Tiradentes. Êta trem bão, sô!

Tiradentes e suas ladeiras

Rua vista da Igreja Matriz

Cair da noite

Rua típica da cidade

Nenhuma outra cidade do interior do Brasil, conseguiu aliar características tão bacanas quanto a pequena Tiradentes, no interior de Minas Gerais. Motivos de sobra para atrair visitantes de todos os gostos.
Agora que as chuvas passaram e tudo volta ao normal, quem não conhece esta jóia da arquitetura barroca, vai se encantar.
Tenho muitos motivos para convencer a qualquer um e vou listar o que pra mim é de mais evidente, mas sempre digo que cada pessoa faz suas próprias descobertas ao viajar, e com certeza outros atrativos surgirão quando você for a Tiradentes.

1. Arquitetura colonial intacta

Matriz de Santo Antônio

Matriz de Santo Antônio

Interior de ouro da Matriz

Relógio de Sol em pedra sabão

Casario colonial típico

Chafariz de S. José

Poucas cidades do Brasil tem um patrimônio artístico tão impresssionante que se manteve ao longo dos séculos. A cidade cresceu de maneira ordenada e bem preservada. O casario colonial continua lá como foi concebido no início de 1700, graças à abundância do ouro. A Matriz de Santo Antônio construída em 1710 é a segunda igreja com mais ouro do Brasil e o órgão de tubos de 1788 é considerado um dos mais importantes do mundo e acontecem recitais às sextas-feiras à noite para ajudar você a voltar no tempo.

Muitas outras igrejas, também históricas, estão pela cidade inteira, e outros marcos históricos como o Chafariz de São José, o calçamento original, museus e monumentos estão ao seu alcance bastando uma simples caminhada pela cidade. Uma curiosidade é que a Rede Globo e muitos diretores de cinema utilizam a cidade como um cenário a céu aberto e fazem dela uma locação autêntica de época. Nenhuma outra cidade foi tão filmada, talvez graças ao bom estado de preservação, à fiação subterrânea dos postes que não deturpa o visual ou ao simples motivo de que passear por Tiradentes é quase que viver em outra época.

2. Uma região que respira arte

Atelier em Bichinho

Artesão de pedra sabão

Loja em Tiradentes

Arte em tecido

Flores de metal e sucata

Diferença no detalhe

Cerâmica do Vale do Jequitinhonha

Prepare-se para entrar nas lojas de móveis, antiguidades e visitar os ateliers de arte. São muitos e estão por todos os lados. No centro histórico bons ateliers que produzem arte como bordados, esculturas em madeira, estanho e pedra sabão e bons móveis dominam o comércio. No início da cidade, antes de acabar a estrada, boas opções de antiquários e fabricantes de móveis estão nos dois lados da via.

– Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

Oficina de Agosto, Bichinho

A vila de Bichinho, a poucos quilômetros de Tiradentes, sofreu uma completa mudança depois que a Oficina de Agosto, do artista plástico Toti chegou e começou a desenvolver os habitantes locais para criar um artesanato mais elaborado e criativo. Dezenas de outros ateliers surgiram e deram uma cara de Vila Madalena (bairro paulistano com muitos artistas, galerias e lojas criativas) para o sertão de Minas, mudando completamente o que é produzido e agregando valor e personalidade ao local. Hoje são dezenas e pequenos ateliers e lojas onde é fácil passar o dia visitando e se inspirando.

Outras cidades vizinhas se especializaram em ramos diversos e oferecem o que de melhor se produz na região.

– Resende Costa

Esta pequena cidade tem o tear como sua melhor expressão, com uma grande produção de tapetes, cortinas e tudo mais que se pode se fazer em tecido de tear.

– Coronel Xavier Chaves

O Engenho Boa Vista é considerado o mais antigo em atividade no Brasil e produz boa cachaça. Além disso, se você procura esculturas ou objetos utilitários em pedra sabão, está no lugar certo, mesmo que seja somente para apreciar o trabalho dos artesãos.

– São João del Rei

Igreja projetada por Aleijadinho

Rua das Casas Tortas, S. João del Rei

Aqui a atração não é somente o artesanato, mas se esta for sua intenção, procure pelos produtores de estanho. São vários fabricantes e estes possuem lojas de fábrica. Mas não deixe de visitar o casario barroco e seus antigos solares, como o dos Neves, as igrejas que o Aleijadinho projetou e caminhar pela rua das Casas Tortas.

