Paris vs Nova York

Uma pitada de ironia e bom humor para retratar duas grandes cidades.

Nunca ninguém antes pensou em comparar duas metrópoles tão marcantes e únicas como Nova York e Paris, cada uma marcada por ícones fortes e caracterizados com muita personalidade, fazendo-as únicas e deleite de todo turista. O designer e diretor de arte Vahram Muratyan encontrou uma forma criativa e divertida de mostrar os aspectos cotidianos ao brincar com as duas cidades fazendo uma viagem pelas peculiaridades e marcando o comportamento dos parisienses e nova-iorquinos.

“Paris versus New York – A Tally of Two Cities”, que virou blog (www.parisvsnyc.blogspot.com) e livro estão recheadas de boas ilustrações que por si só são uma viagem pelas cidades e suas características que as tornam tão diferentes e antagônicas e ao mesmo tempo, ambas essenciais para o viajante.

As artes não costumam ser autoexplicativas, o que acaba exigindo algum conhecimento sobre aspectos das cidades. Para quem não as conhece, cada ilustração vira uma “city-tour” sobre a cultura e pelo dia-a-dia de cada cidade.

Bon voyage / Have a nice trip

Ale Ravagnani

Tiradentes. Êta trem bão, sô!

Tiradentes e suas ladeiras

Rua vista da Igreja Matriz

Cair da noite

Rua típica da cidade

Nenhuma outra cidade do interior do Brasil, conseguiu aliar características tão bacanas quanto a pequena Tiradentes, no interior de Minas Gerais. Motivos de sobra para atrair visitantes de todos os gostos.
Agora que as chuvas passaram e tudo volta ao normal, quem não conhece esta jóia da arquitetura barroca, vai se encantar.
Tenho muitos motivos para convencer a qualquer um e vou listar o que pra mim é de mais evidente, mas sempre digo que cada pessoa faz suas próprias descobertas ao viajar, e com certeza outros atrativos surgirão quando você for a Tiradentes.

1. Arquitetura colonial intacta

Matriz de Santo Antônio

Matriz de Santo Antônio

Interior de ouro da Matriz

Relógio de Sol em pedra sabão

Casario colonial típico

Chafariz de S. José

Poucas cidades do Brasil tem um patrimônio artístico tão impresssionante que se manteve ao longo dos séculos. A cidade cresceu de maneira ordenada e bem preservada. O casario colonial continua lá como foi concebido no início de 1700, graças à abundância do ouro. A Matriz de Santo Antônio construída em 1710 é a segunda igreja com mais ouro do Brasil e o órgão de tubos de 1788 é considerado um dos mais importantes do mundo e acontecem recitais às sextas-feiras à noite para ajudar você a voltar no tempo.

Muitas outras igrejas, também históricas, estão pela cidade inteira, e outros marcos históricos como o Chafariz de São José, o calçamento original, museus e monumentos estão ao seu alcance bastando uma simples caminhada pela cidade. Uma curiosidade é que a Rede Globo e muitos diretores de cinema utilizam a cidade como um cenário a céu aberto e fazem dela uma locação autêntica de época. Nenhuma outra cidade foi tão filmada, talvez graças ao bom estado de preservação, à fiação subterrânea dos postes que não deturpa o visual ou ao simples motivo de que passear por Tiradentes é quase que viver em outra época.

2. Uma região que respira arte

Atelier em Bichinho

Artesão de pedra sabão

Loja em Tiradentes

Arte em tecido

Flores de metal e sucata

Diferença no detalhe

Cerâmica do Vale do Jequitinhonha

Prepare-se para entrar nas lojas de móveis, antiguidades e visitar os ateliers de arte. São muitos e estão por todos os lados. No centro histórico bons ateliers que produzem arte como bordados, esculturas em madeira, estanho e pedra sabão e bons móveis dominam o comércio. No início da cidade, antes de acabar a estrada, boas opções de antiquários e fabricantes de móveis estão nos dois lados da via.

– Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

A vila de Bichinho, a poucos quilômetros de Tiradentes, sofreu uma completa mudança depois que a Oficina de Agosto, do artista plástico Toti chegou e começou a desenvolver os habitantes locais para criar um artesanato mais elaborado e criativo. Dezenas de outros ateliers surgiram e deram uma cara de Vila Madalena (bairro paulistano com muitos artistas, galerias e lojas criativas) para o sertão de Minas, mudando completamente o que é produzido e agregando valor e personalidade ao local. Hoje são dezenas e pequenos ateliers e lojas onde é fácil passar o dia visitando e se inspirando.

Outras cidades vizinhas se especializaram em ramos diversos e oferecem o que de melhor se produz na região.

– Resende Costa

Esta pequena cidade tem o tear como sua melhor expressão, com uma grande produção de tapetes, cortinas e tudo mais que se pode se fazer em tecido de tear.

– Coronel Xavier Chaves

O Engenho Boa Vista é considerado o mais antigo em atividade no Brasil e produz boa cachaça. Além disso, se você procura esculturas ou objetos utilitários em pedra sabão, está no lugar certo, mesmo que seja somente para apreciar o trabalho dos artesãos.

– São João del Rei

Igreja projetada por Aleijadinho

Rua das Casas Tortas, S. João del Rei

Aqui a atração não é somente o artesanato, mas se esta for sua intenção, procure pelos produtores de estanho. São vários fabricantes e estes possuem lojas de fábrica. Mas não deixe de visitar o casario barroco e seus antigos solares, como o dos Neves, as igrejas que o Aleijadinho projetou e caminhar pela rua das Casas Tortas.

3. Ótima gastronomia

A simpatia da Chef Beth Beltrão, Viradas do Largo

Não é só pelo Festival Gastronômico que acontece todo mês de agosto, que a fama de se comer bem em Tiradentes correu por aí. Além da maravilhosa comida mineira como o excelente Viradas do Largo comandado pela super chef Beth Beltrão, mas também pela diversidade da culinária local. Cuidado com os preços altos e muitas vezes é obrigatório fazer reserva para jantar, mas alguns italianos chamam a atenção como a Trattoria Via Destra, a pizza do Atrás da Matriz é bem gostosa para os domingos, o restaurante Tragaluz e sua comida mais elaborada surpreende na apresentação, cenário e a comida é de qualidade e o Theatro da Villa principalmente pelos altos preços, apesar de ter uma culinária bastante inspirada. Mas no fim da viagem, percebemos que todos os caminhos nos levavam à Beth. Obrigado pelo carinho e amor com que você faz seus banquetes.

4. Atrativos para todas as idades

Maria Fumaça saindo de Tiradentes

Como antigamente...

Museu do automóvel

Não é só para os mais velhos que Tiradentes costuma ser atrativa. Uma autêntica Maria Fumaça, numa rota que liga a cidade até São João del Rei, parte aos finais de semana numa volta ao tempo do pouco que sobrou do transporte ferroviário no Brasil. A viagem na composição puxada pela locomotiva construída na Filadélfia tem um ar de antigamente e nos dá a oportunidade e viver algo em esquecimento por aqui. Mas outros atrativos não faltam, como diversos cavalos que puxam charretes pelo centro histórico, um tour noturno patrocinado pelo Museu do Automóvel perto de Bichinho, o Festival de Cinema de Tiradentes que acontece em janeiro ou simplesmente o não fazer nada e aquela preguiça de depois do almoço que este tipo de lugar convida. Não que o tutu de feijão não tenha parte da culpa…

5. Natureza privilegiada

Vista da Serra de São José

Vista da cidade do Morro da Igreja S. Francisco de Paula

Natureza até na cidade

A Serra de São José domina a paisagem e o paredão de mais de mil metros de altura emoldura a cidade e dá uma vasta opção de passeios ecológicos e caminhadas. No caminho, uma vegetação bastante rica e cachoeiras para se refrescar. Sem contar com trechos da antiga Calçada do Ouro, onde os escravos passavam com os carregamentos de ouro. Os passeios são mais apropriados para serem feitos com guias locais e podem ser feitos a pé ou de Land Rover por outras trilhas.

6. Excelente infraestrutura

Hotel Solar da Ponte

Pousada Lis Bleu

As pousadas surgiram por todos os lados e para todos os bolsos. Você tem a opção de ficar no majestoso Solar da Ponte, um dos casarões mais bonitos de Tiradentes, onde é servido um autêntico chá inglês com sotaque mineiro todas as tardes ou ainda ficar com muito conforto em lugares menos ostensivos como a novíssima Pousada Lis Bleu, que um casal de paulistanos montaram a cerca de um ano com muito bom gosto e romantismo. Os quartos ficam espalhados pelo terreno, em pequenos conjuntos com bastante privacidade, o café da manhã é indescritível e um queijo da Serra da Canastra está à disposição para ser derretido na chapa do fogão à lenha que está sempre à postos. Além disso, sucos naturais, bolos, pães, tudo super caseiro e com gostinho de Minas. Se sobrar tempo, aproveite a pequena piscina e a sauna localizados na parte mais alta da pousada e com uma linda vista de toda a Serra e parte da cidade.

Nos finais de semana o apito da Maria Fumaça soa logo abaixo, já que estamos vizinhos da antiga estação de trem.

Êta trem bão, sô!

Ale Ravagnani

Visitar Boston é matar as saudades da Inglaterra

A cidade de Boston, localizada no estado de Massachusetts na costa oeste americana, vem sendo negligenciada pelos turistas a muito tempo. Talvez seja pela proximidade com Nova York e suas inúmeras atrações, mas este não deveria ser o motivo de ser deixada tão de lado. Principalmente depois de passar pela sua vizinha Nova York, Boston acaba sendo o lugar ideal para para aquela descompressão de cidade grande, para sentir como é bom estar num lugar com alta qualidade de vida, onde as pessoas caminham sem pressa pelas ruas e o almoço não é um simples sanduíche comido em pé. Recentemente um enorme projeto urbano chamado de “Big Dig” colocou diversas vias expressas para debaixo da terra. Antes cortavam a cidade deixando-a pouco amigável, agora todo o trânsito pesado desapareceu de nossos olhos e depois de 12 anos de obras, entregou uma cidade muito mais amigável para o pedestre.

Longfellow Bridge no Charles River

O frio não espanta os esportes náuticos

Ponte antiga de Boston

Aportando na cidade

Não encare uma visita a Boston apenas como viagem de um dia, aquele típico bate e volta. Seja generoso e se puder não pense duas vezes em reservar uma semana inteira. Além de conhecer a cidade e um pouco do estado, conhecer sua redondeza e os estados vizinhos do Maine, Connecticut, New Hampshire e Rhode Island, especialmente se a época do ano for o outono, será uma viagem inesquecível. As folhas das árvores ficam amarelas e depois vermelhas cor de fogo completam um visual deslumbrante. Ali por perto ficam as famosas e ricas Cape Cod e Martha’s Vineyard, cidades aristocráticas a beira mar, Salem, que ficou famosa por suas histórias de bruxas no século XVII, entre muitos outros lugares especiais que fazem da região da Nova Inglaterra uma das mais bonitas dos Estados Unidos, com uma perfeita harmonia entre cidades históricas e natureza. Aliás, foi em Boston onde muito da história dos pioneiros que chegaram ao país começou. Fundada em 1630 pelos ingleses, também está ali perto na cidade de Cambridge a primeira universidade americana, Harvard e o M.I.T, considerado uma das melhores escolas de tecnologia do mundo.

