e no século XVIII, foi um importante porto por onde se escoava o ouro e as pedras preciosas que vinham de Minas Gerais e iam em direção a Portugal. Mais recentemente, com a descoberta pelos turistas, principalmente após a abertura da Rodovia Rio-Santos na década de 70. Espremida entre a Serra da Bocaina e a Serra do Mar, Paraty é única no Brasil. São ilhas e mais ilhas, algumas completamente intocadas e um mar de cor verde sem igual. No lado da Bocaina, a impressão é de se estar no campo, e muito longe do mar, mas basta achar uma brecha entre as montanhas pra encontrar o mar ao longe. E de barco, quanto mais se distancia da costa, mais preservada se encontra a natureza. Na cidade, são Igrejas centenárias e casarões históricos por todos os lados. Símbolos maçons são vistos em muitas de suas construções, mas seus significados hoje em dia são muito mais estéticos do que qualquer outra coisa. Um dia nublado na cidade pode significar um grande dia de caminhadas e descobertas pelas pedras desiguais das ruelas de Paraty e um grande dia tanto quanto se você estivesse nas praias das ilhas logo ali em frente. É uma troca sem perda alguma.

Ilha do Cedro na Baia de Paraty

Vista da Pousada Arte Urquijo em Paraty

Casario histórico de Paraty

Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, Paraty

Casa próxima ao cais de Paraty

Vendo o tempo passar, Paraty

Já chegando ao Rio de Janeiro e continuando sua busca pela história, uma parada no centro convida uma volta ao tempo. A Confeitaria Colombo foi fundada em 1894 e não é só pelo concorrido salão de chá que fica apinhado de cariocas e turistas. Sua arquitetura impressiona e na época só rivalizava com as confeitarias de Paris ou Londres. Hoje impressiona muito mais, já que seus mais 100 anos de história não ofuscaram seu glamour, pelo contrário, é uma ilha no meio da cidade, um lugar para parar e esperar o tempo passar, ou até mesmo voltar nele, e tentar se transportar para sua época de ouro, imaginando como eram as pessoas e o que aquilo tudo representava. Hoje em dia, a disputa por uma mesa é grande, assim como as opções do cardápio. Num fim de tarde corrido, depois de desistir de enfrentar a fila para sentar, recorri ao balcão mesmo e provei um gostoso bolinho de bacalhau e para recuperar as energias, uma torta doce mil folhas de cair o queixo. Mas as opções são muitas e um desfile de chás, doces e salgados estão à espera daqueles sortudos de verdade que estão ali sem pressa e sem precisar olhar para o relógio, assim como era a vida 100 anos atrás.

Confeitaria Colombo, Rio de janeiro

Belle Époque da Confeitaria Colombo

Linda arquitetura Art Nouveau

Disputado salão da Confeitaria

Vitrais do teto da Colombo

Mosteiro de São Bento fundado em 1590 no Rio de Janeiro

Mosteiro, a casa dos monges beneditinos

Ale Ravagnani

Mônaco e Èze, entre o mar e as montanhas

O famoso principado de Mônaco e sua pequena vizinha medieval de Èze, são duas jóias do Sul da França, situadas entre a cidade de Nice e a fronteira com a Itália.

Obra do artista Anish Kapoor, praça do Cassino de Mônaco

Jardins do Cassino de Mônaco

Jardins do Cassino

Cassino de Mônaco

Restaurante de Alain Ducasse em Mônaco

Ruas de Mônaco

Ruas de Mônaco

Praça do Fort Antoine

Fort Antoine

Vista do porto de Mônaco

Um bom começo é dirigir pelas ruas de Mônaco e passar por onde segue o percurso do circuito mais famoso da Fórmula 1, ir de cima a baixo e perceber que a cidade está construída em penhascos e logo abaixo um mar de iates e transatlânticos no mais luxuoso porto de todos os mares. O que mais se percebe é que por onde quer que se ande, tudo está impecável, desde os jardins com suas fontes, passando pela arquitetura e limpeza da cidade. Restaurantes com os chefs mais estrelados do mundo e o cassino símbolo da cidade fazem dela a casa de muitos abonados das mais diversas nacionalidades, inclusive de alguns brasileiros. Tudo parece imaculado, mas ao mesmo tempo distantante dos simples mortais, turistas que passam o dia fotografando e voltando para sua jornada de viajante.

Entrada da Vila de Èze

Èze nas montanhas

Arredores de Èze

Praça e fonte em Èze

A noite caiu em Èze

Igreja Notre Dame de l’Assomption, Èze

Èze no topo da colina

Ruelas de Èze

Muros medievais de Èze

Mirante da Igreja

Contrastes

Pedra sobre pedra

A noite de Èze

Menos de 5 quilômetros de Mônaco, se chega à pequena vila medieval de Èze, situada na Riviera Francesa e apesar de colada na sua vizinha rica, deixa a badalação e ostentação de lado para nos fazer voltar o tempo de milhares de anos de sua história. Perder-se por suas vielas e de repente se deparar com hora de frente para o mar, distante algumas centenas de metros dali, hora para as montanhas, onde estão os Alpes Marítimos que se debruçam praticamente sobre o Mediterrâneo, é colirio para os olhos na certa. Apesar de seu reduzido tamanho, guarda algumas pequenas jóias, como a Igreja Notre Dame de l’Assomption construída em 1764, a Capela de la Sainte Croix, de 1306 e o Jardim Botânico d`Èze com suas vistas panorâmicas bem nos penhascos. Além disso, uma das mais antigas fábricas de perfume da França está ali, a Fragonard. Não deixe de visitar e provar os aromas típicos do Sul da França e da Provence, que está logo ali, como a lavanda, flor de laranjeira e a verbena.

Mas não vá embora antes que a noite caia e uma outra cidade tome seu lugar. Grande parte dos turistas vão embora e a cidade está ali para ser descoberta através de sua iluminação amarelada e vielas escondidas. Você está praticamente num cenário de filme de época, distante de qualquer referência das cidades atuais, e se possível passe a noite ali e faça da viagem uma segunda lua de mel. Apesar de poucas opções para jantar, vai ser fácil encontrar um lugar que vai ficar para sempre na sua memória e entrar na lista dos mais inesquecíveis. Não sei se pelo clima do lugar, pelo cenário, pela oferta dos ingredientes frescos franceses, pelo vinho maravilhoso, pela noite de verão, pela companhia ou se pela soma disto tudo e mais um pouco.

Ale Ravagnani

 

Dia de Feira na França

Toda boa refeição na França começa na feira.

Marché Forville em Cannes, sul da França

Do mar para a mesa, Cannes

Ladurée e o macaron de flor de laranjeira

A tradição da gastronomia francesa vem de muito, muito tempo. Os chefs são considerados estrelas desde os tempos do grande cozinheiro Antoine Carême que viveu no século XVIII, no auge da Revolução Francesa e ficou conhecido como o “chef dos reis e o rei dos chefs”. Em sua vida, serviu Napoleão e depois de sua queda, Carême foi para Londres e trabalhou como chef de cuisine para o Príncipe Regente, George IV. Retornando ao continente, serviu ao Czar Alexander I em São Petersburgo, antes de retornar à Paris, onde trabalhou como chef para o banqueiro James Mayer Rothschild. Ele é lembrado como o fundador do conceito de alta gastronomia.

O grande chef Antoine Carême

Criações de Carême

Mas o que desde aqueles tempos era falado? Que toda grande gastronomia começa com bons ingredientes, e isso na França é da mais pura verdade e importância. Um dia num mercado francês, é uma viagem pela gastronomia, com os ingredientes mais bonitos que se pode encontrar, tudo muito fresco e vindo direto do produtor. É colírio para os olhos, de quem gosta de cozinhar ou somente para aqueles que apreciam uma boa refeição e sabem como é importante a base de tudo. Mas olhando toda a variedade e qualidade dos produtos, percebemos a herança que o povo francês carrega. É quase uma devoção ir ao mercado e escolher o que de mais fresco chegou para ser servido à noite em casa. E não estamos somente das grandes cidades. Praticamente qualquer cidade francesa tem sua feira livre onde todos os dias os ingredientes para uma grande refeição os esperam para irem para a panela. São tantas variedades, tantos cogumelos diferentes, trufas negras, tomates dos mais diversos tipos e cores, queijos e até uma simples abobrinha em flor se torna uma iguaria aos olhos de quem gosta de comer bem. E isso na França é levado tão a sério que faz parte da identidade nacional. E pela culinária se começa e se encerra uma grande viagem pelo ícone mundial da boa comida, seja ela feita pelas criações de um grande chef com estrelas Michelin ou por uma simples dona de casa que vem seguindo receitas que passaram de geração em geração. Bon appétit!

Ale Ravagnani

Barcelona se renova todos os dias

Domo de vitral em edifício de Barcelona

Detalhe nas ruas

Se não fossem por seus arquitetos-artistas, Barcelona não seria a mesma hoje em dia. Sua paisagem arquitetônica atual transformou a cidade, trazendo uma mescla única entre o moderno e o antigo, o novo e o tradicional. Considero a cidade de Barcelona, situada na região da Catalunha na Espanha, um museu a céu aberto. Sempre me inspira andar por cidades onde a preocupação estética é realmente levada a sério. Aqui a arquitetura é pensada para melhorar a vida de seus habitantes e uma verdadeira inspiração para a vida.

Sagrada Família em construção há mais de 100 anos

Sagrada Família, Gaudí

O onipresente Antoni Gaudí teve a cidade onde viveu e trabalhou como grande fonte de inspiração. Desde a inacabada Sagrada Família, que teve o início de sua construção em 1882 e que está prevista para acabar em 2020, ao fabuloso Parque Güell, que representa o máximo do modernismo catalão e foi construído entre 1900 e 1914. Tudo exprime a arte do mestre Gaudí. O Parque fica numa área alta de Barcelona, com vista para toda a cidade com o mar ao fundo, e isto é só o pano de fundo. É no próprio parque que estão suas atrações. Densamente construído, apesar de se denominar um “parque”, cada detalhe tem algo de extraordinário, os mosaicos que de perto são cacos de azulejos, visto de longe são harmônicos e de uma beleza extrema. As construções são curvilíneas antes mesmo das formas orgânicas estarem tão na moda.

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Parque Guell, Gaudí

Mas Gaudí não parou por aí. Também projetou diversas casas e edifícios como a Casa Milà ou La Pedrera em 1905. O edifício não possui qualquer linha reta, parecendo ondas ou dunas de areia, nada mais apropriado para uma cidade à beira mar. As chaminés que saem de seu telhado também são peculiares como todo o conjunto. A Casa Batlló foi uma reforma que Gaudí realizou no edifício de 1875 e é conhecida como A Casa dos Ossos, devido ao formato dos balcões exteriores que se assemelham a um crânio e ossos.

Casa Milà, Gaudí

Casa Milà, Gaudí

Casa Milà, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Casa Batlló, Gaudí

Mas muitos outros grandes arquitetos contribuíram para a cidade. O Palácio da Música Catalã é um auditório construído em 1905 e junto com seus fantásticos vitrais, é uma obra-prima do modernismo catalão. O Teleférico de Montjuic foi construído para a Exposição Universal em 1929, e estende-se sobre o Porto antigo, e vai da Torre de San Sebastián em Barceloneta até Miramar, para o castelo no topo de Montjuic. A viagem chega a uma altura de cerca de 70 metros, e há pontos de vista do porto e da cidade que são deslumbrantes.