3. Ótima gastronomia

A simpatia da Chef Beth Beltrão, Viradas do Largo

Não é só pelo Festival Gastronômico que acontece todo mês de agosto, que a fama de se comer bem em Tiradentes correu por aí. Além da maravilhosa comida mineira como o excelente Viradas do Largo comandado pela super chef Beth Beltrão, mas também pela diversidade da culinária local. Cuidado com os preços altos e muitas vezes é obrigatório fazer reserva para jantar, mas alguns italianos chamam a atenção como a Trattoria Via Destra, a pizza do Atrás da Matriz é bem gostosa para os domingos, o restaurante Tragaluz e sua comida mais elaborada surpreende na apresentação, cenário e a comida é de qualidade e o Theatro da Villa principalmente pelos altos preços, apesar de ter uma culinária bastante inspirada. Mas no fim da viagem, percebemos que todos os caminhos nos levavam à Beth. Obrigado pelo carinho e amor com que você faz seus banquetes.

4. Atrativos para todas as idades

Maria Fumaça saindo de Tiradentes

Como antigamente...

Museu do automóvel

Não é só para os mais velhos que Tiradentes costuma ser atrativa. Uma autêntica Maria Fumaça, numa rota que liga a cidade até São João del Rei, parte aos finais de semana numa volta ao tempo do pouco que sobrou do transporte ferroviário no Brasil. A viagem na composição puxada pela locomotiva construída na Filadélfia tem um ar de antigamente e nos dá a oportunidade e viver algo em esquecimento por aqui. Mas outros atrativos não faltam, como diversos cavalos que puxam charretes pelo centro histórico, um tour noturno patrocinado pelo Museu do Automóvel perto de Bichinho, o Festival de Cinema de Tiradentes que acontece em janeiro ou simplesmente o não fazer nada e aquela preguiça de depois do almoço que este tipo de lugar convida. Não que o tutu de feijão não tenha parte da culpa…

5. Natureza privilegiada

Vista da Serra de São José

Vista da cidade do Morro da Igreja S. Francisco de Paula

Natureza até na cidade

A Serra de São José domina a paisagem e o paredão de mais de mil metros de altura emoldura a cidade e dá uma vasta opção de passeios ecológicos e caminhadas. No caminho, uma vegetação bastante rica e cachoeiras para se refrescar. Sem contar com trechos da antiga Calçada do Ouro, onde os escravos passavam com os carregamentos de ouro. Os passeios são mais apropriados para serem feitos com guias locais e podem ser feitos a pé ou de Land Rover por outras trilhas.

6. Excelente infraestrutura

Hotel Solar da Ponte

Pousada Lis Bleu

As pousadas surgiram por todos os lados e para todos os bolsos. Você tem a opção de ficar no majestoso Solar da Ponte, um dos casarões mais bonitos de Tiradentes, onde é servido um autêntico chá inglês com sotaque mineiro todas as tardes ou ainda ficar com muito conforto em lugares menos ostensivos como a novíssima Pousada Lis Bleu, que um casal de paulistanos montaram a cerca de um ano com muito bom gosto e romantismo. Os quartos ficam espalhados pelo terreno, em pequenos conjuntos com bastante privacidade, o café da manhã é indescritível e um queijo da Serra da Canastra está à disposição para ser derretido na chapa do fogão à lenha que está sempre à postos. Além disso, sucos naturais, bolos, pães, tudo super caseiro e com gostinho de Minas. Se sobrar tempo, aproveite a pequena piscina e a sauna localizados na parte mais alta da pousada e com uma linda vista de toda a Serra e parte da cidade.

Nos finais de semana o apito da Maria Fumaça soa logo abaixo, já que estamos vizinhos da antiga estação de trem.

Êta trem bão, sô!