Boston Old City Hall

Quincy Market

Quincy Market

Trinity Church

Jardim público de Boston

Faneuil Hall

Jardins de Boston

Em Boston, caminhando pela Freedom Trail você vai curtir o passado da cidade. O Museum of Fine Arts (MFA) e sua vasta coleção de arte, que passa por diversos períodos e estilos, prova que ali não faltam boas referências da história da arte também. Suas compras também não irão ficar nada a dever à vizinha famosa de Nova York, e ao invés de encontrar lojas e ruas congestionadas, aqui tudo parece ser mais civilizado e tranquilo. Na Newbury Street, além de arquitetura inglesa com seus prédios de tijolinho e uma bela rua arborizada, você encontra um comércio de primeira, passando por todas as marcas disputadas em toda cidade grande a achados fashions mais descolados. Termine com uma bela cerveja e boa conversa em um dos famosos pubs irlandeses. Boa cerveja local não falta para abastecer as torneiras. E como prato principal, procure um dos muitos restaurantes especializados na iguaria local, a lagosta. Além de deliciosa, não se acanhe com o medo que daria para quebrá-la. Pedindo com jeitinho para o garçon, eles dão um jeito na casca que num piscar de olhos já era. Bom apetite!

Influência inglesa na arquitetura

Prédio típico

Contrastes

Inspiração da era industrial

Bairro residencial

Encontrando espaço

Área revitalizada de Boston Harbor

Vista do Top of the Hub na Prudential Tower

Repondo as energias

Ale Ravagnani

De volta ao tempo entre Paraty e o Rio de Janeiro

Viajar ao estado do Rio de Janeiro vai além de sol e belas paisagens, é beber da nossa história direto da fonte.

A pouco mais da metade do caminho entre São Paulo e o Rio, meio que escondida na Serra do Mar, fica a bela cidade histórica de Paraty. Fundada em 1667, a cidade passou por momentos áureos, primeiro como um grande centro produtor de cachaça, chegando a ter mais de 250 engenhos de cana de açúcar para a produção da aguardente e no século XVIII, foi um importante porto por onde se escoava o ouro e as pedras preciosas que vinham de Minas Gerais e iam em direção a Portugal. Mais recentemente, com a descoberta pelos turistas, principalmente após a abertura da Rodovia Rio-Santos na década de 70. Espremida entre a Serra da Bocaina e a Serra do Mar, Paraty é única no Brasil. São ilhas e mais ilhas, algumas completamente intocadas e um mar de cor verde sem igual. No lado da Bocaina, a impressão é de se estar no campo, e muito longe do mar, mas basta achar uma brecha entre as montanhas pra encontrar o mar ao longe. E de barco, quanto mais se distancia da costa, mais preservada se encontra a natureza. Na cidade, são Igrejas centenárias e casarões históricos por todos os lados. Símbolos maçons são vistos em muitas de suas construções, mas seus significados hoje em dia são muito mais estéticos do que qualquer outra coisa. Um dia nublado na cidade pode significar um grande dia de caminhadas e descobertas pelas pedras desiguais das ruelas de Paraty e um grande dia tanto quanto se você estivesse nas praias das ilhas logo ali em frente. É uma troca sem perda alguma.

Ilha do Cedro na Baia de Paraty

Vista da Pousada Arte Urquijo em Paraty

Casario histórico de Paraty

Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, Paraty

Casa próxima ao cais de Paraty

Vendo o tempo passar, Paraty

Já chegando ao Rio de Janeiro e continuando sua busca pela história, uma parada no centro convida uma volta ao tempo. A Confeitaria Colombo foi fundada em 1894 e não é só pelo concorrido salão de chá que fica apinhado de cariocas e turistas. Sua arquitetura impressiona e na época só rivalizava com as confeitarias de Paris ou Londres. Hoje impressiona muito mais, já que seus mais 100 anos de história não ofuscaram seu glamour, pelo contrário, é uma ilha no meio da cidade, um lugar para parar e esperar o tempo passar, ou até mesmo voltar nele, e tentar se transportar para sua época de ouro, imaginando como eram as pessoas e o que aquilo tudo representava. Hoje em dia, a disputa por uma mesa é grande, assim como as opções do cardápio. Num fim de tarde corrido, depois de desistir de enfrentar a fila para sentar, recorri ao balcão mesmo e provei um gostoso bolinho de bacalhau e para recuperar as energias, uma torta doce mil folhas de cair o queixo. Mas as opções são muitas e um desfile de chás, doces e salgados estão à espera daqueles sortudos de verdade que estão ali sem pressa e sem precisar olhar para o relógio, assim como era a vida 100 anos atrás.

Confeitaria Colombo, Rio de janeiro

Belle Époque da Confeitaria Colombo

Linda arquitetura Art Nouveau

Disputado salão da Confeitaria

Vitrais do teto da Colombo

Mosteiro de São Bento fundado em 1590 no Rio de Janeiro

Mosteiro, a casa dos monges beneditinos

Ale Ravagnani

Mônaco e Èze, entre o mar e as montanhas

O famoso principado de Mônaco e sua pequena vizinha medieval de Èze, são duas jóias do Sul da França, situadas entre a cidade de Nice e a fronteira com a Itália.

Obra do artista Anish Kapoor, praça do Cassino de Mônaco

Jardins do Cassino de Mônaco

Jardins do Cassino

Cassino de Mônaco

Restaurante de Alain Ducasse em Mônaco

Ruas de Mônaco

Ruas de Mônaco

Praça do Fort Antoine

Fort Antoine

Vista do porto de Mônaco

Um bom começo é dirigir pelas ruas de Mônaco e passar por onde segue o percurso do circuito mais famoso da Fórmula 1, ir de cima a baixo e perceber que a cidade está construída em penhascos e logo abaixo um mar de iates e transatlânticos no mais luxuoso porto de todos os mares. O que mais se percebe é que por onde quer que se ande, tudo está impecável, desde os jardins com suas fontes, passando pela arquitetura e limpeza da cidade. Restaurantes com os chefs mais estrelados do mundo e o cassino símbolo da cidade fazem dela a casa de muitos abonados das mais diversas nacionalidades, inclusive de alguns brasileiros. Tudo parece imaculado, mas ao mesmo tempo distantante dos simples mortais, turistas que passam o dia fotografando e voltando para sua jornada de viajante.

Entrada da Vila de Èze

Èze nas montanhas

Arredores de Èze

Praça e fonte em Èze

A noite caiu em Èze

Igreja Notre Dame de l’Assomption, Èze

Èze no topo da colina

Ruelas de Èze

Muros medievais de Èze

Mirante da Igreja

Contrastes

Pedra sobre pedra

A noite de Èze

Menos de 5 quilômetros de Mônaco, se chega à pequena vila medieval de Èze, situada na Riviera Francesa e apesar de colada na sua vizinha rica, deixa a badalação e ostentação de lado para nos fazer voltar o tempo de milhares de anos de sua história. Perder-se por suas vielas e de repente se deparar com hora de frente para o mar, distante algumas centenas de metros dali, hora para as montanhas, onde estão os Alpes Marítimos que se debruçam praticamente sobre o Mediterrâneo, é colirio para os olhos na certa. Apesar de seu reduzido tamanho, guarda algumas pequenas jóias, como a Igreja Notre Dame de l’Assomption construída em 1764, a Capela de la Sainte Croix, de 1306 e o Jardim Botânico d`Èze com suas vistas panorâmicas bem nos penhascos. Além disso, uma das mais antigas fábricas de perfume da França está ali, a Fragonard. Não deixe de visitar e provar os aromas típicos do Sul da França e da Provence, que está logo ali, como a lavanda, flor de laranjeira e a verbena.

Mas não vá embora antes que a noite caia e uma outra cidade tome seu lugar. Grande parte dos turistas vão embora e a cidade está ali para ser descoberta através de sua iluminação amarelada e vielas escondidas. Você está praticamente num cenário de filme de época, distante de qualquer referência das cidades atuais, e se possível passe a noite ali e faça da viagem uma segunda lua de mel. Apesar de poucas opções para jantar, vai ser fácil encontrar um lugar que vai ficar para sempre na sua memória e entrar na lista dos mais inesquecíveis. Não sei se pelo clima do lugar, pelo cenário, pela oferta dos ingredientes frescos franceses, pelo vinho maravilhoso, pela noite de verão, pela companhia ou se pela soma disto tudo e mais um pouco.

Ale Ravagnani

 

Dia de Feira na França

Toda boa refeição na França começa na feira.

Marché Forville em Cannes, sul da França

Do mar para a mesa, Cannes

Ladurée e o macaron de flor de laranjeira

A tradição da gastronomia francesa vem de muito, muito tempo. Os chefs são considerados estrelas desde os tempos do grande cozinheiro Antoine Carême que viveu no século XVIII, no auge da Revolução Francesa e ficou conhecido como o “chef dos reis e o rei dos chefs”. Em sua vida, serviu Napoleão e depois de sua queda, Carême foi para Londres e trabalhou como chef de cuisine para o Príncipe Regente, George IV. Retornando ao continente, serviu ao Czar Alexander I em São Petersburgo, antes de retornar à Paris, onde trabalhou como chef para o banqueiro James Mayer Rothschild. Ele é lembrado como o fundador do conceito de alta gastronomia.

O grande chef Antoine Carême

Criações de Carême

Mas o que desde aqueles tempos era falado? Que toda grande gastronomia começa com bons ingredientes, e isso na França é da mais pura verdade e importância. Um dia num mercado francês, é uma viagem pela gastronomia, com os ingredientes mais bonitos que se pode encontrar, tudo muito fresco e vindo direto do produtor. É colírio para os olhos, de quem gosta de cozinhar ou somente para aqueles que apreciam uma boa refeição e sabem como é importante a base de tudo. Mas olhando toda a variedade e qualidade dos produtos, percebemos a herança que o povo francês carrega. É quase uma devoção ir ao mercado e escolher o que de mais fresco chegou para ser servido à noite em casa. E não estamos somente das grandes cidades. Praticamente qualquer cidade francesa tem sua feira livre onde todos os dias os ingredientes para uma grande refeição os esperam para irem para a panela. São tantas variedades, tantos cogumelos diferentes, trufas negras, tomates dos mais diversos tipos e cores, queijos e até uma simples abobrinha em flor se torna uma iguaria aos olhos de quem gosta de comer bem. E isso na França é levado tão a sério que faz parte da identidade nacional. E pela culinária se começa e se encerra uma grande viagem pelo ícone mundial da boa comida, seja ela feita pelas criações de um grande chef com estrelas Michelin ou por uma simples dona de casa que vem seguindo receitas que passaram de geração em geração. Bon appétit!

Ale Ravagnani

África do Sul essencial

Este é um país que vai surpreender você. De uma maneira ou de outra, vai te pegar de jeito. Se você é do tipo que gosta de natureza, a vida selvagem é um prato cheio, assim como a região da província do Cabo com suas belas praias e cenários ao ar livre. Mas se você aprecia um bom vinho, cidades charmosas, gente educada e um turismo altamente organizado, a região vinícola de colonização holandesa, próxima à Cidade do Cabo, definitivamente é a sua praia. E se você curte tudo isso e ainda gosta do melhor do que as grandes cidades oferecem, fique com tudo e não perca por nada a bela Cidade do Cabo. Aqui vou apresentar um resumo do melhor que o país pode oferecer a você. Programe-se porque não vão faltar lugares pra você conhecer, e ainda vai querer voltar.

