Patagônia Argentina é logo ali. E você, não vai?

Trânsito típico da Patagônia

Mais uma vez vou falar sobre um dos lugares mais fascinantes da terra, e só de pensar que o país é nosso vizinho, já dá vontade de voltar. Estive lá em 3 oportunidades e todas foram fascinantes, vi coisas diferentes e posso afirmar que voltaria ainda outras vezes. Antigamente eu não queria voltar para um mesmo lugar mais de uma vez, mas depois quando você começa a ficar mais seletivo é que se percebe que voltar para um lugar que se gostou muito, é voltar para fazer novas descobertas e redescobrir o lugar, e quando falo de um lugar como o sul da Patagônia, bem na pontinha da América do Sul, sempre haverão surpresas, novos caminhos e descobertas. Diferente de Torres del Paine no Chile, aqui saímos na vantagem pela facilidade de chegar. De Buenos Aires ou Santiago, pega-se um voo direto para El Calafate, cidadezinha muito agradável e base para muitas explorações.

Navegação no Lago Argentino

Côndor, a maior ave da terra

Canal bloqueado por icebergs

Língua de gelo do Glaciar Spegazzini

Gelo à vista!

Paredão de gelo do Perito Moreno

"Caverna" no Perito Moreno

A maior de todas as aventuras é o Parque Los Glaciares e a geleira monumental Perito Moreno. Ela é tão grande e o paredão de gelo que se forma na beira do lago tão alto, que parecemos ínfimos nessa maravilha da natureza. Se está derretendo, provavelmente sim. Não é à toa que muito frequentemente ouvimos estrondos do gelo que vão se desprendendo e caem no lago formando ondas bastante altas. Em aproximadamente 1 hora, numa viagem por uma boa estrada, se chega ao glaciar e as opções dos passeios são muitas. Pelas passarelas, que ficam em uma península bem em frente, se tem uma visão privilegiada em diversos pontos e podemos visitá-la caminhando em terreno firme. Também se pode caminhar sobre o glaciar, munido de grampões e guia especializado. Saindo de barco de El Calafate, também se chega no mesmo lugar, mas por uma viagem pelo Lago Argentino e seu azul quase irreal. No percurso, montanhas dos dois lados e a passagem pelo canal dos icebergs, com suas inúmeras formas, tamanhos e cores até chegar Glaciar Spegazzini e no Onelli, menores que o Perito, mas também impressionantes. A empresa operadora do barco também prometeu parada no Glaciar Upsala, outro gigante do gelo, mas o caminho estava praticamente fechado pelos icebergs e foi impossível chegar perto. Vimos só mesmo de longe e aí acreditamos no aquecimento global e seus efeitos imediatos. Apesar da viagem ser longa, é uma experiência inesquecível e o barco, aliás muito confortável, passa praticamente raspando pelo gelo. A disputa no deck para fotografar é grande, mas você vai ficar tão hipnotizado pela paisagem surreal que nem vai ligar. De volta a El Calafate, invista numa boa churrascaria para provar muita carne argentina e o verdadeiro cordeiro patagônico. Diferente do Chile ou das cidades costeiras, aqui o forte são as carnes. A Casimiro Biguá não nos decepcionou e nossas noites eram a base de um bom Malbec para esquentar as noites frias do curto verão patagônico. Ou seja, pense bem no mês de sua viagem. Para dormir na cidade, são inúmeras as opções, desde hotéis a pequenas hospedarias. Nas duas vezes que estivemos na cidade, optamos pelos chalés Santa Mônica Aparts. Fica bem localizado, perto de tudo e os chalés no estilo “log house” são um charme.