Ale Ravagnani

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África do Sul essencial

Este é um país que vai surpreender você. De uma maneira ou de outra, vai te pegar de jeito. Se você é do tipo que gosta de natureza, a vida selvagem é um prato cheio, assim como a região da província do Cabo com suas belas praias e cenários ao ar livre. Mas se você aprecia um bom vinho, cidades charmosas, gente educada e um turismo altamente organizado, a região vinícola de colonização holandesa, próxima à Cidade do Cabo, definitivamente é a sua praia. E se você curte tudo isso e ainda gosta do melhor do que as grandes cidades oferecem, fique com tudo e não perca por nada a bela Cidade do Cabo. Aqui vou apresentar um resumo do melhor que o país pode oferecer a você. Programe-se porque não vão faltar lugares pra você conhecer, e ainda vai querer voltar.

Savana africana - Mabula Game Reserve

Girafas na reserva Mabula

Avestruz na beira do lodge do Mabula

JOHANNESBURG
A grande cidade da África do Sul é um lugar de grandes contrastes. Apesar de ser a porta de entrada do país, não a use como sua base. Fique o suficiente para dar uma olhada por cima e zarpe para novos portos. Faça um passeio pelo centro, mas de carro. O bairro de Sandown é o mais tranquilo e seguro, mas não se parece em nada com a aquela África que imaginamos. Acho que vale também um tour guiado pelo Soweto, é só não ir por conta própria. Há muitas empresas que fazem tour pelo local e te levam diretamente nos pontos mais estratégicos e históricos.

PRETORIA
Além de ser a sede do governo e ficar a pouco mais de 50 km de Johannesburg, acho que vale a pena passar um dia na cidade. Por ser a capital administrativa da África do Sul, diversos edifícios históricos e seus jardins compõe esta bela cidade. Union Buildings, Melrose House, Kruger House, entre outros devem fazer parte de seu city tour. Se você ainda não conseguiu fazer um safári bacana, vá ao zoológico da cidade. Tem um teleférico e você vê tudo por cima e no lado de fora tem uma feira de artesanato, com muita coisa de madeira esculpida, bonecos da tribo Masai, colares de contas coloridos e muito mais. Aliás, um item importantíssimo nesta viagem. Acho que nunca vi artesanatos tão bonitos e de tão bom gosto em nenhuma outra parte do mundo.

Artesanato em Pretoria

CIDADE DO CABO
É linda mesmo, além de muito agradável. Mas não deixe de alugar um carro. Muito melhor do que ficar pegando excursões, táxis e ônibus. É um lugar pra ser curtido, sem pressa, olhando o sol se por e sem ninguém nos apressando. Suba na Montanha da Mesa de bondinho pra curtir a vista estonteante lá de cima. Ainda dá para fazer algumas caminhadas, fazer picnic e com sorte, avistar um pouco de fauna. Lá embaixo, o Victoria & Albert Waterfront parece pega turista, mas é uma delícia. Na beira d`água, os leões marinhos são a grande atração. Os prédios antigos são lindos, com lojas e restaurantes bacanas e ainda um cinema Imax, daquele da tela gigante, onde a grande atração são os filmes sobre a fauna africana. Além disso, a cidade é bem gostosa e tem muito que fazer. O bairro malaio é interessante com suas casinhas coloridas e você não pode deixar de ir à Robben Island, que foi descoberta por Bartolomeu Dias e onde o Mandela ficou preso por 18 anos. Mas tem que agendar o barco com certa antecedência para se chegar até a esta ilha distante 11 km da cidade. Uma boa opção de hospedagem na Cidade do Cabo são os Bed & Breakfast, tradição inglesa de hospedagem onde uma família te recebe praticamente na casa deles. Fiquei em um super legal e bem localizado. Ele fica num casarão antigo lindo, a dona é ótima e tem um cachorrão que vira amigo de todo mundo, além de ter uma localização ótima, bem pertinho do pier.

Victoria & Albert Waterfront, Cidade do Cabo

Montanha da Mesa, Cidade do Cabo

PROVÍNCIA DO CABO
Apesar de ser uma região relativamente pequena, tem muita coisa pra se fazer, muita cidadezinha pitoresca no melhor estilo holandês, vinícolas, reservas ambientais à beira mar, região das flores selvagens (Protéia é a flor nacional e é da família das alcachofras) e até mesmo parques de animais selvagens como zebras e elefantes bem na costa (Zebra e Addo Elephant Park).