Savana africana - Mabula Game Reserve

Girafas na reserva Mabula

Avestruz na beira do lodge do Mabula

JOHANNESBURG
A grande cidade da África do Sul é um lugar de grandes contrastes. Apesar de ser a porta de entrada do país, não a use como sua base. Fique o suficiente para dar uma olhada por cima e zarpe para novos portos. Faça um passeio pelo centro, mas de carro. O bairro de Sandown é o mais tranquilo e seguro, mas não se parece em nada com a aquela África que imaginamos. Acho que vale também um tour guiado pelo Soweto, é só não ir por conta própria. Há muitas empresas que fazem tour pelo local e te levam diretamente nos pontos mais estratégicos e históricos.

PRETORIA
Além de ser a sede do governo e ficar a pouco mais de 50 km de Johannesburg, acho que vale a pena passar um dia na cidade. Por ser a capital administrativa da África do Sul, diversos edifícios históricos e seus jardins compõe esta bela cidade. Union Buildings, Melrose House, Kruger House, entre outros devem fazer parte de seu city tour. Se você ainda não conseguiu fazer um safári bacana, vá ao zoológico da cidade. Tem um teleférico e você vê tudo por cima e no lado de fora tem uma feira de artesanato, com muita coisa de madeira esculpida, bonecos da tribo Masai, colares de contas coloridos e muito mais. Aliás, um item importantíssimo nesta viagem. Acho que nunca vi artesanatos tão bonitos e de tão bom gosto em nenhuma outra parte do mundo.

Artesanato em Pretoria

CIDADE DO CABO
É linda mesmo, além de muito agradável. Mas não deixe de alugar um carro. Muito melhor do que ficar pegando excursões, táxis e ônibus. É um lugar pra ser curtido, sem pressa, olhando o sol se por e sem ninguém nos apressando. Suba na Montanha da Mesa de bondinho pra curtir a vista estonteante lá de cima. Ainda dá para fazer algumas caminhadas, fazer picnic e com sorte, avistar um pouco de fauna. Lá embaixo, o Victoria & Albert Waterfront parece pega turista, mas é uma delícia. Na beira d`água, os leões marinhos são a grande atração. Os prédios antigos são lindos, com lojas e restaurantes bacanas e ainda um cinema Imax, daquele da tela gigante, onde a grande atração são os filmes sobre a fauna africana. Além disso, a cidade é bem gostosa e tem muito que fazer. O bairro malaio é interessante com suas casinhas coloridas e você não pode deixar de ir à Robben Island, que foi descoberta por Bartolomeu Dias e onde o Mandela ficou preso por 18 anos. Mas tem que agendar o barco com certa antecedência para se chegar até a esta ilha distante 11 km da cidade. Uma boa opção de hospedagem na Cidade do Cabo são os Bed & Breakfast, tradição inglesa de hospedagem onde uma família te recebe praticamente na casa deles. Fiquei em um super legal e bem localizado. Ele fica num casarão antigo lindo, a dona é ótima e tem um cachorrão que vira amigo de todo mundo, além de ter uma localização ótima, bem pertinho do pier.

Victoria & Albert Waterfront, Cidade do Cabo

Montanha da Mesa, Cidade do Cabo

PROVÍNCIA DO CABO
Apesar de ser uma região relativamente pequena, tem muita coisa pra se fazer, muita cidadezinha pitoresca no melhor estilo holandês, vinícolas, reservas ambientais à beira mar, região das flores selvagens (Protéia é a flor nacional e é da família das alcachofras) e até mesmo parques de animais selvagens como zebras e elefantes bem na costa (Zebra e Addo Elephant Park).

– Região dos Vinhos ou Cape Dutch
As principais cidades produtoras de bons vinhos são Stellenbosch, Paarl, Franschoek e Constantia. Além dos holandeses, os franceses também passaram por lá e deixaram marcas, como o monumento dos Huguenots franceses que foram para Franschoek em 1700. No geral, além de excelentes e consagrados vinhos, onde as principais vinícolas abrem suas sedes para oferecer degustações (normalmente gratuitas), repare na arquitetura e no cuidado que estas pequenas cidades tem com seus jardins, casas, restaurantes. Tudo é impecável e a África do Sul recebe como ninguém turistas do mundo inteiro.

Cidade de Stellenbosh

Cidade de Franschoek

Vinícola Fairview

– Cabo da Boa Esperança
Dá pra passar o dia por lá. É um parque e marca a “divisa” entre o Oceano Atlântico e o Índico. Logo no começo da entrada do parque, estacione o carro e espere os babuínos se aproximarem. Mas não dê comida porque eles são mais espertos e rápidos que a gente e normalmente estão esfomeados. De qualquer maneira, o parque da Boa Esperança é um ótimo lugar pra curtir a natureza e fazer ótimas caminhadas. Leve vinho, queijos e pães e faça seu picnic. Só não fique muito perto da macacada. Não muito longe de lá e a apenas 15 km de Cape Town, existe uma estrada chamada Chapman`s Peak Drive. É imperdível e as vistas são de tirar o fôlego. Algumas cidadezinhas lindas estão no seu caminho e é só ir parando também, como Hout Bay, Camps Bay e Simon`s Town, são charmosas e paradas obrigatórias na sua viagem. Também a partir do Cabo, sai a Garden Route. É um rota turística com várias cidades também interessantes e que valem serem visitadas. Este trecho é bastante organizado, com muita sinalização e informações históricas.

Dobrando o Cabo da Boa Esperança

Babuínos no Parque do Cabo da Boa Esperança

Praia de Simon`s Town

– Garden Route
Mossel Bay – onde o primeiro Europeu chegou na África, Bartolomeu Dias, e um pouco depois chegou o Vasco da Gama. Tem um museu bem bacana com a réplica da caravela.
George – outra cidade bonita e cenográfica.
Knysna – cidade da costa também e com uma lagoa linda. É um lugar pra lá de fotogênico, e se você gosta de ostra, o melhor lugar do mundo. O pôr do sol entre a logoa de Knysna e o mar é lindo.
Tsitsikamma National Park – fantástico! Fica a um pouco mais de 100 km da Cidade do Cabo, mas vale a pena. O visual é único, com suas pontes pencil para pedestres e trilhas demarcadas para trekking.
Jeffrey`s Bay – se surf é a sua onda, aqui é o lugar. São as maiores ondas do continente, mas a praia não é tudo isso pra quem fica olhando na areia. E aqui é o fim da Garden Route.

Por do sol na lagoa de Knysna

Knysna

O ponto extremo da África é o Cape Agulhas, região mais inóspita e agreste, e igualmente impressionante. Tem um farol daqueles de filme e parece um lugar perdido no nada. No caminho, tem um Museu do Naufrágio bem bacana, e acho que isso explica um pouco a localização de fim de mundo e de grandes tormentas para os navios. Dormimos ali perto num vilarejo de pescadores chamado Arniston, que foi tombado pelo Patrimônio Mundial. Suas casinhas estão intactas, todas pintadas de branco e alinhadas no penhasco debruçadas na praia. Outro lugar que acho que é por ali, é a cidade de Hermanus, onde as baleias ficam parte do tempo no ano, principalmente no inverno que coincide com o nosso.

Cape Agulhas

– Região do Karoo
É como eles chamam parte do interior na África do Sul, que já começa a ficar semi desértica. Apesar de ser relativamente perto da Província do Cabo, já muda toda a cara. A cidade de Oudstshoorn é a sede mundial dos avestruzes, e dá para visitar as fazendas, comer a carne da ave, que por sinal se parece bastante com carne vermelha, porém muito mais magra e saudável e até andar neles, mas esta parte a gente pula. Na passagem, as Cango Caves são cavernas imensas e muito bonitas e para dormir, pare no vilarejo de Matjiesfontein e tenha a sensação de voltar séculos atrás e de ser transportado para outra época.

Vilarejo de Matjiesfontein

Ale Ravagnani

Feliz Dia dos Namorados

Praia do Amor na Pipa, Rio Grande do Norte

São Francisco, Califórnia

Fonte da artista Niki de Saint Phalle, Centro George Pompidou, Paris

Union Square em São Francisco, California

Jardins de rosas do Regent`s Park, Londres

Balcão da Julieta do Romeu, Verona, Itália

Bruges, a Veneza do norte no país do Tintin

As aventuras de Tintin

Mistura de Amsterdam com Veneza, a pequena cidade medieval de Bruges tem personalidade de sobra para ser única apesar da semelhança. A primeira impressão é que se está numa cidade de conto de fadas, com canais emoldurando casas cheias de flores e sacadas à beira do nível d`água. E ao anoitecer você se dá conta que aquilo saiu mesmo de um livro ou de um quadro de Van Eyck, um dos mais importantes pintores flamencos. Chegar é muito fácil. Se estiver em Paris, o trajeto até Bruxelas é de quase 1h30, ou seja, menos do que muitas vezes ficamos parados no trânsito. E claro sem falar que se sai do centro e se chega no centro da outra cidade, sem trânsito ou espera. Depois é só tomar um trem de Bruxelas e em pouco menos de 1 hora se chega a este sonho do norte da Europa.

Vista de cima do Beffroi de Bruges

Um dos muitos canais da cidade

Portão da cidade

As janelas viram vitrines

Oficialmente a cidade foi fundada em 1.128, mas uma história de séculos antes disso com passagens de Vikings, romanos e francos colocaram esta pequena cidade belga no mapa das grandes rotas. Hoje a cidade está na mira do turismo mundial, mas isso não quer dizer que seja uma cidade óbvia ou esteja saturada. É só sair caminhando e descobrir com seus próprios olhos, sem necessidade de mapa muito detalhado ou aqueles guias com bandeirinhas. Outra boa maneira é alugar uma bicicleta para fazer como os locais. Quando cansar embarque nos barcos pelos canais para ter um outro ponto de vista do lugar. E se ainda quiser mais diversidade, carruagens e seus cavalos estão à sua espera estacionandos na Grote Markt.

Grote Markt

Torre Beffroi com 83 metros = 366 degraus

Além de um visual impressionante e de muita caminhada, a recompensa vem nas calorias. Começe com uma boa cerveja belga ou até mesmo visitando uma cervejaria artesanal. Só para você ter uma ideia, são 780 rótulos “nacionais” produzidos num país do tamanho do estado de Alagoas. Depois escolha uma brasserie e invista nos pescados e frutos do mar, especialidade local que acompanha batatas em algumas de suas muitas receitas (aliás, dizem que a batata frita foi inventada pelos belgas), e o prato local mexilhões (moules) com fritas é de comer de joelhos. Para sobremesa, não vão faltar excelentes opções de chocolate belga, o rei dos reis dos chocolates mundiais. Pra mim desbanca até mesmo os suíços.

Carruagens na Grote Markt

Típica arquitetura flamenca

Casa de 1669

Ruas de água, mas não é enchente

Agora é hora de começar tudo de novo para voltar a queimar as novas calorias adquiridas e ótimos museus (o Groeningemuseum tem pinturas imperdíveis), igrejas que são verdadeiras obras de arte e diversos edifícios estão ali para serem descobertos, sem muita ordem ou rotas pré-definidas. É só olhar, achar interessante e se aventurar. Bruges é assim, cada um percorre no seu tempo e vontade própria. Basta se deixar levar para descobrir, como nas aventuras de Tintin pelo mundo.