Palácio da Música Catalã

Teleférico de Montjuic

Além destes ícones, mais recentemente Barcelona passou por uma nova onda de transformação. Nos Jogos Olímpicos de 82 o Palau Sant Jordi ou  Palácio dos Esportes foi construído por Arata Isozaki, a Torre de Collserola por Norman Foster e a Torre de Monjuic por Santiago Calatrava. No período pós olímpico, a cidade ainda ganhou o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA) de Richard Meier, a Torre Agbar de Jean Nouvel, a Torre do Triângulo Ferroviário (La Sagrera) de Frank Gehry e o Edifício Fórum de Jacques Herzog e Pierre de Meuron. Todos os principais arquitetos da atualidade estão com obras espalhadas pela cidade, todos disputando para exporem o melhor de sua arte nesta galeria a céu aberto que é Barcelona.

A conclusão que chego é que Barcelona se renova a cada ano, com ou sem crise, e isto só atrai ainda novas ondas de turistas que não param de chegar à cidade e a ajudar renovar a economia espanhola.

Torre de Monjuic, Parque Olímpico

Parque Olímpico

Para se ver do alto

Parque Joan Miró

Ale Ravagnani

Andaluzia é iluminada

Cerâmicas com influências árabes

Acredito que a mistura transforma os lugares e as pessoas ainda mais especiais, cheios de referências, contrastes ou até mesmo contradições, mas que os torna verdadeiramente ricos e diferenciados. A região da Andaluzia na Espanha tem este pressuposto desde seus primórdios, com tantas influências, principalmente a dos mouros, mas sem esquecer que antes romanos, vândalos e visigodos passaram por ali. Em 711 A.C. os árabes invadiram a região, um domínio que durou oito séculos e deixou marcas na população e na cultura da Andaluzia. Estabeleceram um Emirado com capital em Córdoba, que se tornou independente de Damasco no ano de 929. Este período foi de grande prosperidade, mas após muitos séculos, em 1609, os Mouros foram totalmente expulsos da Península Ibérica. Seu nome provém de Al-Andalus, nome que os muçulmanos davam à Península no século VIII. Encurtando um pouco a história, ainda veio a Guerra Civil Espanhola que deixou profundas marcas por todo o país e o implacável General Franco, como tantos outros mundo afora e que deixam um legado questionável. Hoje encontramos um país moderno, apesar da recente crise não ter sido fácil por lá, a história está toda ali para ser descoberta. As cidades de Sevilha, Córdoba, Málaga e Granada são jóias da arquitetura e uma viagem pela região é uma aula in-loco de arte, cultura e história.

Parte moderna de Sevilha

Catedral de Santa Maria de Sevilha

Torre da Giralda

Parte antiga de Sevilha

Praça de Espanha, Sevilha

Sevilha é uma cidade vibrante, com vida independente do turismo, mas ao mesmo tempo cheia de atrações. Em 1992 se realizou a Exposição Universal de Sevilha e grandes monumentos revitalizaram a cidade em sua história atual. A Catedral de Santa Maria de Sevilha, onde sua torre é conhecida como Giralda, é a maior do mundo e uma jóia do gótico e do barroco, além de ter sido eleita Patrimônio da Humanidade em 1987. Na época era a torre também era a mais alta do mundo com 97,5 metros. Começou a ser construída no século XII, onde surgiu a partir de uma mesquita, enquanto o restante superior da catedral foi construída no século XVI na época cristã.

Mesquita de Córdoba da janela do hotel

Mesquita de Córdoba

Mesquita de Córdoba

Mesquita de Córdoba

Alcázar dos Reyes Cristianos, Córdoba

Alcázar dos Reyes Cristianos, Córdoba

Grande Mesquita, Córdoba

Córdoba, pequena jóia que deve ser descoberta devagar para sentir a presença do tempo e se perder por suas vielas à noite, é pura magia. Também foi uma cidade romana e na Idade Média capital do califado islâmico. A cidade antiga apresenta uma impressionante arquitetura, tendo a Grande Mesquita como destaque imperdível. No século X, Córdoba era provavelmente a cidade mais populosa do mundo e hoje conta com quase 350 mil habitantes, número proporcional infinitamente inferior ao de seu passado. Imperdível também são os jardins do Alcázar dos Reyes Cristianos, com suas fontes enfileiradas e jardins ornamentais, refúgio certeiro para os implacáveis dias de verão da região.

Alhambra, Granada

Alhambra, Granada

Alhambra, Granada

Vista de Granada do alto do Alhambra

Alhambra

Alhambra

Alhambra

Alhambra

Alhambra

Granada, cidade toda branca situada aos pés da Sierra Nevada, é a porta de entrada a um dos maiores monumentos de toda a Espanha, Alhambra, que significa Castelo Vermelho em árabe. Antiga fortaleza e palácio, foi um complexo de fortificações dos monarcas islâmicos de Granada e também declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Construído a partir do século XI com influências muçulmadas, judaicas e cristãs é um dos monumentos mais emblemáticos do mundo e um dos mais visitados da Espanha. Merece horas e horas a fio de contemplações, assim como a exuberante vista do alto de suas colinas, local estratégico de guarda e de indiscutível beleza. A cidade de Granada fica a seus pés e dali de cima do Alhambra, o que os olhos avistarem, nunca mais sairá de sua cabeça.

Cores da Andaluzia

Relíquia Andaluz

Ale Ravagnani

Alter do Chão. A praia mais bonita do Brasil fica num rio

Num país com 8.000 kilômetros de costa, dizer que a praia mais bonita do Brasil fica num rio no meio da Amazônia é quase uma ironia. Não qu eu não seja fã de nossos praias, de norte a sul, só as favoritas não cabem nas duas mãos. São muitas top ten e quase sempre bastante distintas, ou seja, tem praia pra tudo quanto é gosto. Porém, o jornal britânico The Guardian, elegeu a praia de Alter do Chão situada na beira do Rio Tapajós na parte amazônica do Pará, como a mais bonita do Brasil e uma das dez praias mais bonitas do mundo.

Lago Verde no Rio Tapajós

Vila de Alter do Chão

Estive neste paraíso de água doce por uma semana, e não tinha a menor vontade de ir embora. Distante 30 Km de Santarém, a vila de Alter fica na margem direita do imenso Rio Tapajós, que é quase um mar de tão imenso e suas praias se formam após a época das chuvas, que vai de janeiro a maio. Entre os meses de setembro a janeiro, as praias de areia super brancas são formadas nas margens do rio. Além das belas praias, no período das cheias (que vai de março a agosto), podemos avistar a Vitória-Régia, uma das maiores plantas aquáticas do mundo. No período das águas baixas (que vai de setembro a fevereiro) as revoadas dos passáros são de perder o fôlego.

Ilha do Amor ainda submersa na cheia

Vista para o Rio Tapajós no Morro da Piroca

Muitas vezes chamada de Caribe brasileiro, ajuda a compor sua beleza a impressionante localização da praia, onde as águas do Tapajós formam o Lago Verde ou Lago dos Muiraquitãs. Seu cartão postal é a Ilha do Amor, onde se chega em meros 5 minutos de catraia, barquinhos equivalentes à nossos taxis, que se pode tomar no centrinho da Vila. Ao chegar na ilha, escolha o quiosque que achar mais agradável, peça seu peixe (pode ser um Pirarucu, Tucunaré ou a fantástica costela de Tambaqui) e combine o horário que deseja almoçar. Aí é só relaxar na praia, mergulhar ou alugar um caiaque para remar pelo Lago Verde. Vida difícil, não é? Quer ver tudo por outro ângulo? Então suba até o Morro da Piroca e depois de um pequeno trekking veja a grandiosidade do Tapajós visto do alto. Outros passeios imperdíveis são pela Floresta Nacional do Tapajós, a Flona, uma reserva florestal de 600 mil hectares repleta de florestas primárias, praias, comunidades e igarapés. A experiência de navegar num pequeno barco passando pelo Rio Amazonas parece completamente for a de cogitação, mas ali é possível. Além de encontrar uma fauna e flora únicas, chegamos na Comunidade Urucureá no Rio Arapiuns, famosa pelo colorido artesanato de palha. O almoço vinha do próprio rio que os barqueiros pescavam e assavam, e para dormir, nada mais que uma rede pendurada no barco. Não era preciso nada mais.

Uma observação: o restaurante mais badalado do Brasil, o D.O.M., é considerado o sétimo melhor do mundo e grande parte dos ingredientes de seus deliciosos e intrigantes pratos vem do Pará.

Por do sol privilegiado visto de Alter do Chão

Passeio em barco Amazônico

Nossa casa por 2 dias no Rio Jari

Projeto peixe-boi

Projeto peixe-boi

Em Santarém, cidade no meio do estado do Pará e equidistante de Manaus e Belém, não deixe de ver o encontro das águas do transparente Rio Tapajós com o barrento Rio Amazonas, que devido às suas diferentes densidades e velocidades das águas, fluem lado a lado sem se misturarem. Se sua escala da viagem for a cidade de Belém, não pense duas vezes em optar por parar ali e curtir alguns dias. Seja pelos contrastes, pela culinária, pelo Mercado Ver o Peso ou por tantos outros bons motivos desta bela cidade. Mas isto já é outra história que depois eu conto aqui.

Visão de camarote

Descobrindo o Mercado Ver o Peso, Belém

Mercado Ver o Peso, Belém

Ale Ravagnani

Rio de Janeiro. Aproveite antes da turma chegar

Vista do Forte de Copacabana

O Rio tem tudo para ser uma das grandes estrelas mundiais do turismo e que agora, pós nominação para as Olimpíadas em 2016 e final da Copa do Mundo em 2014, os olhos se voltarão para ela e o mundo poderá redescobrí-la. Já era tempo para isso acontecer! Como um dos cenários mais espetaculares da terra atraia menos turistas se comparado com outras cidades de porte similar ou até mesmo menor? O Rio não deixa nada a dever a Barcelona na Espanha, Cancun no México, Dubai nos Emirados Árabes e Istambul na Turquia, todas cidades também banhadas pelo mar e com suas dinâmicas ligadas diretamente com a água E todos os 4 destinos citados recebem um número de turistas maior que a nossa tão querida cidade maravilhosa e nenhuma é tão completa ou possui tantos atrativos como aqui.

Vista do Jardim Botânico

Palmeiras Imperiais do Jardim Botânico

O Rio é para se ir sempre, mesmo que somente em um fim de semana. Entre na rotina dos cariocas pra sentir a verdadeira vibração, compre biscoito Globo na praia, caminhe no calçadão pela manhã, ande de bicicleta na Lagoa, tome café da manhã na filial da tradicional Confeitaria Colombo no Forte de Copacabana, passe em alguma das muitas frutarias e peça seu suco feito na hora, nunca pule o happy hour (pode ser no Braca ou em muitos outros), e repita isso todos os dias que você será eternamente mais feliz e muito menos estressado. Se ainda der tempo, aproveite que domingo tem menos trânsito e dirija atá Grumari para tomar a melhor caipirinha de tangerina do mundo e comer uma moqueca no meio de muita vegetação e com vista de perder o fôlego para a Barra de Guaratiba. Procure pelo restaurante da Tia Pamira ou do Bira. Aproveite a viagem e visite o sítio onde viveu o maior paisagista brasileiro, Roberto Burle Marx.