Chegada em El Chaltén

Fitz Roy no meio das nuvens

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Glaciar Viedma

Se você está buscando um visual ainda mais selvagem e realmente isolado do mundo, siga para El Chaltén para ver uma das montanhas mais impressionantes da região. O Fitz Roy é quase um prêmio para trekkers e andarilhos do mundo inteiro que escolhem para suas caminhadas de dias no meio da natureza selvagem. O visual das montanhas é bastante parecido com o de Torres del Paine, com formações pontiagudas e algumas geleiras penduradas nas entranhas de seus picos rochosos. O pequeno vilarejo de Chaltén é bem simpatico, mas a impressão é que se chegou no fim do mundo. Muitas vezes a simples tarefa de andar é quase impossível, dada a velocidade do vento. Além de muita caminhada no meio da natureza, o Lago Viedma e a geleira de mesmo nome está ali não muito distante. Chegando no porto, toma-se uma embarcação de menor porte que em El Calafate para chegar na beira do glaciar. Até pensei que seria mais do mesmo, o mesmo tipo de formação das outras geleiras, mas apesar dela não ser muito grande, pelo menos a parte que está acessível aos nossos olhos, o contraste com o azul da água, a coloração do gelo e o tom amarronzado único das pedras transforma o momento numa viagem inesquecível. Pode se preparar para chacoalhar no barco e sentir a força do vento, mas não vai dar pra se arrepender.

Paisagem de El Chaltén

Fim do dia no Lago Argentino

A minha viagem termina por aqui, mas já está na cabeça novas andanças, desta vez chegando até Ushuaia. Também está na pauta a viagem que fiz para a Patagônia mais central, tanto no Chile quanto na Argentina. Essa viagem começa em Bariloche, desce até onde ainda existe Estrada, cruzamos a cordilheira dos Andes para entrar no Chile e subimos até Puerto Montt. Tudo isso de carro pela Carretera Austral. Mas isso é uma outra história que depois eu conto. Ale Ravagnani

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Torres del Paine. Onde as torres tocam o céu

O parque nacional de Torres del Paine, no extremo da Patagônia chilena e reserva da Biosfera pela Unesco, com certeza é uma das grandes paisagens da Terra. Seu ecossistema único no meio da desértica Patagônia possui um microclima que nos presenteia com espécies só ali encontradas, montanhas altíssimas, geleiras e vida animal abundante. Isso tudo com uma ótima infra-estrutura de transporte, hotéis e excelentes guias. O início dessa viagem se dá depois de um voo de 4 horas de Santiago a Punta Arenas, cidade mais extrema do Chile. Aproveite para ver o Estreito de Magalhães e mesmo navegar por ele até a pinguineira de Isla Madalegna, que depois de uma viagem de barco de 2 horas, nos deparamos com milhares desses bichinhos engraçados, barulhentos e mal cheirosos (mas isso você tenta ignorar). A época ideal da viagem é o verão, que vai de dezembro a março, e mesmo assim espere encontrar frio razoável mas suportável, vento e quem sabe até mesmo um pouco de neve dependendo da altitude que você estiver. De volta à cidade de Punta Arenas, vale a pena dar uma volta pela cidade com suas casinhas coloridas, visitar o Museu Salesiano, que nos conta muita história da região, da fauna e da flora e escolher um dos bons restaurantes que servem frutos do mar, especialmente a centolla, caranguejo desajeitado e gigante da região e os peixes das águas geladas. Deixe o cordeiro para depois para não enjoar, pois este será o prato principal daqui pra frente. Mas se prepare que o tempo pode virar a qualquer momento e o vento gelado que vem direto da Antárctica te pegar de jeito.

Punta Arenas e o Estreito de Magalhães

Casa em Punta Arenas, Patagônia chilena

Pinguineira Isla Madalegna, Estreito de Magalhães

O parque, destino de nossa viagem, ainda está a 400 km de distância. Para deixar a viagem menos cansativa, prepare-se para parar e ficar um dia em Puerto Natales, pequena cidade pesqueira, à beira de um fiorde e encravada no meio das montanhas. Uma maneira pra lá de diferente de continuar a viagem é seguir de barco a partir da cidade. Primeiro toma-se um pequeno barco, porém com parte coberta e algum conforto passando por diversos glaciares como o Serrano e o Balmaceda e lagos cobertos de icebergs que dão show para qualquer aprendiz de fotógrafo. Quando se está mais próximo do parque, trocamos de barco para um bote chamado zodiac e começamos a sentir a verdadeira natureza selvagem da Patagônia navegando pelo Rio Serrano. Sabe quando a viagem até o lugar é o passeio? Neste caso isso é verdade.