Passeio pelos canais

Aqui a vida passa mais devagar

Escultura ao ar livre na beira do canal

Mais um portão da cidade

Conto de fadas

Ale Ravagnani

A minha Buenos Aires pra você

Floralis Generica

Parece que ficou mais fácil pegar um avião até a capital portenha do que descer pro litoral norte em feriado. Os voos saem o dia todo e agora ainda podemos escolher pousar no Aeroparque, o equivalente ao nosso Congonhas ou Santos Dumont da cidade. Aliado a bons preços, o resultado disso tudo é que nunca tantos brasileiros foram para lá. Mas neste post, minha ideia não é chover no molhado e mostrar o que todo mundo conhece ou já ouviu falar. Praça de Maio, Casa Rosada, Caminito, tangos, tudo está lá e invariavelmente todos os turistas irão descobrir. Mas aquelas pequenas lojas de design, os achados de Palermo, o bairro mais fashion de Buenos Aires hoje em dia ou aquela barraquinha da Feira da Recoleta, isso sim acho que deveria contar pra vocês. Prepare o bolso que vale a pena investir seu dinheiro no que custaria até 3x o valor no Brasil ou até mesmo nunca encontraria por aqui. Bem, não é bem investir, mas economizar, certo? E já que você vai andar bastante em busca dos seus recuerdos, compense à noite nos bons restaurantes que não param de abrir pela cidade, principalmente por Palermo. Buen Viaje.

PARA PASSEAR (e talvez comprar)

Feira da Recoleta aos sábados (Recoleta) http://www.barriorecoleta.com.ar
Este é o dia pra passear na praça e fuçar nas barraquinhas. Tem um pouco de tudo e quem garimpa acha.

Feira de San Telmo aos domingos (San Telmo) http://www.buenosaires.com.ar
O antigo bairro abriga há anos uma grande feira de antiguidades aos domingos. Além das barracas que ficam concentradas na Plaza Dorrego, há muitos antiquários, lojas de roupas, acessórios, design e cafés tradicionais. Nas ruas acontecem vários shows com artistas locais de todos os gêneros, desde dançarinos de tango a mímicos e shows de marionetes.

Dedoches da feira da Recoleta

Antigas garrafas de água em San Telmo

Cultura pop em San Telmo

PARA COMPRAR

– Sabater Hnos (Palermo Soho) http://www.shnos.com.ar
Esta pequena loja de sabonetes caseiros é muito divertida. As barras são feitas de todas as fragrâncias e cores imaginadas, alguns até mesmo com divertidos textos em alto relevo impressos e formatos diferentes.

Loja de design do Museu Malba (Palermo Viejo) http://www.malba.org.ar
O museu é lindo e o acervo da coleção Constantini uma das mais ricas do país. A Tienda, além de livros de arte, esta loja tem objetos de design para casa com nomes como Irmãos Campana e Alessi, Lomos, que são as máquinas fotográficas mais cool e divertidas do mundo, joalheria, luminárias, e muitos dos objetos à venda vem da loja do MOMA de NY.

Morph – Shopping Buenos Aires Design (Recoleta) morph.com.ar / http://www.designrecoleta.com.ar
Uma vez na Recoleta, aproveite para passar nesta grande loja de design moderno. São muitos acessórios e tudo a um preço bastante convidativo. A loja fica no shopping de design, que pode render outras compras em lojas específicas.

La Martina (Palermo e mais 14 endereços em BsAs) http://www.lamartina.com
A grife mundial de roupas da Argentina que tem o pólo como tema.

Papelaria Palermo (Palermo Soho) http://www.papelerapalermo.com.ar
Diretores de arte, designers, artistas e apreciadores da boa e velha papelaria estão no paraíso. Tudo é de extremo bom gosto e vale a pena ir nem que seja para admirar e se inspirar.

Elementos Argentinos (Palermo Soho) http://www.elementosargentinos.com.ar
Tecidos artesanais de cores lindas e muito bom gosto. O forte são os tapetes, mas o acervo possui mantôs, pufes, almofadas e pequenos objetos decorativos, mas tudo feito de tecido artesanal.

Paul (Palermo Soho) http://www.pauldeco.com
O comprido corredor não entrega de cara o que esta loja propõe. O branco e os tons pastéis são as cores predominantes nesta loja romântica e aqui se encontra muitos objetos de vidro, cerâmicas, fragrâncias para ambiente, velas e algumas antiguidades. Na entrada ainda tem uma floricultura e uma casa de chás especiais. Depois que se passa o corredor, a sensação é que se entrou em outro mundo.

Pehache (Palermo Soho) http://www.pehache.com
Outra loja da moda na cidade e aqui a mistura de roupas com objetos para casa é bastante interessante. Se pode comprar desde uma clássica banheira, daquela de filmes, a objetos insólitos de acrílico recortado. Você não vai conseguir sai de lá sem nada. No fundo da loja, um charmoso café com espelho d`água convida para o ócio numa tarde ensolarada.

Sabonetes da Sabater Hnos

Loja de design do Museu Malba

Morph, Buenos Aires Design

La Martina

Papelaria Palermo

Tecidos da Elementos Argentinos

Elementos Argentinos

Loja Paul

Loja Paul

Pehache

Café na Pehache

PARA ALMOÇAR (ou matar a larica)

Restaurante do Museu Malba (Palermo Viejo) http://www.malba.org.ar
Saladas deliciosas e bom café para um almoço leve e rápido.

El Sanjuanino (Recoleta) http://www.elsanjuanino.com
Considerada a melhor empanada de Buenos Aires e você não pode ir embora sem experimentar. Peça qualquer uma, mas desde que seja de forno. A sangria é deliciosa e assim como cerveja, acompanha super bem a refeição.

La Esquina de las Flores (Palermo Soho) http://www.esquinadelasflores.com.ar
Esta loja e restaurante de produtos naturais também tem boas empanadas integrais, mas esqueça a carne aqui.

Nucha (Palermo Soho) http://www.nuchacafe.com
Este moderno e movimentado café é um sucesso e parada obrigatória de muitos portenhos. Seja só pelo café ou um salgado, a escolha já é boa, mas quando você decide ir pra cima dos doces, aí não tem igual. As mesas da calçada são deliciosas, mas no calor do verão o ar condicionado do salão fica convidativo.

Freddo (Puerto Madero e em quase todas as esquinas da cidade) www.freddo.com.ar
Pra mim é o melhor sorvete de BsAs, mas nada melhor do que provar se é mesmo verdade. Framboesa, doce de leite, blueberry, são tantos os sabores que você vai ter que voltar muitas vezes. Só vai ter que encarar nos horários de pico a senha que acaba sendo quase sempre obrigatória.

Restaurante do Museu Malba

Empanadas do El Sanjuanino

La esquina de las Flores

Nucha

PARA JANTAR

Tegui (Palermo Hollywood) tegui.com.ar
Uma das melhores refeições dos últimos tempos. Por for a uma grande porta fechada e uma parece toda grafitada. Por dentro, deliciosos coquetéis para começar a noite, e pratos inventivos e muito saborosos. Tudo vale a pena e é muito bem feito. O pato veio no ponto e a carne desmanchava na boca. De entrada várias surpresinhas do chef que vem aos poucos à mesa. Reserve com alguma antecedência.

Cabaña Las Lilas (Puerto Madero) http://www.laslilas.com
A grande churrascaria da cidade. Grande em todos os sentidos. O Ojo de Bife é enorme e as batatas suflê (que quase só se encontra na Argentina) acompanha super bem junto com um dos muitos Malbec da excelente carta de vinhos. Se for pedir café, deixe a sobremesa de lado porque vem com uma infinidade de pequenas guloseimas. Reserve ou espere muito por sua mesa.

El Mercado – Hotel Faena (Puerto Madero) http://www.faenahotelanduniverse.com
Vá nem que seja só para conhecer o hotel Faena. Philippe Starck dá um show de excentricidade em todos os ambientes, mas chegue antes para tomar um drink no bar The Library Lounge ou na bela piscina de fundo infinito e espreguiçadeiras vermelhas. Além do restaurante El Mercado, o hotel possui outro mais formal e muito mais ambicioso, o El Bistrô. Repare nos unicórnios brancos pendurados nas paredes.

Fachada do restaurante Tegui

Hotel Faena

PARA A BALADA

Bar 6 (Palermo Soho) http://www.barseis.com
Espaço bastante eclético que mistura gastronomia e bar. Vale ir mais cedo para jantar e ficar para o agito da noite que muda bastante o perfil do lugar.

El Cabaret – Hotel Faena (Puerto Madero) www.faenahotelanduniverse.com
Lounge para shows e tango num ambiente bonito e inspirador.

Bar 6

PARA DORMIR

Mine Hotel (Palermo Soho) http://www.minehotel.com
São muitos os novos hotéis que estão surgindo em Buenos Aires. Na grande maioria são pequenos, com cerca de 20 apartamentos e estão no bairro de Palermo. O Mine não é excessão e prima pelo bom gosto e excelência. Os apartamentos são espaçosos, alguns deles com varanda e hidromassagem, o hotel possui uma charmosa e piscina, e uma coisa muito importante numa cidade que não é a sua, o staff da recepção está sempre pronto para ajudar e consegue reserva em tudo que é solicitado.

Hotel Faena (Puerto Madero) www.faenahotelanduniverse.com
Este é o hotel-cenário de Philippe Starck e a recuperação deste antigo armazém de 1902, inteiro construído de tijolos aparentes e madeira, virou um símbolo na hotelaria da cidade. Tudo tem cenografia, ambientação e iluminação impecável e o estilo rococó-moderno do designer dá um tom especial de surrealismo sem deixar de ser muito confortável e aconchegante.

Mine Hotel

Mine Hotel

Hotel Faena

Ale Ravagnani

Araxá é pra se desconectar

Cúpula de vitral das Termas de Araxá

Atrium central das Termas

A antiga cidade mineira de Araxá, terra da Dona Beja, imortalizada em minissérie na TV e estrelada por Maitê Proença, foi palco também de muita história, glamour e ficou no imaginário de tantas outras que ouvimos. Sabe-se que Beja tornou-se uma cortesã cercada de luxo e escravos além de ter sido uma negociante poderosa e respeitada na cidade. A história conta que ela tinha o costume de tomar banho em uma fonte próxima a Araxá, cujas águas seriam o segredo de sua beleza. A história antiga vem dos anos de 1800, quando a cidade estava se formando e a história se desenhando em seus casarões centenários, alguns deles preservados até os dias de hoje, como por exemplo a casa da Dona Beja que foi transformado em museu em 1965 por Assis Chateubriand e vale a pena ser visitado. Uma segunda retomada foi quando o governo de Getúlio Vargas, em um acesso de megalomania, inaugurou em 1944 o Grande Hotel e Termas de Araxá. E grande não era força de expressão. Projetado pelo arquiteto campineiro Luis Signorelli, em estilo “missões”, a monumental obra teve início em 1938 e concluída em 1945, meses antes da deposição de Vargas. Para a construção, foram recrutados os mais renomados engenheiros, técnicos, artistas plásticos e especialistas em hidrologia do Brasil, da Alemanha e da Itália, num total de 3.000 trabalhadores.

Vista do lago e do Grande Hotel de Araxá

Mirante da fonte Dona Beja

Fonte Dona Beja

Interior da Fonte Dona Beja

Hoje em dia, continua um grande hotel. Em 2007, depois de 8 anos fechado e de R$ 60 milhões investidos, reabriu em grande estilo e totalmente restaurado. Seus antigos salões, antes muitos deles voltados para o jogo já que ali funcionava um cassino, agora abrigam restaurantes com lustres de cristal da Boêmia, Scotch bar em estilo inglês, salões de baile, cine-teatro, salões de jogos, salas de leitura, e muitas outras em 33 mil metros quadrados de área construída. O acabamento continua impecável como antes, e para se ter uma ideia, mármore de Carrara é o piso de todas as dependências. Os lagos e os jardins também são luxuriantes e a natureza reina como a maior obra de arte nas áreas externas. O projeto paisagístico é de ninguém menos que Burle Marx. A grande vedete ainda hoje e que nos desconecta da vida terrena e insana que levamos, são as termas. Poderíamos chamar de spa ou até mesmo terapia da alma, mas o que sei é que voltei de lá muito mais leve (claro que não pelas boas e fartas refeições), mas pelo nível de relaxamento que o hotel nos propõe. São salas de banho dos mais variados tipos, massagens relaxantes, tratamentos diversos, duchas, saunas, e mais uma infinita lista de opções que nos transportam para um outro mundo, o mundo que não existe mais na cidade grande em que vivemos. Tudo isso emoldurado numa arquitetura impecável e estonteante, num ambiente sereno e de paz total. É só se deixar levar e lavar a alma para encarar mais um ano pela frente.

