Dia de Feira na França

Toda boa refeição na França começa na feira.

Marché Forville em Cannes, sul da França

Do mar para a mesa, Cannes

Ladurée e o macaron de flor de laranjeira

A tradição da gastronomia francesa vem de muito, muito tempo. Os chefs são considerados estrelas desde os tempos do grande cozinheiro Antoine Carême que viveu no século XVIII, no auge da Revolução Francesa e ficou conhecido como o “chef dos reis e o rei dos chefs”. Em sua vida, serviu Napoleão e depois de sua queda, Carême foi para Londres e trabalhou como chef de cuisine para o Príncipe Regente, George IV. Retornando ao continente, serviu ao Czar Alexander I em São Petersburgo, antes de retornar à Paris, onde trabalhou como chef para o banqueiro James Mayer Rothschild. Ele é lembrado como o fundador do conceito de alta gastronomia.

O grande chef Antoine Carême

Criações de Carême

Mas o que desde aqueles tempos era falado? Que toda grande gastronomia começa com bons ingredientes, e isso na França é da mais pura verdade e importância. Um dia num mercado francês, é uma viagem pela gastronomia, com os ingredientes mais bonitos que se pode encontrar, tudo muito fresco e vindo direto do produtor. É colírio para os olhos, de quem gosta de cozinhar ou somente para aqueles que apreciam uma boa refeição e sabem como é importante a base de tudo. Mas olhando toda a variedade e qualidade dos produtos, percebemos a herança que o povo francês carrega. É quase uma devoção ir ao mercado e escolher o que de mais fresco chegou para ser servido à noite em casa. E não estamos somente das grandes cidades. Praticamente qualquer cidade francesa tem sua feira livre onde todos os dias os ingredientes para uma grande refeição os esperam para irem para a panela. São tantas variedades, tantos cogumelos diferentes, trufas negras, tomates dos mais diversos tipos e cores, queijos e até uma simples abobrinha em flor se torna uma iguaria aos olhos de quem gosta de comer bem. E isso na França é levado tão a sério que faz parte da identidade nacional. E pela culinária se começa e se encerra uma grande viagem pelo ícone mundial da boa comida, seja ela feita pelas criações de um grande chef com estrelas Michelin ou por uma simples dona de casa que vem seguindo receitas que passaram de geração em geração. Bon appétit!

Ale Ravagnani

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Natureza de sobra no norte da Califórnia

Se você estiver em São Francisco, que tal conhecer os arredores da cidade e investir mais alguns dias num dos lugares mais bonitos dos Estados Unidos? Não acredito que você vai voar 14 horas do Brasil e não vai aproveitar mais esse pedaço da Califórnia. Comece bem pertinho de São Francisco. Atravesse a ponte Golden Gate e vá conhecer Sausalito (um táxi da Union Square até lá dá uns US$ 35 ida) e passe umas horinhas pelas lojas, almoce à beira mar comendo frutos do mar e beba uma boa garrafa de vinho branco da região do Napa Valley ou Sonoma. Vale ir só pra fazer isso, ver a cidade de longe, mas com uma visão que não seria possível de outra maneira e voltar. Se estiver sol, melhor ainda, senão espere o tempo firmar para ir.

Sausalito

Sausalito

Em direção ao estado de Nevada, alguns parques nacionais merecem cada curva da estrada até chegar. Primeiro reserve dois dias para o Yosemite National Park, um bonito parque com muitas montanhas e picos de granito, marco mundial para muitos alpinistas ou turistas que preferem a vista de baixo mesmo. Além disso, cachoeiras no verão e ursos ocasionais para os sortudos. No inverno o visual muda radicalmente e o parque fica coberto de branco. Outra região bacana onde no inverno é uma badalada estação de esqui é o Lake Tahoe, bem na divisa com Nevada. Se esquiar não for sua praia, o verão é a estação ideal com muita natureza pela frente.

Yosemite National Park

Yosemite National Park

Yosemite National Park

Lodge no Yosemite

Depois as opções mais urbanas vão aumentando conforme você desce, mas já que falamos em vinho, antes vá um pouco para o norte e ainda próximo a São Francisco e conheça a região do Napa. O vinho da Califórnia vem sendo reconhecido mundialmente e é uma delicia ir parando pelas vinícolas e descobrir o que cada uma tem de melhor. Vá no estilo do filme Sideways e esteja preparado para muitas boas surpresas, pare nas cidadezinhas, curta o dia visitando os vinhedos e faça muitas degustações e à noite jante em lugares surpreendentes, inclusive o 3 estrelas Michelin, The French Laundry, que fica na cidade de Yountville. Uma das vinícolas mais famosas é a Robert Mondavi, mas as pequenas tem um charme bem especial e são menos industrializadas, apesar da visita ser muito instrutiva, onde começamos pelos vinhedos, depois passamos pelos processos do vinho, visitamos as adegas e terminamos na melhor parte, que é a degustação, porque ninguém é de ferro. Tente marcar com alguma antecedência um passeio de balão para sobrevoar os campos, mas confirme um dia antes porque o tempo pode trazer uma surpresa e o balão não levantar voo como foi em nosso caso.