Se bater preguiça de ir longe, o caminho te leva para as ladeiras de Santa Teresa, a Montmartre carioca. A impressão é que se voltou no tempo e o clima bucólico só é quebrado quando se olha para uma das melhores vistas do Rio de Janeiro. O exclusivo Hotel Santa Teresa montado num casarão de 1850 tem um ótimo restaurante, o Térèze, pra se apreciar o clima, o visual e uma culinária de primeira. Procure saber a história do local, que foi o antigo Hotel dos Descasados, além do que os funcionários já irão falar da passagem de Amy Winehouse pelo local. Ou você pode optar pelo restaurante Aprazível, que faz juz ao nome e fica ali pertinho. Em Santa Teresa se encontra o museu Chácara do Céu, onde arte, história e natureza convivem em harmonia. No interior da casa modernista você poderá ver obras de Matisse, Dalí, Miró, Picasso, Debret, Portinari e Di Cavalcanti.

Diversidade no calçadão de Copacabana

Mas o Rio tem muito além das grandes atrações turísticas que todos saber de cor e não preciso escrever aqui. O Jardim Botânico é o grande quintal dos cariocas e andar por seus jardins luxuriantes recupera qualquer mortal de um dia estressante. Repare que pelas árvores centenárias encontram-se macaquinhos, tucanos e muitas outras aves tropicais. Ali perto fica o Parque Lage, que é ótimo para um café da manhã no fim de semana ou quando se tem um pouco mais de tempo pra curtir sem pressa.

Piscina do Copacabana Palace

Vista do Hotel Fasano no entardecer

Porém seu tour ainda não terminou. Caminhar pela orla pode render um dia espetacular. Do calçadão de Copacabana, passando pelo lindo visual do Arpoador, depois Ipanema e finalmente Leblon. Aí entre para o bairro, passeie pela Dias Ferreira e suas charmosas livrarias, tenha uma refeição balanceada, porém muito saborosa no Celeiro ou na filial carioca do paulistano e contemporâneo Carlota e chegue até a Lagoa para terminar de fazer a digestão. Na volta, o happy hour pode ser no badalado hotel Fasano que fica de frente para o mar no metro quadrado mais caro do Brasil. A vista compensa o preço dos drinks ou então rume para a beira da piscina do Copacabana Palace, outra alternativa também classuda. E mesmo que você não esteja hospedado em nenhum desses lugares, termine sua viagem em grande estilo, porque o Rio compensa qualquer extravagância e muitas e muitas idas para viver como um bom carioca da gema.

Os famosos biscoitos de polvilho Globo nas versões doce ou salgado

Ale Ravagnani

Ushuaia, a era do gelo e a cidade do fim do mundo

Tipos de pinguins da Patagônia e da Antarctica

Qual é a sensação de se chegar no fim do mundo? É achar que dali em diante não tem mais nada? Nos esquecemos que a terra é redonda e que isto é um simples ponto de vista. Mas a cidade de Ushuaia localizada no extremo da Patagônia Argentina e da América do Sul, exibe este título e se gaba disso sempre que pode. Como não poderia deixar de ser, talvez por resquícios da antiga briga fronteiriça com o Chile, cada um dos países defende sua cidade como a mais ao sul do mundo. O Chile diz que Puerto Willians é sua resposta e que fica mais ao sul, e realmente é. Mas a Argentina defende Ushuaia para o título dizendo que a cidade chilena é uma simples base naval. De longe e de dentro de um barco, pude notar que Puerto Willians realmente é diminuta e que raramente deve atrair algum visitante. A verdade é que ambas as cidades são praticamente a última povoação da América do Sul antes de chegar à Antarctica. Elas ficam quase uma em frente à outra, situadas na Terra do Fogo com o Canal de Beagle separando-as e fazendo a estratégica ligação entre o Oceano Atlântico e o Pacífico.

Ushuaia e seu aeroporto vistos de cima

Puerto Willians no Chile e o Canal de Beagle

E é justamente a localização de Ushuaia que traz tanta mística e lendas sobre ela. As águas frias atraem uma diversificada fauna com aves como cormorões, pinguins, lobos marinhos e a apreciada centolla, um caranguejo gigante que é uma das grandes estrelas dos cardápios patagônicos. Além dela, que você não vai enjoar mesmo se comer todos os dias, intercale com a fantástica merluza negra (nada a ver com a nossa daqui) e bom apetite! Antes agende um passeio de barco na região do porto e zarpe no horário da tarde para avistar a vida marinha e o Farol do Fim do Mundo, com opção de descer na ilha dos pinguins. Mas o motivo do horário é que na volta, já bem no fim da tarde, o por do sol é um presente com cores que só existem ali.

Porto de Ushuaia

Endurance de 1912 que levou Shackleton à Antarctica

Farol do Fim do Mundo

Ilha dos pinguins no Canal de Beagle

Pinguins no Canal de Beagle

Em Ushuaia opte por um hotel confortável à beira do Beagle e relaxe. Mesmo se você optar por um mais afastado do centro da cidade, o visual compensa. Se der sorte com o tempo, como foi em minha viagem com meu pai, o sol mostra que a natureza está ali bastante intocada e a exploração ainda não está massificada. Se sua viagem for no inverno, siga em frente se você realmente viajar para esquiar, mas não espere grandes infra-estruturas como as estações de esqui mais centrais da Argentina ou do Chile. Gorro, cachecol, luvas e casaco corta-vento tem que fazer parte de sua viagem em qualquer época do ano e prepare-se que o tempo muda sem avisar. Outro atrativo é o Parque Nacional da Terra do Fogo, que você pode fazer em um tour ou então combinar com um motorista de taxi para passar algumas horas ali com você. O início pode ser pelo Trem do Fim do Mundo, uma pequena locomotiva a vapor que passa por um trecho do parque e depois a viagem continua por terra, parando em mirantes e fazendo pequenas caminhadas. Um dos principais atrativos ficam por conta dos castores que foram introduzidos na região por um descuido e hoje fazem barragens imensas, cortando árvores e desviando rios para melhor abrigar sua ninhada e descendentes. Apesar de destruírem a natureza, é uma atração pra nós turistas.

Canal de Beagle perto de Ushuaia

Osso de baleia em restaurante de Ushuaia

Praia em Ushuaia e o Chile ao fundo

Hotel Los Cauquenes, Ushuaia

Casa em Ushuaia

Castoreiras, Parque Nac. Terra do Fogo

Trem do fim do mundo

Mas como esta viagem teve um gostinho especial para mim, em que minha companhia foi ninguém menos que meu pai, optamos por dividí-la em duas partes, o extremo sul que acabei de contar e a região das geleiras, um pouquinho mais ao norte e na fronteira com o Chile e que eu já havia visitado algumas vezes. Ali fica localizado o Campo de Gelo Sul, a maior massa de gelo das Américas e resquício verdadeiro da era do gelo e do que sobrou das glaciações. A partir da cidade de El Calafate (não quero ser repetitivo, portanto veja o post “Patagônia Argentina é logo ali” no blog), e acessível tanto de carro quanto de barco às imensas geleiras e paisagens brancas. Mas desta vez, para mim a novidade nesta viagem foi o Glaciar Upsala, um dos maiores do Parque Los Glaciares, região que concentra grande parte das geleiras na Argentina. Hoje em dia o imenso glaciar está com o acesso mais difícil. O braço do Lago Argentino, onde se chegava de catamarã, está bloqueado por imensos icebergs que não deixam mais os barcos chegarem nem perto de sua base. O caminho ficou mais longe porém muito mais divertido. O barco chega até a Estância Cristina, uma antiga fazenda de ingleses produtores de ovelhas, de lá jipes 4×4 estão esperando para te levar numa sacolejante viagem montanha acima até não haver mais trilhas para carros. A partir daí você está por si próprio e uma caminhada relativamente fácil te leva até a mais bonita de todas as vistas, que se dá para o imenso Glaciar Upsala. É de tirar o fôlego se deparar com tanto contraste e beleza, mas compensa cada tranco no jipe ou escorregada na trilha. Vá com muita expectativa e volte ainda assim surpreendido. Já o famoso Glaciar Perito Moreno é mais fácil de chegar e conhecê-lo, e ainda assim é extremamente belo e parte imperdível da viagem à região. A cidade de El Calafate, base para esta parte da Patagônia, é muito bem organizada e tem toda a infra-estrutura e conforto para o viajante. Aqui o prato principal é o cordeiro patagônico feito no fogo de chão e sempre de comer de joelhos. Só assim pra recuperar seu fôlego e se preparar para mais um novo dia de aventuras que nunca mais sairão de suas memórias. Ale Ravagnani

Icebergs no Lago Argentino

Chegada à Estância Cristina

Trekking para o Glaciar Upsala

Trekking Glaciar Upsala

Glaciar Upsala visto do alto na Estância Cristina

Glaciar Upsala

Nova York, um lugar que respira arte

Chrysler Building

Algumas cidades do mundo respiram arte até pelos poros. Londres, Paris, Berlin, Chicago, mas nenhuma outra conseguiu democratizar o acesso de maneira tão intensa quanto Nova York. Quando digo arte, não estou falando somente a que está dentro dos museus, aquela dos grandes acervos e das grandes instituições que montam exposições e retrospectivas dos grandes mestres da arte. Nova York transpira arte e ela também está nas ruas e acessível a todos, mesmo aqueles que não estão dispostos a pagar US$ 15 para entrar num museu. É fácil estar em contato com a arte na cidade e acabamos esbarrando em arte pelas ruas e as vitrines das lojas a cada troca de coleção ou em datas comemorativas dão um banho criativo. Um tour só olhando a parte de fora das lojas e magazines já inspira e mostra que a criatividade está ali para todos e percebemos que na era digital das compras on-line, andar pelas ruas ganha um diferencial e alegra as caminhadas. Alguns ótimos exemplos são as vitrines da Bergdorf  Goodman, Tiffany`s, Saks Fifth Avenue, Barneys, entre muitas outras.

Tim Burton no Moma

Também costumo dizer que voltamos de Nova York com torcicolo. A arquitetura dos grandes edifícios históricos são verdadeiras aulas de equilíbrio estético. O grande movimento da arquitetura com os arranha céus começou na década de 30, e a competição era grande, e não somente pela disputa da altura, mas também pela ostentação. O Chrysler Buiding e suas gárgulas lá no alto foram a principal causa da minha dor de pescoço, e até mesmo da minha dor de cotovelo. E quando você entra na Grand Central Station e se depara com aquele gigantesco vão livre e o relógio central, ou então visita a New York Public Library não fica pasmo com todo aquele acervo histórico? Comparando com a cidade de São Paulo, onde atualmente o ápice da arquitetura são os edifícios neo clássicos sem estilos e fora de seu tempo, voltamos de viagem olhando pra baixo para nossos olhos não sofrerem com tal contraste desta pobre arquitetura e crise de identidade urbana que vivemos.