Sala de leitura do Grande Hotel

Scotch Bar do Grande Hotel

Detalhe dos salões

Detalhe dos jardins

O projeto arquitetônico das Termas do Grande Hotel recebe a presença do número “oito” que representa os ensinamentos do Buda, o número do infinito, que pode ser visto representado em todos os ambientes: são oito entradas de banho, oito afrescos, oito vitrais na cúpula central, oito painéis, oito colunas e oito pontas na mandala, que hoje em dia todas as tardes recebe uma cantora recitando mantras para colocar todos em outra sintonia.

“Uma semana em Araxá, um ano de vida a mais”, era um dos slogans vigentes na época do apogeu da estância.

Entrada das Termas

Atrium central das Termas

Piscina emanatória

Relaxando nas Termas

Água por todos os lados

Piscina emanatória

Detalhe do atrium

Banho de lama? Esse eu não encarei

Detalhe do atrium

Como chegar: Araxá fica a 375 km de Belo Horizonte, a 581 km de São Paulo, a 650 km de Brasília e a 797 km do Rio. A rodovia BR-262 liga o município à capital do Estado, Vitória (ES) e Corumbá (MT) e a MG-428 liga Araxá à divisa com o Estado de São Paulo. Com a reinauguração do aeroporto de Araxá, a 4 km do centro, é possível chegar ao município de avião. Há companhias aéreas que têm vôos regulares para a cidade.

Museu Dona Beja

Museu Dona Beja

A dieta começa na 2ªf

O que visitar:
– Museu Dona Beja, praça Coronel Adolfo, 98
– Museu Calmon Barreto (rua Franklin de Castro, 160), que reúne várias telas e esculturas do artista plástico contemporâneo nascido em Araxá e ex-diretor da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro
– Igreja de São Sebastião, capela em estilo colonial construída em 1820, que abriga também o museu sacro (av. Vereador João Sena, s/n)
Onde ficar: Além do Tauá Grande Hotel Termas de Araxá (www.taua.com.br/araxa), algumas pousadas podem ser uma boa opção mais low profile.
O que comprar: doces caseiros, cachaça, sabonetes terapêuticos e artesanato em geral

Ale Ravagnani

Patagônia Argentina é logo ali. E você, não vai?

Trânsito típico da Patagônia

Mais uma vez vou falar sobre um dos lugares mais fascinantes da terra, e só de pensar que o país é nosso vizinho, já dá vontade de voltar. Estive lá em 3 oportunidades e todas foram fascinantes, vi coisas diferentes e posso afirmar que voltaria ainda outras vezes. Antigamente eu não queria voltar para um mesmo lugar mais de uma vez, mas depois quando você começa a ficar mais seletivo é que se percebe que voltar para um lugar que se gostou muito, é voltar para fazer novas descobertas e redescobrir o lugar, e quando falo de um lugar como o sul da Patagônia, bem na pontinha da América do Sul, sempre haverão surpresas, novos caminhos e descobertas. Diferente de Torres del Paine no Chile, aqui saímos na vantagem pela facilidade de chegar. De Buenos Aires ou Santiago, pega-se um voo direto para El Calafate, cidadezinha muito agradável e base para muitas explorações.

Navegação no Lago Argentino

Côndor, a maior ave da terra

Canal bloqueado por icebergs

Língua de gelo do Glaciar Spegazzini

Gelo à vista!

Paredão de gelo do Perito Moreno

"Caverna" no Perito Moreno

A maior de todas as aventuras é o Parque Los Glaciares e a geleira monumental Perito Moreno. Ela é tão grande e o paredão de gelo que se forma na beira do lago tão alto, que parecemos ínfimos nessa maravilha da natureza. Se está derretendo, provavelmente sim. Não é à toa que muito frequentemente ouvimos estrondos do gelo que vão se desprendendo e caem no lago formando ondas bastante altas. Em aproximadamente 1 hora, numa viagem por uma boa estrada, se chega ao glaciar e as opções dos passeios são muitas. Pelas passarelas, que ficam em uma península bem em frente, se tem uma visão privilegiada em diversos pontos e podemos visitá-la caminhando em terreno firme. Também se pode caminhar sobre o glaciar, munido de grampões e guia especializado. Saindo de barco de El Calafate, também se chega no mesmo lugar, mas por uma viagem pelo Lago Argentino e seu azul quase irreal. No percurso, montanhas dos dois lados e a passagem pelo canal dos icebergs, com suas inúmeras formas, tamanhos e cores até chegar Glaciar Spegazzini e no Onelli, menores que o Perito, mas também impressionantes. A empresa operadora do barco também prometeu parada no Glaciar Upsala, outro gigante do gelo, mas o caminho estava praticamente fechado pelos icebergs e foi impossível chegar perto. Vimos só mesmo de longe e aí acreditamos no aquecimento global e seus efeitos imediatos. Apesar da viagem ser longa, é uma experiência inesquecível e o barco, aliás muito confortável, passa praticamente raspando pelo gelo. A disputa no deck para fotografar é grande, mas você vai ficar tão hipnotizado pela paisagem surreal que nem vai ligar. De volta a El Calafate, invista numa boa churrascaria para provar muita carne argentina e o verdadeiro cordeiro patagônico. Diferente do Chile ou das cidades costeiras, aqui o forte são as carnes. A Casimiro Biguá não nos decepcionou e nossas noites eram a base de um bom Malbec para esquentar as noites frias do curto verão patagônico. Ou seja, pense bem no mês de sua viagem. Para dormir na cidade, são inúmeras as opções, desde hotéis a pequenas hospedarias. Nas duas vezes que estivemos na cidade, optamos pelos chalés Santa Mônica Aparts. Fica bem localizado, perto de tudo e os chalés no estilo “log house” são um charme.

Chegada em El Chaltén

Fitz Roy no meio das nuvens

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Se você está buscando um visual ainda mais selvagem e realmente isolado do mundo, siga para El Chaltén para ver uma das montanhas mais impressionantes da região. O Fitz Roy é quase um prêmio para trekkers e andarilhos do mundo inteiro que escolhem para suas caminhadas de dias no meio da natureza selvagem. O visual das montanhas é bastante parecido com o de Torres del Paine, com formações pontiagudas e algumas geleiras penduradas nas entranhas de seus picos rochosos. O pequeno vilarejo de Chaltén é bem simpatico, mas a impressão é que se chegou no fim do mundo. Muitas vezes a simples tarefa de andar é quase impossível, dada a velocidade do vento. Além de muita caminhada no meio da natureza, o Lago Viedma e a geleira de mesmo nome está ali não muito distante. Chegando no porto, toma-se uma embarcação de menor porte que em El Calafate para chegar na beira do glaciar. Até pensei que seria mais do mesmo, o mesmo tipo de formação das outras geleiras, mas apesar dela não ser muito grande, pelo menos a parte que está acessível aos nossos olhos, o contraste com o azul da água, a coloração do gelo e o tom amarronzado único das pedras transforma o momento numa viagem inesquecível. Pode se preparar para chacoalhar no barco e sentir a força do vento, mas não vai dar pra se arrepender.

Paisagem de El Chaltén

Fim do dia no Lago Argentino

A minha viagem termina por aqui, mas já está na cabeça novas andanças, desta vez chegando até Ushuaia. Também está na pauta a viagem que fiz para a Patagônia mais central, tanto no Chile quanto na Argentina. Essa viagem começa em Bariloche, desce até onde ainda existe Estrada, cruzamos a cordilheira dos Andes para entrar no Chile e subimos até Puerto Montt. Tudo isso de carro pela Carretera Austral. Mas isso é uma outra história que depois eu conto. Ale Ravagnani

Nova Zelândia. Aqui se vive de adrenalina

Como um país tão pequeno, rodeado pela natureza e isolado na Oceania pode ter tanta vocação para a adrenalina? Talvez pra quebrar a monotonia ou simplesmente pra dizer para o resto do mundo, “Ei, eu existo”, mas o mais importante é que eles conseguiram. Ou talvez seja uma estratégia de posicionamento de algum marqueteiro em encontrar sua real vocação. E eles conseguiram e chamaram a atenção de corajosos do mundo inteiro que sonharam em experimentar tudo aquilo e mais um pouco. Ou até mesmo os jovens de espírito como eu, que em férias no país vizinho da Austrália, terra dos kiwis, do Senhor dos Anéis, do time de rugby All Blacks e de tantas outras coisas diferentes, voltamos no tempo e na nossa idade. A Nova Zelândia é dividida entre a ilha do Norte e a ilha do Sul, e de norte a sul a adrenalina está por toda parte. Qualquer viagem ao país começa na capital Auckland e subir na torre mais alta do país, a Sky Tower, já dá frio na barriga e a vista da cidade é de tirar o fôlego. A região de Taupo e suas montanhas é o lugar ideal para paragliding, asa delta, paraquedismo e tudo mais que voa. Pertinho dali, em Rotorua, uma das cidades com maior atividade vulcânica do país, denuncia onde estamos antes mesmo de chegar. O cheiro de enxofre no ar está por toda parte e caminhar pelas passarelas no meio de lagoas termais, piscinas de lama borbulhantes, geysers e mini-vulcões indicam que logo ali embaixo da terra alguma coisa está acontecendo.

Preparação do Balão, Ilha do Sul

Nosso balão no ar na visão de outro balão

Lake Matheson e o Mount Cook ao fundo

Mas pé na estrada que ainda tem chão. Chegando em Christchurch, cidade típica da colonização inglesa já na ilha do Sul, começamos de um jeito mais light, com um passeio de balão para ver os Alpes do Sul onde fica maior montanha do país, a Mount Cook, com quase 4 mil metros de altura. Tudo depende do clima, do vento e da previsão na manhã da partida e uma confirmação por telefone é que vai definir a saída ainda na madrugada. Chegando ao lugar, com o balão na caçamba do carro, ajudamos na montagem e um pequeno balão meteorológico define pra que lado seguir, ou melhor, pra que lado o vento vai nos levar. Todos sobem no cesto de vime rapidamente pra não ficar pra trás e uma vez lá em cima, tudo vai ficando pequeno lá embaixo e o silêncio impera, só quebrado pelo barulho do ar quente enchendo o balão ou por um telefone celular que de repente toca lá nas alturas. No alto não percebemos a velocidade do vento e quando estamos descendo e vamos nos aproximando do chão é que vemos a real velocidade e ao tocar no solo, que em nosso caso tinham muitas pedras, deu o tom radical do passeio com o cesto virando e terminando nosso voo de maneira repentina e engraçada, com os 5 passageiros e o piloto deitados no chão. Mas valeu cada segundo e cada centavo da viagem.