– Região dos Vinhos ou Cape Dutch
As principais cidades produtoras de bons vinhos são Stellenbosch, Paarl, Franschoek e Constantia. Além dos holandeses, os franceses também passaram por lá e deixaram marcas, como o monumento dos Huguenots franceses que foram para Franschoek em 1700. No geral, além de excelentes e consagrados vinhos, onde as principais vinícolas abrem suas sedes para oferecer degustações (normalmente gratuitas), repare na arquitetura e no cuidado que estas pequenas cidades tem com seus jardins, casas, restaurantes. Tudo é impecável e a África do Sul recebe como ninguém turistas do mundo inteiro.

Cidade de Stellenbosh

Cidade de Franschoek

Vinícola Fairview

– Cabo da Boa Esperança
Dá pra passar o dia por lá. É um parque e marca a “divisa” entre o Oceano Atlântico e o Índico. Logo no começo da entrada do parque, estacione o carro e espere os babuínos se aproximarem. Mas não dê comida porque eles são mais espertos e rápidos que a gente e normalmente estão esfomeados. De qualquer maneira, o parque da Boa Esperança é um ótimo lugar pra curtir a natureza e fazer ótimas caminhadas. Leve vinho, queijos e pães e faça seu picnic. Só não fique muito perto da macacada. Não muito longe de lá e a apenas 15 km de Cape Town, existe uma estrada chamada Chapman`s Peak Drive. É imperdível e as vistas são de tirar o fôlego. Algumas cidadezinhas lindas estão no seu caminho e é só ir parando também, como Hout Bay, Camps Bay e Simon`s Town, são charmosas e paradas obrigatórias na sua viagem. Também a partir do Cabo, sai a Garden Route. É um rota turística com várias cidades também interessantes e que valem serem visitadas. Este trecho é bastante organizado, com muita sinalização e informações históricas.

Dobrando o Cabo da Boa Esperança

Babuínos no Parque do Cabo da Boa Esperança

Praia de Simon`s Town

– Garden Route
Mossel Bay – onde o primeiro Europeu chegou na África, Bartolomeu Dias, e um pouco depois chegou o Vasco da Gama. Tem um museu bem bacana com a réplica da caravela.
George – outra cidade bonita e cenográfica.
Knysna – cidade da costa também e com uma lagoa linda. É um lugar pra lá de fotogênico, e se você gosta de ostra, o melhor lugar do mundo. O pôr do sol entre a logoa de Knysna e o mar é lindo.
Tsitsikamma National Park – fantástico! Fica a um pouco mais de 100 km da Cidade do Cabo, mas vale a pena. O visual é único, com suas pontes pencil para pedestres e trilhas demarcadas para trekking.
Jeffrey`s Bay – se surf é a sua onda, aqui é o lugar. São as maiores ondas do continente, mas a praia não é tudo isso pra quem fica olhando na areia. E aqui é o fim da Garden Route.

Por do sol na lagoa de Knysna

Knysna

O ponto extremo da África é o Cape Agulhas, região mais inóspita e agreste, e igualmente impressionante. Tem um farol daqueles de filme e parece um lugar perdido no nada. No caminho, tem um Museu do Naufrágio bem bacana, e acho que isso explica um pouco a localização de fim de mundo e de grandes tormentas para os navios. Dormimos ali perto num vilarejo de pescadores chamado Arniston, que foi tombado pelo Patrimônio Mundial. Suas casinhas estão intactas, todas pintadas de branco e alinhadas no penhasco debruçadas na praia. Outro lugar que acho que é por ali, é a cidade de Hermanus, onde as baleias ficam parte do tempo no ano, principalmente no inverno que coincide com o nosso.

Cape Agulhas

– Região do Karoo
É como eles chamam parte do interior na África do Sul, que já começa a ficar semi desértica. Apesar de ser relativamente perto da Província do Cabo, já muda toda a cara. A cidade de Oudstshoorn é a sede mundial dos avestruzes, e dá para visitar as fazendas, comer a carne da ave, que por sinal se parece bastante com carne vermelha, porém muito mais magra e saudável e até andar neles, mas esta parte a gente pula. Na passagem, as Cango Caves são cavernas imensas e muito bonitas e para dormir, pare no vilarejo de Matjiesfontein e tenha a sensação de voltar séculos atrás e de ser transportado para outra época.

Vilarejo de Matjiesfontein

Ale Ravagnani