Painéis da Times Square

Mas voltando à arte, o incentivo é o que impulsiona. Além da população apreciar, isto é um legado atemporal e que ajuda a contar nossa história. A recente exposição do cineasta e artista Tim Burton no MOMA – Museu de Arte Moderna, atraiu um público imenso e foi a segunda exposição mais visitada de todos os tempos. E qual é a fórmula? O cara é bom mesmo, um verdadeiro gênio, mas trazer algo novo, com muita ideia e pensamento, foi o mix perfeito para esta explosão, além de atrair um público mais jovem. O ponto negativo foi que havia tanta gente dentro das salas (em 3 andares do museu), que foi impossível olhar com alguma atenção para as mais de 1.000 obras expostas. Mas não deixe se abalar por isto. O Guggenheim e seu prédio-arte projetado por Frank Lloyd Wright são uma das grandes atrações à beira do Central Park, assim como o Metropolitan Museum, ou Met para os novaiorquinos, o Whitney Museum e o Natural History Museum, todos ali na redondeza.
E no próprio parque, diversas esculturas estão ali para tornar nosso passeio mais cultural e provavelmente muito mais instigante. A escultura Alice no País das Maravilhas de 1959 e de 1892, a escultura também em bronze de Cristovão Colombo também é outro marco, mas essas são apenas duas das dezenas de obras que você vai encontrar caminhando.

Rockefeller Center e a escultura Atlas, 1937

Continuamos andando pelas ruas e quanto mais rumamos para o sul da ilha de Manhattan, mais a arte se torna presente e acessível. Agora nos bairros do Soho, Greenwich Village, Chelsea e Meat Packing District, além da arquitetura ser muito mais low profile, mas não menos interessante, os bairros são tomados por galerias de arte, pequenos espaços para exposições, designers de moda, ateliers e praticamente todos os tipos de comércio olhando para sua clientela com humor, irreverência e sempre trazendo algo novo e inusitado a oferecer, seja na “embalagem” ou no conteúdo. Para sociedades mais evoluídas em que o básico já está bem resolvido e a informação é democrática, essas manifestações criativas são mais aceitas e absorvidas pela sociedade.

Rodin até na calçada

Van Gogh e seus campos de milhos no Moma

E para fechar este assunto da arte, que na realidade não tem ponto final e é uma constante sempre em evolução e renovação na cidade, gostaria de deixar mais uma dica. Vá ao prédio da ONU por dois motivos, mesmo ele ficando um pouco fora de mão. O grande salão onde todos os países estão representados é um ícone e mesmo que não nos deixam sentar e admirar por muito tempo, vale para ticar da nossa lista de curiosidades. Mas para mim a grande surpresa foram mesmo as obras de arte, sejam elas peças rebuscadas que foram doados por representantes de governo de países longínquos e que ficam ali expostas ou clássicos que não deixam dúvida de seu valor artístico e nos presenteia com vitrais de Marc Chagall, painel de mosaico de Norman Rockwell ou grandes esculturas que fazem referência a um mundo mais humanizado, com menos violência e diferenças. Agora é torcer para que essas diferenças diminuam e que o entendimento da arte seja mais universal, inclusive para nós brasileiros.

Ale Ravagnani

Non Violence por Carl Fredrick Reutersward na ONU

Vitrais de Marc Chagall, ONU

Painel de mosaico de Norman Rockwell, ONU

Arte interativa na rua

Vitrine da loja Bergdorf Goodman

Quebrando a monotonia

Biscoitos da sorte viram decoração

Bom humor nas ruas

Loja da Apple, bela arquitetura e produtos

Bruges, a Veneza do norte no país do Tintin

As aventuras de Tintin

Mistura de Amsterdam com Veneza, a pequena cidade medieval de Bruges tem personalidade de sobra para ser única apesar da semelhança. A primeira impressão é que se está numa cidade de conto de fadas, com canais emoldurando casas cheias de flores e sacadas à beira do nível d`água. E ao anoitecer você se dá conta que aquilo saiu mesmo de um livro ou de um quadro de Van Eyck, um dos mais importantes pintores flamencos. Chegar é muito fácil. Se estiver em Paris, o trajeto até Bruxelas é de quase 1h30, ou seja, menos do que muitas vezes ficamos parados no trânsito. E claro sem falar que se sai do centro e se chega no centro da outra cidade, sem trânsito ou espera. Depois é só tomar um trem de Bruxelas e em pouco menos de 1 hora se chega a este sonho do norte da Europa.

Vista de cima do Beffroi de Bruges

Um dos muitos canais da cidade

Portão da cidade

As janelas viram vitrines

Oficialmente a cidade foi fundada em 1.128, mas uma história de séculos antes disso com passagens de Vikings, romanos e francos colocaram esta pequena cidade belga no mapa das grandes rotas. Hoje a cidade está na mira do turismo mundial, mas isso não quer dizer que seja uma cidade óbvia ou esteja saturada. É só sair caminhando e descobrir com seus próprios olhos, sem necessidade de mapa muito detalhado ou aqueles guias com bandeirinhas. Outra boa maneira é alugar uma bicicleta para fazer como os locais. Quando cansar embarque nos barcos pelos canais para ter um outro ponto de vista do lugar. E se ainda quiser mais diversidade, carruagens e seus cavalos estão à sua espera estacionandos na Grote Markt.

Grote Markt

Torre Beffroi com 83 metros = 366 degraus

Além de um visual impressionante e de muita caminhada, a recompensa vem nas calorias. Começe com uma boa cerveja belga ou até mesmo visitando uma cervejaria artesanal. Só para você ter uma ideia, são 780 rótulos “nacionais” produzidos num país do tamanho do estado de Alagoas. Depois escolha uma brasserie e invista nos pescados e frutos do mar, especialidade local que acompanha batatas em algumas de suas muitas receitas (aliás, dizem que a batata frita foi inventada pelos belgas), e o prato local mexilhões (moules) com fritas é de comer de joelhos. Para sobremesa, não vão faltar excelentes opções de chocolate belga, o rei dos reis dos chocolates mundiais. Pra mim desbanca até mesmo os suíços.

Carruagens na Grote Markt

Típica arquitetura flamenca

Casa de 1669

Ruas de água, mas não é enchente

Agora é hora de começar tudo de novo para voltar a queimar as novas calorias adquiridas e ótimos museus (o Groeningemuseum tem pinturas imperdíveis), igrejas que são verdadeiras obras de arte e diversos edifícios estão ali para serem descobertos, sem muita ordem ou rotas pré-definidas. É só olhar, achar interessante e se aventurar. Bruges é assim, cada um percorre no seu tempo e vontade própria. Basta se deixar levar para descobrir, como nas aventuras de Tintin pelo mundo.

Passeio pelos canais

Aqui a vida passa mais devagar

Escultura ao ar livre na beira do canal

Mais um portão da cidade

Conto de fadas

Ale Ravagnani

A minha Buenos Aires pra você

Floralis Generica

Parece que ficou mais fácil pegar um avião até a capital portenha do que descer pro litoral norte em feriado. Os voos saem o dia todo e agora ainda podemos escolher pousar no Aeroparque, o equivalente ao nosso Congonhas ou Santos Dumont da cidade. Aliado a bons preços, o resultado disso tudo é que nunca tantos brasileiros foram para lá. Mas neste post, minha ideia não é chover no molhado e mostrar o que todo mundo conhece ou já ouviu falar. Praça de Maio, Casa Rosada, Caminito, tangos, tudo está lá e invariavelmente todos os turistas irão descobrir. Mas aquelas pequenas lojas de design, os achados de Palermo, o bairro mais fashion de Buenos Aires hoje em dia ou aquela barraquinha da Feira da Recoleta, isso sim acho que deveria contar pra vocês. Prepare o bolso que vale a pena investir seu dinheiro no que custaria até 3x o valor no Brasil ou até mesmo nunca encontraria por aqui. Bem, não é bem investir, mas economizar, certo? E já que você vai andar bastante em busca dos seus recuerdos, compense à noite nos bons restaurantes que não param de abrir pela cidade, principalmente por Palermo. Buen Viaje.

PARA PASSEAR (e talvez comprar)

Feira da Recoleta aos sábados (Recoleta) http://www.barriorecoleta.com.ar
Este é o dia pra passear na praça e fuçar nas barraquinhas. Tem um pouco de tudo e quem garimpa acha.

Feira de San Telmo aos domingos (San Telmo) http://www.buenosaires.com.ar
O antigo bairro abriga há anos uma grande feira de antiguidades aos domingos. Além das barracas que ficam concentradas na Plaza Dorrego, há muitos antiquários, lojas de roupas, acessórios, design e cafés tradicionais. Nas ruas acontecem vários shows com artistas locais de todos os gêneros, desde dançarinos de tango a mímicos e shows de marionetes.

Dedoches da feira da Recoleta

Antigas garrafas de água em San Telmo

Cultura pop em San Telmo

PARA COMPRAR

– Sabater Hnos (Palermo Soho) http://www.shnos.com.ar
Esta pequena loja de sabonetes caseiros é muito divertida. As barras são feitas de todas as fragrâncias e cores imaginadas, alguns até mesmo com divertidos textos em alto relevo impressos e formatos diferentes.

Loja de design do Museu Malba (Palermo Viejo) http://www.malba.org.ar
O museu é lindo e o acervo da coleção Constantini uma das mais ricas do país. A Tienda, além de livros de arte, esta loja tem objetos de design para casa com nomes como Irmãos Campana e Alessi, Lomos, que são as máquinas fotográficas mais cool e divertidas do mundo, joalheria, luminárias, e muitos dos objetos à venda vem da loja do MOMA de NY.

Morph – Shopping Buenos Aires Design (Recoleta) morph.com.ar / http://www.designrecoleta.com.ar
Uma vez na Recoleta, aproveite para passar nesta grande loja de design moderno. São muitos acessórios e tudo a um preço bastante convidativo. A loja fica no shopping de design, que pode render outras compras em lojas específicas.

La Martina (Palermo e mais 14 endereços em BsAs) http://www.lamartina.com
A grife mundial de roupas da Argentina que tem o pólo como tema.

Papelaria Palermo (Palermo Soho) http://www.papelerapalermo.com.ar
Diretores de arte, designers, artistas e apreciadores da boa e velha papelaria estão no paraíso. Tudo é de extremo bom gosto e vale a pena ir nem que seja para admirar e se inspirar.

Elementos Argentinos (Palermo Soho) http://www.elementosargentinos.com.ar
Tecidos artesanais de cores lindas e muito bom gosto. O forte são os tapetes, mas o acervo possui mantôs, pufes, almofadas e pequenos objetos decorativos, mas tudo feito de tecido artesanal.

Paul (Palermo Soho) http://www.pauldeco.com
O comprido corredor não entrega de cara o que esta loja propõe. O branco e os tons pastéis são as cores predominantes nesta loja romântica e aqui se encontra muitos objetos de vidro, cerâmicas, fragrâncias para ambiente, velas e algumas antiguidades. Na entrada ainda tem uma floricultura e uma casa de chás especiais. Depois que se passa o corredor, a sensação é que se entrou em outro mundo.

Pehache (Palermo Soho) http://www.pehache.com
Outra loja da moda na cidade e aqui a mistura de roupas com objetos para casa é bastante interessante. Se pode comprar desde uma clássica banheira, daquela de filmes, a objetos insólitos de acrílico recortado. Você não vai conseguir sai de lá sem nada. No fundo da loja, um charmoso café com espelho d`água convida para o ócio numa tarde ensolarada.