Bungy Jump na ponte Kawarau, Queenstown

Cidade de Queenstown, Ilha do Sul

A parada seguinte foi a cidade de Queenstown, a principal meca dos esportes radicais do país. O início da experiência foi conhecer o primeiro bungy jump do mundo na ponte Kawarau, criado em 1988 por A J Hackett. Fui o último louco do dia a me atirar da ponte e mesmo sem coragem resolvi me desafiar. Quase desisti depois de tudo acertado, mas o meu instrutor disse que daquele ponto não tinha mais volta. Olhei pra frente, respirei fundo e fui. Acho que só voltei a respirar quando senti a corda se esticando nos meus tornozelos e vi que não afundei no rio semi-congelado. Um pequeno barco me resgatou e me deixou na margem e quase sem força pra subir de volta e com as pernas bambas, estava vivenciando o poder da descarga de adrenalina no corpo. Vale lembrar que a altura deste bungy jump “tem só” 43 metros de altura, e hoje em dia o mais alto tem 143 metros de altura!

Fox Glaciar visto do alto

Chegada do helicóptero no Fox Glaciar

Trekking no Fox Glaciar

Cavernas no gelo

No dia seguinte foi a hora de conhecer um dos glaciares do país, mas de maneira diferente. Subimos num helicóptero e rumamos à montanha. Lá, antes de pousar, nossa guia pula com o aparelho ainda no ar e faz sulcos no gelo para dar maior aderência para não patinar no pouso. Depois de alguns minutos finalmente pousamos, mas o helicóptero ainda derrapa consideravelmente. Nosso trekking no alto do Glaciar Fox começa e com um grupo de 9 pessoas atravessamos fendas enormes, passamos por cavernas de um gelo azul sem igual e vamos tentando manter o equilíbrio de marinheiros de primeira viagem sobre o gelo espesso de milhares de anos. Graças aos sapatos com grampões, nossos sticks para caminhada e de vez em quando o apoio de uma corda, subimos montanha acima nessa aventura pelo gelo. Do alto, vemos o mar que está a poucos quilômetros. Esse é um dos poucos glaciares que está praticamente ao nível do mar. Na volta, nossa guia chama o helicóptero pelo rádio, apesar da comunicação ser difícil e quase já sem luz do dia, ele nos resgata e nos leva de volta sãos e salvos ao pequeno vilarejo.

Jet Boat no rio Shotover, Queenstown

Dia seguinte, nova aventura. Andar nos rios de água de degelo em grande velocidade com barcos de alta propulsão chamado Jet Boat é uma das maiores aventuras de Queenstown. O grande barato são as finas que nosso piloto tirava dos paredões do canyon no rio Shotover ou sem medo passa por cima de bancos de areia e galhos secos. Quando víamos o sinal que o piloto fazia com as mãos, atenção redobrada e os braços colavam para se segurar e se apoiar porque cavalo de pau e um giro de 360º vinham pela frente. É quase uma montanha russa sem trilhos ou rota definida num dos rios de cor azul esverdeado mais bonito que eu já vi. No extremo sul da ilha, os fiordes de Milford Sound em Te Anau chamam para uma exploração de barco ou para caminhadas com um cenário deslumbrante com cachoeiras altíssimas e uma das maravilhas da natureza do mundo. Pra quem ainda tiver fôlego, novos esportes estão sempre surgindo. Basta você descobrir qual é o seu. Se você não for tão radical, vá para a Nova Zelândia assim mesmo. A beleza natural do país é tão linda e as cidades tão acolhedoras, e a infra estrutura do país tão perfeita, que agradam a gregos, troianos, radicais ou sedentários. Ale Ravagnani

Torres del Paine. Onde as torres tocam o céu

O parque nacional de Torres del Paine, no extremo da Patagônia chilena e reserva da Biosfera pela Unesco, com certeza é uma das grandes paisagens da Terra. Seu ecossistema único no meio da desértica Patagônia possui um microclima que nos presenteia com espécies só ali encontradas, montanhas altíssimas, geleiras e vida animal abundante. Isso tudo com uma ótima infra-estrutura de transporte, hotéis e excelentes guias. O início dessa viagem se dá depois de um voo de 4 horas de Santiago a Punta Arenas, cidade mais extrema do Chile. Aproveite para ver o Estreito de Magalhães e mesmo navegar por ele até a pinguineira de Isla Madalegna, que depois de uma viagem de barco de 2 horas, nos deparamos com milhares desses bichinhos engraçados, barulhentos e mal cheirosos (mas isso você tenta ignorar). A época ideal da viagem é o verão, que vai de dezembro a março, e mesmo assim espere encontrar frio razoável mas suportável, vento e quem sabe até mesmo um pouco de neve dependendo da altitude que você estiver. De volta à cidade de Punta Arenas, vale a pena dar uma volta pela cidade com suas casinhas coloridas, visitar o Museu Salesiano, que nos conta muita história da região, da fauna e da flora e escolher um dos bons restaurantes que servem frutos do mar, especialmente a centolla, caranguejo desajeitado e gigante da região e os peixes das águas geladas. Deixe o cordeiro para depois para não enjoar, pois este será o prato principal daqui pra frente. Mas se prepare que o tempo pode virar a qualquer momento e o vento gelado que vem direto da Antárctica te pegar de jeito.

Punta Arenas e o Estreito de Magalhães

Casa em Punta Arenas, Patagônia chilena

Pinguineira Isla Madalegna, Estreito de Magalhães

O parque, destino de nossa viagem, ainda está a 400 km de distância. Para deixar a viagem menos cansativa, prepare-se para parar e ficar um dia em Puerto Natales, pequena cidade pesqueira, à beira de um fiorde e encravada no meio das montanhas. Uma maneira pra lá de diferente de continuar a viagem é seguir de barco a partir da cidade. Primeiro toma-se um pequeno barco, porém com parte coberta e algum conforto passando por diversos glaciares como o Serrano e o Balmaceda e lagos cobertos de icebergs que dão show para qualquer aprendiz de fotógrafo. Quando se está mais próximo do parque, trocamos de barco para um bote chamado zodiac e começamos a sentir a verdadeira natureza selvagem da Patagônia navegando pelo Rio Serrano. Sabe quando a viagem até o lugar é o passeio? Neste caso isso é verdade.

Glaciar Serrano, Puerto Natales

Torres del Paine é enorme e provavelmente seu hotel providenciará os passeios com transporte e guias. Na primeira vez que estivemos lá, ficamos na Hosteria Grey, bem em frente ao lago Grey e à geleira de mesmo nome que fica ao longe. Quase não a notamos, mas quando vemos os icebergs chegando relativamente perto das margens do lago, nos damos conta de onde estamos. Na última vez ficamos no Hotel Las Torres, bastante confortável e profissional, com uma localização boa, mas não tão impressionante quanto o Grey. Quando se caminha o dia inteiro em uma região com clima hostil, escolha um lugar para ficar com um mínimo de conforto. Uma boa noite de sono é garantia de um dia com energia e disposição. Alguns hotéis do parque envelheceram e é bom checar as condições antes de reservar. Para o primeiro dia, faça um tour chamado Full Paine, que dá um giro completo de reconhecimento pelo parque, passando por diversos lagos cor azul, verde, cinza e mais tantas outras cores, cachoeiras cristalinas (Salto Grande, Salto Chico e Saltos del Paine), mirantes, o Maciço Paine, com mais de 3.000 metros de altura, e muita vida animal com condores (a maior ave existente com evergadura que pode chegar a 3 metros), ñandu (um tipo avestruz local), huemul (espécie de alce que está em perigo de extinção), guanacos, o temido e arredio puma, além de muitas espécies de aves. Se der tempo, vale a pena pegar o barco para visitar o Glaciar Grey e fechar o dia em grande estilo. Este é o dia de reconhecimento da região e daqui em diante, as expedições poderão ser mais específicas para partes do parque e muitas caminhadas com diferentes níveis de dificuldades. As opções são infinitas e a cada hora do dia, dependendo da luz, as torres del Paine vão mudando de cor e ao entardecer estão avermelhadas refletindo a luz do sol. Uma coisa é certa, você não vai enjoar desse cenário. Tente ficar alguns dias no parque para que seu contato com esta natureza formidável não seja superficial, mas programe-se já que os hotéis lotam com meses de antecedência. Cada parte em que se caminha é uma surpresa, as flores estão em seu auge, os animais com seus filhotes recém nascidos e o dia é longo o suficiente para você ter a luz do dia a seu favor. Anoitece muito tarde no verão só pra gente aproveitar muito mais. Mas ainda tem muito mais da Patagônia. Logo vou falar da parte que está na Argentina e suas geleiras incríveis já que a região merece muitas e muitas viagens. Ale ravagnani

Maquete de Torres del Paine, Hotel Las Torres

Torres del Paine

Whisky com gelo milenar, Glaciar Grey

Saltos del Paine

Cavalos do Hotel Las Torres

Lupinos, flor da Patagônia

Papoulas, Torres del Paine

Ponte estreita, caminho do hotel Las Torres

Riviera Maia: Cancún ou Playa del Carmen?

Este post é dedicado a nossos queridos amigos Martha e Edu, que quando moravam no México, nos receberam e apresentaram o país com tanto carinho. O país é tão rico e diverso, que vou escrever várias vezes sobre ele. Vou falar sobre a capital, a culinária, cidades históricas, a arte dos muralistas e por aí vai. Mas hoje volto para o Caribe e faço uma comparação entre a famosa Cancún e sua vizinha menor, porém internacional, Playa del Carmen. Claro que vai do gosto do freguês. Cancún é de impressionar por toda infra estrutura que foi construída e atendimento profissional, porém Playa, apesar de já ter crescido bastante, tem um perfil diferente da sua vizinha. É bem menos “aparecida” e muito mais low profile, além de não ostentar, mas sem deixar de lado o charme. Mas uma coisa que é exatamente a mesma nos dois lugares é a cor do mar de cair o queixo. Parece que jogaram tinta para chegar no Pantone exato azul-do-caribe. Mas seja qual for sua praia, a diversão é garantida em qualquer lugar.

CANCÚN

• Grandes hotéis de rede all inclusive
• Muitos americanos e brasileiros em excursão
• Para se andar de carro
• Voos diretos sem grandes deslocamentos
• Vida noturna com shows internacionais e bares animados
• Restaurantes de cadeia americanos
• Fazer compras em shopping center
• Visitar Playa del Carmen que está a apenas 45 minutos
• Pegar piscina no hotel

PLAYA DEL CARMEN

• Pequenos hotéis de charme e pousadas
Mosquito Blue – mosquitoblue.com e Deseo – hoteldeseo.com são ótimas opções
• Viajante independente, principalmente europeus
• Para andar a pé
• Voo direto para Cancún e de lá transfer de hora em hora para Playa
• Vida noturna com restaurantes aconchegantes e bares transados
• Fazer compras e garimpar barganhas nas lojinhas da charmosa 5ª Avenida
• Visitar as ruínas Maias de Tulun que está a apenas 45 minutos
• Pegar mar que parece uma piscina

Playa del Carmen, Riviera Maia

Los Voladores

Quer mais um ótimo motivo pra ir? O Real está bem valorizado por lá, o que torna os preços mais acessíveis. Aliás, onde é que não está vantajoso para um brasileiro viajar? Só mesmo aqui no Brasil que é comum viajar aqui e pagar mais caro do que no exterior. Ah, importante, ainda estamos na temporada de furacões. Vá depois de outubro, que está logo aí e dá tempo de você se programar. Ale Ravagnani

 

 

 

Ruínas de Tulun, Riviera Maia

São Francisco Xavier é fim de semana garantido

Pousada A Rosa e o Rei

Pousada A Rosa e o Rei

Agora com o final do inverno, a charmosa São Francisco Xavier volta a ter sua tranquilidade habitual, sem contar que fica muito mais fácil conseguir reserva naquela pousadinha escolhida a dedo e pagando menos por isso. É a típica viagem de fim de semana em que esquecemos de tudo, até mesmo da senha do computador. A impressão é a de estar muito longe, mesmo estando a duas horas de São Paulo, na Serra da Mantiqueira. Vá para namorar e lavar a alma na natureza. Uma pousada que te ajuda a relaxar é A Rosa e o Rei, e garanto que você vai mesmo se sentir um rei. Ofurô na varanda, vista para o vale ou para a cachoeira, alimentação balanceada, taichi-chuan de manhã e uma fogueira para esquentar a noite. Se estiver sol e calor suficiente pra quebrar o gelo das cachoeiras, procure uma perto da sua pousada (ou na própria), respire fundo e enfrente, porque no verão ou no inverno, a água sempre é fria. Quer sair e passear gostoso pela cidade? Vá ao Photozofia Bar, onde de dia é um gostoso café e à noite quase que vira uma balada, com música boa ao vivo com jazz, blues e MPB e um movimentado bar. A decoração é incrível e um ótimo programa para uma noite na serra.