Vinícola Robert Mondavi, Napa Valley

Vinícola Robert Mondavi, Napa Valley

Vinhedos no Napa Valley

Pinot Noir na Robert Mondavi

Descendo para o sul em direção a Los Angeles, 3 cidades são muito especiais no caminho, e ainda ficam próximas a São Francisco. Santa Barbara é uma antiga missão espanhola e hoje transborda em charme e é inevitável pensar como deve ser gostoso morar num lugar daqueles. Tudo é perfeito, os jardins das casas, a limpeza das ruas, a educação das pessoas. Escolha um hotel charmosinho, dos menores possíveis e faça uma lua de mel lá. Continuando, pare em Monterrey e visite o maior aquário da américa. Se for no meio do ano, é a melhor época para avistar baleias e vários barcos partem em direção a elas para você conhecer esse “bichinho” mais de perto. É avistar baleia ou ter seu dinheiro de volta. Posso garantir que quando visitei a Califórnia pela primeira vez há muitos anos atrás, eu não me decepcionei e várias saltaram bem na frente do nosso barco. E a última parada (se você quiser, senão continue até LA) é a cidade de Carmel, outra cidadezinha da classificação das mais charmosas do mundo, que também fica à beira mar e que merece a continuação da lua de mel. De dia um visual de tirar o fôlego pela estrada que vai margeando a costa, a número 1 e de noite gastronomia e a tranquilidade que o corpo precisa para se recuperar das ladeiras de S. Francisco. Ale Ravagnani

Chegada no Lake Tahoe

Lake Tahoe

Lake Tahoe

Lago congelado próximo ao Lake Tahoe

O restaurante Alinea em Chicago é mesmo o melhor dos Estados Unidos?

Acabamos de conferir se é verdade tal feito. O restaurante de Chicago, além de ser o melhor na terra do Tio Sam, é considerado o 7º melhor restaurante do mundo. Falta para nós, simples mortais, parâmetros para comparação, mas que é uma experiência única isso é sem dúvida e ele cumpre cada centavo gasto nas quase 4 horas de degustação. É uma verdadeira experiência e a pergunta deve ser se ele é bom para você e não necessariamente para o mundo. No total são 16 pratos, ou melhor falando, micro-pratos, mas somando tudo compõe uma bela refeição. Alguma vezes ficamos com aquele gosto de quero mais, mas a ânsia pela próxima experiência se sobrepõe a qualquer gula momentânea. Começando do começo, desde quando resolvemos reservar este banquete para 3 amigos viajando juntos para Chigago, são diversas as particularidades que marcam este restaurante. Foram muitas as trocas de email para se certificar que realmente iríamos encarar a maratona, e as perguntas iam de alergias a algum tipo de alimento, a questões se poderíamos subir escadas. Depois de tudo acertado e checado, chega o grande dia. O ambiente reina a sobriedade, acredito eu para ressaltar somente a comida e nada mais. O início vem com canapés de pequenas porções, mas ao invés do esperado de um aperitivo, texturas inesperadas, sabores que se sobressaem, contraste de texturas, do frio e do quente, mas sempre o inusitado predominando. Um verdadeiro show aos olhos, com uma apresentação impecável, serviço muito solícito, harmonização de vinhos maravilhosos e sem muita afetação. Nosso garçon era simpático e quebrava a formalidade do restaurante. É praticamente um atendente e um sommelier por mesa, mas sem o serviço ser sufocante ou perdermos a privacidade. Alguns pratos que pensamos ser quentes, vem congelados e com textura surpreendentes, outros vem saindo fumaça e não estão necessariamente congelados. As espumas, tão em moda na linha molecular de Ferran Adria aparece, mas vemos que não é pelo modismo, mas sim por ser importante no sabor e na composição. Comemos pelos olhos também, antes mesmo de saber se o sabor agrada. Cada prato ou melhor, colherada, é uma descoberta de sabores e de explosão de cores. É refeição preparada por chef e por artista plástico dos melhores, para se lembrar para sempre. Esqueça a conta e lembre sempre dos sabores e do momento. Neste caso pagar com cartão de crédito não é o mais indicado. A lembrança tem que ser do momento e do sabor e não da conta no final do mês. Ale Ravagnani com a colaboração de Rino Baccin e Marcio Manno

Sobremesa da noite

Menu do restaurante Alinea