Sabonetes da Sabater Hnos

Loja de design do Museu Malba

Morph, Buenos Aires Design

La Martina

Papelaria Palermo

Tecidos da Elementos Argentinos

Elementos Argentinos

Loja Paul

Loja Paul

Pehache

Café na Pehache

PARA ALMOÇAR (ou matar a larica)

Restaurante do Museu Malba (Palermo Viejo) http://www.malba.org.ar
Saladas deliciosas e bom café para um almoço leve e rápido.

El Sanjuanino (Recoleta) http://www.elsanjuanino.com
Considerada a melhor empanada de Buenos Aires e você não pode ir embora sem experimentar. Peça qualquer uma, mas desde que seja de forno. A sangria é deliciosa e assim como cerveja, acompanha super bem a refeição.

La Esquina de las Flores (Palermo Soho) http://www.esquinadelasflores.com.ar
Esta loja e restaurante de produtos naturais também tem boas empanadas integrais, mas esqueça a carne aqui.

Nucha (Palermo Soho) http://www.nuchacafe.com
Este moderno e movimentado café é um sucesso e parada obrigatória de muitos portenhos. Seja só pelo café ou um salgado, a escolha já é boa, mas quando você decide ir pra cima dos doces, aí não tem igual. As mesas da calçada são deliciosas, mas no calor do verão o ar condicionado do salão fica convidativo.

Freddo (Puerto Madero e em quase todas as esquinas da cidade) www.freddo.com.ar
Pra mim é o melhor sorvete de BsAs, mas nada melhor do que provar se é mesmo verdade. Framboesa, doce de leite, blueberry, são tantos os sabores que você vai ter que voltar muitas vezes. Só vai ter que encarar nos horários de pico a senha que acaba sendo quase sempre obrigatória.

Restaurante do Museu Malba

Empanadas do El Sanjuanino

La esquina de las Flores

Nucha

PARA JANTAR

Tegui (Palermo Hollywood) tegui.com.ar
Uma das melhores refeições dos últimos tempos. Por for a uma grande porta fechada e uma parece toda grafitada. Por dentro, deliciosos coquetéis para começar a noite, e pratos inventivos e muito saborosos. Tudo vale a pena e é muito bem feito. O pato veio no ponto e a carne desmanchava na boca. De entrada várias surpresinhas do chef que vem aos poucos à mesa. Reserve com alguma antecedência.

Cabaña Las Lilas (Puerto Madero) http://www.laslilas.com
A grande churrascaria da cidade. Grande em todos os sentidos. O Ojo de Bife é enorme e as batatas suflê (que quase só se encontra na Argentina) acompanha super bem junto com um dos muitos Malbec da excelente carta de vinhos. Se for pedir café, deixe a sobremesa de lado porque vem com uma infinidade de pequenas guloseimas. Reserve ou espere muito por sua mesa.

El Mercado – Hotel Faena (Puerto Madero) http://www.faenahotelanduniverse.com
Vá nem que seja só para conhecer o hotel Faena. Philippe Starck dá um show de excentricidade em todos os ambientes, mas chegue antes para tomar um drink no bar The Library Lounge ou na bela piscina de fundo infinito e espreguiçadeiras vermelhas. Além do restaurante El Mercado, o hotel possui outro mais formal e muito mais ambicioso, o El Bistrô. Repare nos unicórnios brancos pendurados nas paredes.

Fachada do restaurante Tegui

Hotel Faena

PARA A BALADA

Bar 6 (Palermo Soho) http://www.barseis.com
Espaço bastante eclético que mistura gastronomia e bar. Vale ir mais cedo para jantar e ficar para o agito da noite que muda bastante o perfil do lugar.

El Cabaret – Hotel Faena (Puerto Madero) www.faenahotelanduniverse.com
Lounge para shows e tango num ambiente bonito e inspirador.

Bar 6

PARA DORMIR

Mine Hotel (Palermo Soho) http://www.minehotel.com
São muitos os novos hotéis que estão surgindo em Buenos Aires. Na grande maioria são pequenos, com cerca de 20 apartamentos e estão no bairro de Palermo. O Mine não é excessão e prima pelo bom gosto e excelência. Os apartamentos são espaçosos, alguns deles com varanda e hidromassagem, o hotel possui uma charmosa e piscina, e uma coisa muito importante numa cidade que não é a sua, o staff da recepção está sempre pronto para ajudar e consegue reserva em tudo que é solicitado.

Hotel Faena (Puerto Madero) www.faenahotelanduniverse.com
Este é o hotel-cenário de Philippe Starck e a recuperação deste antigo armazém de 1902, inteiro construído de tijolos aparentes e madeira, virou um símbolo na hotelaria da cidade. Tudo tem cenografia, ambientação e iluminação impecável e o estilo rococó-moderno do designer dá um tom especial de surrealismo sem deixar de ser muito confortável e aconchegante.

Mine Hotel

Mine Hotel

Hotel Faena

Ale Ravagnani

Araxá é pra se desconectar

Cúpula de vitral das Termas de Araxá

Atrium central das Termas

A antiga cidade mineira de Araxá, terra da Dona Beja, imortalizada em minissérie na TV e estrelada por Maitê Proença, foi palco também de muita história, glamour e ficou no imaginário de tantas outras que ouvimos. Sabe-se que Beja tornou-se uma cortesã cercada de luxo e escravos além de ter sido uma negociante poderosa e respeitada na cidade. A história conta que ela tinha o costume de tomar banho em uma fonte próxima a Araxá, cujas águas seriam o segredo de sua beleza. A história antiga vem dos anos de 1800, quando a cidade estava se formando e a história se desenhando em seus casarões centenários, alguns deles preservados até os dias de hoje, como por exemplo a casa da Dona Beja que foi transformado em museu em 1965 por Assis Chateubriand e vale a pena ser visitado. Uma segunda retomada foi quando o governo de Getúlio Vargas, em um acesso de megalomania, inaugurou em 1944 o Grande Hotel e Termas de Araxá. E grande não era força de expressão. Projetado pelo arquiteto campineiro Luis Signorelli, em estilo “missões”, a monumental obra teve início em 1938 e concluída em 1945, meses antes da deposição de Vargas. Para a construção, foram recrutados os mais renomados engenheiros, técnicos, artistas plásticos e especialistas em hidrologia do Brasil, da Alemanha e da Itália, num total de 3.000 trabalhadores.

Vista do lago e do Grande Hotel de Araxá

Mirante da fonte Dona Beja

Fonte Dona Beja

Interior da Fonte Dona Beja

Hoje em dia, continua um grande hotel. Em 2007, depois de 8 anos fechado e de R$ 60 milhões investidos, reabriu em grande estilo e totalmente restaurado. Seus antigos salões, antes muitos deles voltados para o jogo já que ali funcionava um cassino, agora abrigam restaurantes com lustres de cristal da Boêmia, Scotch bar em estilo inglês, salões de baile, cine-teatro, salões de jogos, salas de leitura, e muitas outras em 33 mil metros quadrados de área construída. O acabamento continua impecável como antes, e para se ter uma ideia, mármore de Carrara é o piso de todas as dependências. Os lagos e os jardins também são luxuriantes e a natureza reina como a maior obra de arte nas áreas externas. O projeto paisagístico é de ninguém menos que Burle Marx. A grande vedete ainda hoje e que nos desconecta da vida terrena e insana que levamos, são as termas. Poderíamos chamar de spa ou até mesmo terapia da alma, mas o que sei é que voltei de lá muito mais leve (claro que não pelas boas e fartas refeições), mas pelo nível de relaxamento que o hotel nos propõe. São salas de banho dos mais variados tipos, massagens relaxantes, tratamentos diversos, duchas, saunas, e mais uma infinita lista de opções que nos transportam para um outro mundo, o mundo que não existe mais na cidade grande em que vivemos. Tudo isso emoldurado numa arquitetura impecável e estonteante, num ambiente sereno e de paz total. É só se deixar levar e lavar a alma para encarar mais um ano pela frente.

Sala de leitura do Grande Hotel

Scotch Bar do Grande Hotel

Detalhe dos salões

Detalhe dos jardins

O projeto arquitetônico das Termas do Grande Hotel recebe a presença do número “oito” que representa os ensinamentos do Buda, o número do infinito, que pode ser visto representado em todos os ambientes: são oito entradas de banho, oito afrescos, oito vitrais na cúpula central, oito painéis, oito colunas e oito pontas na mandala, que hoje em dia todas as tardes recebe uma cantora recitando mantras para colocar todos em outra sintonia.

“Uma semana em Araxá, um ano de vida a mais”, era um dos slogans vigentes na época do apogeu da estância.

Entrada das Termas

Atrium central das Termas

Piscina emanatória

Relaxando nas Termas

Água por todos os lados

Piscina emanatória

Detalhe do atrium

Banho de lama? Esse eu não encarei

Detalhe do atrium

Como chegar: Araxá fica a 375 km de Belo Horizonte, a 581 km de São Paulo, a 650 km de Brasília e a 797 km do Rio. A rodovia BR-262 liga o município à capital do Estado, Vitória (ES) e Corumbá (MT) e a MG-428 liga Araxá à divisa com o Estado de São Paulo. Com a reinauguração do aeroporto de Araxá, a 4 km do centro, é possível chegar ao município de avião. Há companhias aéreas que têm vôos regulares para a cidade.

Museu Dona Beja

Museu Dona Beja

A dieta começa na 2ªf

O que visitar:
– Museu Dona Beja, praça Coronel Adolfo, 98
– Museu Calmon Barreto (rua Franklin de Castro, 160), que reúne várias telas e esculturas do artista plástico contemporâneo nascido em Araxá e ex-diretor da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro
– Igreja de São Sebastião, capela em estilo colonial construída em 1820, que abriga também o museu sacro (av. Vereador João Sena, s/n)
Onde ficar: Além do Tauá Grande Hotel Termas de Araxá (www.taua.com.br/araxa), algumas pousadas podem ser uma boa opção mais low profile.
O que comprar: doces caseiros, cachaça, sabonetes terapêuticos e artesanato em geral

Ale Ravagnani

Descobri que o México fica a 15 minutos de casa

É certo que para se conhecer bem um país, nada melhor do que passar pela culinária, e quando pensamos na comida mexicana aqui em terra brasilis é que percebemos que não temos nenhum grande representante, ou melhor, não tínhamos. O casal de mexicanos Lourdes e Felipe reinventaram o que podemos chamar de restaurante. Apelidaram a casa onde moram de A Casa dos Cariris e, de vez em quando, abrem mediante reserva para simples mortais apreciadores de boas histórias e culinária. Nossos queridos amigos Martha e Eduardo nos presentearam numa dessas raras ocasiões em que um banquete original mexicano foi servido. Claro que eles foram um dos primeiros a descobrirem este lugar mágico. Agora, quando as saudades dos tempos de Cidade do México bate, eles respondem o convite no mesmo dia pra garantir seu lugar na casa da Babete, ou melhor, na casa da Lourdes e confirmam: culinária autêntica ou é nos Cariris ou está a 10 horas de voo de São Paulo.