Photozofia Bar, São Francisco Xavier

Para comprar, a cerâmica se destaca em São Xico (para os íntimos). A Vera da Oficina Vagalume tem peças exclusivas e faz uma cerâmica feita a mão bastante moderna e atual. Depois deste fim de semana em que comemorei meu aniversário lá, voltei um ano mais velho, mas com o corpo e a mente renovados que pareciam por anos. Ale Ravagnani

 

 

 

 

 

Cerâmica da Oficina Vagalume

Vista em São Xico

 

Paraty é para todos

Quando pensamos em Paraty, a primeira coisa que vem à cabeça é o casario colonial e aquelas ruas de pedras difíceis de caminhar. Não que isso não seja verdade. A história está mesmo lá, impregnando cada esquina, igreja e principalmente os moradores que guardam e passam adiante o que ouviu da mãe, do avô, da vizinha e foi passando adiante. A cidade é linda, cenográfica, mas de noite fica ainda mais mágica, iluminada por lampiões, sem a luz fria que impregnou nossas vidas e tirou as nuances das cores, chapando tudo que vemos. Portanto, deixe a cidade para a noite. O dia é do mar e das ilhas, para se descobrir de barco.

Barco no porto de Paraty

Graças aos nossos queridos amigos e velejadores Guilherme e Kátia, tivemos o privilégio de fazer várias descobertas pela Baía de Ilha Grande. O Bistrô nos leva ao final do dia a uma praia que nunca vimos antes, num azul de mar idem, e aí vem a revelação que seu nome não foi em vão. Depois de um dia no mar, a fome é implacável e as panelas começam a fumegar com o talento digno de um chef de cozinha chamado Guilherme. Mas não quero restringir a viagem de ninguém. Quantas e quantas vezes eu e a Carol chegamos no porto logo cedinho e negociamos com algum barqueiro nosso passeio do dia. O valor é pelo tempo que se fica fora, mas vale cada centavo. O barco não tem luxo, mas o suficiente para nos deixar felizes. Sempre tem espreguiçadeiras para esperar a chegada de alguma parada, um isopor que ele providencia cheio de gelo pra garantir a cerveja e nada mais. Só o vento e o barulhinho do motor, que é amenizado com nosso iPod e nossas trilhas prediletas. Não importam as paradas, mas com certeza serão muitas. Lembre da Ilha do Mantimento, da Bexiga, do Cedro, do Algodão, da Cotia, que é super abrigada e segura para ancorar. Bateu aquela fome? O barqueiro (ou seus amigos velejadores) te levam para um ótimo restaurante, o Hiltinho da Ilha do Algodão. A matriz fica em Paraty, mas comer com esta vista, não tem preço. Peça o camarão casadinho e divirta-se.

Vista do Hiltinho da Ilha, Paraty

Ostras a domicílio, Ilha da Cotia

Hora de voltar pra cidade (nada de viajar até lá só pra passar o dia e voltar), e curtir a noite, mas como ainda é fim do dia, um grande programa é degustar a melhor cachaça da cidade, a Maria Izabel. O sítio, que fica à beira mar e a poucos quilômetros de Paraty, já é um programa e tanto e ainda com a degustação da própria Maria Izabel, o programa se torna imperdível e único. Eleja o motorista da vez e é hora de voltar. Já é quase noite, mas todas as lojinhas e ateliers ficam abertos até tarde, e fazer a siesta caminhando, é o melhor programa de todos.

Cachaça Maria Izabel, sítio Santo Antônio

Pra comer são muitas as opções, mas prefira os frutos do mar. O gostoso Thai Brasil é uma boa opção e eles maneram na pimenta. As pousadas também são muitas, e algumas delas estão se renovando, como a Pousada da Marquesa (prefira os quartos que não dão para a praça por causa do barulho), a Arte Urquijo que é super tranquila e tem muito charme, ou se orçamento não for problema, opte pelo design único da Casa Turquesa. Já deixe o programa combinado para o dia seguinte com o barqueiro. Vem aí mais um grande dia pela frente na cidade de tantos estrangeiros que vem ao Brasil, da Flip, de Amyr Klink, minha, sua e de todos nós. Ale Ravagnani

 

 

 

 

 

Paraty, RJ

Hora de voltar e curtir Paraty

 

Londres, a cidade menos óbvia do mundo

Um roteiro por Londres é tarefa quase impossível de se resumir. Tem tanto pra se ver e se fazer, que gostaria de me desculpar pela superficialidade das dicas que estou escrevendo. Se a ideia for mesmo ir para lá, não deixem de ler 1.000 Things to do in London, publicação editada pela Time Out. Este é outro bom resumo do que a cidade tem.

Abbey Road, Londres

Tate Modern. O museu é fantástico e fica na frente da ponte de pedestres Millenium Bridge no Tâmisa. O prédio era uma antiga usina de energia, austero e gigantesco, todo de tijolo que o escritório de arquitetura Herzog & de Meuron reformou e transformou em museu. O melhor da arte contemporânea do mundo está ali. Vá pela arte, pela arquitetura, pelo pé direito interno impressionante, pela vista da cidade do café, pela loja do museu.

Exposição de Rachel Whiteread, Tate Modern

Covent Garden. Antigo mercado de flores e hoje em dia é um passeio e tanto para ver lojas criativas, ouvir música na praça central ou assistir as performances ao ar livre. Apesar de ser super turístico, tem um clima muito gostoso.

Vitrine em Covent Garden, Londres

Kings Road & Chelsea. Já no contraponto, esta rua é super badalada e não muito turística, além de estar mais na moda do que nunca. Foi aqui que a mini-saia surgiu com a Mary Quant. E Chelsea é a região dos aristocratas e um dos mais antigos bairros da cidade. Dali até o Rio Tâmisa é uma caminhada relativamente curta, e do outro lado do rio, fica colado o Battersea Park, também não muito turístico, mas muito bonito. De qualquer maneira para chegar até ele tem que atravessar uma das duas pontes, ambas bacanas. Mas voltando à Kings Road, vale pelas lojas dos designers de moda e pra ver também qual é a última moda, ou o que ainda as pessoas irão usar, pelos cafés e restaurantes da moda, para ver vitrine bonita e lojas caras. Eu morei em Chelsea anos atrás… Cada esquina tem uma história e uma lembrança pra mim.

Passeio pelo Tâmisa. Se pegar um dia gostoso (it means, sem muita chuva), vale dar uma volta pelo rio. Os barcos saem de South Bank e vão até Greenwich. Neste pequeno vilarejo histórico fica o barco Cutty Sark, além de um túnel de pedestres antigo sob o Tâmisa. O barco passa perto da barreira que controla as marés e também é o marco do meridiano de Greenwich. O clima da cidadezinha é como se voltasse há séculos.

London Bridge

Saatchi Gallery. É a grande galeria para se ver arte contemporânea inglesa. O dono, Charles Saatchi, dono da rede mundial de agências de publicidade Saatchi & Saatchi e marido da cozinheira da TV Nigella é um dos maiores colecionadores e mecenas das arte. Vale ir para saber o que está rolando em tendências criativas e de vanguarda. Fica no início da Kings Road, perto do metrô Sloane Square em Chelsea.

Jardim de Rosas da Rainha Elisabeth – Regents Park. Este parque é um dos maiores de Londres, mas chegue pelo portão de entrada próximo aos jardins de rosas. São centenas de milhares de flores, de todas as cores possíveis e inimagináveis e a época em que elas florem é no verão. Os ingleses são famosos pelos jardins, mas este impressiona mais do que todos.

Regent`s Park, Londres

Freud Museum. Esta é a última casa que Freud morou e que foi transformada em museu. O lindo divã está lá, mas não se pode sentar ou deitar nele… uma pena. Fica no norte de Londres.

Kew Gardens. Apesar de ser um pouco distante, não deixe de visitar o Jardim Botânico Real de Londres. Os jardins são impecáveis, e as estufas de vidro lindas de morrer. Tem várias esculturas espalhadas, e muito para se ver e fazer.

Museu Britânico. Este é o mais famoso museu de Londres, mas apesar de ser óbvio para estar nesta lista de passeios, está aqui só para lembrar que é lá, numa ala construída especialmente para a obra, que estão as frisas do Partenon de Atenas. A Grécia está em negociações pela devolução há anos, mas vai ser difícil a Inglaterra ceder. Na exposição das frisas no museu, que é aquela parte toda esculpida que fica (ou melhor, ficava) na parte de cima do monumento, foi colocado exatamente na posição que ficava lá na Grécia.

Mercados de rua. Há muitos espalhados pela cidade, mas alguns são tão famosos que é difícil deixar de ir. Não vá necessariamente para comprar, mas para olhar o tanto de bugiganga e coisas inusitadas que tem por ali, além de poder encontrar com os mais exóticos ingleses do mundo. É divertido e tem que ir de cabeça aberta. Alguns que recomendo é o Portobello Market, no Bairro de Notting Hill, para ver a parte das antiguidades no sábado e o mercado de Camden Town e Camden Lock aos sábados ou domingos, que tem várias áreas com coisas diferentes. Antigamente era tomado pelos punks, hoje só existem alguns para se tirar foto e dar boas risadas. www.streetsensation.co.uk/markets.htm

Portobello Road, Londres

Portobello Road, Londres

E para muito mais da programação cultural, artística e gastronômica, a primeira coisa que faço quando chego em Londres é comprar a revista semanal Time Out, que tem tudo e mais um pouco do que você vai precisar. http://www.timeout.com/london. Ale Ravagnani

Verão no Sul da França

Há alguns anos passo uma semana no fim de junho no Festival de Publicidade de Cannes. O tempo é corrido pra conseguir acompanhar a maratona do festival, com dezenas de palestras, workshops, e tentar ver o máximo de cases possíveis. Nunca consegui fazer uma viagem completa pela região e acabo passeando no dia seguinte do final do evento, cada ano conhecendo uma ou duas cidades ali por perto. E a cada ano vejo que estou subestimando o sul da França e a Provence, região que respira arte e criatividade, seja pelos artistas que ali viveram ou pelo festival mais criativo do mundo. Vejam este breve roteiro que poderia ser realizado em um semana de um verão inesquecível e pra lá de chique.