Glaciar Serrano, Puerto Natales

Torres del Paine é enorme e provavelmente seu hotel providenciará os passeios com transporte e guias. Na primeira vez que estivemos lá, ficamos na Hosteria Grey, bem em frente ao lago Grey e à geleira de mesmo nome que fica ao longe. Quase não a notamos, mas quando vemos os icebergs chegando relativamente perto das margens do lago, nos damos conta de onde estamos. Na última vez ficamos no Hotel Las Torres, bastante confortável e profissional, com uma localização boa, mas não tão impressionante quanto o Grey. Quando se caminha o dia inteiro em uma região com clima hostil, escolha um lugar para ficar com um mínimo de conforto. Uma boa noite de sono é garantia de um dia com energia e disposição. Alguns hotéis do parque envelheceram e é bom checar as condições antes de reservar. Para o primeiro dia, faça um tour chamado Full Paine, que dá um giro completo de reconhecimento pelo parque, passando por diversos lagos cor azul, verde, cinza e mais tantas outras cores, cachoeiras cristalinas (Salto Grande, Salto Chico e Saltos del Paine), mirantes, o Maciço Paine, com mais de 3.000 metros de altura, e muita vida animal com condores (a maior ave existente com evergadura que pode chegar a 3 metros), ñandu (um tipo avestruz local), huemul (espécie de alce que está em perigo de extinção), guanacos, o temido e arredio puma, além de muitas espécies de aves. Se der tempo, vale a pena pegar o barco para visitar o Glaciar Grey e fechar o dia em grande estilo. Este é o dia de reconhecimento da região e daqui em diante, as expedições poderão ser mais específicas para partes do parque e muitas caminhadas com diferentes níveis de dificuldades. As opções são infinitas e a cada hora do dia, dependendo da luz, as torres del Paine vão mudando de cor e ao entardecer estão avermelhadas refletindo a luz do sol. Uma coisa é certa, você não vai enjoar desse cenário. Tente ficar alguns dias no parque para que seu contato com esta natureza formidável não seja superficial, mas programe-se já que os hotéis lotam com meses de antecedência. Cada parte em que se caminha é uma surpresa, as flores estão em seu auge, os animais com seus filhotes recém nascidos e o dia é longo o suficiente para você ter a luz do dia a seu favor. Anoitece muito tarde no verão só pra gente aproveitar muito mais. Mas ainda tem muito mais da Patagônia. Logo vou falar da parte que está na Argentina e suas geleiras incríveis já que a região merece muitas e muitas viagens. Ale ravagnani

Maquete de Torres del Paine, Hotel Las Torres

Torres del Paine

Whisky com gelo milenar, Glaciar Grey

Saltos del Paine

Cavalos do Hotel Las Torres

Lupinos, flor da Patagônia

Papoulas, Torres del Paine

Ponte estreita, caminho do hotel Las Torres

Sabores que valem uma viagem

Mexilhões com batatas fritas

Como um bom garfo, muitas de minhas memórias de viagens são gustativas. Ficaram numa boa mesa de restaurante ou numa simples refeição de rua. Um sabor marca pra sempre o lugar onde você está, a companhia, as histórias, a cidade. Quero dividir algumas lembranças que nunca mais saíram da minha cabeça, por mais trivial ou sofisticado que sejam. Aliás, uma ótima maneira de se viajar, é experimentando o que o povo local come. O chef-viajante Anthony Bourdain que diga! Ale Ravagnani

Moules com Fritas servido na panela no mercado das pulgas em Paris (Puces de Saint Ouen)

Hot Dog de rua em Nova York (mas prefira o kosher, que parece mais limpinho)

Ostras na beira da lagoa de Knysna perto da Cidade do Cabo

Bolinho de Polvo comido em pé nas ruas de Tóquio

– Qualquer refeição com frutos do mar, legumes e “pouca pimenta” (que já é muita) em Bangkok

– Picnic com pão, presunto parma e um pedaço de parmesão com uma taça de vinho na região do Brunello di Montalcino na Toscana

Centolla (caranguejo gigante) no sul do Chile

Cordeiro na brasa na Patagônia argentina ou chilena

Cerejas no verão na Espanha ou onde você encontrar na Europa (pelo tamanho e pelo preço de dar raiva)

Pastel de Belém saído do forno quentinho ao lado do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa

– Qualquer pedaço de torta em qualquer esquina de Viena

– Escolher um restaurante estrelado em Londres (se sobrar algumas Libras) no último dia de viagem

Pato no Tucupi do restaurante Lá em Casa em Belém

Frutos do Mar grelhados com frutas (também grelhadas) no Cruzeiro do Pescador na Praia da Pipa

Feijão cozido devagarinho no fogão a lenha do sítio do meu pai

– Qualquer comida de mãe na volta da viagem