Enquanto ela fica na cozinha aberta e praticamente junta da sala e das mesas dos comensais, Felipe passa pelas mesas, puxa conversa, conta histórias e nos entretém. Descobrimos que além de artista plástico (www.ehrenberg.art.br), seu filho é um famoso produtor de cinema… mas isso são outras histórias. A da vez é a comida, mas um bom contexto dá outro gostinho à refeição. Desde a entrada na casa amarela, nos damos conta que estamos em território mexicano. Tudo, absolutamente tudo vem de lá. Muita cor, caveiras, e todas as referências pop e artísticas desse rico país estão ali. Cada centímetro é uma lembrança e conta histórias, as pimentas estão espalhadas por todos os lados, secando ou decorando, e a arte e a inspiração dominam os ambientes. O início do banquete foi pelas bebidas. Mulheres nas margaritas e os homens na mistura total, como todo bom mexicano. Começamos com uma michelada, mistura de cerveja com limão, gelo e sal na borda, servido num grande caneco e junto, tequila Don Julio que acompanha sangrita, um pequeno suco de tomate meio adocicado. Junto a isso, como cortesia da casa, uma pequena cumbuca de barro com mezcal, uma bebida feita de agave e que o teor alcólico chega a 52,5%. Só de molhar o lábio parece que já entrou na corrente sanguínea.

Depois dos aperitivos, pra quem escolheu o menu 1, o rico “Arroz moreno”, que lembra de leve o nosso Carreteiro, iniciou o banquete. Para o prato principal, o “Bacalhau de Natal”, em lascas e servido com com um bolo de milho que traz um equilíbrio entre doce e salgado único e percebemos que um foi feito para o outro. Foi de comer de joelhos. Pra quem não tem medo de arriscar a ideia era encarar o “Mole Negro”, prato à base de frango preparado com dezenas de especiarias, à base de cacau e bastante chili. Na Cidade do México, experimentei esta iguaria, mas em outra versão, o “Mole Poblano” no restaurante La Valentina e este não deixou nada a dever, apesar do Felipe dizer que esta versão do prato da região de Oaxaca é completamente diferente das outras. Muitas risadas fecharam essa noite deliciosa em comemoração do meu aniversário. Agora, depois desta noite na Casa dos Cariris, ansiosos esperamos nossa próxima viagem ao México, que fica logo ali em Pinheiros. Ale Ravagnani

Patagônia Argentina é logo ali. E você, não vai?

Trânsito típico da Patagônia

Mais uma vez vou falar sobre um dos lugares mais fascinantes da terra, e só de pensar que o país é nosso vizinho, já dá vontade de voltar. Estive lá em 3 oportunidades e todas foram fascinantes, vi coisas diferentes e posso afirmar que voltaria ainda outras vezes. Antigamente eu não queria voltar para um mesmo lugar mais de uma vez, mas depois quando você começa a ficar mais seletivo é que se percebe que voltar para um lugar que se gostou muito, é voltar para fazer novas descobertas e redescobrir o lugar, e quando falo de um lugar como o sul da Patagônia, bem na pontinha da América do Sul, sempre haverão surpresas, novos caminhos e descobertas. Diferente de Torres del Paine no Chile, aqui saímos na vantagem pela facilidade de chegar. De Buenos Aires ou Santiago, pega-se um voo direto para El Calafate, cidadezinha muito agradável e base para muitas explorações.

Navegação no Lago Argentino

Côndor, a maior ave da terra

Canal bloqueado por icebergs

Língua de gelo do Glaciar Spegazzini

Gelo à vista!

Paredão de gelo do Perito Moreno

"Caverna" no Perito Moreno

A maior de todas as aventuras é o Parque Los Glaciares e a geleira monumental Perito Moreno. Ela é tão grande e o paredão de gelo que se forma na beira do lago tão alto, que parecemos ínfimos nessa maravilha da natureza. Se está derretendo, provavelmente sim. Não é à toa que muito frequentemente ouvimos estrondos do gelo que vão se desprendendo e caem no lago formando ondas bastante altas. Em aproximadamente 1 hora, numa viagem por uma boa estrada, se chega ao glaciar e as opções dos passeios são muitas. Pelas passarelas, que ficam em uma península bem em frente, se tem uma visão privilegiada em diversos pontos e podemos visitá-la caminhando em terreno firme. Também se pode caminhar sobre o glaciar, munido de grampões e guia especializado. Saindo de barco de El Calafate, também se chega no mesmo lugar, mas por uma viagem pelo Lago Argentino e seu azul quase irreal. No percurso, montanhas dos dois lados e a passagem pelo canal dos icebergs, com suas inúmeras formas, tamanhos e cores até chegar Glaciar Spegazzini e no Onelli, menores que o Perito, mas também impressionantes. A empresa operadora do barco também prometeu parada no Glaciar Upsala, outro gigante do gelo, mas o caminho estava praticamente fechado pelos icebergs e foi impossível chegar perto. Vimos só mesmo de longe e aí acreditamos no aquecimento global e seus efeitos imediatos. Apesar da viagem ser longa, é uma experiência inesquecível e o barco, aliás muito confortável, passa praticamente raspando pelo gelo. A disputa no deck para fotografar é grande, mas você vai ficar tão hipnotizado pela paisagem surreal que nem vai ligar. De volta a El Calafate, invista numa boa churrascaria para provar muita carne argentina e o verdadeiro cordeiro patagônico. Diferente do Chile ou das cidades costeiras, aqui o forte são as carnes. A Casimiro Biguá não nos decepcionou e nossas noites eram a base de um bom Malbec para esquentar as noites frias do curto verão patagônico. Ou seja, pense bem no mês de sua viagem. Para dormir na cidade, são inúmeras as opções, desde hotéis a pequenas hospedarias. Nas duas vezes que estivemos na cidade, optamos pelos chalés Santa Mônica Aparts. Fica bem localizado, perto de tudo e os chalés no estilo “log house” são um charme.

Chegada em El Chaltén

Fitz Roy no meio das nuvens

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Se você está buscando um visual ainda mais selvagem e realmente isolado do mundo, siga para El Chaltén para ver uma das montanhas mais impressionantes da região. O Fitz Roy é quase um prêmio para trekkers e andarilhos do mundo inteiro que escolhem para suas caminhadas de dias no meio da natureza selvagem. O visual das montanhas é bastante parecido com o de Torres del Paine, com formações pontiagudas e algumas geleiras penduradas nas entranhas de seus picos rochosos. O pequeno vilarejo de Chaltén é bem simpatico, mas a impressão é que se chegou no fim do mundo. Muitas vezes a simples tarefa de andar é quase impossível, dada a velocidade do vento. Além de muita caminhada no meio da natureza, o Lago Viedma e a geleira de mesmo nome está ali não muito distante. Chegando no porto, toma-se uma embarcação de menor porte que em El Calafate para chegar na beira do glaciar. Até pensei que seria mais do mesmo, o mesmo tipo de formação das outras geleiras, mas apesar dela não ser muito grande, pelo menos a parte que está acessível aos nossos olhos, o contraste com o azul da água, a coloração do gelo e o tom amarronzado único das pedras transforma o momento numa viagem inesquecível. Pode se preparar para chacoalhar no barco e sentir a força do vento, mas não vai dar pra se arrepender.

Paisagem de El Chaltén

Fim do dia no Lago Argentino

A minha viagem termina por aqui, mas já está na cabeça novas andanças, desta vez chegando até Ushuaia. Também está na pauta a viagem que fiz para a Patagônia mais central, tanto no Chile quanto na Argentina. Essa viagem começa em Bariloche, desce até onde ainda existe Estrada, cruzamos a cordilheira dos Andes para entrar no Chile e subimos até Puerto Montt. Tudo isso de carro pela Carretera Austral. Mas isso é uma outra história que depois eu conto. Ale Ravagnani

Praia do Forte. Onde a Bahia não ouve Axé

Por do sol no Farol

Este pedaço do litoral norte da Bahia, a 55 Km do aeroporto de Salvador, é um trecho pra lá de privilegiado do Brasil. Não estou sendo preconceituoso com o gosto musical de ninguém, mas quem busca um pouco de sossego, praia bonita e conforto, veio ao lugar certo. Acredito que esta seja a praia da nossa costa que conseguiu crescer e melhor se organizar. Chega-se ao ponto de nos perguntarmos se estamos mesmo na Bahia, ou em Ilha Bela, Búzios ou Paraty, famosas praias do Brasil com excelente infra-estrutura e organização. Além disso tudo, o litoral da região da Praia do Forte é privilegiado em belezas naturais e tem praia para todos os gostos. Para os surfistas, tem onda de sobra, mas pra lá da barreira de corais, para as famílias as piscinas naturais que se formam na maré baixa é melhor que qualquer piscina de hotel e pra quem procura sossego, também encontra. Basta caminhar pra baixo ou pra cima da vila que logo vai encontrar seu pedaço de areia deserta. Além disso, agrega o charme da vila, com ótimas opções em gastronomia ou para um simples expresso ou sorvete. Passear pela ruela principal depois da praia é o passeio predileto de 9 entre 10 pessoas. Além de um projeto urbanístico que limita as contruções a uma altura de dois andares, lojinhas de todos os tipos, onde a grande maioria é de bom gosto, chamam para a caminhada antes ou depois do jantar.

Igrejinha da Vila à beira-mar

Praia do Forte na maré baixa

Vendedora de cocada

Piscinas naturais

Praia de rio ao lado do EcoResort

Rua principal da Vila

Bike-Riquixá, o meio de transporte local

Mas a Praia do Forte tem uma herança na conservação do meio ambiente que começou na época que o então EcoResort foi instalado pelo paulista Klaus Peters na década de 80 (hoje da rede portuguesa Tivoli) quando ainda mal se falava em consciência ecológica, e isto pode ser notado na visita ao Projeto Tamar, onde se conhece um pouco mais sobre a preservação das tartarugas marinhas da região. A base da vila foi a primeira do Brasil e hoje eles já bateram o número de 10 milhões de tartarugas devolvidas ao mar. Além de ver os bichos de perto, a lojinha é também uma grande atração e para aquela fome de larica-fim-de-tarde-pós-praia, o Bar do Souza com seus bolinhos de peixes são imperdíveis. Com certeza irão entrar para minha lista de comidas de viagens inesquecíveis. A vista do bar no Tamar é linda, com os barquinhos emoldurando o melhor pôr do sol do local e o farol ao lado que em poucas horas começará sua jornada. Se este Souza estiver muito disputado não tem problema porque no fim da Vila tem outro com direito a saguis pelas árvores durante o dia e música ao vivo à noite. Além do Tamar, o Projeto Baleia Jubarte é outro importante centro de pesquisa e de preservação ambiental.

Projeto Tamar e suas bases

Projeto Tamar

Tanque com tartarugas no Tamar

Bolinho de peixe do Bar do Souza no Tamar

A Praia do Forte ainda tem mais. Sei que é difícil deixar um dia de sol pra ficar fora da praia, mas o Castelo Garcia D`Ávila também tem uma das melhores vistas, e melhor, da Praia do Forte. No fim da Vila você pode pegar um tuc-tuc no melhor estilo sudeste asiático pra te levar até lá em 10 minutos mas segure firme que os motoristas são pé de chumbo. Ele foi construído em 1551 e foi a primeira construção portuguesa de grande porte do Brasil e a única das Américas com características medievais. Suas janelas (ou pelo menos o que um dia foram) rendem ótimas fotos, emoldurando vistas lindas e o passeio trazem um lado histórico à sua viagem a uma das melhores praias do Brasil. Ale Ravagnani

Castelo Garcia D`Ávila

Picnic no Castelo Garcia D`Ávila

Vista do Castelo para a Praia do Forte

Preparação para a pescaria

O Farol da Praia do Forte

Pra ficar:

– Pousada Farol das Tartarugas. Uma das únicas pé na areia e uma boa opção. Os chalés são ótimos e espaçosos mas a piscina fica meio muvucada.
– Pousada Refúgio da Vila. Tem arquitetura bacana e esbanja charme, mas não tem a praia aos seus pés.