NICE. É a cidade de chegada ao Sul da França. Ali fica o principal aeroporto, então é mais fácil começar a viagem por Nice. A cidade é bonita e fácil de se conhecer. Vale a pena passar algumas horas em dois grandes museus, o dedicado a Marc Chagall e o ao Matisse. Além disso, vale conferir a bonita arquitetura da cidade, os antigos palacetes, casarões e passear a beira mar. www.musee-matisse-nice.org / http://www.musee-chagall.fr

Vitral e piano pintados por Chagall, Nice

Museu Matisse, Nice

CANNES. É a cidade do Festival de Cinema mais charmoso do mundo, e a cidade da badalação do verão francês. Todo o jet set aporta seu iate e fica circulando pela avenida principal, a Croisette. Entre restaurantes com varandas e lojas de grife, um mar muito gostoso, mas disputado a tapas.

Cannes

Loja de queijos, Cannes

MÔNACO. Um clássico da Riviera e a curta distância de Nice e de Cannes. É para passar poucas horas, mas vale parar para ver o visual num dia de céu azul, fotografar o cassino e voltar para sua cidade de apoio que pode estar ali ao lado.

EZE. Micro cidade medieval pendurada numa montanha e com uma vista maravilhosa do Mediterrâneo. Construída no século 12, possui ruínas de castelo, construções de pedra e bonitos jardins.

ANTIBES. Cidade à beira mar, mas com uma parte antiga que fica no alto. Possui o museu Picasso, que ali morou parte de sua vida. www.antibes-juanlespins.com/eng/culture/musees/picasso

ST. TROPEZ. Não é só a fama que a mantém sempre disputada. Seu litoral é muito bonito, a cidade charmosa e a badalação rola solta, mas é cara e bastante elitizada.

AIX EN PROVENCE. É a capital histórica da Provence e tem charme de sobra. Conhecida pelas fontes que estão por todos os lados, é a cidade onde Cézanne morou e fez muitas de suas obras. Aix tem ótimos restaurantes e gastronomia, hotéis charmosos e tranquilidade para relaxar e curtir a vida. www.atelier-cezanne.com/aix-en-provence

SAINT PAUL DE VENCE. A pequena Saint Paul é o lugar para se voltar no tempo, para acaminhar pelas ruelas e imaginar que há centenas de anos estava praticamente como nos dias de hoje. Se verba não for problema, não deixe de ir ao restaurante La Colombe d`Or, onde a decoração conta com obras de arte de Picasso, Matisse, Alexander Calder, entre outras.

St. Paul de Vence

GRASSE. Cidade da perfumaria francesa. O mítico Channel nº5 foi criado lá. Além da história do perfume, Grasse tem uma rica arquitetura medieval que impressiona. Ale Ravagnani

Parede em Grasse

 

Sob o sol da Toscana

A Itália por si só já desperta em nosso imaginário associações maravilhosas. A região da Toscana concentra o que de melhor essas referências representam. Para mim, as melhores paisagens, e o melhor da história, arte, cultura, culinária, vinho e muito mais, estão concentrados ali. A partir de Firenze, começa nossa rota da cultura pela Itália. Grandes museus e igrejas (que também podem ser chamadas de museus) estão em todas as cidades e tudo respira arte. Grande parte do que foi criado pelos mestres italianos, está ali. Firenze concentra Michelangelo`s como o Davi na Galleria dell`Accademia, O Nascimento de Vênus de Botticelli e a Anunciação de Leonardo da Vinci, ambos na fantástica Gallerie Uffizi, Os Portões do Paraíso no Batistério, o Duomo de Brunelleschi, entre tanta obra de arte tão maravilhosa. A cidade cresceu bastante nos últimos anos e está muito movimentada. Quando você cansar do barulho das motonetas que ficam pra lá e pra cá pelas ruelas, é hora de voltar ao tempo e sair pelas redondezas. No caminho, campos de girassóis, oliveiras e ciprestes enfileirados são colírio para os olhos. Chegando em Siena, terra do vinho Chianti, vá direto para a praça central da cidade, a Piazza del Campo. É lá que acontece em julho e agosto a corrida de cavalos Palio de Siena, que há centenas de anos para a cidade, e tudo fica enfeitado com as cores e bandeiras dos bairros que competem na corrida. Aliás, o nome da cidade vem da cor de siena, que predomina em todas as construções, nada difere ou contrasta na paisagem. De lá, a próxima parada é San Gimignano e suas 14 torres que são símbolo da cidade. Um dia foram 72 torres-casa e representavam o poder e riqueza das famílias. Subindo na Torre Grossa, com mais de 50 metros de altura, se tem a noção da beleza do lugar. Na sequência, a pequena cidade medieval de Volterra merece mais que uma visita rápida. À noite parecemos voltar ao tempo percorrendo a cidade murada iluminada por lampiões. Apesar de não ser tão famosa quanto suas vizinhas, deve ser visitada e de preferência, passar ao menos uma noite, para sentir o clima mágico do lugar. De passagem, são muitas as cidades que temos vontade de conhecer, o difícil é escolher. Viajando de carro facilita muito e para mim é de longe a melhor maneira de ver o máximo da região e com bastante liberdade. Montalcino, terra do famoso vinho Brunello e Montepulciano, ambas pequenas cidades muradas devem estar em seu caminho também. O roteiro termina com mais paradas em Lucca e Pisa, só para termos a certeza de que a torre ainda está lá de pé. Pelo menos por enquanto. Ale Ravagnani

Toscana, Itália

Toscana, Itália

 

Atacama. Direção de arte no deserto

O deserto mais seco e mais belo do mundo fica no norte do Chile, próximo da fronteira com Bolívia e Argentina. Pra chegar até lá, não é tão difícil assim, e deve ser por este motivo que os brasileiros estão indo pra lá aos montes, mas mesmo assim longe de ser um destino popular ou muito explorado. Tenho certeza que é a propaganda boca a boca que está funcionando. Só eu já fui 3 vezes, e acho que ainda quero mais. Obviedade ou falta de originalidade na escolha das minhas férias? Muito pelo contrário, é a busca pela paz e por um estado de espírito único, a natureza selvagem em sua melhor forma, apesar de estarmos num deserto. Da última vez, fui só eu e meu pai que estava fazendo 70 anos. Minha esposa preocupada por ele com a altitude elevada de San Pedro de Atacama, mas ainda fomos além. Nosso meio de locomoção era uma bicicleta e nosso espírito era de descobertas e redescobertas juntos. O dia era bastante cheio, desde cedo passando por tudo que eu já havia visto com a Carol, mas guiando quem sempre me guiou. O ar é tão puro, a luz tem outra cor, uma incidência diferente, tudo é claro, limpo, apesar da poeira do lugar. O contraste me impressiona. É calor de dia e muito frio à noite ou quando estamos em maior altitude, vulcões por todos os lados, geysers jorrando água fervendo, lagunas em pleno altiplânico, salares brancos como a neve, mas feitos de puro sal, paisagens que parecem Marte, ruínas Incas, um céu coberto de estrelas que acreditamos estar iluminado. E além disso tudo um vilarejo simpático, parado no tempo, mas ao mesmo tempo fervendo como uma torre de Babel com todas as línguas do mundo se encontrando para um jantar à beira da fogueira, e uma taça de um bom Carmenére. Ale Ravagnani

 

Laguna Ceja e Vulcão Licancabur

Geysers del Tatio

Ojos del Salar

Salar do Atacama

Llamas posando para a foto

Vale da Lua e Vulcão Licancabur

San Pedro de Atacama

 

 

 

Um dia perfeito em Noronha

 

Baía dos Porcos e Morro Dois Irmãos

O conforto chegou à ilha. Agora as opções de hospedagem são muitas e para todos os bolsos. As famosas pousadas improvisadas nas casas dos ilhéus agora não são mais tão improvisadas assim. Passaram a ter chuveiro quente, ar condicionado, cama bacana e até um certo charme. E por outro lado, a ex-pousada do Luciano Huck, a Maravilha, subiu o padrão geral e “incentivou” várias pousadas a reformar e melhorar também. Apesar do valor médio ter subido, o conforto subiu ainda mais. Sou fã da Pousada do Vale e acho que o custo x benefício é dos melhores em Noronha. Tem charme, conforto, fica bem localizada, kit completo para praia, com cadeiras, guarda-sol, toalhas, sem falar da atenção e da receptividade com que nos recebem. Já fiquei lá duas vezes e com certeza volto. Só espero que logo!

O dia perfeito em Fernando de Noronha começa cedo (pelo menos para as férias).

– 8h30. Tomamos um café da manhã reforçado para aguentar um dia de muito sol e mar. Tapioca, sucos naturais com frutas do pomar da pousada, queijos, frios, bolos… e eu vou parando por aí.

– 9h30. Começamos o dia na Praia do Boldró. Apesar de não ser considerada a número 1 da ilha, pra mim é a mais gostosa de todas, não tem muvuca, é ótima para caminhar e no lado esquerdo da praia formam umas piscinas naturais que na verdade são aquários em que a gente pode entrar e nadar com os peixinhos coloridos. Com snorkel e máscara vimos até um polvo nas pedras.

– 12h. Rumamos para o Porto para fazer um passeio de barco pela ilha. O barco passa por várias praias, encontramos muitos golfinhos pelo caminho e um dos pontos altos é a passagem pelo morro Dois Irmãos, Baía dos Porcos e a parada no Sancho. Esta última só se chega de barco como fizemos ou descendo uma escadaria encravada nas rochas. Vale a pena chegar na praia mais bonita do Brasil de qualquer uma das maneira.

– 16h. De volta, pegamos novamente nosso bugue alugado (e detonado como a maioria) e vamos para a Praia da Conceição, considerada a mais urbana da ilha, apesar de ser bem tranquila e linda de morrer. Ao invés de ficar estirados na areia, resolvemos dar um tempo pra pele e ficamos no Bar Duda Rei, o único da praia e considerada a cerveja mais gelada da ilha e talvez do mundo! Mesmo numa mesinha de plástico e pé na areia, a impressão de estar no paraíso continua firme. E entre um gole e outro, uma parada para mergulho. Digno de rei!

– 17h30. O por do sol está chegando e voltamos ao porto para este momento quase religioso de Noronha em dia de céu aberto. O lugar escolhido é o Mergulhão, um bar-restaurante recém aberto no estilo lounge com música boa, decoração bacana e uma das melhores vistas da ilha para o fim do dia alaranjado. Como ele fica meio no alto, a localização é estratégica.

– 18h30. Partimos dali e andamos 500 metros para a famosa igrejinha. No outro lado da ilha, o chamado Mar de Fora (voltado para a África), a lua cheia estava nascendo. Poucos minutos depois de ver o sol se pondo no Mar de Dentro (que é voltado para o continente e que fica a 350 km dali) logo abaixo do porto e emoldurado pelos barquinhos e pelo Morro do Pico, a lua nascia gigante, iluminando o mar e fechando o dia.

– 19h. Hora de voltar pro nosso bangalow, descansar um pouquinho, mas não muito e se preparar para sair.

– 20h. Começa a palestra do Ibama no Projeto Tamar, que todas as noites, biólogos muito bem instruídos e treinados, falam sobre um tema da natureza da ilha em cada noite. Pode ser sobre tubarões, tartarugas, golfinhos, mas sempre vale a pena ter a impressão de fazer parte do National Geographic Channel ao vivo. Todos os turistas se encontram ali, seja para ver o bem montado museu, tomar um expresso ou comprar camisetas na lojinha depois das palestras.

– 21h30. A fome já apertou e jantar um peixe do dia ou frutos do mar no Cacimba Bistrô, cai como uma benção. E o vinho branco geladinho só ajuda a embalar aquele soninho e dormirmos como anjo para nos preparar para o próximo dia perfeito em Noronha. Ale Ravagnani