Pra comer e beber:

– Bar do Souza do Tamar ou da Vila. O forte do cardápio são os frutos do mar, mas o bolinho de peixe com cerveja ultra gelada… sem palavras
– Terreiro da Bahia. Suas ótimas moquecas e é considerado o melhor restaurante da Praia do Forte
– Bistrô Gourmet. Tem um cardápio reduzido, mas aprovado
– Tango Café. As sobremesas são excelentes e serve um expresso bem tirado
– Casa da Farinha. Vale enfrentar a fila na rua pra comer a tapioca mais disputada da região

Natureza de sobra no norte da Califórnia

Se você estiver em São Francisco, que tal conhecer os arredores da cidade e investir mais alguns dias num dos lugares mais bonitos dos Estados Unidos? Não acredito que você vai voar 14 horas do Brasil e não vai aproveitar mais esse pedaço da Califórnia. Comece bem pertinho de São Francisco. Atravesse a ponte Golden Gate e vá conhecer Sausalito (um táxi da Union Square até lá dá uns US$ 35 ida) e passe umas horinhas pelas lojas, almoce à beira mar comendo frutos do mar e beba uma boa garrafa de vinho branco da região do Napa Valley ou Sonoma. Vale ir só pra fazer isso, ver a cidade de longe, mas com uma visão que não seria possível de outra maneira e voltar. Se estiver sol, melhor ainda, senão espere o tempo firmar para ir.

Sausalito

Sausalito

Em direção ao estado de Nevada, alguns parques nacionais merecem cada curva da estrada até chegar. Primeiro reserve dois dias para o Yosemite National Park, um bonito parque com muitas montanhas e picos de granito, marco mundial para muitos alpinistas ou turistas que preferem a vista de baixo mesmo. Além disso, cachoeiras no verão e ursos ocasionais para os sortudos. No inverno o visual muda radicalmente e o parque fica coberto de branco. Outra região bacana onde no inverno é uma badalada estação de esqui é o Lake Tahoe, bem na divisa com Nevada. Se esquiar não for sua praia, o verão é a estação ideal com muita natureza pela frente.

Yosemite National Park

Yosemite National Park

Yosemite National Park

Lodge no Yosemite

Depois as opções mais urbanas vão aumentando conforme você desce, mas já que falamos em vinho, antes vá um pouco para o norte e ainda próximo a São Francisco e conheça a região do Napa. O vinho da Califórnia vem sendo reconhecido mundialmente e é uma delicia ir parando pelas vinícolas e descobrir o que cada uma tem de melhor. Vá no estilo do filme Sideways e esteja preparado para muitas boas surpresas, pare nas cidadezinhas, curta o dia visitando os vinhedos e faça muitas degustações e à noite jante em lugares surpreendentes, inclusive o 3 estrelas Michelin, The French Laundry, que fica na cidade de Yountville. Uma das vinícolas mais famosas é a Robert Mondavi, mas as pequenas tem um charme bem especial e são menos industrializadas, apesar da visita ser muito instrutiva, onde começamos pelos vinhedos, depois passamos pelos processos do vinho, visitamos as adegas e terminamos na melhor parte, que é a degustação, porque ninguém é de ferro. Tente marcar com alguma antecedência um passeio de balão para sobrevoar os campos, mas confirme um dia antes porque o tempo pode trazer uma surpresa e o balão não levantar voo como foi em nosso caso.

Vinícola Robert Mondavi, Napa Valley

Vinícola Robert Mondavi, Napa Valley

Vinhedos no Napa Valley

Pinot Noir na Robert Mondavi

Descendo para o sul em direção a Los Angeles, 3 cidades são muito especiais no caminho, e ainda ficam próximas a São Francisco. Santa Barbara é uma antiga missão espanhola e hoje transborda em charme e é inevitável pensar como deve ser gostoso morar num lugar daqueles. Tudo é perfeito, os jardins das casas, a limpeza das ruas, a educação das pessoas. Escolha um hotel charmosinho, dos menores possíveis e faça uma lua de mel lá. Continuando, pare em Monterrey e visite o maior aquário da américa. Se for no meio do ano, é a melhor época para avistar baleias e vários barcos partem em direção a elas para você conhecer esse “bichinho” mais de perto. É avistar baleia ou ter seu dinheiro de volta. Posso garantir que quando visitei a Califórnia pela primeira vez há muitos anos atrás, eu não me decepcionei e várias saltaram bem na frente do nosso barco. E a última parada (se você quiser, senão continue até LA) é a cidade de Carmel, outra cidadezinha da classificação das mais charmosas do mundo, que também fica à beira mar e que merece a continuação da lua de mel. De dia um visual de tirar o fôlego pela estrada que vai margeando a costa, a número 1 e de noite gastronomia e a tranquilidade que o corpo precisa para se recuperar das ladeiras de S. Francisco. Ale Ravagnani

Chegada no Lake Tahoe

Lake Tahoe

Lake Tahoe

Lago congelado próximo ao Lake Tahoe

I left my heart in San Francisco

Ponte Golden Gate no por do sol

A Califórnia é um dos poucos lugares do mundo que transpiram liberdade e irreverência, as pessoas são mais leves, todo mundo parece estar de bem com a vida. Não sei se é a luz da cidade, ou se somos nós que enxergamos com outros olhos, mas que é diferente, isso eu não tenho dúvida. São Francisco são várias cidades em uma só. Pode ser dinâmica e movimentada com seus escritórios e toda a influência do Vale do Silício que traz para ela um ar de tecnologia e dinamismo. Aliás, em qualquer café ou restaurante que se entra, a internet é gratuita e grande parte das pessoas estão conectadas, inclusive eu que não perdia a oportunidade de ver meus emails na hora do almoço. Outro lado marcante da cidade são as compras, para deleite dos brasileiros que não perde uma boa oportunidade. A região da Union Square é super agitada e todas as lojas do mundo estão por ali. Mas vale ir lá também pela praça que é uma delícia e os prédios emolduram os quatro lados num conjunto arquitetônico que mistura o antigo e o moderno de maneira especial. Não há como não perceber turistas e locais fazendo da praça seu restaurante na hora do almoço. Mas já que você está ali perto, aproveite pra dar uma caminhada até a filial do MOMA, o Museu de Arte Moderna. O acervo é um dos melhores dos Estados Unidos, tem um café bem gostoso e claro, como estamos falando de compras em tempos de dólar baixo, a loja do museu é irresistível. Você vai encontrar livros e objetos de arte da mais alta qualidade e criatividade que não encontraria em nenhum outro lugar. O prédio do museu foi projetado por um arquiteto suíço chamado Mario Botta e é um dos marcos da cidade, mas para você ter a melhor visão dele, ande em direção ao Yerba Buena Gardens, que com mais distância o domo fica mais visível e as fotos ainda melhores. Aproveite os jardins e se jogue na grama ouvindo o barulho da água das fontes e a tranquilidade do lugar. O complexo também concentra outros museus menores que valem a pena.

"Heart Parade" na Union Square

San Francisco MOMA

Interior do Museu de Arte Moderna

Tai Chi no Yerba Buena Gardens

Agora é hora de se misturar com multidões de turistas e ver o lado mais turístico da cidade, mas já que somos turistas, que mal tem nisso? O destino é o Fisherman`s Wharf e o Pier 39. Mais lojas, restaurantes, cafés, mágicos, estátuas humanas, leões marinhos e uma vista linda da Baía de São Francisco fazem o lugar ter a fórmula completa para algumas horas serem gastas por ali. Já dá pra ver um pouquinho da ponte Golden Gate bem de longe, mas esta é a próxima parada. Se possível alugue uma bicicleta em um dos muitos lugares disponíveis da cidade, atravesse os 2,7 km pedalando na ponte mais famosa e bonita do mundo e volte de barco. É só embarcar com a magrela que está tudo bem, assim você tem duas visões distintas da ponte que não é dourada, apesar do nome. Se não enjoar de andar de barco, recomendo tomar outro até a Ilha de Alcatraz, onde funcionou o presídio e hoje é um museu. Já escrevi sobre ele no Blog e recomendo muito a visita.

Região do Fisherman`s Wharf

Pescador e Ilha de Alcatraz ao fundo

Ponte Golden Gate

Mas São Francisco ainda tem mais pra se ver. Vá ao bairro Haight-Ashbury e conheça a antiga rua hippie Haight Street. Alguns ainda dão as caras por lá, mas como ela foi um ícone nos anos 60, é divertido andar por ali. Repare na arquitetura vitoriana das casas que estão por todos os lados é dá um charme todo especial na cidade. Com certeza você vai passar por várias ladeiras, que é outro marco, mas aí espero que você esteja dirigindo, porque a pé ninguém aguenta. Chegue até Russian Hill e passe pela Lombard Street, a rua com mais curvas que existe. Este trecho pitoresco é de apenas um quarteirão que rendem boas fotos. Suba a pé e desça de carro. Na vizinhança ao lado, em Telegraph Hill fica a torre art deco de 64 metros Coit Tower e, se você estiver bem de fôlego, suba a pé para ter uma linda vista da cidade. E não podia me esquecer de falar sobre o meio de transporte imperdível que são os bondinhos e um deles pode te levar da badalada Market Street que fica próxima a Union Square até a parte de cima da Lombard. Recupere o fôlego, deixe o preconceito de lado e passeie pelo Castro, o bairro gay da cidade mais liberal do mundo e veja como realmente ali as coisas acontecem de maneira diferente e a liberdade de expressão fala mais alto. Depois de andar tanto na cidade das ladeiras, termine no Golden Gate Park, que é uma enorme área verde da cidade, cheio de atrações mas sem dúvida muito relaxante. Ale Ravagnani

Coit Tower em Telegraph Hill

 

Manobra do bondinho na Market Street

Skyline de São Francisco

A cidade vista da Coit Tower

Mural interno na Coit Tower

Barcos no Pier

Escultura na cidade

Área interna no MOMA

A irreverência da Califórnia

O colorido da arte

Show aéreo no Fisherman`s Wharf, Columbus Day

Congestionamento no Moscone Center

Museu Yerba Buena

Pose no Jardim Japonês, Golden Gate Park

Salvador busca renovação com hotelaria, gastronomia e arte

Sem dúvida alguma não faltam a Salvador motivos para uma ótima viagem. Muita história e cultura, um conjunto arquitetônico de fazer inveja, culinária e um faixa de mar esverdeado que atrai brasileiros, europeus e recebe todos como ninguém. Nos últimos tempos vem acontecendo uma renovação na cidade que deve ajudar a atrair um novo tipo de turista, que não é o acostumado a viajar em excursões e nem ficar hospedado em hotéis impessoais ou sem charme, mas que tenha estilo, personalidade e sem abrir mão do conforto. Mas Salvador vem se munindo de charme e se diferenciando até mesmo em suas mais novas atrações turísticas. Por exemplo o Museu Rodin instalado no Palacete das Artes é um grande avanço para a cidade e num feito único, a matriz de Paris topou ceder 62 peças. O prédio foi minuciosamente restaurado para abrigar as obras do artista e um anexo foi construído, trazendo um contraste da arquitetura antiga com a moderna na 1ª filial do museu mundo afora, que fica na imponente Rua da Graça.

Jardim do Museu Rodin

Obra de Rodin e o Palacete das Artes

Anexo do Museu Rodin

O Solar do Unhão é outra construção imperdível de Salvador e foi restaurado pela arquiteta Lina Bo Bardi abrigando o Museu de Arte Moderna. Vale visitar pela casa, pela vista da Baía de Todos os Santos, para ver a capela e pelo acervo, que tem obras internas e outras espalhadas pelos jardins, e uma coleção com Carybé, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Siron Franco, entre mais de mil obras.

Solar do Unhão

Obra nos jardins do Solar do Unhão

Salvador vem dando uma guinada nas opções de hotéis e a restauração do Convento do Carmo, localizado na ladeira do Carmo trouxe o turista de volta para se hospedar no Pelourinho. O convento começou a ser erguido em 1586 e hoje abriga o melhor hotel da cidade e um dos melhores do Brasil, pertencente ao The Leading Hotels of the World. Se a conta for muito alta para seu bolso, passe lá para um descanso e um aperitivo como eu fiz. Eles servem a cerveja mais gelada da cidade e bolinhos de bacalhau imperdíveis. O café espresso, coisa rara no pedaço, e a volta ao tempo, são garantidos.

Hotel Pestana Convento do Carmo

Hotel Pestana Convento do Carmo

Hotel Pestana Convento do Carmo

Outra excelente opção no Pelourinho, e bem mais em conta é o charmoso Hotel Villa Bahia, ao lado da Igreja de São Francisco. Cada quarto é de um jeito diferente, trazendo decoração caprichada e muito conforto também, além dos quartos terem vista para a torre da Igreja que está ali ao lado. Ah, e o restaurante é comandado por premiado chef francês que faz uma mistura bacana com os ingredientes baianos. Fazendo um contraponto à tradição e localização em Salvador, o Zank Hotel em Rio Vermelho traz ares modernos perto da boemia soteropolitana. O elegante casarão foi ampliado com um anexo moderno trazendo um contraste muito bem vindo para a criação deste pequeno hotel. O branco predomina nos ambientes, o serviço é impecável e a piscina no último andar tem uma vista privilegiada.

Restaurante do Hotel Villa Bahia

Vista da varanda Hotel Villa Bahia

Zank Hotel

Detalhe do quarto Zank Hotel

Quer experimentar a reivenção da moqueca? Não deixe de conhecer o Paraíso Tropical no bairro do Cabula. Numa antiga rinha de galo, a casa rústica do restaurante fica no meio de um sítio com centenas de árvores e mais de 120 tipos de frutas, onde o também premiado chef Beto Pimentel prepara moquecas mais leves com ingredientes orgânicos e tudo colhido na hora que vai direto para a mesa. Vá com tempo e experimente as caipirinhas para não se irritar com a demora porque vale a pena. Agora se você quer jantar com a melhor vista da cidade ouvindo o barulho do mar, o lugar é o Amado, do chef Edinho Rangel, o mesmo do restaurante Manacá de Camburi no litoral de São Paulo. Melhor noite impossível e Salvador vai ficar na memória como a cidade mais antenada e gostosa do Brasil, pelo menos para quem está disposto a se aventurar e ir atrás do que não está só nos guias de viagem. Ale Ravagnani

Restaurante Paraíso Tropical

Frutas para 2! Restaurante Paraíso Tropical

Claustro da Igreja de S. Francisco, 1743

Obra de arte na rua

Igreja do Bonfim

Vendo a vida passar no Carmo

Brechó no Pelourinho

Muitos motivos para você ir a Chicago logo

Skyline visto do Millennium Park

Civilidade em Chicago

Willis Tower, prédio mais alto dos EUA

A primeira opção de metrópole nos Estados Unidos que vem na cabeça quando pensamos em viajar é Nova York, mas até você conhecer Chicago. Não que a primeira não seja sempre surpreendente, mas Chicago é diferente. É uma grande cidade, mas sem a bagunça da cidade grande. A maneira como ela está organizada não amedronta e faz a gente se sentir mais acolhido, mas a melhor definição é que Chicago é linda. Grandes arquitetos deixaram um skyline de fazer inveja e uma grande atração é sair a procura dos grandes ícones, seja caminhando pela cidade ou fazendo sob um outro ponto de vista, através de um passeio de barco pelos canais e que termina no grande Lago Chicago. O guia do tour conta a história detalhada de cada edifício, fatos atuais, datas e curiosidades. O edifício mais alto dos Estados Unidos e o 5º maior do mundo com 110 andares é o antigo Sears Tower, hoje com novo nome e chamado Willis Tower, e depois do passeio de barco não deixe de subir lá em cima para ter uma fantástica visão 360º da cidade. Outro grande marco é o par de edifícios redondos Marina City, uma mistura de prédio comercial e residencial construído em 1964 pelo arquiteto Bertrand Goldberg. Mas o maior arquiteto da antiga cidade do Obama é Frank Lloyd Wright. Num suburbio bacana de Chicago chamado Oak Park, Wright começou sua carreira e construiu sua primeira casa em 1898 no estilo Prairie, o único estilo arquitetônico genuinamente americano. A casa-estúdio é aberta para visitação e nos damos conta de cada detalhe que só grandes arquitetos poderiam pensar. Na vizinhança várias outras casas de sua autoria podem ser vistas pelo lado de fora. No total o arquiteto fez mais de 1.000 projetos, sendo que 500 deles foram executados.

Casa-estúdio Frank Lloyd Wright

Casa-estúdio Frank Lloyd Wright

Nathan G. Moore House, Frank Lloyd Wright 1895

O que também faz a diferença na cidade são as atrações ao ar livre espalhadas por toda parte, pelo menos para serem curtidas no verão, como o Navy Pier que se estende sobre o lago e é um passeio gostoso numa tarde ensolarada e o Millennium Park, que daria um capítulo à parte. O “feijão”, apelido da escultura interativa do artista Anish Kapoor (o nome oficial é Cloud Gate), é um exemplo de como a arte pode se aproximar das pessoas. De maneira lúdica, não tem quem não fique intrigado com essa obra e não brinque com os reflexos. Ao lado, a Crown Fountain é outro grande exemplo. Além de ser arte, ela é puro entretenimento. Caminhando mais um pouco, chegamos no Jay Pritzker Pavillion, auditório projetado por Frank Gehry e que traz sua marca que vemos em tantos outros projetos, o metal parecendo maleável e orgânico. Quando a luz estiver indo embora e a arquitetura não ficar mais tão interessante, corra para o Chicago Art Institute, um dos museus mais completos e importantes do mundo.

Cloud Gate, Millennium Park

Crown Fountain, Millennium Park

Navy Pier

Navy Pier, roda gigante de 1893

E quando a luz do dia estiver definitivamente ido embora, é hora de curtir a noite. A cidade é famosa pelos clubes de jazz e blues e boas opções não faltam para os notívagos. Fomos ao Back Room, casa pequena e intimista, ficamos cara a cara com uma das vozes femininas mais bonitas que já ouvimos e tivemos uma noite maravilhosa ao som de clássicos do soul music, pagando a barganha de US$ 20 por pessoa com bebidas.

Union Station, set de filmagem de Os Intocáveis

Agora, se você quiser conhecer Chicago pelos olhos de alguns diretores de cinema, não deixe de ver os seguintes filmes, todos filmados na cidade. Atenção, câmera, ação!

• Inimigo Público – 2009
• Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) – 2008
• Estrada da Perdição (Road to Perdition com Tom Hanks) – 2002
• Alta Fidelidade (High Fidelity de Nick Hornby e dirigido por Stephen Frears) – 2000
• O Casamento do meu Melhor Amigo (Julia Roberts) – 1997
• O Fugitivo (The Fugitive com Harisson Ford) – 1993
• Candyman – 1992
• Cortina de Fogo (Backdraft com Robert de Niro) – 1991
• Esqueceram de Mim (Home Alone com Macaulay Culkin) – 1990
• Harry e Sally: Feitos um para o Outro (When Harry Met Sally) – 1989
• Os Intocáveis (The Untouchables de Brian de Palma) – 1987
• A Cor do Dinheiro (The Color of Money) – 1986
• Ordinary People (dirigido por Robert de Niro e Oscar de melhor filme) – 1980
• Intriga Internacional (North by Northwest de Alfred Hitchcock) – 1959

Marina City

Canais e caiaques em Chicago

Vista de barco dos canais

Ale Ravagnani com a colaboração de Rino, Marcio, Beto e Mila

O restaurante Alinea em Chicago é mesmo o melhor dos Estados Unidos?

Acabamos de conferir se é verdade tal feito. O restaurante de Chicago, além de ser o melhor na terra do Tio Sam, é considerado o 7º melhor restaurante do mundo. Falta para nós, simples mortais, parâmetros para comparação, mas que é uma experiência única isso é sem dúvida e ele cumpre cada centavo gasto nas quase 4 horas de degustação. É uma verdadeira experiência e a pergunta deve ser se ele é bom para você e não necessariamente para o mundo. No total são 16 pratos, ou melhor falando, micro-pratos, mas somando tudo compõe uma bela refeição. Alguma vezes ficamos com aquele gosto de quero mais, mas a ânsia pela próxima experiência se sobrepõe a qualquer gula momentânea. Começando do começo, desde quando resolvemos reservar este banquete para 3 amigos viajando juntos para Chigago, são diversas as particularidades que marcam este restaurante. Foram muitas as trocas de email para se certificar que realmente iríamos encarar a maratona, e as perguntas iam de alergias a algum tipo de alimento, a questões se poderíamos subir escadas. Depois de tudo acertado e checado, chega o grande dia. O ambiente reina a sobriedade, acredito eu para ressaltar somente a comida e nada mais. O início vem com canapés de pequenas porções, mas ao invés do esperado de um aperitivo, texturas inesperadas, sabores que se sobressaem, contraste de texturas, do frio e do quente, mas sempre o inusitado predominando. Um verdadeiro show aos olhos, com uma apresentação impecável, serviço muito solícito, harmonização de vinhos maravilhosos e sem muita afetação. Nosso garçon era simpático e quebrava a formalidade do restaurante. É praticamente um atendente e um sommelier por mesa, mas sem o serviço ser sufocante ou perdermos a privacidade. Alguns pratos que pensamos ser quentes, vem congelados e com textura surpreendentes, outros vem saindo fumaça e não estão necessariamente congelados. As espumas, tão em moda na linha molecular de Ferran Adria aparece, mas vemos que não é pelo modismo, mas sim por ser importante no sabor e na composição. Comemos pelos olhos também, antes mesmo de saber se o sabor agrada. Cada prato ou melhor, colherada, é uma descoberta de sabores e de explosão de cores. É refeição preparada por chef e por artista plástico dos melhores, para se lembrar para sempre. Esqueça a conta e lembre sempre dos sabores e do momento. Neste caso pagar com cartão de crédito não é o mais indicado. A lembrança tem que ser do momento e do sabor e não da conta no final do mês. Ale Ravagnani com a colaboração de Rino Baccin e Marcio Manno

Sobremesa da noite

Menu do restaurante Alinea